Segunda-feira, 14 de março de 2011

Primeira Semana Do Tempo da Quaresma, 1ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Nacional da Poesia e dia do Vendedor de Livros, Dia Mundial de Luta contra as Barragens e em Defesa dos Rios, a Água e a Vida

 

Santos: Lubino (ou Leobino, bispo), Eutíquio (ou Eustácio, mártir), Matilde (viúva da Saxônia), Tiago de Nápoles (arcebispo e beato), Afrodísio, Apolônia de Bolonha (Serva de Deus, franciscana da terceira ordem), Leão (bispo), Pedro (mártir africano), Odo (bem aventurado) e Vicente (polonês, bispo da Cracóvia)

 

Antífona: Como os olhos dos servos estão voltados para as mãos de seu senhor, assim os nossos, para o Senhor nosso Deus, até que se compadeça de nós. Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós! (Sl 122, 2-3)

 

Oração: Convertei-nos, ó Deus, nosso Salvador, e, para que a celebração da Quaresma nos seja útil, iluminai-nos com a doutrina celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Levítico (Lv 19, 1-2.11-18)

Sede santo, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo

 

1O Senhor falou a Moisés, dizendo: 2"Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.

 

11Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros. 12Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor.

 

13Não explores o teu próximo nem pratiques extorsão contra ele. Não retenhas contigo a diária do assalariado até o dia seguinte. 14Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. 15Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigies o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça. 16Não sejas um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.

 

17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. 18Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Julga teu próximo conforme a justiça

 

Deus é santo. Está para além do mundo e da história, separado do mundo, incompreensível com o mundo, incompreensível ao mundo. Interessa-se, porém, pelos homens, pelas relações dos homens entre si, suas relações comunitárias. E por ser santo, comunica-se ao homem por amor, por ele se interessa para arrancá-lo de sua incapacidade, libertá-lo da escravidão de si mesmo e das coisas, levá-lo à sua "santidade". A lei que Deus dá aos homens não é imposição caprichosa, é o dom de um Deus que quer os homens semelhantes a ele, participantes de sua santidade. Pelo fato de os cristãos haverem sido "santificados" pelo batismo não se há de crer que não possa mais haver algum conflito entre eles, nem nos deve escandalizar a verificação da presença de contestações e de males na Igreja. O fato de serem crentes, membros da mesma Igreja, não suprime as contradições humanas, não elimina os contrastes, não resolve as contestações. A Igreja, contudo, ajuda a viver as contradições no amo'; reúne à mesma mesa pessoas divididas pelas idéias, ensina a recorrer à penitência quando não se é capaz de controlar os próprios sentimentos. [Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 18(19), 8.9.10.15 (+.Jo 6, 63)
Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida!

 

8A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

9Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

 

10É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

 

15Que vos agrade o cantar dos meus lábios e a voz da minha alma; que ela chegue até vós, ó Senhor, meu Rochedo e Redentor!

 

Evangelho: Mateus (Mt 25, 31-46)

O julgamento das nações

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31"Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.

 

34Então o rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar'.

 

37Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?' 40Então o rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!' 41Depois o rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar'.

 

44E responderão também eles: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro; ou nu, doente ou preso, e não te servimos?' 45Então o rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!' 46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna". Palavra da Salvação!

 

Antecedentes literários associados a este texto: Js 8,32-35; Dt 27,12-28,14; Is 24,21-22; 65,13-15; Dn 12,2; Sb 4,20¾5,16

 

Comentário o Evangelho

O julgamento das nações

A intenção deste discurso não é descrever os acontecimentos finais, mas inculcar a preparação necessária para superar com êxito a prova final. E também pretende colocar em realce o significado central da figura de Jesus, o Filho do Homem. Os que são recebidos no reino são os que tiveram amor misericordioso com o próximo.

 

As seis maneiras de manifestar o amor ao próximo encontram-se no Antigo Testamento (Is 58,7; Jó 22,6-7), mas aqui são manifestação do preceito fundamental do amor. A doutrina de Jesus exclui o espírito financeiro, que consiste em fazer algo para conseguir uma recompensa de Deus: se assim fosse, Deus não teria outra opção senão premiar o fiel. Poder-se-ia agir então, não por Deus e sim contra ele, para prender-lhe as mãos e obrigá-lo a retribuir a seus devotos. Uma contradição da verdadeira religião.

 

A sentença definitiva se apoia, pois, nos motivos do serviço caritativo ao próximo necessitado. As obras de misericórdia realizadas por amor parecem libertadas de qualquer espécie de limitação que condicione seu valor.

 

Jesus se dirige a todos indistintamente, demonstrando assim que também fora do âmbito visível de seus discípulos, de sua Igreja, pode acontecer o reino. A Igreja não se identifica com o reino, é sim sua humilde servidora. O reino acontece também para além de suas fronteiras visíveis; é o que se chamou de “cristianismo anônimo”. A cena nos faz compreender que muitos, sem conhecer a pessoa de Jesus, se ajustam aos valores do reino na entrega e no amor ao próximo, e isso decide seu destino. O juiz universal está “de maneira incógnita” em todos os pobres da terra, oculto em todos os semblantes dolorosos, mas essa presença oculta se tornará manifesta no momento final.  [Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria]

 

Preces dos fiéis: (DEUS CONOSCO)

Senhor Deus e Pai, vossa Palavra toca-nos profundamente e encoraja-nos a viver nossa vocação filial. Por isso, ouvi-nos.

-Por todos nós, Povo de Deus, para que, unindo-nos pela Palavra do Senhor, sejamos anunciadores da fraternidade e da justiça do mundo, rezemos ao Deus bom e fiel. Amparai-nos, Senhor, com vossa misericórdia!

-Pelas Comunidades cristãs para que, vivendo o evangelho, sejam fraternas e praticantes da caridade, da misericórdia e solidariedade, rezemos ao Deus bom e fiel.

-Para que andemos no caminho que traz liberdade, vida e paz para todos, rezemos ao Deus bom e fiel.

-Por todos os que detêm autoridade em nossa sociedade, para que olhem pelos pobres, pelos sofredores, por todos os que estão à margem da vida, rezemos ao Deus bom e fiel.

-(Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, esta oferenda, sinal de nossa dedicação. Fazei que ela santifique a nossa vida e obtenha para nós vosso favor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Em verdade eu vos digo, tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos foi a mim que o fizestes, diz o Senhor. Vinde, benditos do meu Pai: tomai posse do reino preparado para vós desde o princípio do mundo. (Mt 25,40.34)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, pela recepção deste sacramento, experimentemos vosso auxílio na alma e no corpo e assim, salvos em todo o nosso ser, nos alegremos com a plenitude da redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Cirilo e São Metódio

 

A Igreja uniu numa só comemoração os que de fato foram irmãos de sangue, de fé e de vocação apostólica até a morte. Assim reza a oração da missa: Deus, pelos dois irmãos, Cirilo e Metódio, levastes a luz do Evangelho aos povos eslavos; dai-nos acolher no coração a vossa palavra".

 

Nasceram na Macedônia, Grécia. Metódio, nascido em 815, ainda muito jovem, foi nomeado governador da província da Macedônia inferior, onde se estabeleciam os eslavos. Cirilo, nascido em 826, ainda rapaz de 14 anos, foi acolhido pelo chanceler imperial e levado a Constantinopla, capital do Império Bizantino, para completar seus estudos. Depois de formado, lecionou filosofia e desenvolveu missão diplomática junto aos árabes.

 

Metódio abandonou a carreira administrativa e se fez monge, com trinta e oito anos de idade. Cirilo, anos mais tarde, juntou-se ao irmão.

 

A missão apostólica dos dois irmãos começou em 861. O príncipe da Moravia enviou uma embaixada a Constantinopla solicitando missionários para a conversão dos povos eslavos. Cirilo e Metódio tinham aprendido a língua eslava com imigrantes, durante a mocidade. Foram eles os designados para tal missão.

 

Os dois tiveram grande sensibilidade para com os valores culturais do povo: traduziram para a língua eslava a Sagrada Escritura e os textos litúrgicos, assim como adaptaram os ritos à cultura eslava. Assim o povo podia cantar, rezar e ler em sua própria língua, como  também expressar-se com ritos mais significativos e próprios (realizando a reforma litúrgica, o Concílio Vaticano II fez o que eles fizeram naquela época para os povos eslavos).

 

Esta sábia adaptação causou, porém, os maiores dissabores aos missionários. Até então, a língua oficial na liturgia era a grega ou a latina. Havia muitos padres e missionários que se opunham à inovação de Cirilo e Metódio. Julgavam erroneamente que a unidade da Igreja Católica se quebraria pelo fato de um povo participar da liturgia oficial numa língua que não o latim ou o grego, e com ritos apropriados à sua cultura.

 

Os dois viajaram para Roma. O papa apoiou o trabalho deles e os incentivou. Autorizou o uso da língua eslava na liturgia com o povo. Os livros em eslavo, traduzidos pelos missionários, foram abençoados pelo papa e colocados oficialmente sobre o altar da basílica de Santa Maria Maior.

 

Cirilo já viera doente da missão. O papa quis sagrá-lo bispo, mas não foi possível, pois sua doença agravou-se e acabou falecendo em Roma com quarenta e dois anos de idade. Metódio foi ordenado sacerdote e celebrou sua primeira missa em rito eslavo com três outros companheiros. Voltou para seu campo de apostolado com os títulos de "missionário apostólico eslavo" e "legado pontifício".

 

"Numa segunda viagem a Roma, em 869, foi nomeado arcebispo de Sírmio. Dez anos depois teve de voltar a Roma para defender-se mais uma vez dos seus acusadores. Novamente o papa endossou seus métodos e trabalhos. Faleceu em 884. A atividade dos dois irmãos apóstolos dos eslavos foi e continua sendo muito significativa: além de procurarem, por todos os meios, adaptar a evangelização à cultura do povo, representaram também o elo de união entre as assim chamadas Igreja Ocidental e Igreja Oriental, que lamentavelmente iriam se separar com o decorrer do tempo.

 

O Papa João Paulo II proclamou-os patronos da Europa junto com São Bento. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, I.M.C., Vozes, 1997]

 

Quaresma e Campanha da Fraternidade: Tempo de Conversão

Dom Paulo De Conto, Bispo de Montenegro - RS

 

A Igreja sempre celebrou a quaresma. Os 40 dias que precedem a Páscoa são próprios para escuta da Palavra, oração,  jejum,   prática da caridade. A penitência se faz necessária. A mesma fortifica o corpo, o espírito e o psíquico. Se o pecado afeta a tríplice dimensão do ser humano, a graça fortalece, dignifica e santifica. A mortificação leva para a conversão, para a vida nova, a vida em Cristo. O coroamento da quaresma é a Páscoa. Todos são chamados para a ressurreição.

 

No Brasil, desde 1964 acontece Campanha da Fraternidade. Esta se realiza concomitantemente com a quaresma. Cada ano com tema e lema específicos, é um grande meio de evangelização que atinge todos os recantos do Brasil. Trata-se da maior campanha do mundo. A duração é de 40 dias. Seu espírito perpassa o ano e a vida toda. Com conscientização, vivência e gestos concretos o homem participa da evangelização  e testemunho de fraternidade.

 

A Campanha da Fraternidade de 2011 tem como tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” e como lema “A criação geme em dores de parto (Rm 8,22)”. Com ela, a Igreja e a sociedade refletem sobre a gravidade do aquecimento global, o uso racional das energias, o desenvolvimento econômico e social, a preservação da Amazônia, o agronegócio, a biodiversidade, a água e as mudanças climáticas. Objetiva-se, desta forma, motivar a participação de todos nas iniciativas que visem preservar a vida no planeta.

 

Recebemos um jardim. Infelizmente, não o cuidamos como deveria. Nele, as florestas são devastadas, as flores desaparecem, as águas terminam, a terra está contaminada, o ar não é mais o mesmo, o aquecimento global preocupa, o planeta está doente. O homem destruindo a natureza destrói-se a si mesmo.

 

Com a quaresma, a Campanha da Fraternidade, conjuntamente, visa conversão. Conversão como mudança no modo de viver, de produzir, de se desenvolver, de se alimentar, de reciclar o lixo, de cuidar da criação, enfim, significa sustentabilidade.

 

O povo de Deus é conclamado a participar e a tomar consciência da importância de salvar o universo que o rodeia. Quando uma doença aparece todos se preocupam. O remédio para a saúde do planeta está nas mãos de todos. Estas, com consciência e participação, farão que, não só o homem como também o cosmos encontre o verdadeiro respiro para uma saúde perfeita.

 

Oxalá, ao celebrar a Páscoa, ser humano encontrem sorriso e alegria de viver. Comprometidos, tudo e todos, ressuscitamos com Cristo.

 

Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água. (Thomas Fuller)

 

 

 

Aconteceu no dia 14 de março (1847): Nascimento do poeta Castro Alves (1847)