Segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quarta Semana  da Páscoa e 4ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca 

 

Hoje: Dia do Gari

 

Santos: Ubaldo de Gúbio (bispo), Peregrino de Auxèrre (bispo e martir), Possídio (bispo), Germério (bispo), Bernardo (abade), Dônolo (bispo), Carantoco (ou Caranoco, abade), Honorato de Amiens (bispo), Simão Stock, João Nepomuceno (martir), Margarida de Cortona.

 

Antífona: Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia!(Rm 6, 9)

 

Oração: Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei de santa alegria os vossos filhos e filhas que libertastes da escravidão do pecado e concedei-lhes a felicidade eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 11, 1-18)     

Também aos pagãos Deus concedeu a conversão

 

Naqueles dias, 1os apóstolos e os irmãos, que viviam na Judéia, souberam que também os pagãos haviam acolhido a palavra de Deus. 2Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis de origem judaica começaram a discutir com ele, dizendo: 3'Tu entraste na casa de pagãos e comeste com eles!" 4Então, Pedro começou a contar-lhes, ponto por ponto, o que havia acontecido: 5"Eu estava na cidade de Jope e, ao fazer oração, entrei em êxtase e tive a seguinte visão: Vi uma coisa parecida com uma grande toalha que, sustentada pelas quatro pontas, descia do céu e chegava até junto de mim. 6Olhei atentamente e vi dentro dela quadrúpedes da terra, animais selvagens, répteis e aves do céu. 7Depois ouvi uma voz que me dizia: 'Levanta-te, Pedro, mata e come'. 8Eu respondi: 'De modo nenhum, Senhor! Porque jamais entrou coisa profana e impura na minha boca'. 9A voz me disse pela segunda vez: 'Não chames impuro o que Deus purificou'. 10lsso repetiu-se por três vezes. Depois a coisa foi novamente levantada para o céu.

 

11Nesse momento, três homens se apresentaram na casa em que nos encontrávamos. Tinham sido enviados de Cesaréia, à minha procura. 12O Espírito me disse que eu fosse com eles sem hesitar. Os seis irmãos que estão aqui me acompanharam e nós entramos na casa daquele homem. 13Então ele nos contou que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer: 'Manda alguém a Jope para chamar Simão, conhecido como Pedro. 14Ele te falará de acontecimentos que trazem a salvação para ti e para toda a tua família'. 15Logo que comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que desceu sobre nós no princípio.

 

16Então, eu me lembrei do que o Senhor havia dito: 'João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo'. 17Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós que acreditamos no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?" 18Ao ouvirem isso, os fiéis de origem judaica se acalmaram e glorificavam a Deus, dizendo: 'Também aos pagãos Deus concedeu a conversão que leva para a vida!". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Também aos pagãos Deus concedeu a conversão

 

O episódio de Jope e o batismo do pagão Cornélio representam uma superação, no plano prático e de princípio, do particularismo judaico e uma nítida tomada de consciência da destinação universal da Igreja. A partir deste momento, torna-se claro, pelo menos na linha dos princípios, que os pagãos poderão ser levados ao batismo sem serem primeiro submetidos às práticas e observâncias do judaísmo.

 

A decisão de Pedro – chefe da nova comunidade – não será uma conquista fácil para a Igreja primitiva. Passará por reconsiderações e retrocessos, especialmente junto aos “judaizantes”, preocupados com a pureza legal e incapazes de compreender o alcance revolucionário do evangelho de liberdade pregado por Jesus. Também Pedro, que é herói neste episódio, conhecerá hesitações, recuará de suas decisões. Dando a fé aos pagãos impuros, Deus lhes purificou os corações. O corpo, embora não circunciso, será purificado pela irradiação da circuncisão do coração, ou seja, pela conversão. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 41 (42), 2-3; 42(43), 3.4 (+ cf. Sl 42[42], 3a)

Minha alma suspira por vós, ó meu Deus

 

Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minha alma por vós, ó meu Deus!

 

A minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

 

Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso monte santo, até a vossa morada!

 

Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei ao som da hara, meu Senhor e meu Deus!

 

Evangelho: João (Jo 10, 11-18)

E haverá um só rebanho e um só pastor

 

Naquele tempo, disse Jesus: 11"Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. 13Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.

 

16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. 18Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi do meu Pai". Palavra da Salvação!

 

Comentário o Evangelho

O Pastor das ovelhas

 

A atitude mais dignificante de um pastor consiste em estar disposto a dar a sua vida em defesa do rebanho. Esquecendo-se de si mesmo, luta para garantir a sobrevivência de suas ovelhas, embora venha a morrer. Não existe forma melhor de comprovar a condição de guia do reanho! Só quem age assim merece o título de pastor.

 

No trato com seus discípulos, Jesus inspirava-se neste modelo de pastor. Conhecida os que havia chamado para estar com ele e partilhar a sua missão e o seu destino. Colocava-se no meio deles como amigo e servidor, interessado em que tivessem vida abundante – a vida eterna, oferecida pelo Pai. Cuidava para que a ação perversa dos adversários – certas alas radicais do farisaísmo, as autoridades religiosas e políticas, etc. – não viesse a prejudicá-los. Defendia-os dos ataques dos inimigos, calado a boca de quem acusava falsamente seus discípulos. Colocava-se a serviço deles, desejoso de que fizessem uma verdadeira experiência de Deus, reconhecido como Pai misericordioso. Lutava para congregar quem vivia disperso, vagado por caminhos impróprios, por ser mal orientados.

 

Toda esta ação de Jesus resultava do cumprimento da ordem que recebera de seu Pai: ser Mestre para guiar a humanidade para o reencontro com Deus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, Paulinas]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

A fim de que a Igreja propague a mensagem do reino a todos os povos e culturas, rezemos. Senhor, ouvi e atende-nos.

A fim de que não nos deixemos guiar por falsos profetas e falsas ideologias, rezemos.

A fim de que diariamente saibamos ouvir a voz de Cristo, nosso bom pastor, rezemos.

A fim de que as propostas enganadoras sejam vencidas pela força do evangelho, rezemos.

A fim de que as diversas denominações religiosas se unam em torno dos valores do reino de Deus, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em festa. Vós, que sois a causa de tão grande júbilo, concedei-lhe também a eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Jesus se pôs entre os discípulos e lhes disse: A paz esteja convosco, aleluia! (Jo 20,19)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, olhai com bondade o vosso povo e concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus toma o título real, messiânico, divino de Pastor e o desenvolve em três variações: o pastor e os ladrões, a porta do redil, o dono e o assalariado. O porteiro não deixa os ladrões entrar; leva as ovelhas para fora, guiando-as, indo à frente; há uma relação pessoal do pastor com cada ovelha: conhece-as pelo nome e elas reconhecem a sua voz. Esses ladrões e bandidos podem ser falsos messias ou mestres abusivos. As ovelhas que reconhecem a voz são fieis que pela fé sintonizam com a voz. O que Deus era para o seu povo do Antigo Testamento, Jesus o é para os seus. Como Jesus, seus seguidores também são chamados a ser pastores.(cf. Novo Testamento, Edições de Estudos, Editora Ave-Maria)

 

São João Nepomuceno

 

 

 

De família pobre, nasceu quando seus pais já estavam em avançada idade. Daí ser "João" o seu nome, numa alusão ao nascimento de João Batista que também nascera quando Santa Isabel já era bastante idosa. Estudou na universidade de Praga, onde se formou em Direito Canônico e doutorou-se em teologia. Ordenado sacerdote, sua grande eloquência levou-o à corte, e ali tornou-se capelão e confessor. A própria rainha e imperatriz Joana tomou-o para diretor espiritual. Pouco se sabe da realidade dos fatos que culminaram no seu cruel martírio. Alguns afirmaram que São João tornou-se um obstáculo às pretensões do rei, desejoso de controlar a Igreja. A opinião mais comum, entretanto, é que na impossibilidade de arrancar-lhe o segredo da confissão concernente à vida de sua esposa, o rei mandou torturá-lo. Primeiramente queimaram em fogo lento suas partes íntimas. Como continuasse firme na decisão de manter o segredo da confissão, sem que ninguém percebesse foi lançado nas águas do rio Moldava. Seu corpo foi, entretanto, descoberto e recebeu digna sepultura na Igreja de Santa Cruz. Em seu túmulo foi gravado este epitáfio: Aqui jaz o venerabilíssimo João Nepomuceno, doutor, cônego desta igreja e confessor da rainha, ilustre pelos seus milagres, o qual por ter guardado o sigilo sacramental foi cruelmente torturado, e lançado de cima da ponte de Praga, no rio Moldava, por ordem de Venceslau IV, no ano de 1383.

 

O Bom Pastor

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

No quarto domingo da Páscoa celebramos o Domingo do Bom Pastor, pois a cada ano escutamos um dos trechos do capítulo décimo do Evangelho de João. É quando comemoramos a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, neste ano já na 48ª ocasião. O tema escolhido pelo Papa Bento XVI é: “Propor as vocações na Igreja local”.

 

É uma boa ocasião para acolhermos a beleza da comparação que Cristo faz e, além de rezarmos pelos nossos pastores, colocarmo-nos todos sob a condução do nosso pastor comum, Jesus Cristo.

 

Aquele misterioso véu que impedia os discípulos e Maria Madalena de reconhecer Jesus ressuscitado cai, quando Ele, de diferentes maneiras, suscita e alimenta neles a fé. Ele entra com as portas fechadas, deseja, repetidamente, a paz e sopra sobre os apóstolos, come com eles. Faz Tomé tocar as feridas e colocar a mão na ferida que tem no lado; a Maria, em lágrimas, chama pelo nome, e assim abre-lhe os olhos.

 

A voz de Jesus é a voz que chama, a voz que inspira e orienta todos aqueles que O seguem e se esforçam para imitá-Lo nas diversas vocações cristãs. Ele chamou os apóstolos, escolheu os discípulos, mas continua a chamar incessantemente. Hoje, ele diz a todos: "Eu sou a porta das ovelhas", ou seja, o ingresso no Reino, a entrada da Igreja, o ingresso na vida divina, e, declarando-se Bom Pastor, acrescenta: “Ele chama as suas ovelhas, cada uma pelo nome, e as conduz para fora". É ainda a voz segura e convidativa de Jesus que chama para indicar o caminho; a voz que conduz a melhores pastagens, que amorosamente poupa e preserva dos perigos. É uma voz amiga, que cria comunhão e entendimento perfeito entre o pastor e as suas ovelhas. Pede-nos a escuta dócil e a fé mais ardente.  A Palavra do Senhor, de fato, ressoa continuamente na nossa Igreja.

 

É essa voz amorosa que nos chama para proclamá-Lo neste tempo diferenciado e plural. Saber que Cristo, através de sua Igreja, veio trazer vida em abundância para todos e, por isso mesmo, a verdadeira vida supõe passos importantes dentro de nossa vida e responsabilidade humanas. Hoje, principalmente, vemos a necessidade cultural que existe de sermos pessoalmente reconhecidos e respeitados.

 

A voz do Bom Pastor é bem distinta daquela enganadora dos que são ladrões e assaltantes e não entram pela porta, nem cuidam do rebanho, mas fogem diante do perigo porque são mercenários. A voz do Senhor é agora a voz dos apóstolos, como lemos que Pedro é forte e destemido, e todos aqueles que são convertidos por Cristo assumiram o mesmo timbre e não são capazes apenas de professar, mas também de testemunhar a sua fé até o dom da vida. Vale a pena confiar totalmente na condução segura de um pastor que nos amou até a cruz e se tornou a garantia da nossa salvação junto do Pai celeste.

 

Jesus é o pastor que chama as suas ovelhas pelo nome, Ele vai adiante delas e as ovelhas confiam Nele. O que nós precisamos é de pessoas que velem por nós, estejam alertas para responder os nossos problemas, fazendo-se como que nossos companheiros de viagem. Temos um forte desejo de sermos chamados pelo nome, não nos sentindo números, mas sentindo-nos profundamente amados por alguém. Jesus é a única pessoa que nos ama como somos, como o Bom Pastor. Quando muitas pessoas fogem de nós, sabemos que Jesus é o verdadeiro pastor, a porta das ovelhas que nunca nos abandona.

 

Jesus é a porta das ovelhas que acolhe o rebanho e nos dá a verdadeira liberdade, e os que confiam n’Ele recebem a plenitude da salvação.

 

É exatamente na Igreja que devemos nos sentir profundamente amados, livres, alegres, felizes diante do pastor que é o próprio Cristo manifestado através das mediações.

 

Neste dia mundial de orações pelas vocações de especial consagração, nós entendemos a missão que é oferecida a todos. Portanto, devemos orar principalmente por aqueles que se dedicam de modo especial a Cristo, e que são’ sinais de Jesus o único Pastor!

      

No mais miserável dos homens brilha a imagem de Deus. (São Luis Orione)