Segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vigésima Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Alsácio, Armel (532, Ilhas Britânicas). Bento José Labre (peregrino mendicante), Bernadete Soubirous (vidente de Lourdes, virgem), Caio e Cremêncio (mártires de Zaragoza), Calisto, Carísio e Companheiros (mártires de Corinto), Contardo de Este (peregrino), Drogo de Sebourg (eremita), Engrácia de Zaragoza (virgem, mártir), Estêvão da Hungria (1038), Frutuoso de Braga (bispo, abade), Lamberto de Zaragoza (mártir) , Magno de Orkney (mártir) , Optato, Lupércio, Sucesso, Marcial, Urbano, Júlio, Quintiliano, Públio, Fronto, Félix, Cecílio, Evêncio, Primitivo, Apodêmio e Saturnino (mártires de Zaragoza), Paterno de Abranches (bispo), Roque (séc XIV), Turíbio de Astorga (bispo), Turíbio de Mans (bispo), Turíbio de Palência (abade), Ursácio (séc. IV, Nicomédia)

 

Antífona: Ó Deus, nosso protetor, volvei para nós o vosso olhar e contemplai a face do vosso ungido, porque um dia em vosso templo vale mais que outros mil. (Sl 83, 10-11)

 

Oração: Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ezequiel (Ez 24, 15-24)
Quando isso acontecer, sabereis que sou o Senhor Deus

 

15A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 16"Filho do homem, vou tirar de ti, por um mal súbito, o encanto de teus olhos. Mas não deverás lamentar-te nem chorar ou derramar lágrimas. 17Geme em silêncio, sem fazer o luto dos mortos. Põe o turbante na cabeça, calça as sandálias nos pés, sem encobrir a barba, nem comer o pão dos enlutados". 18Eu tinha falado ao povo pela manhã, e à tarde minha esposa morreu. Na manhã seguinte, fiz como me foi ordenado.

19Então o povo perguntou-me: "Não nos vais explicar o que têm a ver conosco as coisas que tu fazes?"

 

20Eu respondi-lhes: "A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 21Fala à casa de Israel: Assim à casa diz o Senhor Deus: Vou profanar o meu santuário, o objeto do vosso orgulho, o encanto de vossos olhos, o alento de vossas vidas. Os filhos e as filhas que lá deixastes, tombarão pela espada. 22E fareis assim como eu fiz: Não cobrireis a barba, nem comereis o pão dos enlutados, 23levareis o turbante na cabeça, as sandálias nos pés, sem vos lamentar nem chorar. Definhareis por causa de vossas próprias culpas, gemendo uns para os outros. 24Ezequiel servirá para vós como sinal: Fareis exatamente o que ele fez; quando isso acontecer, sabereis que eu sou o Senhor Deus". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Ezequiel servirá para vós como sinal

 

Um drama familiar torna-se símbolo vivo do drama nacional. A própria vida do profeta é anúncio de uma imensa dor. Muitas vezes a dor do coração petrifica; externamente isto pode parecer insensibilidade, entretanto a dor é tão profunda e opressiva, que não vem à tona. É o caso de quem sofre intimamente pelos seus e não pode sequer exprimir-se porque seria incompreendido, desprezado, talvez causa de piores males. Neste caso, resta apenas falar com Deus, esperar nele. Mas Deus não é indiferente, insensível às nossas dores? Não. Deus é amor, e não conseguimos compreender a força desse amor. Deus vive as nossas dores em seu profeta e vivê-las-á ao máximo em Jesus, o maior dos profetas, filho de Deus e homem entre os homens. Deus não se alegra com nossos males, chama-nos à conversão para nos libertar deles (Ez 18, 23.32; 33,11). E Jesus dirá que Deus se rejubila com a conversão do pecador (Lc 15) [Liturgia Cotidiana, Paulus, 1997]

 

Cântico: Dt 32, 18-19.20.21 (R/.cf.18a) 
Esqueceram o Deus que os gerou

 

Da rocha que te deu à luz, te esqueceste, do Deus que te gerou, não te lembraste. Vendo isto, o Senhor os desprezou, aborrecido com seus filhos e suas filhas.

 

E disse: "Esconderei deles meu rosto e verei, então, o fim que eles terão, pois tornaram-se um povo pervertido, são filhos que não têm fidelidade.

 

Com deuses falsos provocaram minha ira, com ídolos vazios me irritaram; vou provocá-los por aqueles que nem são um povo, através de gente louca hei de irritá-los".

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 19, 16-22)
E terás um tesouro no céu

 

Naquele tempo, 16alguém aproximou-se de Jesus e disse: "Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?" 17Jesus respondeu: "Por que tu me perguntas sobre o que é bom? Um só é o bom. Se tu queres entrar na vida, observa os mandamentos". 18O homem perguntou: "Quais mandamentos?" Jesus respondeu: "Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19honra teu pai e tua mãe, e ama teu próximo como a ti mesmo". 20O jovem disse a Jesus: "Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta?" 21Jesus respondeu: "Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me". 22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas nos evangelhos sinóticos: Mc 10, 17-27; Lc 18, 18-27

 

 

 

 

Comentando o Evangelho

Falta-te algo!

 

O apego exagerado aos bens materiais é um terrível empecilho para o seguimento de Jesus. A dinâmica deste seguimento vai exigindo rupturas sempre mais radicais. Quem não está livre para fazê-las, ficará na metade do caminho.


Na piedade judaica tradicional, a observância dos mandamentos da Lei mosaica era o primeiro passo a ser dado pelo fiel. Muitos se contentavam com este primeiro passo. Outros, como era o caso de uma tendência do farisaísmo, reduzia a observância do Decálogo a pura exterioridade. Os mestres da Lei, por sua vez, detinham-se em interpretações minuciosas dos mandamentos, complicando ainda mais a observância deles.


O mero cumprimento dos mandamentos não é suficiente para tornar alguém discípulo do Reino e herdeiro da vida eterna.


Jesus desafiou um jovem a desfazer-se de tudo quanto possuía, distribuindo seus bens entre os pobres, para fazer-se discípulo do Reino e tornar-se herdeiro da vida eterna. O rapaz, que havia sido fiel em guardar os mandamentos, não se sentiu preparado para fazer o que lhe faltava. O apego aos seus bens impediu-o de aceitar a sugestão de Jesus. E foi-se embora todo perturbado! Quem talvez esperasse um elogio acabou desiludido por ter sido incapaz de optar pela liberdade radical.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: O jovem se informa sobre uma espiritualidade de obras que assegure uma vida perpétua: “Praticai o que o Senhor ordenou... e vivereis, e tudo vos correrá bem e prolongareis a vida” (Dt 5, 32-33). Jesus o chama ao seguimento pessoal, removido o impedimento da riqueza. A perfeição é mais do que a pura observância do Decálogo: não cumprimento, mas seguimento (Bíblia do Peregrino)

 

 

 

Santo Estêvão da Hungria

 

 

 

No final do primeiro milênio, a Europa foi invadida pelos bárbaros nômades vindos da Ásia, que acabaram dominados pelos reis da Alemanha e da França. As tribos magiares, como eram chamadas, se instalaram na região da Panônia, atual Hungria e lá conheceram o cristianismo. A partir deste contato, aos poucos, foram se convertendo e abraçaram a religião católica.


O duque Gesa casando com uma princesa cristã, permitiu que os filhos fossem educados no seguimento de Cristo. O seu primogênito Vaik, que nascera em 969, ao completar dez de idade, foi batizado e recebeu o nome Estevão. Nesta cerimônia, o futuro herdeiro do trono teve a felicidade de ver seu pai, convertido, recebendo o mesmo Sacramento.


Mas o velho rei morreu sem conseguir o que mais desejava, unir seu povo numa única nação cristã. Este mérito ficou para seu filho Estevão I, que passou para a História da Humanidade como um excelente estadista, pois unificou as trinta e nove tribos, até então hostis entre si, fundando o povo húngaro. Ele também consolidou o cristianismo como única religião deste povo e ingressou para o elenco dos "reis apostólicos".


Ele se casou com a piedosa e culta princesa Gisela, irmã do imperador da Baviera, Henrique II, agora todos venerados pela Igreja. Tendo como orientador espiritual e conselheiro o Bispo de Praga, Adalberto, confiou aos monges beneditinos de Cluny a missão de ensinar ao povo a doutrina cristã. Depois conseguiu do Papa Silvestre II a fundação de uma hierarquia autônoma para a Igreja húngara. Para tanto enviou à Roma o monge Astric, que este Papa consagrou Bispo com a função de consagrar outros Bispos húngaros.


Com o auxílio da rainha Gisela, Estevão I fundou muitos mosteiros e espalhou inúmeras igrejas pelas dioceses que foram surgindo. Caridoso e generoso criou hospitais, asilos e creches para a população pobre, atendendo especialmente os abandonados e marginalizados. Humilde, ele fazia questão de tratar pessoalmente dos doentes, tendo adquirido o dom da cura. Corajoso e diplomático, soube consolidar as relações com os países vizinhos, mesmo mantendo vínculos com o imperador de Bizânico, adquirindo também o dom da sabedoria. Assim, transformou a nação próspera e o povo húngaro num dos mais fervorosos seguidores da Igreja Católica.


No dia da Assunção de Maria, em 15 de agosto de 1038, o rei Estevão I morreu. Logo, passou a ser venerado pelo povo húngaro, que fez do seu túmulo local de intensa peregrinação de fieis, que iam agradecer ou pedir sua intercessão para graças e milagres. A fama de sua santidade ganhou força no mundo cristão, sendo incluído no Livro dos Santos em 1083, pelo Papa Gregório VII. A festa de Santo Estevão da Hungria, após reforma do calendário da Igreja de Roma passou as ser celebrada no dia 16 de agosto, um dia após a sua morte.
[paulinas.org.br]

 

Não envelhecemos só por termos vivido um certo número de anos, mas

por termos abandonado um ideal. (Douglas McArthur)