Segunda-feira, 12 de abril de 2010

Segunda Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Santos: Agatônica, Panfílio, Carpo, Agatodoro e Companheiros (mártires), Guinoc da Escócia (bispo), Hermenegildo (rei, mártir), Martinho I (papa, mártir), Márcio (abade), Máximo, Dádio e Quintiliano (três irmãos, mártires da Bulgária), Urso de Ravena (bispo), Eduardo Catherick (mártir, bem-aventurado), Ida de Lovaina (monja, virgem, bem-aventurada), Ida de Bolonha (viúva, bem-aventurada), Tiago de Certaldo (monge, bem-aventurado), João Lockwood (presbítero, mártir, bem-aventurado), Margarida de Città di Castello (virgem, bem-aventurada).

 

Antífona: O Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre;  a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia! (Rm 6, 9)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos para alcançarmos a herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Atos (At 4, 23-31 
Cheios do Espírito Santo, anunciavam a Palavra de Deus

 

Naqueles dias, 23logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos haviam dito. 24Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a Deus, dizendo: "Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 25Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: 'Por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vás? 26Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu messias'.

 

27Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e o povo de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, 28a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse. 29Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. 30Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus". 31Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Todos ficaram cheios do Espírito Santo

 

A comunidade cristã acolhe com a oração Pedro e João postos em liberdade. Uma oração que revela a consciência que a comunidade tem de si mesma. Encontramos aqui uma norma perene para a Igreja: os acontecimentos da comunidade são interpretados e iluminados pela Palavra de Deus, que é “lida circularmente” e compreendida à luz da vida  e da fé dos crentes. Como a comunidade primitiva, também nós devemos “crer” que em nossa existência e na de nossas comunidades se repete o destino de Jesus. A prece inspirada no Salmo 2 é modelo de toda prece cristã. Nela não se dá uma “evasão”  do mundo em busca de um contato com o divino, porém à luz da palavra se lê a própria existência e se procura força e coragem para uma vida de testemunho. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  (c) Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 2, 1-3. 4-6. 7-9 (+.cf. 12d)

 Felizes hão de ser todos aqueles que

põem sua esperança no Senhor

 

Por que os povos agitados se revoltam? Por que tramam as nações projetos vãos? Por que os reis de toda a terra se reúnem, e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu ungido? 'Vamos quebrar suas correntes", dizem eles, "e lançar longe de nós o seu domínio!"

 

Ri-se deles o que mora lá nos céus; zomba deles o Senhor onipotente. Ele, então, em sua ira os ameaça, e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: "Fui eu mesmo que escolhi este meu rei, e em Sião, meu monte santo, o consagrei!"

 

O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como vaso de argila!"

 

 

Evangelho: João (Jo 3, 1-8)

Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito

 

1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: "Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele". 3Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o reino de Deus".

 

4Nicodemos disse: "Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?" 5Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por eu haver dito: "Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito".  Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Nascer do Espírito

 

Nicodemos representa uma categoria de pessoas que se aproximam de Jesus com o desejo de conhecê-lo e de se fazer discípulo dele. Num primeiro momento, a aproximação acontece no escondimento. Por isso, ele vem falar com Jesus na calada da noite, para não ser flagrado por nenhum de seus companheiros, com o risco de se tornar objeto de zombaria e perseguição.


De início, uma simples admiração pelo Mestre, e um desejo sincero de ouvir-lhe os seus ensinamentos. Quando, porém, se põe a ouvi-lo, começa a descobrir o longo caminho que deverá percorrer até sintonizar com o Mestre. O diálogo entre Jesus e Nicodemos é cheio de mal-entendidos. Assim, quando o Mestre lhe afirma a necessidade de "nascer de novo", ou "nascer do alto", Nicodemos entende isso no sentido superficial, imaginando deve voltar ao ventre materno e retomar a vida a partir daí.


O discipulado exigia do discípulo secreto nascer do Espírito. O que significa isto, na prática? Jesus propunha a Nicodemos romper os laços que o ligavam à sinagoga, para aderir, de todo coração, à comunidade cristã. Em outras palavras, deveria renunciar à sua condição de fariseu e de alto dignitário dos judeus, e confessar-se abertamente discípulo de Jesus. Esta opção resultaria em desprezo e perseguição por parte de seus antigos correligionários. Seria necessário começar uma vida nova, na pobreza e no despojamento, e confiar totalmente, apenas, em Deus. Isto seria nascer de novo!
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Nem Nicodemos nem Pedro entendem essa mensagem, embora Pedro vá entendê-la mais tarde.  Para Nicodemos, mestre de Israel, Jesus lhe dá lições. O Sacrifício de Jesus será fonte de vida e salvação para os crentes, revelará a grandeza de seu amor. Para Nicodemos anuncia o amor de Deus ao mundo, e na ceia ensinará aos seus os canais por onde esse amor desce para chegar ao mundo: o Pai ama Jesus; Jesus ama seus discípulos, os discípulos deverão amar segundo o exemplo de Jesus. [Novo Testamento, Edições de Estudos, Ave-Maria]

 

 

São Júlio I

O Martirológio Romano enumera nove santos e oito santas com esse nome e quase todos são mártires do primeiro século do cristianismo. Mas, hoje, celebramos Júlio, o primeiro papa a tomar este nome, e que dirigiu a Igreja de 337 a 352.


Júlio era de origem romana, filho de um certo cidadão chamado Rústico. Viveu no período em que a Igreja respirava a liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino, o Magno, em 313. Essa liberdade oferecia ao cristianismo melhores condições de vida e expansão da religião. Por outro lado, surgiram as primeiras heresias: donatismo, puritanismo na moral,e o arianismo, negando a divindade de Cristo.


Com a morte de Constantino, os sucessores, infelizmente, favoreceram os partidários do arianismo. O papa Júlio I tomou a defesa e hospedou o patriarca de Alexandria, Atanásio, o grande doutor da Igreja, batalhador da fé no concílio de Nicéia e principal alvo do ódio dos arianos, que o tinham expulsado da sede patriarcal. O papa Júlio I convocou dois sínodos de bispos em que, com a condenação do semi-arianismo, Atanásio foi reabilitado, recebendo cartas do papa que se felicitava com a Igreja de Alexandria, baluarte da ortodoxia cristã.

 

O papa Júlio I construiu várias igrejas em Roma: a dos Santos Apóstolos, a da Santíssima Maria de Trastévere, e três mandou construir nos cemitérios das vias Flavínia, Aurélia e Portuense, respectivamente as igrejas de São Valentim, de São Calisto e de São Félix. Cuidou da organização eclesiástica e da catequese catecumenal, ou seja, dos adultos e mais velhos


Morreu em 352, após quinze anos de pontificado. Foi sepultado no cemitério de Calepódio, na via Aurélia, numa igreja que ele também havia mandado edificar. Sua veneração começou entre os fiéis a partir do século VII. Suas relíquias, segundo a tradição, foram transladadas para a basílica de São Praxedes a pedido do papa Pascoal I. O seu culto, que já fora autorizado, refloresceu em 1505, quando do seu translado para a basílica da Santíssima Maria de Trastévere, em Roma. [paulinas.org.br]