Segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Santos Cirilo (Monge) e Metódio (Bispo), Memória, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Branca

 

Hoje: Dia Mundial do Amor

 

Santos: Abraão de Harran (bispo), Antonino de Sorrento (abade), Auxêncio da Bitínia (eremita), Basso, Antônio e Protólico (mártires de Alexandria), Cirion, Bassiano, Ágato e Moisés (mártires de Alexandria), Dionísio e Amônio (mártires de Alexandria), Leocádio de Ravena (bispo), João Batista da Conceição (trinitário), Maron de Beit-Marun (abade), Nostriano de Nápoles (bispo), Próculo, Efebo e Apolônio (mártires), Teodósio de Vaison (bispo), Valentino de Terni (bispo, mártir), Valentim de Roma (mártir), Vital, Felícula e Zeno (mártires de Roma), Ângelo de Gualdo (monge, bem-aventurado), Nicolau Palea (dominicano, bem-aventurado), Vicente de Sena (franciscano, bem-aventurado).

 

Antífona: Minhas palavras que coloquei em tua boa, diz o Senhor, não se afastarão jamais de teus lábios; e tuas oferendas serão aceitas em meu altar. (Is 59,21;56,7)

 

Oração: Ó Deus, pelos dois irmãos Cirilo e Metódio, levastes a luz do evangelho aos povos eslavos; dai-nos acolher no coração a vossa palavra e fazei de nós um podo unido na verdadeira fé e no fiel testemunho do evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 4, 1-15.25)

Caim matou o seu irmão Abel

 

1Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, dizendo: "Gerei um homem com a ajuda do Senhor". 2E deu também à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas e Caim, agricultor. 3Aconteceu, tempos depois, que Caim ofereceu frutos da terra como sacrifício ao Senhor, 4e Abel ofereceu primogênitos do seu rebanho, com sua gordura. O Senhor olhou para Abel e sua oferenda, 5mas para Caim e sua oferenda não olhou. Caim encheu-se de cólera e seu rosto tornou-se abatido. 6Então o Senhor perguntou a Caim: "Por que estás cheio de cólera e andas com o rosto abatido? 7É verdade que, se fizeres o bem, andarás de cabeça erguida; mas se fizeres o mal, o pecado estará à porta, espreitando-te. Tu, porém, poderás dominá-lo"

 

8Caim disse a seu irmão Abel: "Vamos ao campo". Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre o seu irmão Abel e matou-o. 9E o Senhor perguntou a Caim: "Onde está o teu irmão Abel?" Ele respondeu: "Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?" 10O Senhor lhe disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão está clamando por mim, da terra. 11Agora, pois, serás amaldiçoado pela terra que abriu a boca para receber das tuas mãos o sangue do teu irmão! 12Quando tu a cultivares, ela te negará seus frutos. E serás um fugitivo, vagando sobre a terra". 13Caim disse ao Senhor: "Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. 14Se, hoje, me expulsas desta terra, devo esconder-me de ti, tornando-me um fugitivo a vaguear sobre a terra; qualquer um que me encontrar, me matará". 15E o Senhor lhe disse: "Não! Mas aquele que matar Caim, será punido sete vezes!" O Senhor pôs, então, um sinal em Caim, para que ninguém, ao encontrá-lo, o matasse. 25Adão conheceu de novo sua mulher. Ela deu à luz um filho, a quem chamou Set, dizendo: "O Senhor deu-me um outro descendente no lugar de Abel, que Caim matou". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Caim atirou-se sobre o seu irmão Abel  matou-o

 

O relato dos primeiros capítulos do Gênesis representa um todo com o que segue nos capítulos 4-11, e não pode ser separado destes. Trata-se apenas de uma consequência. Neles o autor denuncia não somente os males existentes na vida familiar do homem, mas também os que dominam a vida social. Tais males são resultado e manifestação do mal que está na raiz e que é a ruptura do homem com Deus. Existe uma violência extrema na convivência humana, motivo pelo qual Caim mata Abel. Desvinculado de Deus e fechado em si mesmo, o homem não percebe mais o sentido do outro na sua vida. Caim que mata o irmão é aquele que mata o “outro”. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 49(50), 1 e 8. 16bc-17. 20-21 
Imola a Deus um sacrifício de louvor!

 

Falou o Senhor Deus, chamou a terra, do sol nascente ao sol poente a convocou. Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

 

"Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Assentado, difamavas teu irmão, e ao filho de tua mãe injuriavas. Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.”

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 11-13)

Por que esta gente pede um sinal!

 

Naquele tempo, 11os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu. 12Mas Jesus deu um suspiro profundo e disse: "Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal". 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e se dirigiu para a outra margem. Palavra da Salvação!

 

 

 Leituras paralelas: Mt 16,1-4; Lc 12,54-56

 

 

Comentário o Evangelho

O pedido recusado

 

Jesus recusou-se, terminantemente, a fazer exibição de seu poder taumatúrgico, para satisfazer a curiosidade alheia ou para provar, a quem se recusava aceitá-lo, sua condição messiânica. Os fariseus tentaram, sem sucesso, arrancar um milagre de Jesus nestas condições. Jesus, porém, não caiu nesta armadilha.

 

São vários os motivos da recusa de Jesus. Os milagres não tinham, por si mesmos, o poder de convencer ninguém e levá-lo à fé. Fazer um milagre diante dos fariseus seria perda de tempo e poderia levá-los a odiar Jesus ainda mais. Os milagres pressupunham a fé. E os fariseus representavam uma categoria de pessoas refratárias a Jesus e incapazes de perceber o verdadeiro significado de seu gesto. Os milagres tinham como objetivo levar a salvação do Reino a quem era enfermo ou tinha a vida ameaçada. Esse não era o caso dos fariseus que não estavam dispostos a abrir mão de seus preconceitos contra Jesus.

 

Recusando atender ao pedido dos fariseus, Jesus manifestou firmeza diante da tentação de um messianismo espetacular e exibicionista, que mantém as pessoas cativas de seu egoísmo, ao invés de sensibilizá-las para o amor e a misericórdia. O mesmo se diga da tentação de um messianismo humanamente gratificante, pelo sucesso e pelos aplausos. Jesus estava certo de que isto não correspondia ao querer do Pai. [EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998]

 

 

Oração da assembleia:

-Livrai-nos, Senhor, do orgulho e do ódio contra o irmão: Senhor, ouvi-nos e atendei-nos.

-Afastai de nossos lares e das comunidades a inveja e a violência.

-Ajudai-nos a acreditar em vosso Filho, Jesus, sem exigir dele sinais ou milagres.

-Ensinai os ricos e os detentores do poder a ser solidários com os pobres.

-Fazei que o exemplo dos santos Cirilo e Metódio nos motive na vivência da vossa palavra.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Dignai-nos, ó Deus todo-poderoso, impregnar com as benções celestes estas oferendas de vosso povo, que vos apresentamos na festa de são Cirilo e são Metódio. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Filho do homem veio dar a sua vida para a salvação de todos. (Mc 10,45)

 

Oração Depois da Comunhão:

Alegrando-nos na festa de são Cirilo e são Metódio, recebemos, ó Pai, o penhor da salvação; fazei que eles nos ajudem na vida presente e nos conduzam à vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor!

 

Para sua reflexão: Para quem não quer crer nenhum sinal vale. Como ousam os fariseus pedir a Jesus um sinal de Deus? A fé é essencial para o cristão; sem ela, vão será o questionamento dos que não creem!

 

São Cirilo e São Metódio

 

A Igreja uniu numa só comemoração os que de fato foram irmãos de sangue, de fé e de vocação apostólica até a morte. Assim reza a oração da missa: Deus, pelos dois irmãos, Cirilo e Metódio, levastes a luz do Evangelho aos povos eslavos; dai-nos acolher no coração a vossa palavra".

 

Nasceram na Macedônia, Grécia. Metódio, nascido em 815, ainda muito jovem, foi nomeado governador da província da Macedônia inferior, onde se estabeleciam os eslavos. Cirilo, nascido em 826, ainda rapaz de 14 anos, foi acolhido pelo chanceler imperial e levado a Constantinopla, capital do Império Bizantino, para completar seus estudos. Depois de formado, lecionou filosofia e desenvolveu missão diplomática junto aos árabes.

 

Metódio abandonou a carreira administrativa e se fez monge, com trinta e oito anos de idade. Cirilo, anos mais tarde, juntou-se ao irmão.

 

A missão apostólica dos dois irmãos começou em 861. O príncipe da Moravia enviou uma embaixada a Constantinopla solicitando missionários para a conversão dos povos eslavos. Cirilo e Metódio tinham aprendido a língua eslava com imigrantes, durante a mocidade. Foram eles os designados para tal missão.

 

Os dois tiveram grande sensibilidade para com os valores culturais do povo: traduziram para a língua eslava a Sagrada Escritura e os textos litúrgicos, assim como adaptaram os ritos à cultura eslava. Assim o povo podia cantar, rezar e ler em sua própria língua, como  também expressar-se com ritos mais significativos e próprios (realizando a reforma litúrgica, o Concílio Vaticano II fez o que eles fizeram naquela época para os povos eslavos).

 

Esta sábia adaptação causou, porém, os maiores dissabores aos missionários. Até então, a língua oficial na liturgia era a grega ou a latina. Havia muitos padres e missionários que se opunham à inovação de Cirilo e Metódio. Julgavam erroneamente que a unidade da Igreja Católica se quebraria pelo fato de um povo participar da liturgia oficial numa língua que não o latim ou o grego, e com ritos apropriados à sua cultura.

 

Os dois viajaram para Roma. O papa apoiou o trabalho deles e os incentivou. Autorizou o uso da língua eslava na liturgia com o povo. Os livros em eslavo, traduzidos pelos missionários, foram abençoados pelo papa e colocados oficialmente sobre o altar da basílica de Santa Maria Maior.

 

Cirilo já viera doente da missão. O papa quis sagrá-lo bispo, mas não foi possível, pois sua doença agravou-se e acabou falecendo em Roma com quarenta e dois anos de idade. Metódio foi ordenado sacerdote e celebrou sua primeira missa em rito eslavo com três outros companheiros. Voltou para seu campo de apostolado com os títulos de "missionário apostólico eslavo" e "legado pontifício".

 

"Numa segunda viagem a Roma, em 869, foi nomeado arcebispo de Sírmio. Dez anos depois teve de voltar a Roma para defender-se mais uma vez dos seus acusadores. Novamente o papa endossou seus métodos e trabalhos. Faleceu em 884. A atividade dos dois irmãos apóstolos dos eslavos foi e continua sendo muito significativa: além de procurarem, por todos os meios, adaptar a evangelização à cultura do povo, representaram também o elo de união entre as assim chamadas Igreja Ocidental e Igreja Oriental, que lamentavelmente iriam se separar com o decorrer do tempo.

O Papa João Paulo II proclamou-os patronos da Europa junto com São Bento. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, I.M.C., Vozes, 1997]

 

O uso do Projetor Multimídia na Liturgia

 

 

Elementos para reflexão:

 

1.    O uso do projetor multimídia na liturgia é hoje uma realidade frequente em nossas comunidades. Por se tratar de uma realidade relativamente recente e ainda pouco refletida em nosso meio, causando discussões e até mesmo divergências de opinião, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB quer oferecer, com a presente nota, alguns elementos para uma reflexão e futuros aprofundamentos da parte do episcopado nacional, dos liturgistas, dos párocos e todos os agentes de pastoral litúrgica em nosso país e, sobretudo, daqueles que utilizam o projetor multimídia como recurso para a liturgia.

2.    A partir do Concílio Vaticano II e da reforma litúrgica dele derivada, como compreender esta realidade? Seria esta uma simples adaptação à cultura moderna? Apenas uma moda, como foi com o retroprojetor, que depois caiu em desuso? Uma criatividade litúrgica? Quais os motivos da introdução deste meio na liturgia? Seria o projetor multimídia algo a ser realmente necessário na liturgia?

 

Vendo a realidade do uso do projetor multimídia na liturgia.

 

3.    Em diferentes comunidades, o projetor multimídia vem sendo utilizado como recurso audiovisual para, por exemplo:

·  projetar cantos num telão ou numa parede da igreja, inclusive fazendo correção de textos durante a ação ritual;

·  projetar as orações presidenciais, inclusive a oração eucarística, enquanto o presidente as proclama;

·  projetar as leituras bíblicas enquanto são proclamadas;

·  projetar a homilia ou parte dela, de forma esquemática, enquanto é proferida, chegando até mesmo a ser acompanhada por trilha sonora;

·  projetar, durante a homilia e a oração eucarística, imagens ou vídeo de Jesus retratando ações correspondentes a estes momentos rituais como, por exemplo, cenas da última ceia projetadas durante a narrativa da instituição, no momento em que Jesus parte o pão;

·  projetar ícones em diferentes momentos da celebração, bem como mensagens após a comunhão;

·  e também projetar os textos da liturgia das horas.

 

Estes exemplos - como outros que poderiam ser citados -, nos servirão de referência para refletirmos sobre a complexa realidade do uso do projetor multimídia na liturgia.

 

Justificativas comumente dadas para o uso

 

4.    São várias as justificativas apresentadas por aqueles que se utilizam deste meio. Dentre elas, elencamos algumas:

·  Por questões econômicas e ecológicas (menos custos e gastos de papel), a utilização do projetor multimídia leva a eliminar o uso dos “folhetos litúrgicos” e livros de cantos.

·  É mais prático, tendo os textos em um só lugar e projetá-los, do que multiplicar e distribuir papéis, como aqueles usados para os cantos.

·  O uso do projetor multimídia ajuda e facilita a participação da assembleia na liturgia, porque ela (a assembleia) se vê livre e despreocupada de manter folhas e objetos nas mãos.

 

Elementos para reflexão sobre essa realidade

 

5.    É compreensível a iniciativa do uso do projetor multimídia com as suas justificativas, pois revelam zelo e preocupação pastoral em relação à liturgia. No entanto, do ponto de vista teológico-litúrgico, tudo isso demanda revisão, reflexão e aprofundamento, tendo em vista, sempre, a participação plena da assembleia.

6.    Na reflexão sobre esta realidade, um primeiro elemento a ser considerado é a noção de participação ativa na liturgia. O que é mesmo participar de uma ação litúrgica? É participar da salvação (cf. Sacrosanctum Concilium, SC, 2) que sempre de novo nos é dada através dos ritos e sinais sensíveis da liturgia da Igreja (cf. SC 5-7), pelos quais somos incorporados à morte e ressurreição de Cristo em seu mistério pascal (cf. SC 5-7).

7.    Os ritos têm o seu espaço próprio, cujo centro são as duas mesas: a da Palavra e da Eucaristia. A mesa da Eucaristia deve ocupar “um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda a assembleia dos fiéis” (Instrução Geral ao Missal Romano, IGMR, n. 299). Isso significa que nada deve nos distrair deste centro. Caso contrário, a participação ativa ficará comprometida.

8.    A ação salvadora de Deus se dá, sobretudo, quando, em torno à mesa eucarística, é proclamada a grande ação de graças da Igreja ao Pai, por Cristo e no Espírito Santo. De fato, a oração eucarística é o “centro e ápice de toda a celebração” (IGMR n. 78), quando a mente e o coração de todos devem se voltar para o alto, isto é, para Deus. Portanto, no momento da sua proclamação, é importante que o foco das atenções esteja no altar para acompanharmos e participarmos deste momento ritual. Por isso, não convém que a assembleia acompanhe o texto da oração eucarística, seja ele impresso ou projetado, mas, com os olhos voltados para o altar, ouça a voz do presidente que proclama a solene ação de graças. Neste momento, não pode a assembleia centrar-se em imagens ou filmes projetados no telão. As aclamações da assembleia poderiam ser proferidas ou cantadas pelo diácono ou outro ministro e repetidas pelo povo.

9.    O que foi dito sobre mesa eucarística, pode-se também dizer sobre a mesa da Palavra, como nos ensina a Igreja: “A dignidade da Palavra de Deus requer na Igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra” (IGMR n. 309). Consequentemente, a Palavra de Deus, quando proclamada e comentada pela homilia, exige de nós a atitude discipular de escuta. Na liturgia, ela está para ser proclamada e ouvida. Assim sendo, estaria muito mais de acordo com a natureza da liturgia a assembleia voltar-se para o ambão, com olhos e ouvidos atentos ao ministro que proclama a Palavra “em voz alta e distinta” (cf. IGMR 38), em vez de acompanhá-la com os olhos fixos num texto impresso ou em projeções no telão.

10. A participação ativa na liturgia exige uma interação entre quem proclama a Palavra e a assembleia que a escuta, entre a presidência e assembleia, entre esses e o próprio Deus, entre Deus e o seu povo, por força das ações rituais. Ao mesmo tempo, exige o uso cuidadoso dos livros litúrgicos, porque eles “lembram aos fiéis a presença de Deus que fala a seu povo... e são sinais e símbolos das realidades do alto na ação litúrgica” (Introdução ao Lecionário da Missa, ILM, 35), não devendo por isso ser “substituídos por outros subsídios de ordem pastoral” (ILM 37).

11. O Concílio Vaticano II resgatou a ampla compreensão de presença real de Jesus Cristo na liturgia (no ministro, na Palavra, na assembleia orante, nos sacramentos, sobretudo nas espécies eucarísticas), proclamando que Cristo mesmo age nas ações litúrgicas (cf. SC 7). A Igreja nos convoca, pois, a valorizar estas diversas presenças. Imagens projetadas durante a celebração desviam a nossa atenção da ação de Jesus Cristo, aqui e agora, na própria ação ritual. Além disso, sendo o filme, ou vídeo, um acontecimento em si mesmo, não se destina a ilustrar outro acontecimento que é o mistério de Cristo e da Igreja na própria ação ritual em ato.

12. O ministro, tanto no momento de proclamar a Palavra como na ação ritual de presidir a Eucaristia, age in persona Christi. O Cristo assume a voz, o olhar, o rosto, os braços, o corpo todo do ministro para, por ele, se comunicar com o povo cristão reunido em assembleia e, na unidade do Espírito Santo, glorificar ao Pai. Então, como fica quando a assembleia se vê obrigada a ter que desviar sua atenção para o telão, exatamente quando teria de contemplar a ação do Cristo vivo na pessoa do ministro? E como fica aí a “participação ativa”, no verdadeiro sentido teológico-litúrgico, pedida com insistência pelo Vaticano II?

13. O uso do projetor multimídia na liturgia, como estamos vendo, além de interferir na ação ritual, entra em competição com a liturgia, gerando distração.

14. O uso didático do projetor multimídia, utilizando aparelhos (computador, fiação, projetor, mesa, telão), sem dúvida interfere na composição e na estética do próprio espaço celebrativo enquanto “sinal e símbolo das coisas divinas” (cf. IGMR 288). Dependendo da localização, não seria o projetor multimídia um elemento estranho ao espaço celebrativo, dificultando a execução das ações sagradas e a ativa participação dos fiéis? Na verdade, com o uso desses aparatos corre-se inclusive o risco de tornar o espaço celebrativo em quase “sala de aula”, de “conferência”, ou uma extensão da minha “sala de TV”.

15. Além do mais, com o uso de projetor multimídia na liturgia, não se corre o risco da acomodação, no sentido de não se precisar mais investir na formação litúrgica e nem mesmo buscar uma melhor qualidade do espaço celebrativo e, sobretudo, dos ministérios?

16. O problema maior, talvez, está na falta de iniciação litúrgico-ritual. Qual o lugar que a liturgia ocupa na catequese? O que normalmente se ensina aos agentes de pastoral e comunidades? Quem o faz e que metodologia utiliza? Como estão sendo formados os futuros presbíteros e diáconos? A formação litúrgica muitas vezes fica reduzida a teoria, sem a devida formação para a ritualidade conjugada com a espiritualidade. Resultado: Recorre-se a folhetos, ao uso do projetor multimídia etc., desfocando assim a atenção da assembleia daquilo que é central na celebração. Liturgia é eminentemente ação, celebração: ação de Cristo e da Igreja, ação da assembleia em Cristo e no Espírito. Assim sendo, não tem como ser ela acompanhada por outra ação paralela assistida no telão. Não somos expectadores mas participantes.

17. Enfim, podem as novas tecnologias colaborar em favor de uma liturgia participativa, pascal, simbólica e orante? É possível? Com certeza, e muito! Onde? Na catequese como preparação para o bem celebrar, nos cursos em preparação ao batismo e ao matrimônio, bem como nos cursos de formação litúrgica em geral. Aí, nestes espaços, o projetor multimídia presta, sem dúvida, um notável serviço à sagrada liturgia.

18. Que o Espírito Santo nos ilumine, para que, a partir de uma séria reflexão sobre o uso do projetor multimídia em nossas liturgias, possamos qualificar sempre mais nossas celebrações e todos os seus ministérios. Tudo para que nossas assembleias litúrgicas, corpo eclesial de Cristo, possam sentir-se plenamente sujeito das ações rituais e, ao mesmo tempo, todas as pessoas que as compõem sintam-se envolvidas pelo mistério da salvação e glorifiquem ao Pai por uma vida santa. [CNBB]

 

A boca do homem sábio é a fonte donde procede a palavra que ilumina e conforta.  (P. de Broeck)

 

 

Aconteceu no dia 14 de fevereiro:

1990: É aprovado o Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa