Segunda, 12 de janeiro de 2009
Primeira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno
Santos do Dia: Antônio Maria Pucci (presbítero), Arcádio da Mauritânia (mártir), Bento Biscop (abade), Cesária de Arles (abadessa), João de Ravena (bispo), Martinho de León (agostiniano), Probo de Verona (bispo), Satiro da Acaia (mártir), Tatiana de Roma (mártir), Tígrio e Eutrópio (mártires de Constantinopla), Vitoriano de Asan (abade), Zótico, Rogato, Modesto, Catulo e Companheiros (mártires da África), Bernardo de Corleone (capuchinho, bem-aventurado), João Gaspar Cratz, Manuel d'Abreu, Bartolomeu Alvarez e Vicente da Cunha (jesuítas, mártires do Vietnam, bem-aventurados), Margarida Bourgeoys (virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, bem-aventurada), Pedro Francisco Jamet (presbítero, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Hebreus (Hb 1, 1-6
Que todos os anjos o adorem
1Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. 2No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, também criou os mundos. 3O Filho é a irradiação da sua glória e nele Deus se expressou tal como é em si mesmo. O Filho, por sua palavra poderosa, é aquele que mantém o universo. Depois de realizar a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade de Deus nas alturas. 4Ele está acima dos anjos, da mesma forma que herdou um nome muito superior ao deles.
5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: "Você é o meu Filho, eu hoje o gerei?" Ou ainda: "Eu serei seu Pai, e ele será meu Filho?" 6E de novo, quando introduz seu Filho primogênito no mundo, ele diz: "Que todos os anjos o adorem." Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Deus falou-nos por meio do filho
A comunidade cristã é a beneficiária da plena manifestação de Deus aos homens através de Cristo que, ressuscitado e “sentado à direita da majestade (Deus) no alto dos céus”, continuou, entretanto, presente na sua Igreja. Essa manifestação não é apenas o cumprimento da antiga, que se processava por meio dos profetas, mas é também substancialmente diversa. De todos os tempos a capacidade de viver a vida divina. Por isso, a ação de Cristo, ao mesmo tempo que fica acima e além da ação humana, impregna-a de seu espírito, de tal modo que todo homem na Igreja se torna “manifestação” de Deus.
Quem vive o mistério de Cristo não pode considerar insignificante nem a si mesmo, nem aquilo que faz. No trabalho, no estudo, no lazer, na oração, no sofrimento, entramos em sintonia com o universo inteiro que revela a amável presença do Criador.
Salmo: 96 (97), 1-2.6 e 7c.9 (R/.cf 7c)
Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!
1Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! 2Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apóia na justiça e no direito.
6E Assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória. 7cAos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!
9Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses.
Evangelho: Marcos (Mc 1, 14-20)
Jesus inaugura a sua pregação
14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15"tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos vos, e crede no Evangelho!". 16E, passando à beira do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: "Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens".
18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus. Palavra da Salvação!
Essa passagem bíblica também está presente no sinótico Lc 12, 42-46
Comentário do Evangelho[2]
Conversão e fé
A pregação de Jesus teve início com um duplo imperativo: conversão e acolhida da Boa Nova. Ambas as exigências constituem a atitude básica de quem pretende fazer-se discípulo do Reino. É também a base do discipulado.
A conversão toca a raiz da ação humana, aí onde se situa a liberdade. E
consiste em substituir o egoísmo pelo amor, como objetivo determinante do agir.
Esta mudança é obra da graça divina que atua no coração humano. Por outro lado,
corresponde a deixar-se dinamizar pelo Reino de Deus.
Quando Deus se torna senhor do nosso coração, o egoísmo aí não tem lugar, e o
modo humano de agir assemelha-se ao modo divino. O passo seguinte consiste em
dar ouvido à Boa Nova proclamada por Jesus, ordenando agir conforme os
parâmetros indicados por ele.
Tanto a conversão quanto a fé na Boa Nova não consistem somente em gestos
exteriores, por mais edificantes que sejam. A exterioridade pode ser enganosa e
encobrir motivações incompatíveis com o projeto de Jesus. A hipocrisia é risco
sempre presente no processo de conversão.
Tocado no mais íntimo do seu ser, o discípulo dispõe-se a tornar-se imitador de
Jesus, que viveu radicalmente centrado no Pai. A expressão viva desta vivência
está em ter passado pelo mundo fazendo somente o bem.
É no exemplo de Jesus que o discípulo se inspira, quando se converte ao
Evangelho.
Santo Antônio Maria Pucci[3]
No batismo recebeu o nome de Eustáquio Pucci e nasceu em Pogiolo de Vernio, na região de Florença, Itália, no dia 16 de abril de 1819. De família católica praticante, teve seis irmãos e enfrentou a resistência destes para seguir a vida de religioso.
Entretanto, aos dezoito anos, ele ingressou no convento dos Servos de Maria da
Santíssima Anunciação de Florença, apoiado por todos os familiares, onde mudou
o nome para Antonio Maria. Em 1843 fez a profissão religiosa e depois de alguns
meses foi ordenado sacerdote. Quatro anos depois foi enviado como vice-pároco
para a nova paróquia de santo André, em Viarégio, confiada aos servitas e três
anos depois se tornou o pároco, função que executou, durante quarenta e oito
anos, até morrer.
Dedicou-se com zelo heróico à cura espiritual e material dos seus fiéis, que o chamavam afetuosamente de "o curador". Padre Antonio Maria enfrentou duas epidemias na cidade, tratando pessoalmente dos mais doente, pois tinha o dom da cura e do conselho. Os paroquianos respondiam com afeto a esta completa doação.
Ao mesmo tempo, durante vinte e quatro anos, foi o superior do seu convento em
Viarégio, e por sete anos superior da Província toscana dos Servos de Maria.
Antecipou a forma organizadora da Ação Católica, instituindo as Associações
conforme a categoria dos seus paroquianos. Para os jovens: a Companhia de são
Luiz e a congregação da Doutrina Cristã; para os homens, aperfeiçoou a já
existente: Alma companhia da Santíssima Maria das Dores; para as mulheres: a
congregação das Mães Cristãs.
Em 1853 fundou a congregação das Irmãs auxiliares Servas de Maria direcionadas
para a educação dos adolescentes, e criou o primeiro orfanato mariano para as
crianças doentes e pobres. Alem disto, introduziu outras Organizações já
existentes, todas dedicadas às obras de caridade que atendiam os velhos,
crianças, doentes e pobres.
Depois
de socorrer um doente, numa noite fria e de tempestade, contraiu uma pneumonia
fulminante, que o levou à morte em 12 de janeiro de 1892. Foi sepultado no
cemitério da congregação, onde permaneceu até 1920, intercedendo e alcançando
graças para seus devotos. As relíquias do "curador" padre Antonio
Maria Pucci foram trasladadas, em 1920, para a igreja de Santo André, onde ele havia
desenvolvido todo o seu ministério sacerdotal.
O papa
João XXIII celebrou sua canonização em 1962, e elevou a igreja, que guarda a
sua memória, a condição de basílica. Na cerimônia solene ele declarou Santo
Antonio Maria Pucci "um exemplo fúlgido de vida religiosa e aplicada à
pastoral das almas".
O caminho é o que importa, não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar. (Louis L´Amour)