Segunda, 8 de novembro de 2010

32º do Tempo Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Mundial do Urbanismo e Dia do Técnico em Radiologia

 

Santos: Adeodato I (papa), Claro de Marmoûtier (eremita), Cybi de Cenarvon (abade, bispo), Godofredo de Amiens (monge, bispo), Gregório de Einsiedeln (abade), Mauro de Verdun (bispo), Moroc da Escócia (bispo), Tisílio de Wales (abade), Veomado de Trèves (monge, bispo), Viliado de Bremen (bispo).

 

Antífona: Chegue até vós a minha súplica; inclinai vosso ouvido à minha prece. (Sl 87,3)

 

Oração: Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Carta de São Paulo a Tito (Tt 1, 1-9)
Graça e paz da parte de Deus pai e de Jesus Cristo

 

1Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para levar os eleitos de Deus à fé e a conhecerem a verdade da piedade 2que se apoia na esperança da vida eterna. Deus, que não mente, havia prometido esta vida desde os tempos antigos, 3e, no tempo marcado, manifestou a sua palavra por meio do anúncio que me foi confiado por ordem de Deus nosso salvador. 4A Tito, meu legítimo filho na fé comum, graça e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo nosso Salvador. 5Eu deixei-te em Creta, para organizares o que ainda falta e constituíres presbíteros em cada cidade, conforme o que te ordenei: 6todo candidato deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, com filhos crentes, e não acusados de levianos ou insubordinados. 7Porque é preciso que o epíscopo seja irrepreensível, como administrador posto por Deus. Não seja arrogante nem irascível nem dado ao vinho nem turbulento nem cobiçoso de lucros desonestos, 8mas hospitaleiro, amigo do bem, ponderado, justo, piedoso, continente, 9firmemente empenhado no ensino fiel da doutrina, de sorte que seja capaz de exortar com sã doutrina e refutar os contraditores. Palavra do Senhor!

 

 

Comentário da I Leitura

Para constituíres presbíteros conforme o que te ordenei

 

A história do mundo e da Igreja é feita de homens, com todas as suas limitações, defeitos, infidelidades. Importa nunca esquecer este aspecto humano da realidade eclesial: "A Igreja reúne em seu regaço justos e pecadores, é ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação, busca sem cessar a penitência e a renovação". Na hierarquia, porém, os "presbíteros" (bispos e sacerdotes), embora não fujam a esta condição humana, devem possuir algumas qualidades e virtudes fundamentais, para serem entre os irmãos "sal da terra e luz do mundo" (Mt 5,13). Paulo enumera estas qualidades. O problema das vocações sacerdotais e religiosas cabe hoje a toda a Igreja e é tarefa da comunidade cristã. Esta constitui um ambiente favorável ou desfavorável ao desenvolvimento do chamado de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R/cf.6) 
É assim a geração dos que buscam

vossa face, ó senhor, Deus de Israel.

 

1Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

 

3"Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?" 4a"Quem tem mãos puras e inocente coração, 4bquem não dirige sua mente para o crime.

 

5Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador". 6"E assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face".

 

Evangelho: Lucas (Lc 17, 1-6)
Se teu irmão se converter, perdoa-lhe

 

Naquele tempo, 1Jesus disse a seus discípulos: "E inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! 2Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos. 3Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. 4Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: 'Estou arrependido', tu deves perdoá-lo". 5Os apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé!" 6O Senhor respondeu: "Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: 'Arranca-te daqui e planta-te no mar', e ela vos obedeceria". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Reconciliação e perdão

 

A comunidade cristã não é feita de pessoas santas ou incapazes de pecar. Pelo contrário, comporta, entre seus membros, gente afetada pelo egoísmo e sempre disposta a romper os laços fraternos, que mantém a unidade entre os cristãos. Uma comunidade esfacelada é o pior contratestemunho do Reino que possa existir. É uma declaração tácita de que o amor é impraticável, e a força do egoísmo, inexorável.

 

Daí a exigência de o cristão se predispor, continuamente, a refazer os laços rompidos. Capitular seria um gesto anticristão, incompatível com as exigências do Reino.


A reconstrução da comunidade cindida pela inimizade processa-se num duplo movimento: o reconhecimento do pecado, por parte de quem ofende o irmão, e a oferta de perdão, por parte de quem foi ofendido. É uma questão de boa vontade e de se deixar mover pela graça.
Quem peca, deve ter consciência de suas faltas e das consequências negativas para a comunidade. O passo seguinte consiste em ser capaz de declarar-se arrependido e pedir perdão. É preciso ter a humildade de refazer este mesmo caminho, quantas vezes forem necessárias.

 

Quem foi vítima da ofensa alheia, deve estar sempre pronto a perdoar, sem conservar ressentimento ou rancor no coração. Reconhecendo que o pecado resulta da fraqueza humana, terá para com o pecador arrependido a mesma paciência de Deus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

 

 

São Godofredo

 

 

 

Os pais de Godofredo rezaram muito para que Deus lhes desse um herdeiro. Até que, em 1066, ele nasceu no castelo da família em Soissons, onde foi batizado com um nome que já apontava a direção que seguiria. Godofredo quer dizer paz de Deus, e foi o que este francês espalhou por onde passou durante toda a vida.

 

Com cinco anos, foi entregue para ser educado pelos monges beneditinos e do convívio com a religiosidade nunca mais se afastou. Quando a educação se completou, foi para o Convento de São Quintino e ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos de idade.

 

A sua integridade de caráter, profundidade nos conhecimentos dos assuntos da fé, bem como a visão social que demonstrava, logo chamaram a atenção dos superiores. Tanto que foi nomeado abade do Convento de Nogent, com a delicada missão de restabelecer as regras disciplinares dos monges, muito afastados do ideal da vida cristã. Em poucos anos a comunidade mudou completamente, tornando-se um centro que atraía religiosos de outras localidades que ali passaram a buscar orientação e conselhos de Godofredo.

 

Quando os monges de um convento famoso, rico e poderoso o convidaram para ser o abade, ele recusou. O que desejava era viver no seguimento de Cristo, dedicando-se à caridade e trabalhando no amparo e proteção aos pobres e doentes, e não o poder ou a ostentação. Era comum ver os mendigos e leprosos participando da sua mesa, pois acolhia todos os necessitados com abrigo e esmolas fartas. Suas virtudes levaram o povo e o clero a eleger Godofredo bispo de Amiens, mas ele só aceitou a diocese depois de receber ordem escrita do próprio papa.

 

Outra missão difícil para Godofredo. Lá, os ricos e poderosos preferiam a vida de muitos vícios, prazeres e luxos, sem nenhuma virtude e ligação com os ensinamentos cristãos. Começou empregando toda a força e eloquência de sua pregação contra esses abusos denunciando-os do próprio púlpito. O que quase lhe causou a morte num atentado encomendado. Colocaram veneno em seu vinho, mas o plano foi descoberto antes.

 

Considerando-se inapto, renunciou ao cargo e retirou-se para um local ermo. Só que nem os superiores, nem o povo aceitaram a demissão e Godofredo foi reconduzido ao cargo. Mas foi por pouco tempo. Durante uma peregrinação à igreja de São Crispim e São Crispiniano, situada em Soissons, sua cidade natal, ele adoeceu. Morreu no dia 8 de novembro de 1115, no convento dedicada aos dois santos padroeiros dos sapateiros, onde foi enterrado. [paulinas.org.br]

 

Rezar é descobrir a presença e as batidas do coração de Deus na banalidade do cotidiano. (D. Mollat)