Segunda-feira, 11 de outubro de 2010

28º Semana Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Combate à Dor

 

Santos: Paulino de York, Gereão e seus companheiros (mártires na Alemanha), Victor, Malosso, Cássio, Florêncio e seus Companheiros (Bonn, Alemanha), Francisco de Bórgia, Bem-Aventurado Daniel Comboni, Pinto (Séc. II, Ilha de Creta), Cernóbio (Séc. VI, Etrúria), Paulino (644, monge beneditino romano), Telquida (670, França), Daniel e seus companheiros (1227, Calábria, Itália, presbítero,   mártir franciscano da Ordem I), Telcida.

 

Antífona: Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir?  Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel. (Sl 129, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, sempre nos proceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 4,22-24.26-27.31-5,1)
É para a liberdade que cristo nos libertou

 

Irmãos, 4,22 está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. 23Mas o filho da escrava nasceu segundo a carne, e o filho da livre nasceu em virtude da promessa. 24Esses fatos têm um sentido alegórico, pois essas mulheres representam as duas alianças: a primeira, Hagar, vem do monte Sinai; ela gera filhos para a escravidão. 26Porém, a Jerusalém celeste é livre, e é a nossa mãe. 27Pois está escrito: "Rejubila, estéril, que não dás à luz, prorrompe em gritos de alegria, tu que não sentes as dores do parto, porque os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os da mulher preferida". 31Portanto, irmãos, não somos filhos de uma escrava; somos filhos da mulher livre.

 

5,1E para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai, pois, firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Não somos filhos de uma escrava

 

O nosso tempo nutre-se de muitos sucedâneos da liberdade, há muitos entorpecentes que dão a ilusão da liberdade. "Nenhuma lei humana pode assegurar a dignidade pessoal e a liberdade do homem, como o faz o Evangelho de Cristo confiado à Igreja. Este Evangelho anuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus, rejeita toda escravidão que, em última análise, deriva do pecado" (GS 41). Mas não basta proclamar os princípios. Cabe a nós, cristãos de hoje, responder com criatividade ao incessante desafio dos tempos. Nossa vida, inspirada pelo Espírito, é chamada a ser fermento de autentica liberdade, superando velhos legalismos minimamente mortos. [Missal Cotidiano ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 112 (113), 1-2.3-4.5a e 6-7 (R/.cf.2) 
Bendito seja o nome do senhor agora e para sempre!

 

1Louvai, louvai, ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! 2Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

 

3Do nascer do sol até o seu ocaso, louvado seja o nome do Senhor! 4O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus.

 

5aQuem pode comparar-se ao nosso Deus, 6que se inclina para olhar o céu e a terra? 7Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho.

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 29-32)
O sinal de Jonas

 

Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: "Essa geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.

 

30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão.

 

32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 12, 38-42; Mc 8, 11-12

 

 

Comentando o Evangelho

A exigência de sinais

 

Por mais que Jesus realizasse milagres e prodígios, havia sempre um clima de suspeita e prevenção contra ele. Seus adversários exigiam dele provas cada vez mais espetaculares e evidentes de sua condição messiânica. Entretanto, faltava-lhes boa vontade de dobrar-se diante da evidência e aceitar que, na ação de Jesus, era o próprio Deus quem agia em benefício da humanidade. Um sinal a mais, realizado por Jesus, não os faria mudar de opinião.


A opção por Jesus e sua palavra não podia dar-se de forma compulsória, prescindindo da liberdade. A evidência de um milagre espetacular não dispensava as pessoas de decidir-se livremente pelo Senhor. Tratava-se de uma decisão por Jesus, e por sua palavra que convidava à conversão. A veracidade das palavras do Mestre não dependia de seus milagres. Elas tinham um valor próprio e atingiam a raiz pecaminosa do coração humano. Exigir sinais que servissem para autorizar Jesus e sua chamada à conversão manifestava, claramente, uma indisposição para mudar de vida.


Jesus foi para seu povo o mesmo que Jonas fora para os habitantes de Nínive. O profeta, em nome de Deus, conclamou os ninivitas à conversão e todos eles, sem exceção, fizeram penitência e voltaram-se para Deus. Não foi necessário fazer demonstração de milagres. O mesmo deveria acontecer com a geração perversa do tempo de Jesus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: Essa geração, contemporânea de Jesus, é malvada por sua incredulidade. Reclama sinais, mas desqualifica os que lhe são dados. Jonas não fez milagres em Nínive; a presença e pregação de um profeta israelita na metrópole pagã foi sinal suficiente para o arrependimento e o perdão. A geração ninivita de adultos e de crianças suscitou a compaixão divina. Ora, o sinal está aí: a pessoa, os ensinamentos e os milagres de Jesus. Mas, como não querem aceitá-lo, em lugar de sinal se convocarão duas testemunhas de acusação que no dia final das cantas deporão um juízo comparativo de agravantes. As testemunhas são: o profeta Jonas com os ninivitas arrependidos e a rainha de Sabá, pagã, que fez uma longíssima viagem para ouvir o sábio Salomão. Os pagãos acusarão os judeus incrédulos que rejeitaram Jesus, mais que profeta é mais que mestre de sábios. (Bíblia do Peregrino)

 

Santo Alexandre Sauli

 

 

 

 

De família Genovesa, aos 17 anos entrou para a Congregação dos Barnabitas Professor de Filosofia e Teologia na Universidade de Pavia e grande pregador e apóstolo do confessionário, dirigia espiritualmente comunidades inteiras. Sabia de cor as Suma Teológica de São Tomás. Aos 31 anos de idade passou a ser superior geral dessa família religiosa. Nomeado no ano de 1570, pelo Papa São Pio V bispo de Aleria, na Córsega para cooperar na diocese, percebeu que esta se encontrava extremamente decadente, abandonada, sem um capacitado clero, locais de culto decente, enfim, um "rebanho" perdido nas trevas da ignorância e da superstição. Era uma ilha selvagem e paupérrima, invadida pela malária onde faltava quase tudo. Mas o santo dizia: "Mas ao menos Deus não me faltará". À custa de extremados esforços que se prolongaram por 21 anos, conseguiu reformar a diocese inteiramente, transformando-a num modelo de organização e fervor. Nomeado pelo Papa Gregório XIV bispo de Pavia, começou imediatamente a visitação de sua nova diocese, mas faleceu logo após. Sua obra apostólica deixou imensos frutos e recordações. É venerado como o Apóstolo da Córsega.

 

 

 

Mês do Rosário

 

Este mês das missões é também denominado o mês do Rosário. É um ato de piedade importante dentro da tradição da Igreja e que, assim como começou sua difusão, também hoje necessitamos de rezar para vencer os combates de cada dia.

 

A devoção à Virgem do Rosário remonta ao século XIII, aproximadamente. Foi muito difundida pelos padres dominicanos. A palavra vem do costume da idade Média da oferta de coroas de flores às autoridades. Os cristãos adotaram esse costume oferecendo a Maria a tríplice coroa de rosas, hoje acrescentada de mais uma.

 

É uma devoção de cunho eminentemente popular já que a recitação do rosário é, na verdade, uma catequese, chamada de evangelho dos pobres, pois contemplam-se os principais mistérios da fé que estão nas escrituras e, normalmente, as pessoas sabem de cor já que no passado o analfabetismo impunha restrições aos textos escritos.

 

Em 1571, no levante naval de Lepanto, a vitória das frotas cristãs contra os turcos foi atribuída a Nossa Senhora do Rosário. Como resultado, o Papa Pio V estabeleceu liturgicamente a festa de Nossa Senhora da Vitória, que depois foi mudada pelo Papa Gregório XIII em 1573 para festa da Virgem do Rosário, inicialmente no primeiro domingo de outubro, que depois de 1913, foi transferida para o dia 7.

 

O seu culto foi ainda mais difundido após as aparições de Lourdes, onde a Virgem recomendava a Bernadete a prática da oração, através da recitação do rosário.

 

A comemoração deste mês temático é um convite para que todos possam refletir sobre os mistérios de Cristo, acompanhado da Virgem Maria, que foi associada de forma especial à Sua encarnação, paixão e glória da ressurreição. Durante muito tempo foi essa oração simples e profunda que sustentou a vida de fé de nosso povo. Hoje a grande difusão do “terço dos homens” renova e inova essa prática antiga e alimenta a oração contemplativa e a vida de nosso povo.

 

O rosário também tem sua origem na oração judaica, onde se rezava recitando cotidianamente os salmos de uma forma cadenciada. Esta maneira de rezar foi passada às primeiras comunidades cristãs nascentes. No início eram rezados os 150 salmos diariamente, prática que se estendeu por uma semana e hoje está estendida por um mês. Quando se iniciaram as ordens missionárias, a oração monástica dos 150 salmos foi substituída pela oração do rosário, pois transportar os grandes livros dos salmos tornava impossível a locomoção para as missões. Mais tarde se introduziu o “breviário” para facilitar os que tinham que locomover muito.

 

Temos também notícias que já no século IX de que na Irlanda havia o hábito de amarrar nós a uma corda para contar, em vez de salmos, as Aves Maria. Essa prática devocional a Nossa Senhora foi depois espalhada pela Europa, e com grande crescimento ao longo dos anos seguintes.

 

O Santo Padre Leão XIII escreveu documentos riquíssimos sobre o Rosário, dentre eles a sua Encíclica Supremi officio, de 01 de setembro de 1883. Na ladainha dos Santos incluiu a menção a Nossa Senhora do Rosário. Ele recebeu o título de Papa do Rosário.

 

João Paulo II, por sua vez, publica em 16 de outubro de 2002, a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. Nela o Papa acrescenta os Mistérios da Luz.

 

Após o dia 11 de setembro, na abertura do Sínodo dos Bispos daquele ano de 2001, o Papa afirma categoricamente: “Eu desejo confiar à grande causa da Paz à oração do Rosário. É cada vez mais necessário recorrermos ao poder da oração.

 

Nesta perspectiva, o Rosário torna-se fundamental. Ele constrói a paz, porque apela para a graça de Deus, semeia o bem, a partir do qual podemos esperar o fruto da justiça e da solidariedade para a comunidade e para a vida pessoal.”

 

O rosário é antes de tudo uma oração contemplativa, um caminho de contemplação. Ele nos educa à contemplação dos mistérios de Cristo, sendo uma verdadeira pedagogia para a santificação da vida.

 

O Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica sobre Maria (Marialis cultus), recorda a importância da contemplação dos mistérios durante a oração do rosário (n. 47). Neste sentido Paulo VI e a Igreja, querem afirmar o sentido autêntico, genuíno desta oração mariana, que nunca deixa de ser um meditar sobre os mistérios da vida do Senhor, visto através dos olhos de Maria, que estava mais perto Dele. Assim, as riquezas insondáveis desta meditação são reveladas.

 

A afirmação do rosário como oração contemplativa conseguiu até mesmo entrar para a linguagem popular: “hoje vamos contemplar...”.

 

A nossa vida cristã, assim, torna-se mais orante, mais contemplativa, mais mistérica. Assimila-se no interior de nossos corações toda a vida de Cristo. Entra-se na comunhão do Pai, por Cristo, no Espírito. Ajuda-nos a aprofundar a nossa relação com Deus e nossos sentimentos de amor a Cristo e a Maria.

 

O rosário é uma escola de fé, uma comunhão de vida com Cristo, o Senhor na vida do cristão, que deve, sem dúvida, impulsionar o devoto à missão apostólica em favor da Igreja de Cristo. É a missionariedade que nasce do Rosário.

 

A contemplação do rosário leva-nos a entrar no grande mistério da vinda de Jesus, que é um olhar, por certo, divino sobre o mundo e sua realidade. Com a contemplação somos chamados a descer a montanha da transfiguração, tal como Jesus o fez com os apóstolos, e olharmos o mundo com os mesmos sentimentos de Cristo. Olharmos o homem e a realidade que o cerca, e o que esta em acordo ou em desacordo com a vontade do Senhor.  Estar com Deus significa estar com o homem.

 

O rosário nos traz o olhar de Mãe, que só quer o bem de seus filhos, o seu crescimento, o seu desenvolvimento interior e também de sua realização pessoal.  Por isso, o rosário deve ser meditado na intenção especial da Igreja de hoje, do mundo e também da realidade social, política e econômica que nos envolve. É assim, poderíamos afirmar a dimensão cósmica da recitação do rosário.

 

E lembrando-nos do Filho não temos como não lembrar a Mãe. O rosário está repleto de alusões à Virgem Maria. Indica-nos uma Maria contemplativa conosco, que tudo guardava e meditava em seu coração (Lc 2, 19.51). Ela é uma mulher da meditação, com uma qualidade de vida contemplativa. Ela é uma mulher de oração e com a Igreja, como a vemos no cenáculo com os Apóstolos. Uma verdadeira oração eclesial cuja dimensão devemos nos ater.

 

Peçamos, pois, a Nossa Senhora do Rosário que possa nos ajudar em nossa caminhada de Igreja. Que esta, contemplando sempre os mistérios do Senhor, possa ser instrumento de Sua graça sobre todos os homens e mulheres de nossa querida Arquidiocese do Rio de Janeiro. [Dom Orani João Tempesta, CNBB]