Segunda-feira, 14 de junho de 2010

Décima primeira Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Verde

 

 

Hoje: Inicio da Semana dos Migrantes (até 20/06)

Santos: Gaspar Anastácio, Félix e Digna (monges, mártires), Cearan, o Devoto (abade de Bellach-Duin), Dogmael de Wales (monge), Elgar de Bardsey (eremita), Eliseu (profeta bíblico do Antigo Testamento), Etério de Viena (bispo), Geraldo de Fontenelle (monge, bispo de Evreux), José, o Hinógrafo (bispo de Tessalônica), Lotário de Séez (monge, bispo), Marciano de Siracusa (bispo, mártir), Marcos de Lucera (bispo), Metódio I de Constantinopla (bispo), Neemias de Arran (abade), Quintino de Rhodez (bispo), Salmódio de Limóges (eremita).

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: I Reis (1Rs 21, 1-16)
O duplo crime de um rei tirano contra um pobre

 

Naquele tempo, 1Nabot de Jezrael possuía uma vinha em Jezrael, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria. 2Acab falou a Nabot: "Cede-me a tua vinha, para que eu a transforme numa horta, pois está perto da minha casa. Em troca eu te darei uma vinha melhor, ou, se preferires, pagarei em dinheiro o seu valor". 3Mas Nabot respondeu a Acab: "O Senhor me livre de te ceder a herança de meus pais".

 

4Acab voltou para casa aborrecido e irritado por causa desta resposta que lhe deu Nabot de Jezrael: 5'Não te cederei a herança de meus pais". Deitou-se na cama, com o rosto voltado para a parede, e não quis comer nada. 5Sua mulher Jezabel aproximou-se dele e disse-lhe: "Por que estás triste e não queres comer?" 6Ele respondeu: "Porque eu conversei com Nabot de Jezrael e lhe fiz a proposta de me ceder a sua vinha pelo seu preço em dinheiro, ou, se preferisse, eu lhe daria em troca outra vinha. Mas ele respondeu que não me cede a vinha". 7Então sua mulher Jezabel disse-lhe: "Bela figura de rei de Israel estás fazendo! Levanta-te, toma alimento e fica de bom humor, pois eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael". 8Ela escreveu então cartas em nome de Acab, selou-as com o selo real, e enviou-as aos anciãos e nobres da cidade de Nabot. 9Nas cartas estava escrito o seguinte: "Proclamai um jejum e fazei Nabot sentar-se entre os primeiros do povo, 10e subornai dois homens perversos contra ele, que dêem este testemunho: 'Tu amaldiçoaste a Deus e ao rei!' Levai-o depois para fora e apedrejai-o até que morra

 

11Os homens da cidade, anciãos e nobres concidadãos de Nabot, fizeram conforme a ordem recebida de Jezabel, como estava escrito nas cartas que lhes tinha enviado. 12Proclamaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se entre os primeiros do povo. 13chegaram os dois homens perversos, sentaram-se diante dele e testemunharam contra Nabot diante de toda a assembléia, dizendo: "Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei". Em virtude disto, levaram-no para fora da cidade e mataram-no a pedradas. 14Depois mandaram a notícia a Jezabel: "Nabot foi apedrejado e morto". 15Ao saber que Nabot tinha sido apedrejado e estava morto, Jezabel disse a Acab: "Levanta-te e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael não te quis ceder por seu preço em dinheiro; pois Nabot já não vive; está morto". 16Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer até a vinha de Nabot de Jezrael e dela tomar posse. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Nabot foi apedrejado e morto 

 

Eis um texto que poderia também ser um episódio de crônica negra dos nossos dias. Como todo fato de crônica, presta-se a diversos níveis de leitura e reação. É fácil indignar-se e tirar motivo par aum descarga de nossa agressividade. Condenamos os personagens em causa, mantendo uma desdenhosa distância deles. É uma indignação que pouco custa. A raiz do mal – de qualquer mal – tem uma ponta que afunda exatamente em mim, no meu egoísmo permissivo. Acab e Jezabel estão também em mim. Saberei dar-lhes um nome? Também Nabot está em mim, naturalmente.

 

Pode-se ler o fato na clave “sociedade indivíduos”. Emerge então o acúmulo de necessidades fictícias, de pseudonecessidades de nossa sociedade de consumo, que alimentam uma insaciável avidez. A palavra de Deus não nos chama, entretanto, a uma estéril condenação genérica. Devemos dar uma fisionomia concreta, atual, em nossa vida, a essas falsas necessidades.

 

Pode-se ler também o episódio na linha do binômio “ricos-pobres” (nações, regiões, grupos, pessoas). O episódio assume então os contornos de uma poderosa parábola econômica de justiça social, e reflete também a motivação “tradicionalística” de Nabot, fácil de caricaturar. [Missal Cotidiano – Missal da Assembléia Cristã, ©Paulus, 1987]

 

Salmo: 5, 2-3.5-6 (R/. 2b)

Atendi o meu gemido, ó Senhor!

 

Escutai, ó Senhor Deus, minhas palavras, atendei o meu gemido! Ficai atento ao clamor da minha prece, ó meu rei e meu Senhor!

 

Não sois um Deus a quem agrade a iniqüidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos.

 

Detestais o que pratica a iniqüidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor, abominais o sanguinário, o perverso e enganador.

 
 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 38-42)
Não enfrenteis quem é malvado

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 38"Ouvistes o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente!' 39Eu, porém, vos digo: Não enfrentais quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! 40Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Ex 21, 23-35; Lv 24, 17-21; Dt 19,21; Lc 6, 27-30;

 

 

Comentando o Evangelho

Contra a retaliação

 

A Lei de Talião - "olho por olho, dente por dente" - não encontrou guarida no ensinamento de Jesus. Aquele princípio legal havia sido importante para coibir as arbitrariedades no caso de violência ilimitada, para fazer valer o direito. E funcionava como mecanismo de controle da selvageria e do barbarismo, nas relações interpessoais. Era um passo em direção ás relações humanas civilizadas.

 

O discípulo do Reino submete-se a uma lógica diferente. Recusa-se a entrar no jogo do malvado, de forma a desarticular, no seu nascedouro, a espiral da violência. Responde o mal com o bem, não se valendo do que lhe garante o direito. O direito de retaliação é substituído pelo principio da misericórdia no trato mútuo.

A reação paradoxal que Jesus sugeriu aos seus discípulos, diante da violência, tem uma finalidade concreta: mostrar as possibilidades extremas de aplicação do seu ensinamento. Quem é movido por um amor incondicional ao próximo, descentrando-se de si mesmo, será capaz de fazer gestos radicais para coibir a violência, sem responder com a mesma moeda.

 

O discípulo, na linha das Bem-aventuranças, caracteriza-se como manso e pacifico. Por ser manso, recusa-se terminantemente a recorrer à violência. Por ser pacífico, tudo faz para que os laços com o próximo não sejam rompidos. Mesmo à custa de gestos paradoxais! [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A lei de Talião era então uma saída pra dar-se um basta na violência que reinava na época e que, infelizmente, ainda reina nos tempos atuais. Essa lei é também encontrada no Código de Hamurabi (séc. XVIII a.C.). Cristo nos mostra que o mal pode ser vencido com o bem na quebra do ciclo da violência. O nosso mundo não está ainda preparado para que a lei evangélica do amor subsitua a lei do Talião; a violência institucionalizada está enraizada na humanidade, razão porque Jesus chama seus discípulos para a prática do amor evangélico, um desafio muito forte para o cristão; isso requer atitude prática do mudar-se a si próprio e o mundo. Por outro lado a oração se constitui em uma arma muito importante para o caminho da paz e da boa convivência entre as pessoas. O perdão, foco do Evangelho de ontem, ajuda nesse processo. Quem planta paz colhe a paz; a partir de hoje promova você também a paz. Ao encontrar outro/a irmão/irmã, diga-lhe “O Senhor lhe dê a paz” ou ainda a expressão reduzida de “Paz e bem” muito usada pelos franciscanos, como você, amantes da paz, assim como São Francisco de Assis.

 

Santa Julita e São Ciro

 

Julita vivia na cidade de Icônio, na Licaônia, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que se tornara viúva logo após ter dado à luz um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro, mas também atendia pelo diminutivo Ciríaco ou Quiríaco. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos.


Julita, levando o filhinho Ciro e algumas servidoras, fugiu para a Selêucia e, em seguida, para Tarso, mas ali acabou presa. O governador local, um cruel romano chamado Alexandre, tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais para sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, com o intuito de que renegasse a fé em Cristo.


Como ela não obedeceu, os castigos aumentaram. Foi então que o pequenino Ciro saltou dos joelhos do governador, começou a chorar e a gritar junto com a mãe: "Também sou cristão! Também sou cristão!" Foi tamanha a ira do governador que ele, com um pontapé, empurrou Ciro violentamente, fazendo-o rolar pelos degraus do tribunal, esmigalhando-lhe, assim, o crânio.


Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu pequenino Ciro no martírio e encontrá-lo, o mais rápido possível, ao lado de Deus. E foi o que aconteceu. Julita continuou sendo brutamente espancada e depois foi decapitada. Era o ano 304.


Os corpos foram recolhidos por uma de suas fiéis servidoras e sepultados num túmulo que foi mantido oculto até que as perseguições cessassem. Quando isso aconteceu, poucos anos depois, o bispo de Icônio, Teodoro, resolveu, com a ajuda de testemunhas da época e documentos legítimos, reconstruir fielmente a dramática história de Julita e Ciro. E foi assim, pleno de autenticidade, que este culto chegou aos nossos dias.


Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos santos mártires inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém. Por isso é considerado o santo padroeiro das crianças que sofrem de maus-tratos. A festa de santa Julita e de são Ciro é celebrada pela Igreja no dia 16 de junho, em todo o mundo católico.
[paulinas.org.br]

 

Muitas pessoas procuram nos lugares distantes o lugar que perderam lá onde moram. (Anselm Grün)