Segunda-feira, 12 de setembro de 2011

24ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

 

Santos: BV Maria Vitória Fornari, Guido de Anderlecht (1012, Bruxelas), Selésio, Autônomo (mártir), Macedônio, Teódulo e Taciano, Apolinário Franco, Tomás de Zumárraga, Peregrino de Falerone (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Timóteo (1Tm 2, 1-8)
Façam-se preces e orações por todos os homens a Deus

 

Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; 2pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranqüila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo, e - falo a verdade, não minto - mestre das nações pagãs na fé e na verdade. Quero, portanto, que em todo o lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando a Leitura

Deus quer que todos os homens sejam salvos

 

Vivendo o amor com que Cristo amou, o cristão pode transformar o mundo. A oração, acompanhada de ação, torna possível a oferta da vida. O cristão que ora reconhece dia a dia que Cristo é o centro de sua vida e que fora dele não se pode viver. A oração por si mesma não leva a fazer coisas extraordinárias, porém muda o modo de ver, de situar-se e reagir às coisas, aos homens e acontecimentos. Leva a amar, a não desesperar por causa de pessoas ou situações, e olhar com olhos que não recusam ninguém. A oração significa, portanto, viver a vida com disponibilidade interior de confiança e esperança; é olhar com amor a vida e o mundo. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 27 (28), 2. 7. 8-9 (R/. 6)
Bendito seja o senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

 

Escutai o meu clamor, a minha súplica, quando eu grito para vós; quando eu elevo, ó Senhor, as minhas mãos para o vosso santuário. 

 

Minha força e escudo é o Senhor; meu coração nele confia. Ele ajudou-me e alegrou meu coração; eu canto em festa o seu louvor. 

 

O Senhor é a fortaleza do seu povo e a salvação do seu ungido. Salvai o vosso povo e libertai-o; abençoai a vossa herança! Sede vós o seu pastor e o seu guia pelos séculos eternos!

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 1-10)
Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé

 

Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: "O oficial merece que lhe faças este favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga". 6Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: "Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: 'Vai!', ele vai; e a outro; 'Vem!', ele vem; e ao meu empregado: 'Faze isto!', e ele o faz". 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia e disse: "Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé". 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 8, 5-10.13; Jo 4, 46-54

 

 

Comentário o Evangelho

Benevolência e humildade

O oficial romano, apesar de sua patente militar, a mais alta graduação nas províncias romanas, deu provas de possuir duas virtudes importantes: mostrou-se benevolente e humilde. Por isso, apesar de pagão, tornou-se um exemplo para os discípulos.


A benevolência desse oficial expressa-se no trato com o seu servo e no trato com os judeus.


Preocupou-se com um empregado que estava para morrer, pois lhe "tinha grande apreço". A atitude mais comum de um patrão em relação ao seu empregado é a indiferença, pois a situação do servo não lhe interessa. Entretanto, o oficial romano não agiu assim. Sua preocupação levou-o a buscar ajuda junto a Jesus. Servindo-se da mediação da liderança judaica, mandou um recado ao Mestre, o qual se predispôs a ir curar-lhe o servo. E a cura desejada aconteceu.


O argumento que os anciãos dos judeus encontraram para convencer Jesus a atender o pedido do oficial romano fundou-se exatamente no relacionamento bondoso que tinha com eles. "Ele merece que lhe concedas este favor, pois ama o nosso país e foi quem construiu a nossa sinagoga". Embora a serviço dos opressores romanos, esse oficial sabia tratar bem os judeus.


Sua humildade ficou patente ao reconhecer sua pequenez diante de Jesus e confessar-se indigno de recebê-lo em sua casa. Seu poder de oficial militar nada significava, se comparado com o de Jesus. Bastaria que, de longe, dissesse uma palavra para curar-lhe o servo. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Para que nossas ações demonstrem a fé que professamos, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Para que nossos governantes sejam comprometidos com a causa dos pobres, rezemos.

Para que os empregados sejam valorizados pelos seus empregadores, rezemos.

Para que as famílias busquem no diálogo a superação de suas dificuldades, rezemos.

Para que Deus dê saúde a todos os doentes de nossa comunidade, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Sede propício, ó Deus, às nossas súplicas e acolhei com bondade as oferendas dos vossos servos e servas para que aproveite à salvação de todos o que cada um trouxe em vossa honra.. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quão preciosa é, Senhor, vossa graça! Eis que os filhos dos homens se abrigam sob a sombra das asas de Deus. (Sl 35,18)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a ação da vossa eucaristia penetre todo o nosso ser para que não sejamos movidos por nossos impulsos, mas pela graça do vosso sacramento. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Um oficial romano, ou centurião, era o comandante de cem soldados romanos; é um pagão, simpatizante da religião e das práticas judaicas, às quais tem dedicado parte da sua fortuna (ou autoridade) construindo (ou mandando construir) uma sinagoga. Reconhece a dignidade especial de Jesus: aproxima-se dele por intermediários e não se atreve a hospedá-lo (não apresenta como motivo a proibição judaica de entrar na casa de pagãos, mas a dignidade pessoal de Jesus). O que mais importa é que crê no poder sobrenatural de Jesus. Enquanto o povo procura tocá-lo para receber dele seu fluido curador, o oficial romano reconhece que basta uma ordem de Jesus para que aconteça a cura. Sua experiência militar é imagem para expressar esse poder. Fé no poder e na misericórdia de Jesus, na palavra que penetra no tecido da vida humana. A cura do moribundo pode ser comentada com o Salmo 30. (Cf. Bíblia do Peregrino)

 

“Esta é a juventude do Papa!”

Dom Redovino Rizzardo, cs, Bispo de Dourados - MS

 

Na sexta-feira, dia 19 de agosto, na primeira leitura da missa, Rute dizia à sogra Noemi: «Teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus!» (Rt, 1,16). Esta foi também a convicção que me penetrou o coração durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada em Madri, de 16 a 21 de agosto.

 

Tive a graça de participar de várias manifestações ocorridas naqueles dias, ao lado de centenas de outros bispos, milhares de sacerdotes e religiosos e quase dois milhões de jovens. Apesar de me encontrar na Espanha, senti-me sempre em casa: a multidão que aclamava e se emocionava me garantia que, em toda a parte, há um povo amado e formado por Deus, independente da raça e do país de origem.

 

Acalentado pela alegria e pela comunhão que se percebia em toda a parte, o Papa Bento XVI não hesitou em descortinar perspectivas desafiadoras aos jovens, desde o seu primeiro encontro com eles, na Praça Cibeles, no dia 18: «Em Cristo, conseguimos o que buscamos e, nele radicados, damos asas à liberdade. Não é esta a razão de nossa alegria? Não é esta a rocha firme onde construir a civilização do amor e da vida, capaz de humanizar o homem? Esta é a sabedoria que deve guiar os nossos passos! Então seremos felizes e a nossa alegria contagiará os demais!».

 

No sábado à noite, dia 20, o encontro foi no aeroporto de Cuatro Vientos, durante uma vigília de oração. A semana, assinalada por um calor intenso, acabou numa forte e súbita tempestade, que impediu o Papa de proferir o discurso que havia preparado. Quando o vento e a chuva diminuíram, ante um milhão e meio de jovens que não cansavam de cantar: “Esta é a juventude do Papa!”, Bento XVI respondeu: «Jovens, obrigado por vossa alegria e resistência! A vossa força é maior do que a chuva! Guardai a chama que Deus acendeu em vosso coração nesta noite: que nenhuma chuva a apague!».

 

O aeroporto de Cuatro Vientos, apesar de grande, não foi suficiente para acolher a multidão de jovens que se fez presente naquela noite e na manhã seguinte, durante a missa de conclusão do evento. 200.000 deles não conseguiram entrar... E o sol que os acompanhou durante a tarde do sábado foi tão forte, que 800 precisaram ser atendidos por desmaios e mal-estar causados pelo calor.

 

Na homilia que proferiu no domingo, dia 21, encerramento da Jornada, o Papa lembrou que a fé só se sustenta se houver compromisso e vivência comunitária: “Seguir a Jesus é caminhar na comunhão da Igreja. Sozinho, ninguém consegue aderir a Jesus. Quem cede à tentação de andar por aí por sua conta e risco ou de viver a fé segundo os parâmetros do individualismo que impera na sociedade, corre o risco de nunca se encontrar com Jesus ou de absolver uma imagem falsa dele”.

 

No final da celebração, Bento XVI se deteve sobre a missão que cabe aos jovens na sociedade: “Desta amizade com Jesus, nascerá o impulso que vos deve levar a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, sobretudo onde prevalecem a rejeição e a indiferença. Regressando aos vossos lares e ambientes, os amigos vos perguntarão o que mudou em vossa vida depois do encontro com o Papa e com centenas de milhares de outros jovens, do mundo inteiro. A resposta será um corajoso testemunho de vida cristã diante de todos. Assim, sereis fermento de novos cristãos e fareis a Igreja se levantar vigorosa no coração de muita gente”.

 

O clima de esperança que caracterizou a Jornada Mundial da Juventude de Madri tinha a sua origem em pessoas não apenas “indignadas” – para usar um termo em voga naqueles dias na Espanha, ainda que referido a pessoas de ideias e comportamentos diferentes – com a “insalubridade” fomentada por uma sociedade que se distancia dos valores evangélicos, mas, sobretudo, em corações prontos a dar a vida por um ideal que valha a pena buscar. Na opinião de quem coordenou a cobertura da visita papal, o que impressionou os 4.700 repórteres presentes na Jornada foi “a atitude tomada pelos jovens não somente diante das dificuldades da chuva e do sol, mas também diante das manifestações contrárias. Os jornalistas ficaram impactados pela festa que reinava nas ruas, pelo civismo, pela correção, pela ausência de incidentes e pela atitude positiva de quem não conseguiu entrar em Cuatro Vientos pela falta de espaço”.

 

O homem verdadeiramente previdente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz. (Aristóteles)