Segunda-feira, 15 de agosto de 2011

XX Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Solteiro

Santos: Alípio (430, África do Norte), Tarcísio (séc. III, jovem cristão romano, assassinado por ter-se recusado a permitir a profanação do Corpo Eucarístico de Cristo, que trazia consigo), Jacinto, Arnoldo (1087), Estanislau Kostka (1586, jovem príncipe polonês), Bem-Aventurado Ruperto (1145, abade beneditino).

 

Antífona: O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz no coração a lei de seu Deus. (Sl 36, 30-31)

 

Oração do Dia: Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhares não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos aos encontro das vossas promessas, que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Juízes (Jz 2, 11-19)
Interpretação religiosa do período dos Juízes

 

Naqueles dias, 11os filhos de Israel fizeram o que desagrada ao Senhor, servindo a deuses cananeus. 12Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os havia tirado do Egito, e seguiram outros deuses dos povos que em torno ­deles habitavam, e os adoraram, invocando assim a ira do Senhor. 13Afastaram-se do Senhor, para servir a Baal e a Astarte. 14Por isso acendeu-se contra Israel a ira do Senhor, que os entregou nas mãos dos salteadores que os saqueavam, e os vendeu aos inimigos que habitavam nas redondezas. E eles não puderam resistir aos seus adversários. 15Em tudo o que desejassem empreender, a mão do Senhor estava contra eles para sua desgraça, como lhes havia dito e jurado. A sua aflição era extrema. 

 

16Então o Senhor mandou-lhes juizes, que os livrassem das mãos dos saqueadores. 17Eles, porém, nem aos seus juizes quiseram ouvir, e continuavam a prostituir-se com outros deuses, adorando-os. Depressa se afastaram do caminho seguido por seus pais, que haviam obedecido aos mandamentos do Senhor; não procederam como eles. 18Sempre que o Senhor lhes mandava juizes, o Senhor estava com o juiz, e os livrava das mãos dos inimigos enquanto o juiz vivia, porque o Senhor se deixava comover pelos gemidos dos aflitos. 19Mas, quando o juiz morria, voltavam a cair e portavam-se pior que seus pais, seguindo outros deuses, servindo-os e adorando-os. Não desistiram de suas obras perversas nem da sua conduta obstinada. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

O Senhor mandou-lhes juízes; eles, porém,

nem aos seus juízes quiseram ouvir 

 

A história do povo de Deus - hoje como ontem - é uma contínua alternativa de bem e de mal; é a história da fidelidade de Deus na infidelidade dos homens. A Igreja sente a evolução da humanidade; esta aumenta as crises, os crescimentos, as paralisações, a retomada do desenvolvimento de cada um. Além disso, o acelerado intercâmbio entre as diversas culturas traz consigo não só elementos positivos, como também negativos, e estes se fixam mais imediatamente, um pouco como se dá com os vírus. Assim é que muitos, hoje, misturam com seu cristianismo doutrinas e práxis que não são cristãs, aceitam compromissos danosos. O diálogo e a abertura, necessários às pessoas, estendem se também a modos de pensar e agir incompatíveis com a fé em Cristo e em Deus. Não se adverte que tantos males que nos ferem são frutos do pecado, da falta de fé. Entretanto, Cristo está vivo no meio de nós e não deixa que faltem guias à sua Igreja. [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 105(106), 34-35.36-37.49-40.43ab e 44 (R/.4a) 
Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo

o amor para com vosso povo! 

 

Não quiseram suprimir aqueles povos, que o Senhor tinha mandado exterminar; misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados.  

 

Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tornaram armadilha para eles; pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios.  

 

Contaminaram-se com suas próprias obras, prostituíram-se em crimes incontáveis. Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o. Senhor abominou a sua herança.  

 

Quantas vezes o Senhor os libertou! Eles, porém, por malvadez o provocavam. Mas o Senhor tinha piedade do seu povo, quando ouvia o seu grito na aflição.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 19, 16-22)
Ama teu próximo como a ti mesmo 

 

Naquele tempo, 16alguém aproximou-se de Jesus e disse: "Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?" 17Jesus respondeu: "Por que tu me perguntas sobre o que é bom? Um só é o bom. Se tu queres entrar na vida, observa os mandamentos". 18O homem perguntou: "Quais mandamentos?" Jesus respondeu: "Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19honra teu pai e tua mãe, e ama teu próximo como a ti mesmo". 20O jovem disse a Jesus: "Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta?" 21Jesus respondeu: "Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me. 22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.“ Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 10, 17-22; Lc 18, 18-23; Lc 10, 25-28.

 

 

Comentário o Evangelho

Um só é bom!

 

A pergunta apresentada a Jesus pelo jovem reflete uma tendência do farisaísmo, a de praticar a virtude visando apenas obter a salvação. Esses fariseus eram calculistas, sempre preocupados em acumular méritos diante de Deus.


Tendo feito tudo quanto estava a seu alcance, interessava ao jovem saber o que poderia ainda fazer de bom para alcançar a vida eterna. Na qualidade de Messias, talvez Jesus pudesse indicar-lhe obras que rendessem méritos de valor muito maior.


O Mestre, porém, tentou corrigir este modo de pensar. Não se alcança a vida eterna pela prática de coisas boas ("O que devo fazer de bom?"), submetendo-se a um código de regras precisas de comportamento, e sim, pela relação com uma pessoa ("Um só é Bom!"), entendendo-se, com isso, tanto Jesus quanto o Pai. O que é bom deve ser praticado por corresponder à vontade daquele que é Bom. Sem esta obediência, os atos de virtude ficam desprovidos de valor.


O jovem é confrontado com a proposta de passar da prática mecânica dos mandamentos para um tipo de relação capaz de transformar-lhe a vida: desfazer-se de tudo e dar aos pobres o valor correspondente para, em seguida, tornar-se seguidor de Jesus. Se o jovem não fosse tão apegado a seus bens, teria tido a chance de experimentar a alegria de conhecer, em profundidade, a vontade salvífica de Deus. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

 

 

 

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

 

Pela Igreja, para que tenha a coragem de sempre rever sua caminhada, rezemos. Senhor, escutais nossa prece.

Pelos que abandonaram os compromissos cristãos, para que encontrem quem os ajude a retomá-los, rezemos.

Pelos que acumulam bens só para si, para que o evangelho os liberte de sua ganância, rezemos.

Pelos que renunciam aos bens terrenos, parra que descubram a alegria do serviço gratuito, rezemos.

Pelos jovens, para que se disponham ao seguimento de Jesus e sejam construtores do reino, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, estas nossa oferendas, pelas quais entramos em comunhão convosco, oferecendo-vos o que nos destes, e recebendo-vos em nós.. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

No Senhor se encontra toda a graça e copiosa redenção. (Sl 129,7)

 

Oração Depois da Comunhão:

Unidos a Cristo por este sacramento, nós vos imploramos, ó Deus, que, assemelhando-nos a ele aqui na terra, participemos no céu da sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Tarcísio

 

 

 

Tarcísio foi um mártir da Igreja dos primeiros séculos, vítima da perseguição do imperador Valeriano, em Roma, Itália. A Igreja de Roma contava, então, com cinquenta sacerdotes, sete diáconos e mais ou menos cinquenta mil fiéis no centro da cidade imperial. Ele era um dos integrantes dessa comunidade cristã romana, quase toda dizimada pela fúria sangrenta daquele imperador.


Tarcísio era acólito do papa Xisto II, ou seja, era coroinha na igreja, servindo ao altar nos serviços secundários, acompanhando o santo papa na celebração eucarística.


Durante o período das perseguições, os cristãos eram presos, processados e condenados a morrer pelo martírio. Nas prisões, eles desejavam receber o conforto final da eucaristia. Mas era impossível entrar. Numa das tentativas, dois diáconos, Felicíssimo e Agapito, foram identificados como cristãos e brutalmente sacrificados. O papa Xisto II queria levar o Pão sagrado a mais um grupo de mártires que esperavam a execução, mas não sabia como.


Foi quando Tarcísio pediu ao santo papa que o deixasse tentar, pois não entregaria as hóstias a nenhum pagão. Ele tinha doze anos de idade. Comovido, o papa Xisto II abençoou-o e deu-lhe uma caixinha de prata com as hóstias. Mas Tarcísio não conseguiu chegar à cadeia. No caminho, foi identificado e, como se recusou a dizer e entregar o que portava, foi abatido e apedrejado até morrer. Depois de morto, foi revistado e nada acharam do sacramento de Cristo. Seu corpo foi recolhido por um soldado, simpatizante dos cristãos, que o levou às catacumbas, onde foi sepultado.


Essas informações são as únicas existentes sobre o pequeno acólito Tarcísio. Foi o papa Dâmaso quem mandou colocar na sua sepultura uma inscrição com a data de sua morte: 15 de agosto de 257.


Tarcísio foi, primeiramente, sepultado junto com o papa Stefano nas catacumbas de Calisto, em Roma. No ano 767, o papa Paulo I determinou que seu corpo fosse transferido para o Vaticano, para a basílica de São Silvestre, e colocado ao lado dos outros mártires. Mas em 1596 seu corpo foi transferido e colocado definitivamente embaixo do altar principal daquela mesma basílica.


A basílica de São Silvestre é a mais solene do Vaticano. Nela, todos os papas iniciam e terminam seus pontificados. Sem dúvida, o lugar mais apropriado para o comovente protetor da eucaristia: o mártir e acólito Tarcísio. Ele foi declarado Padroeiro dos Coroinhas ou Acólitos, que servem ao altar e ajudam na celebração eucarística. [Paulinas]

 

 

Ordenações Presbiterais

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

Estou tendo oportunidade de presidir algumas celebrações de ordenações presbiterais neste mês de Agosto. Em plena semana de orações pelas vocações sacerdotais o Senhor me deu a graça de ordenar 11 novos sacerdotes na Festa da Transfiguração do Senhor. É sempre uma oportunidade de reflexão e de ação de graças.

 

A vida de todo ser humano é um dom de Deus. “Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus” (Ef 2,10). Somos criaturas de Deus. O sacerdócio é um dom que vem de Deus.

 

Do mesmo modo que chamou Pedro, Tiago, João e tantos outros na história da Igreja, o 'Vem e segue-me', chama hoje com a mesma força. Ninguém respondeu ao sacerdócio por ação humana, mas porque o próprio Cristo no interior de suas almas pronunciou seu nome e os convidou a segui-lo.

 

Falar de vocação é sempre algo necessário e desafiador. É necessário porque Deus nunca deixa de chamar pessoas para compartilhar a sua intimidade e desafiador porque muitas vezes não damos a devia atenção a esta voz que nos chama. Deus continua sempre o mesmo e não se cansa de demonstrar a sua bondade. Mas no mundo em que vivemos se torna extremamente difícil perceber esta presença e o chamado de Deus. Diante de um mundo cheio de possibilidades e oportunidades, facilmente perdemos a direção. No entanto, em meio a todas essas conturbações, Deus age misteriosamente na simplicidade de nosso dia-a-dia. Deus toca no coração das pessoas para que, livremente, elas disponham de seu tempo e de sua vida para colaborar de forma intensa no serviço de salvação do mundo.

É nesse sentido que a minha ação de graças se prolonga ao ver como, mesmo nas grandes cidades com todas as atrações que dispõe, e mesmo numa sociedade permissiva e com tantas possibilidades de caminhos, jovens continuam respondendo generosamente a Cristo diante do Seu chamado para servir ao Povo de Deus entregando toda a suas vidas e com um coração indiviso.

 

Cristo quis necessitar de cada um dos seus sacerdotes, como foi com Pedro, Tiago e João. Embora todo cristão é chamado a ser presença de Cristo no mundo, os presbíteros, ao presidir, coordenador, celebrar, anunciar são os canais e os meios pelos quais Ele vai comunicar-se à humanidade. Na Igreja, todos somos iguais por razão da vocação em Cristo, porém, possuímos funções diferentes que supõem vocações na e para a comunidade. A nossa primeira vocação, à qual todos somos chamados, é a de ser santos como nosso Pai é Santo. Vocação esta que está intimamente ligada à nossa adoção filial por parte de Deus. Nesse sentido, tudo o que fizermos deverá contribuir para a nossa santificação e a dos outros, quer assumindo uma vocação de especial consagração na vida da Igreja quer sendo presença dela no mundo perante as várias profissões.

 

Diante da dimensão do chamado, existem muitos caminhos diferentes: a vocação cristã, de filho, batizado; a vocação laical, ao matrimônio ou a ser solteiro; a vocação ao ministério ordenado, ser sacerdote; e a vocação à vida consagrada, ser religioso. Para responder ao chamado de Deus é preciso abrir o coração e deixar-se envolver pela graça de Deus que exigirá de nossa parte uma constante conversão.

 

Deus chama a cada jovem ao sacerdócio para que ele responda; chama a cada um, como pessoa. E a resposta a Deus é uma resposta pessoal. A missão de cada sacerdote é clara e precisa: a santidade urgente!

 

O chamado de Cristo tem prioridade. Nenhum interesse humano deve estar acima de Deus. Por isso Jesus diz: “todo aquele que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo”. Jesus mesmo deixou os seus discípulos encarregados para a edificação da Igreja: “Ide, pois, fazei discípulos meus entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e assegurou que estará com eles todos os dias, até o fim do mundo. Assim, a Igreja torna-se missionária e evangelizadora, mas, para que essa missão profética se concretize, ela necessita da colaboração de muitos.

 

Deixando seus padres em meio ao mundo, Jesus declarou que queria fazer deles seus mensageiros e representantes. Se, graças aos sacramentos do Batismo e da Crisma, cada cristão é chamado a testemunhar e a anunciar o Evangelho, essa dimensão missionária da Igreja se torna especialmente ligada à vocação sacerdotal.

 

O sacerdote foi escolhido por Deus, do meio do povo, e Cristo vem nos comprovar isto: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu quem vos escolhi” (Jo 15,16). O sacerdote é chamado a colaborar com a obra da construção do Reino de Deus, apresentada por Cristo. O padre é aquele que fala a Deus sobre os homens e fala aos homens sobre Deus; que não tem medo de servir à Igreja como ela quer ser servida; e que vive com alegria o dom recebido pelo Sacramento da Ordem.

 

Corresponder ao chamado de Cristo supõe enfrentar desafios com prudência e simplicidade e, até mesmo, perseguições. Os sacerdotes não ficam sós para anunciar o Reino dos Céus, mas é o mesmo Jesus que os acompanha: “Quem vos acolhe, a mim acolhe; e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou”.

 

O que fortaleceu os discípulos e continua fortalecendo os sacerdotes hoje em dia é sempre o amor de Cristo. E é, sem dúvida, esse amor que fará com que o sacerdote se doe inteiramente ao anúncio da palavra de Deus, à administração dos sacramentos, ao serviço dos doentes, dos sofredores, dos pobres, dos que passam por momentos difíceis, enfim, daqueles que necessitam de conforto para seu corpo e alma.

 

O padre é o homem da Eucaristia e é dela que ele tira forças e coragem para proclamar o Reino de Deus em meio ao mundo. O padre também é o homem do Anúncio do Evangelho e dele fundamenta sua vida e sua caminhada. O padre é o homem do perdão, vive e anuncia a grandeza da misericórdia de Deus. O padre é o homem da partilha, porque partilha sua vida como Cristo partilhou a sua. O padre é o homem da profecia, porque anuncia e denuncia como os profetas as injustiças de nossos tempos. O padre é o homem do amor, porque se doa como o Cristo se dou na Cruz por amor a humanidade.

 

A espiritualidade do padre deve ser profunda para enfrentar todas as dificuldades surgidas. É neste ponto que o povo de Deus deve, com fervor, rezar pelos padres para que eles possam, a cada dia mais, estar fortificados com as graças de Cristo. [Fone: CNBB]

 

Os filhos bem educados são a verdadeira riqueza e os

mais belo ornamento de uma casa. (Brambilla)

 

 

Contato : Evangelho do Dia

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