Segunda-feira, 12 de julho de 2010

Décima Quinta Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Engenheiro Florestal

 

Santos: Abúndio (presbítero, mártir de Analelos, Espanha, 854), Ansbaldo de Prüm (abade), Arduíno de Fontenelle (monge, 811), Epifânia (mártir da Sicília, s. II), Fortunato (diácono, mártir), Hermágoras de Aquiléia (bispo, mártir, discípulo de São Marcos evangelista, s. I), João Gualberto (abade, 1073), João Jones e João Wall (presbíteros franciscanos, mártires), João, o Íbero (abade), Leão I (segundo abade de Cava), Lúcio de Cavargna (mártir), Marciana de Toledo (virgem, mártir, sec. II), Menulfo de Quimper (bispo), Nabor e Filipe (mártires de Milão, 304), Paterniano de Bolonha (bispo, 470), Paulino de Antioquia e Companheiros (mártires), Paulino de Lucca (bispo e mártir, s. I), Próculo e Hilarião (mártires de Serpa, tio e sobrinho, 100), Próculo de Bolonha (bispo, mártir), Verônica (mulher piedosa recordada por seu gesto compassivo para com Jesus em seu caminho para o Calvário), Vivencíolo de Lião (bispo, s. VI).

 

Antífona: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória. Sl 16, 15)

 

Oração: Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, daí a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 1, 10-17)

Aprendei a fazer o bem!

 

10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 11Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? - diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado.

 

12Quando entrais para vos apresentar diante de mim, quem vos pediu para pisardes os meus átrios? 13Não continueis a trazer oferendas vazias! O incenso é para mim uma abominação! Não suporto lua nova, sábado, convocação de assembleia: iniquidade com reunião solene! 14Vossas luas novas e vossas solenidades, eu as detesto! Elas são para mim um peso, estou cansado de suportá-las. 15Quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos. Ainda que multipliqueis a oração, eu não ouço: Vossas mãos estão cheias de sangue! 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Lavai-vos, purificai-vos

 

O brado de Isaias, tão carregado de dramaticidade, dirige-se à gente que apresenta ofertas inúteis, oferece um incenso que é uma abominação. O profeta não é antiliturgista, é alguém que ama a verdade. E não pode ser verdade um sacrifício oferecido com mãos que gotejam sangue. Ora, para que oblações e sacrifícios sejam uma "abominação", basta que as mãos que os oferecem se descuidem de promover a justiça. É o risco que ameaça a consciência de quem vai, pontualmente à missa, na qual reza pelas necessidades dos pobres, órfãos, sem nada fazer de concreto em favor deles. Isto deve levar a séria reflexão. A fé deve nos comprometer a emprestar a Deus mãos, forças, inteligência e voz, para que a paz e a justiça reinem no mundo. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 49(50), 8-9.16bc-17.21 e 23 (R/.23b)
A todo homem que procede retamente, eu

mostrarei a salvação que vem de Deus

 

Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

"Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? E disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos".

 

Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que honra de verdade. A todo homem que procede retamente eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 10, 34-11,1)
 Quem não toma a sua cruz não é digno de mim

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34"Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra.

 

36E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.

 

39Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo.

 

42Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa". 11,1Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu dai, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Lc 12,  51-53; 14, 25-33

 

 

Comentando o Evangelho

O amor maior

 

A ação missionária exige do apóstolo muita coragem e perseverança. As dificuldades e perseguições surgirão a partir de seus próprios familiares. Esses serão os primeiros a rejeitá-lo. Entretanto, o anúncio do Reino não pode ficar à mercê do humor desses familiares. A fidelidade ao Reino, em algumas circunstâncias, exigirá rupturas. Quem preferir não desagradar seu pai ou sua mãe, recusando-se de proclamar as exigências do Reino sem omitir nada, torna-se indigno do ministério recebido. O Reino deve nortear também as relações  familiares.


O apóstolo ama o Reino com um amor maior. Por amor, torna-se capaz de assumir sua missão até as últimas consequências, até mesmo a morte. Ele tem consciência de que aí se joga sua salvação e sua condenação. A busca medrosa de querer proteger-se e poupar-se, poderá levá-lo à condenação, pois, para isso, terá que abrir mão da causa de Jesus. A predisposição de perder a vida, por causa do Reino, gera salvação. O testemunho dado a favor de Jesus e de seu Reino, diante das pessoas, terá como contrapartida o testemunho que ele dará em favor do apóstolo diante do Pai. O amor ao Reino, portanto, só é verdadeiro quando se torna absoluto no coração do discípulo de Cristo.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus é sinal de contradição; não quer discórdias, mas escolhê-lo como Senhor exige necessariamente luta e tensão. Amar, no caso, indica que os laços familiares, apesar de bons, podem constituir obstáculo para quem desejar seguir Jesus, que é um bem maior e supõe cruz e desprendimento. A lealdade a Jesus deve superar qualquer outra, mesmo familiar; será a única incondicional. Não é que Jesus provoque ou declare a guerra, mas a sua mensagem provoca a hostilidade dos que a rejeitam. O acolhimento prestado aos enviados de Jesus é abertura à Palavra do próprio Mestre.

 

 

São João Gualberto

 

 

 

A graça decidiu todo o rumo da vida deste santo. Certo dia encontrou em seu caminho o assassino de seu irmão, o qual procurava há tempo. Desejoso de vingança, não pensou duas vezes e puxou a espada para matá-lo. Ao levantar a espada, o adversário, desarmado, suplicou-lhe perdão com os braços abertos. Era uma sexta-feira santa. João comovido, lembrou-se Cristo de braços abertos: concedeu-lhe o perdão, abraçando-o e sentindo-se invadido por grande paz interior. Decidiu entrar para o mosteiro dos beneditinos, mas devido a um desentendimento com o abade, por vê-lo fora da honra da Igreja e falsos pastores, encolerizado refugiou-se em um monte de nome Valeumbrosa, onde construiu o seu próprio mosteiro. Foi uma experiência pioneira, já que lá se formaram os primeiros monges da ordem beneditina, que se declararam contra os falsos pastores, os abusos e a imoderada procura do dinheiro e honras. Na Itália difundiu-se a fama e sabedoria de João. Antes de morrer, em 1073, recebeu a visita do papa Leão XI, que era seu amigo. Em sua vida, pregou a humildade, a doçura e a mortificação, sem ostentação e retórica , simplesmente usando o dom da sabedoria.

 

 

A sociedade é feita para o ser humano e não o contrário. (Papa Leão XIII)