Segunda-feira, 7 de março de 2011

Nona Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª do Saltério, Livro III, cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Santas Perpétua e Felicidade, Mártires (Memória Facultativa, cor vermelha) e Dia do Fuzileiro Naval

 

Santos: Perpétua e Felicidade, Paulo (o Simples, 339DC), Dráusio (674DC), Istervino (686DC, abade), Ardo (843DC), Teofilato (845DC, bispo de Nicomédia), Margaret Kekeux (1916DC, virgem, franciscana da terceira ordem, Bélgica) e Saturnino

 

Antífona: Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24,16.18)

 

Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Tobias (Tb 1,3; 2,1a-8)

Na prática da Lei procurei ser cuidadoso

 

1,3Eu, Tobit, andei nos caminhos da verdade e da justiça, todos os dias da minha vida. Dei muitas vezes esmolas aos meus irmãos e compatriotas, que comigo foram deportados para Nínive, no país dos assírios. 2,1aNo dia da nossa festa de Pentecostes, que é a festa das Sete Semanas, prepararam-me um excelente almoço, e reclinei-me para comer. 2,2Quando puseram a mesa com numerosas iguarias, disse ao meu filho Tobias: "Vai, filho, vai procurar, entre nossos irmãos deportados em Nínive, algum que, de todo o seu coração, se lembre do Senhor, e traze-o aqui para comer comigo. Assim, meu filho, ficarei esperando até que voltes. 2,3Tobias saiu, pois, à procura de um pobre entre nossos irmãos. E voltou dizendo: "Pai!" Respondi: "Que há, meu filho?" Continuou Tobias: "Um homem do nosso povo foi morto e lançado à praça pública. E ainda se encontra lá, estrangulado". 2,4Levantei-me de um salto, deixando o almoço, sem prová-lo. Tirei o cadáver do meio da praça e depositei-o numa das dependências da casa, esperando o pôr do sol para enterrá-lo. 2,5Ao voltar, lavei-me e, entristecido, tomei minha refeição. 2,6Lembrei-me das palavras do profeta Amós, ditas contra Betel: "Vossas festas se transformarão em luto e todos os vossos cantos em lamentação". 2,7E chorei. Depois que o sol se escondeu, fui cavar uma sepultura e enterrei o cadáver. 2,8Meus vizinhos zombavam, dizendo: "Ele ainda não tem medo. Já foi procurado para ser morto por este motivo, e teve que fugir. No entanto, está de novo sepultando os mortos!" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Tobias andava nos caminhos da verdade e da justiça

 

Temos aqui uma primeira mensagem de fidelidade a Deus a todo custo. Tobias foi fiel desde a juventude. Enquanto os conterrâneos e parentes cediam ao paganismo, ele peregrinava a Jerusalém segundo a lei, levava primícias, dízimos, ofertas; era generoso com os pobres, viúvas, órfãos, forasteiros. Desterrado, mantivera-se fiel a seus compromissos religiosos; tornado rico, servia-se do que tinha em favor dos outros. De modo particular, com risco de vida, dava sepultura aos justiçados e assassinados. Condenado, fugira; depois uma reviravolta política permitiu-lhe tornar (c.1). A cena de hoje põe em evidência sua generosidade e serve para encaminhar a narração do livro. Havendo dado tanto, Deus lhe pede tudo! Quando menos o esperamos, pode vier a “provação” decisiva, a confirmar a própria doação e é o pressuposto da retribuição de Deus. [Missal Cotidiano, Paulus]

 

 

Salmo: Sl 111(112),1-2. 3-4. 5-6 (R. 1a)

Feliz aquele que respeita o Senhor!

 

1Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! 2Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

 

3Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. 4Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

 

5Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. 6Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 1-12)

    Parábola dos vinhateiros homicidas

Naquele tempo: 1Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: "Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores, e viajou para longe. 2Na época da colheita, ele mandou um empregado aos agricultores para receber a sua parte dos frutos da vinha. 3Mas os agricultores pegaram no empregado, bateram nele, e o mandaram de volta sem nada. 4Então o dono da vinha mandou de novo mais um empregado. Os agricultores bateram na cabeça dele e o insultaram. 5Então o dono mandou ainda mais outro, e eles o mataram. Trataram da mesma maneira muitos outros, batendo em uns e matando outros. 6Restava-lhe ainda alguém: seu filho querido. Por último, ele mandou o filho até aos agricultores, pensando: 'Eles respeitarão meu filho'. 7Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: 'Esse é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa'. 8Então agarraram o filho, o mataram, e o jogaram fora da vinha. 9Que fará o dono da vinha? Ele virá, destruirá os agricultores, e entregará a vinha a outros. 10Por acaso, não lestes na Escritura: 'A pedra que os construtores deixaram de lado, tornou-se a pedra mais importante; 11isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos?'"

 

12Então os chefes dos judeus procuraram prender Jesus, pois compreenderam que havia contado a parábola para eles. Porém, ficaram com medo da multidão e, por isso, deixaram Jesus e foram-se embora. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas no sinóticos: Mt 21,33-46; Lc 20,9-19

 

 

Comentando o Evangelho

A infinita paciência de Deus

 

A parábola dos vinhateiros homicidas deixa patente a infinita misericórdia de Deus para com a humanidade pecadora. Por isso, o texto evangélico é tecido de situações inverossímeis que dificilmente se encontram no âmbito das ações humanas. A lição nele contida é clara; quando se trata de salvar, Deus não mede esforços; a condenação só acontece no final de um longo processo de paciente tentativa de levar as pessoas à reconciliação.

 

É inexplicável que o proprietário, depois de plantar sua vinha com tanto cuidado, não tinha jamais retornado para vê-la, contentando-se em enviar seus servos, após vários anos, para receber a parte da colheita que lhe cabia. Não se concebe por que o proprietário tenha continuado a mandar “muitos outros”, embora sabendo que os primeiros tinham sido tratados duramente.

 

A hostilidade dos arrendatários era evidente, e se radicalizava sempre mais: pegaram o primeiro enviado, espancaram-no e o mandaram embora sem nada; o segundo foi ferido na cabeça e coberto de injúrias, e o terceiro, assassinado. Daí para frente os enviados eram espancados ou mortos.

 

Por que o proprietário não pôs um basta nesta covardia, logo no princípio? Por que teve a coragem de enviar seu filho e herdeiro, sabendo da fúria dos arrendatários? Seu comportamento foi paradoxal. No seu afã de conduzir a humanidade aos caminhos da salvação. Deus se serve dos expedientes mais inesperados. Importa sermos capazes de percebê-los e acolhê-los com amor. [Jaldemir Vitória, sj, O EVANGELHO DO DIA, Ano A, Paulinas, 1998]

 

 

Prece dos fiéis (Deus Conosco Dia a Dia)

 

-Por todos os que se empenham em viver com fidelidade a Deus neste mundo, mesmo que encontrem dificuldades e oposições, roguemos ao bom Deus. Confirmai-nos, Senhor, em vossos caminhos!

-Para que a Igreja nunca deixe de dizer a verdade do evangelho aos homens e mulheres, mesmo que muitas vezes haja incompreensões e rejeições, roguemos ao bom Deus.

-Pelos que buscam viver a prática do bem e da caridade, principalmente junto aos mais necessitados que nós, roguemos ao bom Deus.

-Para que o exemplo das Santas Perpétua e Felicidade nos anime na vivência e no testemunho de nossa fé, roguemos ao bom Deus.

 (Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Confiados, ó Deus, no vosso amor de Pai, acorremos ao altar com nossas oferendas; dai-nos, por vossa graça, ser purificados pela Eucaristia que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Em verdade eu vos digo: o que pedirdes em oração crede que o recebereis, e vos será concedido, diz o Senhor. (Mc 11,23.24)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, governai pelo vosso Espírito aos que nutris com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Dai-nos proclamar nossa fé não somente em palavras mas também na verdade de nossas ações, para que mereçamos entrar no reino dos céus. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Santas Perpétua e Felicidade

Antífona de entrada: Eis as mulheres sábias que edificaram seu lar, e temendo a Deus, viveram com retidão (Pr 14,1-2)

 

Oração: Ó Deus, pelo vosso amor, as mártires Perpétua e Felicidade resistiram aos perseguidores e superaram as torturas do martírio; concedei-nos, por sua intercessão, crescer constantemente em vossa caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Oração sobre as Oferendas: Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo, e sirva para a nossa salvação o sacrifício que devotamente celebramos em honra de vossos santos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão: Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Mt 12,50)

 

Oração Depois da Comunhão: Na festividade das santas Perpétua e Felicidade, fomos saciados, ó Pai, com os vossos dons; fazei que sua força nos purifique e seu auxílio nos sustente. Por Cristo, nosso Senhor!   

 

Santas Perpétua e Felicidade

 

Os registros do martírio dessas duas santas são um dos documentos mais emocionantes o cristianismo. Perpétua, cujo primeiro nome era Víbia, vinha de família nobre e rica. Tinha 22 anos, acabara de dar a luz ao seu primeiro filho e já ficara viúva. Felicidade, ao contrário, era uma escrava, grávida de oito meses. Embora as diferenças de status, ambas se preparavam juntas para o batismo no catecumenato quando foram presas junto a outros: a Sáturo, diácono e mestre, Saturninus, Secundulus e Revocatus. Lançados na prisão, esperando o processo, o choque foi brutal para Perpétua que sempre vivera no luxo. Puseram-nos em uma grande escuridão, passando dias terríveis pela estreiteza do local e profunda preocupação com seu filhinho. Dois diáconos conseguiram um melhor tratamento para eles, mediante dinheiro: foram levados ao andar superior que era mais amplo e permitiram que Perpétua ficasse com o seu filhinho. Estava bastante frágil a criança e ela lhe dava o peito. Mas continuava preocupada com os pais e se consumia vendo o sofrimento deles porque amavam-na muito. Após poucos dias do nascimento do filho de Felicidade, (dois dias antes do sacrifício) iniciou-se o interrogatório. Todos professaram sua fé e foram lançados às feras. Morrendo despedaçados por leopardos, ursos e javalis. Apenas Perpétua e Felicidade foram derrubadas por uma vaca e degoladas pelos soldados. Há um livro denominado "O Martírio de Perpétua e Felicidade" tão famoso que era lido durante as liturgias.

 

 

Bênção ou maldição

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

 

Nem sempre um gesto ou um rito indica o que se passa na mente e na vida da pessoa humana. Muitos querem a bênção mas sem a coerência de dar sustentáculo a seus efeitos. Por isso, uma coisa é dizer e outra é fazer. Há má intenção, por exemplo, de quem promete algo, mas só para enganar o semelhante ou conquistar sua adesão a um projeto, a uma eleição ou a um jogo de interesse econômico. Tudo isso ela faz para ludibriar o outro e obter vantagens, traindo sua confiança.

 

Muitos querem a bênção de Deus mas agem como quem pede esmola apresentando um chapéu sem fundo. O dinheiro pode até por ele passar, mas cai no chão e outro pode pegá-lo. O texto bíblico é claro: “Eis que ponho diante de vós bênção e maldição; a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus... a maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor” (Deuteronômio 11,  26-28). A benção está condicionada à atitude de quem a recebe, ou seja, de ela colocar a própria parte, sendo verdadeiro e adequado recipiente. A água derramada em uma vasilha furada ou sem fundo não permanece nela. A lógica da vida de fé coerente com seu  enunciado dá consistência ao efeito na vida da pessoa. Por isso mesmo, ela se mostra uma pessoa de palavra, pois, se responsabiliza pelo dom recebido de Deus. Conhece-se bem a árvore por seus frutos.

 

A formação da fé coerente é primordial para termos pessoas de palavra, ética, bom caráter, coerente com o seguimento a Cristo e atuante membro da comunidade. As consequências dessa boa formação se darão em todas as situações e convivências. Teremos, deste modo, autênticos cidadãos comprometidos com a justiça, as profissões exercidas com ética, a política de real e honesto serviço ao bem comum, famílias constituídas e desenvolvidas com verdadeira vocação de amor...

 

Não basta dizer-se cristã e fazer alguns atos religiosos para a pessoa ser abençoada. Aliás, a bênção ou ação amorosa de Deus se dá sempre, mesmo na incoerência humana. Mas ela tem o devido efeito com a prática do projeto de Deus: “ Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus 7, 21). Jesus lembra a necessidade de se colocar em prática suas orientações. Hoje muitos querem religiões assim chamadas “lights”, ou de pouca exigência. Querem que a Igreja abra mão de determinadas orientações fundamentadas na lei natural, na ética e na lei revelada de Cristo, conformando-se com a mentalidade pagã ou materialista. Porém, ninguém é obrigado a nada. A proposta de Deus é exigente, sem dúvida. Mas o caminho a seguir cada um vai escolher, ou seja, da bênção ou da maldição. É de bom alvitre seguir as boas orientações de quem nos quer bem, como nosso Criador. O próprio Jesus nos adverte de que o caminho proposto por Ele é exigente, mas é o único que conduz à vida plenamente realizadora, com o cume de felicidade imorredoura no eterno.

 

Paulo é claro e contundente ao chamar atenção dos que apregoavam o contrário do Evangelho: “Maldito aquele que anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que anunciamos, ainda que sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu” (Gálatas 1,8). [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 7 de março:

1876: Alexander Graham Bell patenteia uma invenção, que ele chama de telefone

 

A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas feitas, mas no fato

de serem bem feitas. (S. Vicente de Paulo)