Segunda, 16 de fevereiro de 2009

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e

minha rocha, para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Santos do Dia: Agano de Airola (abade), Elias, Jeremias, Isaías, Samuel e Daniel (mártires de Cesaréia Marítima), Faustino de Brescia (bispo), Gilberto de Sempringham (fundador), Honesto de Nîmes (mártir), João de Santo Domingo (mártir), Juliana de Nicomédia (virgem, mártir), Juliano do Egito e Companheiros (mártires), Onésimo (bispo, mártir, amigo do Apóstolo Paulo, citado por ele na Carta a Filêmon 1,18-19 e aos Colossenses 4,7-9), Porfírio e Selêucio (mártires de Cesaréia), Bernardo Scammacca (dominicano, bem-aventurado), Filipa Mareria (clarissa, bem-aventurada), José Allamano (presbítero, bem-aventurado), Nicolau Plagia (presbítero, bem-aventurado), Simão de Cássia (presbítero, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 4, 1-15.25)

Caim matou o seu irmão Abel

 

1Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, dizendo: "Gerei um homem com a ajuda do Senhor". 2E deu também à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas e Caim, agricultor. 3Aconteceu, tempos depois, que Caim ofereceu frutos da terra como sacrifício ao Senhor, 4e Abel ofereceu primogênitos do seu rebanho, com sua gordura. O Senhor olhou para Abel e sua oferenda, 5mas para Caim e sua oferenda não olhou. Caim encheu-se de cólera e seu rosto tornou-se abatido. 6Então o Senhor perguntou a Caim: "Por que estás cheio de cólera e andas com o rosto abatido? 7É verdade que, se fizeres o bem, andarás de cabeça erguida; mas se fizeres o mal, o pecado estará à porta, espreitando-te. Tu, porém, poderás dominá-lo"

 

8Caim disse a seu irmão Abel: "Vamos ao campo". Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre o seu irmão Abel e matou-o. 9E o Senhor perguntou a Caim: "Onde está o teu irmão Abel?" Ele respondeu: "Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?" 10O Senhor lhe disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão está clamando por mim, da terra. 11Agora, pois, serás amaldiçoado pela terra que abriu a boca para receber das tuas mãos o sangue do teu irmão! 12Quando tu a cultivares, ela te negará seus frutos. E serás um fugitivo, vagando sobre a terra". 13Caim disse ao Senhor: "Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. 14Se, hoje, me expulsas desta terra, devo esconder-me de ti, tornando-me um fugitivo a vaguear sobre a terra; qualquer um que me encontrar, me matará". 15E o Senhor lhe disse: "Não! Mas aquele que matar Caim, será punido sete vezes!" O Senhor pôs, então, um sinal em Caim, para que ninguém, ao encontrá-lo, o matasse. 25Adão conheceu de novo sua mulher. Ela deu à luz um filho, a quem chamou Set, dizendo: "O Senhor deu-me um outro descendente no lugar de Abel, que Caim matou". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Caim atirou-se sobre o seu irmão Abel  matou-o

 

O relato dos primeiros capítulos do Gênesis representa um todo com o que segue nos capítulos 4-11, e não pode ser separado destes. Trata-se apenas de uma conseqüência. Neles o autor denuncia não somente os males existentes na vida familiar do homem, mas também os que dominam a vida social. Tais males são resultado e manifestação do mal que está na raiz e que é a ruptura do homem com Deus. Existe uma violência extrema na convivência humana, motivo pelo qual Caim mata Abel. Desvinculado de Deus e fechado em si mesmo, o homem não percebe mais o sentido do outro na sua vida. Caim que mata o irmão é aquele que mata o “outro”

 

Salmo: 49(50), 1 e 8. 16bc-17. 20-21 
Imola a Deus um sacrifício de louvor!

 

Falou o Senhor Deus, chamou a terra, do sol nascente ao sol poente a convocou. Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

 

"Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Assentado, difamavas teu irmão, e ao filho de tua mãe injuriavas. Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 11-13)

Por que esta gente pede um sinal!

 

Naquele tempo, 11os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu. 12Mas Jesus deu um suspiro profundo e disse: "Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal". 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e se dirigiu para a outra margem. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

O pedido recusado

 

Jesus recusou-se, terminantemente, a fazer exibição de seu poder taumatúrgico, para satisfazer a curiosidade alheia ou para provar, a quem se recusava aceitá-lo, sua condição messiânica. Os fariseus tentaram, sem sucesso, arrancar um milagre de Jesus nestas condições. Jesus, porém, não caiu nesta armadilha.

 

São vários os motivos da recusa de Jesus. Os milagres não tinham, por si mesmos, o poder de convencer ninguém e levá-lo à fé. Fazer um milagre diante dos fariseus seria perda de tempo e poderia levá-los a odiar Jesus ainda mais. Os milagres pressupunham a fé. E os fariseus representavam uma categoria de pessoas refratárias a Jesus e incapazes de perceber o verdadeiro significado de seu gesto. Os milagres tinham como objetivo levar a salvação do Reino a quem era enfermo ou tinha a vida ameaçada. Esse não era o caso dos fariseus que não estavam dispostos a abrir mão de seus preconceitos contra Jesus.

 

Recusando atender o pedido dos fariseus, Jesus manifestou firmeza diante da tentação de um messianismo espetacular e exibicionista, que mantém as pessoas cativas de seu egoísmo, ao invés de sensibilizá-las para o amor e a misericórdia. O mesmo se diga da tentação de um messianismo humanamente gratificante, pelo sucesso e pelos aplausos. Jesus estava certo de que isto não correspondia ao querer do Pai.

 

 

Santo Onésimo[3]

 

Santo Onésimo, que viveu na Turquia. Era escravo cristão, convertido e batizado pelo Apóstolo Paulo. Ele mereceu do Apóstolo uma menção em sua Carta a Filemon. Santo Onésimo era escravo do rico Filêmon, e antes de conhecer Jesus fugiu da casa do senhor até encontrar-se em Roma com São Paulo que preso evangelizou o fugitivo. Filêmon, sua esposa e filho, em certa ocasião foram atingidos por Jesus através de São Paulo, por isso ao enviar de volta Onésimo, agora convertido e na busca da santidade, São Paulo inspirado pelo Espírito Santo escreveu: "De bom grado o teria conservado comigo, a fim de que ele me serva em teu lugar na prisão onde estou por causa do Evangelho; entretanto, nada quis fazer sem o teu consentimento, para que tal benefício não tenha ares de forçado, mas o provenha de tua livre...Portanto, se me consideras teu irmão na fé, recebe-o como a mim próprio"(Fm 18 e 19). A vida de Santo Onésimo nos aponta para o tratar com irmão os que sofrem da questão social quanto aos que são pequenos e oprimidos. Santo Onésimo foi não só liberado por Filêmon, mas permaneceu no trabalho com São Paulo, até ser sagrado bispo pelo mesmo, e sofrer o martírio por apedrejamento em 109. Onésimo ficou muito ligado a São Paulo, que o enviou à cidade de Colossos como evangelizador.Amar não consiste em sentir que se ama, mas em querer amar. (Charles de Foucauld)

 

 



MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br