Segunda-feira, 6 de setembro de 2010

23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Barbeiro e Dia do Alfaiate

 

Santos: Bem-Aventurado Bertrando de Garrigues, Donaciano, Eleutério, Onesíforo, Arator de Verdun (bispo), Agostinho, Santiano e Beata (mártires), Beltrão, Boaventura de Forli (bispo, bem-aventurado), Chainoaldo de Lião (bispo), Cútido, Eugênio e Companheiros (mártires da Capadócia), Donaciano, Germano, Mansueto e Leto (bispos, mártires), Eleutério de Spoleto (abade), Eva de Dreux (mártir), Fausto, Macário e Companheiros (mártires de Alexandria), Fausto de Siracusa (abade), Félix e Augeberto (mártires), Imberto (eremita), Liberato de Lauro (confessor franciscano da 1ª Ordem), Magno de Füssen (abade), Onesíforo e Porfírio (mártires), Petrônio de Verona (bispo), Zacarias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Eleutério de Espoleto (abade).

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 5, 1-8)
Paulo condena os atos imorais

 

Irmãos, 1é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. 2No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede? 3Pois bem, embora ausente de corpo, mas presente em espírito, eu julguei, como se estivesse aí entre vós, esse tal que tem procedido assim: 4Em nome do Senhor Jesus - estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus - 5entregamos tal homem a satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor.

 

6Vós vos gloriais sem razão! Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? 7Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. 8Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Lançai fora o velho fermento, pois o nosso 
cordeiro pascal, Cristo, já está imolado

 

Paulo roga à comunidade que dê testemunho da vitória pascal de Cristo sobre o velho "fermento" da "malícia" e da "iniquidade" (v. 8). A comunidade pascal que celebra Cristo ressuscitado deve ser "ázimo", isto é, agir na "transparência e na verdade", Isto não significa criar comunidades puritanas que lavram juízos sem apelo do alto de sua atitude purista. Tornar-se ázimos" de pureza e de verdade significa que a comunidade tenta seguir Cristo a todo o custo, rompendo com as incoerências internas. Não significa condenar sem apelo os que estão "fora". A Igreja não é uma realidade definitiva, mas apenas está a caminho em direção ao juízo de Deus. Trata-se antes de ser santa como o Deus que a chamou, para não comprometer o próprio testemunho. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 5, 5-6.7.12 (R/.9a)
Na vossa justiça guiai-me, senhor!

 

5Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; 6nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos.

 

7Detestais o que pratica a iniquidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor abominais o sanguinário, o perverso e enganador.

 

12Mas exulte de alegria todo aquele que em vós se refugia; sob a vossa proteção se regozijem, os que amam vosso nome!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 6-11)
Cura da mão paralisada

 

Aconteceu num dia de sábado 6que Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7Os mestres da lei e os fariseus o observavam, para verem se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: "Levanta-te e fica aqui no meio Ele se levantou e ficou de pé. 9Disse-lhes Jesus: "Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?" 10Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: "Estende a tua mão". O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus. Palavra da Salvação!

 

Leituras nos evangelhos sinóticos: Mt 12,9-14; Mc 3, 1-6

 

 

Comentando o Evangelho

Fazer o bem, é sempre permitido

 

A mão direita simbolizava, nas culturas antigas, o poder de fazer o bem; a mão esquerda, pelo contrário, o poder de fazer o mal. Ter a mão direita seca era uma experiência terrível. Significava que o indivíduo estava impossibilitado de realizar o bem. Só podendo agir com a mão esquerda, as obras de suas mãos não eram bem vistas.


Por isso, quando Jesus se defrontou, na sinagoga, com um homem cuja mão direita estava seca, antecipou-se e se propôs a curá-lo antes que lhe fosse feito o pedido. Assim como conhecia o pensamento de seus adversários, Jesus conhecia também o drama pessoal daquele homem. Sem dúvida, sua limitação física era humilhante e o identificava como portador de maus augúrios. É bem possível que as pessoas o evitassem.


Embora fosse sábado, Jesus sentiu-se na obrigação de curar aquele homem. E o fez, contrariando os mestres da Lei e os fariseus, para os quais o repouso sabático era uma exigência absoluta. Jesus não pensava assim. Quando se tratava de fazer o bem, não se importava com nada, nem mesmo com o fato de violar a lei do sábado. O amor era a exigência absoluta de sua vida, não as tradições religiosas. Este princípio de vida norteava sua ação, mesmo sabendo que se tornaria objeto do ódio de seus adversários.
[O Evangelho Nosso de Cada Dial, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: A sinagoga é o lugar do ensinamento de Jesus, que é mais importante ainda que a cura, porque por meio da controvérsia eleva a princípio o caso particular. Ensina com a palavra e dá uma lição com o milagre explicado. Lucas atribui a letrados e fariseus uma intenção má: espiam em silêncio: “homens cruéis me espreitam emboscados” para acusá-lo diante da autoridade suprema (ver o caso de Daniel, Dn 6, 12). Na doença se antecipa a morte; por isso, curar e fazer o bem, arrancar ou afastar da morte. Omitir o socorro possível em tais circunstâncias é fazer um mal. O doente centraliza e concentra a atenção. Ora, a vida é mais importante que o sábado.  Jesus provoca e desafia os desumanos intérpretes da lei, “que decretam injustiças invocando a lei” (Sl 94,20). (Bíblia do Peregrino)

 

 

São Liberato de Loro

 

 

 

Liberato nasceu na pequena Loro Piceno, província de Macerata, na Itália. Pertencia à nobre família Brunforte, senhores de muitas terras e muito poder. Mas o jovem Liberato, ouvindo o chamado de Deus e por sua grande devoção à Virgem Maria, abandonou toda riqueza e conforto para seguir a vida religiosa.

 

Renunciou às terras e ao título de senhor de Loro Piceno, que havia herdado de seu tio, em favor de seu irmão Gualtério, e foi viver no Convento de Rocabruna, em Urbino. Ordenado sacerdote e desejando consagrar sua vida à penitência e às orações contemplativas, retirou-se ao pequeno e ermo Convento de Sofiano, não distante do castelo de Brunforte. Lá, vestiu o hábito da Ordem dos Frades Menores de São Francisco, onde sua vida de virtudes valeu-lhe a fama de santidade.

 

Em "Florzinhas de são Francisco", encontramos o seguinte relato sobre ele:

No Convento de Sofiano, o frade Liberato de Loro Piceno vivia em plena comunhão com Deus. Ele possuía um elevado dom de contemplação e durante as orações chegava a elevar-se do chão. Por onde andava, os pássaros o acompanhavam, posando nos seus braços, cabeça e ombros, cantando alegremente. Amigo da solidão, raramente falava, mas, quando perguntado, demonstrava a sabedoria dos anjos. Vivia alegre, entregue ao trabalho, à penitência e à oração contemplativa. Os demais irmãos dedicavam-lhe grande consideração.

 

Quando atingiu a idade de quarenta e cinco anos, sua virtuosa vida chegou ao fim. Caiu gravemente enfermo, ficando entre a vida e a morte. Não conseguia beber nada; por outro lado, recusava-se a receber tratamento com medicina terrena, confiando somente no médico celestial, Jesus Cristo, e na sua abençoada Mãe. Ela milagrosamente o visitou e consolou, quando estava, em oração, preparando-se para a morte. Acompanhada de três santas virgens e com uma grande multidão de anjos, aproximou-se de sua cama. Ao vê-la, ele experimentou grande consolo e alegria de alma e de corpo, e suplicou-lhe, em nome de Jesus, que o levasse para a vida eterna, se tivesse tal merecimento.

 

Chamando-o por seu nome, a Virgem Maria respondeu: "Não temas, filho, que tua oração foi ouvida, e eu vim para confortar-te antes de tua partida desta vida". Assim frei Liberato ingressou na vida eterna, numa data incerta do século XIII.

 

No século XV, o culto a Liberto de Loro era tão vigoroso que nas terras dos Brunforte recebeu autorização para ser chamado são Liberato. Até o novo convento, construído, por ocasião da sua morte, ao lado do antigo de Sofiano. E construíram, também, uma igreja para conservar as suas relíquias, atualmente Santuário de São Liberato. Porém só no século XIX, após um complicado e atrapalhado processo de canonização, é que o seu culto foi reconhecido pelo papa Pio IX, que lhe deu a autorização canônica para ser chamado santo. A festa de são Liberato de Loro foi mantida na data tradicional de 6 de setembro, quando suas relíquias foram solenemente transferidas para o altar maior do atual Santuário de São Liberato, na sua terra natal. [www.paulinas.org.br]

 

O tempo corre veloz e a vida escapa das nossas mãos. Mas pode escapar

como areia ou como semente. (Thomas Merton)