Segunda, 16 de março de 2009

Terceira Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 3ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

Minha alma anseia, até desfalecer, pelos átrios do Senhor; meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo! (Sl 83, 3)

 

 

Santos do Dia: Juliano de Antioquia (mártir), Abraão Kiduna, Finano Lobhar (abade), Eusébia (abadessa), Gregório Macário (bispo), Heriberto (arcebispo), João de Vicenza (beato, bispo e mártir), Vitorelo (beato), João Amias (beato) Roberto Dalby (beato, mártir), Carlos Garnier, Taciano (mártir), Antônio Daniel, Hilário, Julião (mártir), Benedita (Bem-Aventurada, virgem) e Torello de Poppi (Bem-aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem).

 

Oração: Ó Deus, na vossa incansável misericórdia, purificai e protegei a vossa Igreja, governando-a constantemente, pois sem vosso auxílio ela não pode salvar-nos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura, 2º Livro dos Reis (2Rs 5, 1-15a)
Naamã, general do rei da Síria, leproso

 

Naqueles dias, 1Naamã, general do exército do rei da Síria, era um homem muito estimado e considerado pelo seu senhor, pois foi por meio dele que o Senhor concedeu a vitória aos arameus. Mas esse homem, valente guer­reiro, era leproso.

 

2Ora, um bando de arameus que tinha saído da Síria, tinha le­vado cativa uma moça do país de Israel. Ela ficou a serviço da mu­lher de Naamã. 3Disse ela à sua senhora: "Ah, se meu senhor se apresentasse ao profeta que resi­de em Samaria, sem dúvida, ele o livraria da lepra de que padece!"

 

4Naamã foi então informar o seu senhor: "Uma moça do país de Israel disse isto e isto". 5Disse-lhe o rei Aram: "Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Is­rael". Naamã partiu, levando con­sigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa. 6E entregou ao rei de Israel a carta, que dizia: "Quando receberes esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures de sua lepra".

 

7O rei de Israel, tendo lido a carta, rasgou suas vestes e dis­se: "Sou Deus, porventura, que possa dar a morte e a vida, para que este me mande um homem para curá-lo de lepra? Vê-se bem que ele busca pretexto contra mim". 8Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Is­rael havia rasgado as vestes, mandou dizer-lhe: "Por que ras­gaste tuas vestes? Que ele ve­nha a mim, para que saibas que há um profeta em Israel".

 

9Então Naamã chegou com seus cavalos e carros, e parou a porta da casa de Eliseu. 10Eliseu mandou um mensageiro para lhe dizer: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e tua carne será curada e ficarás limpo".

 

11Naamã, irritado, foi-se embo­ra, dizendo: "Eu pensava que ele sairia para me receber e que de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me cura­ria. 12Será que os rios de Damas­co, o Abana e o Fartar, não são melhores do que todas as águas de Israel, para eu me banhar ne­las e ficar limpo?" Deu meia-vol­ta e partiu indignado.

 

13Mas seus servos aproxima­ram-se dele e disseram-lhe: "Se­nhor, se o profeta te mandasse fazer uma coisa difícil, não a terias feito? Quanto mais agora que ele te disse: 'Lava-te e ficarás limpo"'. 14Então ele desceu e mer­gulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado.

 

15aEm seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e dis­se: "Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda terra, senão o que há em Israel!" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Naamã, o sírio, o leproso curado

 

Naamã tinha que superar dois grandes obstáculos em seu itinerário de fé: o amor próprio e a mentalidade mágica. Seu caminho da palavra do profeta ao rito que o curou e à fé explícita, deveria ser o de todo candi­dato aos sacramentos. O sacramento não opera eficazmente se não for celebrado em um diálogo entre Deus que se revela e o homem que obedece; evidentemente, a Igreja deve respeitar o tempo necessário ao homem para que possa situar-se e amadurecer. A exagerada insistência de outro­ra, sobre o opus operatium desviou bastante a atenção do opus operantis, como se a eficácia da ação divina suprisse as deficientes disposições de quem recebia o sacramento. Toma-se hoje maior consciência de que o sacramento deve vir no término de um prazo mais ou menos longo, du­rante, o qual a Igreja exerce o seu ministério profético, com a Proclama­ção da palavra de Deus e a Leitura dos acontecimentos, e o indivíduo harmoniza sua fé e avalia as condições reais da conversão.

 

 

Salmo 41(42), 2.3; Sl 42(43), 3.4 (R/.Sl 41 [42], 3

Minha alma tem sede de Deus, do Deus

vivo: quando verei a face de Deus?

 

Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a face de Deus? Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh'alma por vós, ó meu Deus!

 

A minh'alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

 

Enviai vossa luz, vossa verda­de: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso Monte santo, até vossa morada!

 

Então irei aos altares do Se­nhor, Deus da minha alegria. Vos­so louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 4, 24-30)
Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria

 

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24"Em ver­dade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tem­po do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhu­ma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio".

 

28Quando ouviram estas pala­vras de Jesus, todos na sinago­ga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cida­de. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade es­tava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio de­les, continuou o seu caminho. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

A rejeição, fruto da ingratidão

 

Uma das experiências humanas mais duras é a de ser rejeitado. Quando a rejeição parte de pessoas mais chegadas (familiares e amigos), ela se torna quase insuportável.

 

Jesus foi submetido a este vexame por seus concida­dãos de Nazaré. Além de rejeitá-lo, ficaram cheios de ódio contra ele, chegando a expulsá-lo da cidade e atentarem contra a sua vida.

 

O Mestre, porém, não se deixou levar pelo desânimo. Lembrou-se de que os antigos profetas, rejeitados por seus concidadãos, puseram-se a fazer o bem a pessoas que não pertenciam ao povo de Israel. Ou seja, compreenderam que sua missão era muito mais ampla e que muito mais pessoas poderiam usufruir de sua ação. Assim acontecera com o pro­feta Elias que, num momento de dificuldade, beneficiou, com um gesto miraculoso, a uma pobre viúva estrangeira. Algo parecido sucedera com Eliseu. Embora em Israel, muita gente necessitasse de cura, ele não hesitou em curar um general estrangeiro.

 

Com tais pensamentos, Jesus prosseguiu o seu cami­nho, sem se deixar abater pelo desânimo e pela decepção. Rejeitado por seus concidadãos, que pensavam conhecê-lo muito bem, estava certo de que poderia ser útil a muitas outras pessoas, de que seria acolhido por elas, e que, em outros lugares, sua palavra encontraria corações abertos e receptivos.

 

São Gabriel Lalemant[3]

Nasceu no seio de uma distinta família e ocultava uma alma generosa e ardente, sob um aspecto frágil. Entrou na Companhia de Jesus em 1630 e pediu para ser enviado às missões da Nova Franca, antigo nome do Canadá. Pediu permissão de seus superiores para empregar toda sua vida a serviço dos indígenas, mas foi ordenado padre e enviado para ensinar no colégio de Moulins e depois no de Bugres. Em 1646 pode realizar seu maior desejo e em 20 de setembro chegou a Quebec. Seu tio, o qual era padre e superior de toda a missão, conhecendo a natureza frágil e sensível do sobrinho, reteve-o na cidade por dois anos até conceder-lhe um companheiro, o Pe. João Brébeuf, enviando-os a aldeia de Santo Inácio, Hurânia. Assim que chegou aplicou-se a aprender a difícil língua e fez tamanho progresso que não duvidaram que Deus quisesse realmente servir-se dele naquele lugar; Após um ano (1649) os iroqueses martirizam por horas a fio o pe. Brébeuf e depois, ainda mais cruelmente, o pe. Gabriel Lalemant, as 6 h da tarde, prolongando-se por toda a noite até a manhã seguinte nas mias cruéis torturas. Em meio as terríveis dores, Gabriel levantava seus olhos para os céus pedindo força e perseverança. Quando os carrascos viram-no a rogar aos céus, arrancaram-lhe os olhos e colocaram carvões ardentes nas órbitas vazias. Por volta das 9 h da manhã, um selvagem cansado de vê-lo sofrer, esmagou-lhe a cabeça com um golpe de machado, abriu-lhe o peito, tirou-lhe o coração e bebeu o seu sangue: uma forma bárbara de "apropriar-se" da coragem da vítima. Pe. Gabriel foi um dos oito jesuítas a ser morto pelos iroqueses.

 

Quando não permitem que tua boca fale, seja um grito a tua vida. (Santo Antônio)

 



[1] Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br