Segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Décima Nona Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Verde

 

Hoje: Dia Internacional dos Povos Indígenas

 

Santos: Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (Virgem e Mártir), Domiciano de Lião (abade), Marceliano (mártir), Marciano (mártir), Maurilio da Rouen (monge, bispo), Numídio de Cartago (presbítero), Romano de Roma (mártir), Rústico (mártir), Secundino (mártir), Veriano (mártir).

 

Antífona: Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca. (Sl 73, 20.19.22-23)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Ezequiel (Ez 1, 2-5.24-28c)
Aparência visível da glória do Senhor

 

2No dia cinco do mês - esse era o quinto ano do exílio do rei Joaquim -, 3a palavra do Senhor foi dirigida a Ezequiel, filho do sacerdote Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Colar. Foi ali que a mão do Senhor esteve sobre ele. 4Eu vi que um vento impetuoso vinha do norte, uma grande nuvem envolta em claridade e relâmpagos; no meio brilhava algo como se fosse ouro incandescente. 5No centro aparecia a figura de quatro seres vivos. Este era o seu aspecto: cada um tinha a figura de homem. 24E eu ouvi o rumor de sua asas: Era como um estrondo de muitas águas, como a voz do Poderoso. Quando se moviam, o seu ruído era como o barulho de um acampamento; quando paravam, eles deixavam pender as asas. 25O ruído vinha de cima do firmamento, que estava sobre suas cabeças. 26Acima do firmamento que estava sobre as cabeças, havia algo parecido com safira, uma espécie de trono, e sobre essa espécie de trono, bem no alto, uma figura com aparência humana.

 

27Eu vi como que um brilho de ouro incandescente, envolvendo essa figura como se fosse fogo, acima daquilo que parecia ser a cintura, vi algo como fogo e, em sua volta, um círculo luminoso. 28cEsse círculo luminoso tinha o mesmo aspecto do arco-íris, que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do Senhor. Ao vê-la, caí com o rosto no chão. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Tal era a aparência visível da glória do Senhor

 

Muitos fiéis têm conceito de Deus bem mesquinho. E nós? Não vemos , não sentimos a Deus; que faz ele, por que não intervém? Ezequiel nos comunica forte experiência da transcendência de Deus. Em imagens longínquas no tempo, há aí mensagem válida ainda hoje. Deus não está ligado nem  ao templo, nem à terra prometida; está em toda parte, vê e conhece tudo, especialmente os nossos males. Manifesta-se no lugar de exílio; é força, ação, luz... Deus é imprevisível, tremendo, mas não terrificante; é esplendor, glória, vida. E manifesta-se sobretudo “em forma humana”, próximo do homem; tem rosto, coração... Ezequiel convida a “ver” a presença e ação de Deus nas vicissitudes da história. Nestas há outra realidade que é obra de Deus. Onde tudo parece ruína, ele atua para salvar, para libertar o homem em profundidade. Há sempre uma salvação oferecida por Deus. Podemos manifestar aos outros a face humana de Deus, a mão amiga, o bom coração. [Comentário Bíblico, Vol 3, Edições Loyola]

 

 

Salmo: 148, 1-2.11-12ab.12c-14a.14bcd
Da vossa glória estão cheios o céu e a terra

 

Louvai o Senhor Deus nos altos céus, louvai-o no excelso firmamento! Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o, louvai-o, legiões celestiais!

Reis da terra, povos todos, bendizei-o, e vós, príncipes e todos os juízes; e vós, jovens, e vós, moças e rapazes, anciãos e criancinhas, bendizei-o!

 

Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos, porque somente o seu nome é excelso! A majestade e esplendor de sua glória ultrapassam em grandeza o céu e a terra.

 

Ele exaltou seu povo eleito em poderio, ele é o motivo de louvor para os seus santos. E um hino para os filhos de Israel, este povo que ele ama e lhe pertence.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 17, 22-27)
Eles o matarão mas no terceiro dia ele ressuscitará

 

Naquele tempo, 22quando Jesus e seus discípulos estavam reunidos na Galiléia, ele lhes disse: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. 23EIes o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará". E os discípulos ficaram muito tristes. 24Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo aproximaram-se de Pedro e perguntaram: "O vosso mestre não paga o imposto do Templo?" 25Pedro respondeu; "Sim, paga". Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: "Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?" 26Pedro respondeu: "Dos estranhos!" Então Jesus disse: "Logo os filhos são livres. 27Mas, para não escandalizar essa gente, vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que pescares. Ali encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 9, 30-32; Lc 9, 43-45

 

 

 

Comentando o Evangelho

A isenção do imposto

 

Jesus encontrou-se numa situação constrangedora para sua consciência de Filho de Deus, quando quiseram saber se ele pagava, ou não, o imposto devido ao templo de Jerusalém. Os galileus, marginalizados do contexto religioso judaico, recusavam-se a pagá-lo. Isso gerava sérios conflitos. A resposta de Pedro aos cobradores de impostos mostra que Jesus não estava disposto a criar confusão por algo sem relevância. Entretanto, Jesus tinha consciência de estar dispensado de recolher o imposto do templo, tido como o lugar escolhido por Deus para estabelecer sua habitação. Sua condição de Filho de Deus isentava-o deste imposto.


A submissão de Jesus à exigência da Lei tinha uma motivação pastoral. Ele não queria escandalizar os cobradores de impostos, ou seja, não queria criar neles resistência em relação ao Reino, nem fechá-los para uma eventual acolhida de sua mensagem. Uma atitude intransigente de Jesus, neste caso, poderia ter como efeito afastar dele pessoas que já não gozavam da estima do povo. Para elas Jesus se sentia enviado de modo especial.


Foi Pedro quem pagou o imposto por si e por Jesus. Este gesto singelo ligava, definitivamente, seu destino ao do Mestre. Apesar dos percalços por que passaria sua relação com o Mestre, a sorte de ambos estava irremediavelmente ligada.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A questão do imposto surgiu devido ao costume que se havia generalizado entre os judeus – até mesmo entre os que viviam dispersos pelo mundo romano – de pagar um imposto anual para o templo. A quantidade era, geralmente, pequena: uma didracma ou duas dracmas, moeda grega que equivalia ao salário de dois dias de trabalho de um trabalhador. Mas a obrigação desse imposto não provinha da lei. Segundo o ponto de vista dos saduceus, só podiam ser exigidos os impostos assinalados expressamente pela lei (Ex 30, 11-13), e o referido no templo não figurava nela.  O relato mostra claramente que Jesus não estava obrigado a pagar esse imposto. Esta obrigação correspondia aos súditos, não aos filhos do rei: daí a analogia que Jesus emprega. O Senhor do templo era Deus. Jesus é seu Filho. Os que acreditam em Jesus participam dessa filiação. Jesus quer expressar também uma atitude de respeito diante da possível obrigação legal e diante do templo, enquanto é casa de Deus. (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

 

 

São João de Alverne

 

 

 

Viveu muitos anos na solidão no mesmo local em que São Francisco recebeu os estigmas. Depois de viver ao lado dos cônegos regulares, optou pela companhia dos frades franciscanos menores. Sua vida foi marcada pela penitência e pela absoluta austeridade. Sua grande provação se deu, segundo contam os Fioretti de São Francisco, quando foi retirada de frei João toda a consolação espiritual, deixando-o desconsolado, aflito e dolorido. Jesus, ao ver sua aflição, apareceu-lhe, passando por ele e compadecido, mostrou-lhe o Rosto. Desde então, João foi novamente consolado pela Graça Divina.

 

Cedo ou tarde, o ser humano tem de possuir uma razão para viver ou morrer. (Morris West)