Segunda-feira, 9 de maio de 2011

Terceira Semana da Páscoa do Senhor, 3ª do Saltério (Livro II),  cor  Branca

 

Santos: Maria de Cléofas (matrona), Valdetrudes (viúva), Hugo de Ruão (bispo), Galcério ou Gautério (abade), Ubaldo de Florença (beato), Tomás de Tolentino (mártir e beato), Antônio Pavoni (mártir e beato), Acácio, Demétrio, William Cufitella de Scicli (bem aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem)

 

Antífona: Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, diz o Senhor. O reino do céu pertence aos que se parecem com eles. (Mc 10,14)

 

Oração: Ó Deus, que escolhestes são João Batista de la Salle para a educação cristã dos jovens, suscitais na vossa Igreja educadores que se consagrem inteiramente à formação humana e cristã da juventude. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Atos (At 6, 8-15)     
 Estevão é preso e condenado injustamente

 

Naqueles dias, 8Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estevão. 10Porém não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.  

 

11Então subornaram alguns indivíduos, que disseram: "Ouvimos este homem dizendo blasfêmias contra Moisés e contra Deus". 12Desse modo, incitaram o povo, os anciãos e os doutores da lei, que prenderam Estevão e o conduziram ao sinédrio. 13Ai apresentaram falsas testemunhas, que diziam: "Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a lei. 14E nós o ouvimos afirmar que Jesus nazareno ia destruir este lugar e ia mudar os costumes que Moisés nos transmitiu". 15Todos os que estavam sentados no sinédrio tinham os olhos fixos sobre Estevão, e viram seu rosto como o rosto de um anjo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que Ele falava 

 

Estevão realiza na sua vida a vida de Cristo: na pregação, nos milagres, no processo do Sinédrio, na morte violenta. Seu destino é o mesmo de Cristo, que continua na vida da Igreja. Dizer às pessoas que a religião delas "acabou", que "lei e templo" nenhuma relação tem mais com Deus e com a salvação, não é possível sem provocar luta. A não ser que tais pessoas sejam abertas e dóceis à verdade e à novidade de Deus.

 

Estevão anuncia que a plenitude da lei e que o novo e definitivo templo de Deus é Cristo. Assim, a verdadeira fidelidade à lei e ao templo exige a superação e leva a Cristo.

 

Também nós podemos cair numa visão legalista da vida cristã e numa prática formalística da missa e dos sacramentos. Cumpre ser aberto ao sopro do Espírito para fazer da religião um verdadeiro relacionamento com o Deus vivo em Cristo, e não a adoração de ídolos mortos. [Extraído do MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 118 (119), 23-24.26-27.29-30 (R/.1b)
Feliz é quem na Lei do Senhor Deus vai progredindo

 

Que os poderosos reunidos me condenem; o que me importa é o vosso julgamento! Minha alegria é a vossa aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos.  

 

Eu vos narrei a minha sorte e me atendestes, ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! Fazei-me conhecer vossos caminhos, e então meditarei vossos prodígios!  

 

Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos.

Evangelho: João (Jo 6, 22-29)

Discurso do Pão do Céu

 

Depois que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o mar. 22No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos. 23Entretanto, tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças.  

 

24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: "Rabi, quando chegaste aqui?" 26Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade, eu vos digo, estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo".  

 

28Então perguntaram: "Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" 29Jesus respondeu: "A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou".  Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

O alimento imperecível

 

Tendo sido procurado por interesses particulares, Jesus exorta o povo a buscar o alimento imperecível, que dura para a vida eterna. Mais importante que o pão material, necessário para matar a fome física, é o alimento que só o Filho do Homem pode oferecer.


Estas palavras de Jesus podiam dar margem a mal-entendidos. Seus ouvintes corriam o risco de pensar em algo misterioso, conhecido só pelo Mestre, que tinha o poder mágico de substituir o alimento material.


Entretanto, Jesus referia-se a algo muito mais simples: ele mesmo era o alimento que haveria de propiciar vida eterna a quem se dispusesse a acolhê-lo. Suas palavras deveriam ser tomadas num sentido espiritual-existencial. Alimentar-se de Jesus significa acolhê-lo como o Senhor de nossa própria existência. E isto resultará numa espécie de identificação da vida do discípulo com a do Mestre, passando por um processo de transformação. O parâmetro da ação do discípulo será o amor e a solidariedade. Os pobres e marginalizados serão objeto privilegiado de sua atenção. Por estar radicado em Deus, será livre para servir ao próximo, sem qualquer distinção.
Este modo de viver terá como desfecho a vida eterna. É a obra de Jesus em nós.

 

São Pacômio

Foi o primeiro organizador da vida comum nos cenóbios, a vida monacal organizada, com um superior e, sua regra, que conta com 192 preceitos, continha hierarquia. Uns eram enfermeiros, ecônomos, confessores, etc. Exerceu influência em toda a vida religiosa através dos séculos. Retirou do mundo a fim de dedicar toda sua vida à oração, à penitência, à solidão. A comunidade fundada por ele teve um desenvolvimento tão rápido que durante sua vida reuniu sete mil monges e no final do sendo V, chegava a cinquenta mil. A base da vida religiosa era constituída fundamentalmente pela irrestrita castidade, pobreza e obediência ao superior. Pontualidade, silêncio, disciplina, recitação de certas preces, algumas penitências, tudo para incrementar o processo ascético dos monges.

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Senhor, alimentai-nos com vossa palavra e com o pão da imortalidade. Ouvi, Senhor, a oração de vosso povo.

Fazei que reconheçamos em Cristo a plenitude da vossa comunicação.

Protegei as vítimas das guerras, dos conflitos sociais e do preconceito.

Iluminai todos os que se empenham pela difusão dos valores humanos e cristãos.

Fazei que autoridades e a sociedade se empenhem na superação da fome e da miséria.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; eu vo-la dou, mas não como a dá o mundo, diz o Senhor, aleluia! (Jo 14,27)

 

Oração Depois da Comunhão:

Deus eterno e todo-poderoso, que, pela ressurreição de Cristo, nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal e infundi em nossos corações a fortaleza desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Beato João Paulo II, rogai por nós!

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo

 

No próximo dia 1º de maio, em Roma, será beatificado o papa João Paulo II. Fato extraordinário, pois ele faleceu há 6 anos apenas! Mas foi notável também a sua pessoa e, por isso, sua beatificação rápida não deve causar maravilha a ninguém. De fato, já no meio da numerosa multidão que acorreu ao seu funeral na Praça de São Pedro houve manifestações espontâneas, pedindo que fosse proclamado santo imediatamente!

 

Quando beatifica ou a canoniza algum de seus filhos, a Igreja afirma que esse foi um cristão autêntico, que viveu de forma extraordinária e exemplar como discípulo de Jesus Cristo. Não é o milagre que mais importa, mas a vida santa, a fé sólida, o amor e a comunhão com Deus, a caridade para com o  próximo, a consistência e mesmo a heroicidade das virtudes, o serviço prestado à Igreja e à humanidade, tudo motivado pela fé cristã.

 

Ninguém se torna santo depois da morte, mas durante a vida; o milagre, exigido no processo de beatificação e canonização, é visto como um sinal de Deus, a confirmar aquilo que a Igreja se propõe a fazer. E esta, após cuidadoso estudo e exame detalhado de todos os aspectos da vida daquele que vai ser beatificado ou canonizado, reconhece e proclama oficialmente que se tratou de um cristão exemplar enquanto viveu e que está no céu, junto de Deus; neste ato, a Igreja empenha o seu Magistério.

 

Quem não lembra do papa João Paulo II? Teve uma infância simples e sofrida na Polônia; na juventude padeceu os horrores da 2ª. grande guerra mundial e, em seguida, conheceu também os abusos totalitários do comunismo polonês e russo. Foi sacerdote idealista e dedicado; bispo dinâmico e corajoso; aos 58 anos de idade, foi eleito papa, permanecendo na Sé de São Pedro por quase 27 anos, como pastor dinâmico, corajoso, lúcido e generoso. Incentivou a formação do clero, dos religiosos e dos leigos, valorizou os diversos carismas presentes no Povo de Deus, cuidou de manter unida a Igreja e de corrigir desvios na fé e na vida moral e pastoral.

 

E empenhou-se para colocar em prática o Concílio Vaticano II, imprimindo na Igreja um novo dinamismo evangelizador; fez mais de 100 viagens internacionais, visitando 160 países, sempre animando as Igrejas locais e confirmando a fé do povo católico; foram viagens missionárias por excelência, nas quais mantinha encontros de diálogo também com autoridades civis, líderes religiosos e organizações sociais.

 

Para toda a comunidade humana, João Paulo II tornou-se uma autoridade moral indiscutível, como ficou bem claro no seu funeral, que reuniu um número e uma diversidade de chefes de Estado e de governo nunca antes vistos num mesmo lugar. Estavam todos ali para prestar homenagem ao Papa que marcou o mundo pelo seu empenho pelo respeito ao ser humano, pela paz e o bom entendimento entre os povos.

 

Era um homem de Deus, dedicado inteiramente à causa do Evangelho, e assim se apresentava diante do mundo; tinha uma devoção singela à Virgem Maria, como mostrava seu lema “totus tuus” (todo teu), a quem agradeceu a proteção na hora do atentado na praça de São Pedro, que poderia ter sido fatal. Na sua idade avançada e na doença que lhe tomava as forças, deu um exemplo comovente de dignidade e dedicação à sua missão até o fim.

 

Será beatificado no 2º Domingo da Páscoa, o “Domingo da Misericórdia”, por ele mesmo instituído. Que ele continue a interceder junto de Deus pela Igreja e pela humanidade inteira, para que a “Divina Misericórdia” se estenda sobre todos aqueles que ele amou tão exemplarmente aqui na terra. [CNBB]

 

Uma pessoa com um mínimo de fé em Deus nunca perde a esperança, porque

sempre acredita no triunfo final da verdade. (Mahatma Gandhi)