Segunda, 6 de abril de 2009
Semana Santa, II Semana do Saltério (Livro II), cor Litúrgica Roxa
Acusai, Senhor, meus acusadores; combatei aqueles que me combatem! Tornai escudo e armadura,
levantai-vos, vinde em meu socorro! Senhor, meu Deus, força que me salva! (Sl 34, 1-2; Sl 139, 8)
Santos: Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Oração do Dia: Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela paixão do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Isaias (Is 42, 1-7)
Deus está presente em seu povo
1"Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos".
5Isto diz o Senhor Deus, que criou o céu e o estendeu, firmou a terra e tudo que dela germina, que deu a respiração aos seus habitantes e o sopro da vida ao que nela se move: 6"Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas". Palavra do Senhor.
Comentando a I Leitura[1]
Ele não clama nem levanta a voz
A cruz assinalou a inversão de toda lógica humana. Com ela Jesus atingiu o fundo, não só da humilhação, mas da derrota, da qual não se teria podido nunca levantar. Entretanto, de sua morte saiu a vida, do aviltamento, a suprema glorificação. No livro de Isaias havíamos encontrado estas violentas oposições, que refletem os acontecimentos da história de Israel; encontramo-las agora como sistematizadas nos quatro poemas do Servo de Javé numa progressão de temas que vai da vocação do Servo à sua morte expiadora. Perante esta figura, todos os nossos esquemas explodem. Percebemos que somos homens limitados, incapazes de compreender os planos de Deus de neles entrar. A salvação não será nunca obra nossa, mas dom, gratuito para nós e sofrido por quem no-lo mereceu. Por força da vocação, o Servo é destinado a conciliar em sua ação qualidades que se mostram inconciliáveis.
Salmo: 26 (27), 1.2.3.13-14 (+1a)
O Senhor é minha luz e salvação
1O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?
2Quando avançam os malvados contra mim, querendo devorar-me, são eles, inimigos e opressores, que tropeçam e sucumbem.
3Se contra mim um exército se armar, não temerá meu coração; se contra mim uma batalha estourar, mesmo assim confiarei.
13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!
Evangelho: João (Jo 12, 1-11)
Ela fez isto em vista do dia de minha sepultura
1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.
3Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. 4Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5"Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?" 6Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7Jesus, porém, disse: "Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. 8Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis".
9Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. 10Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Uma preocupação suspeita
A preocupação de Judas Iscariotes pelos pobres foi posta sob suspeita pelo evangelista e reforçada por Jesus. O evangelista interpretou como ganância a preocupação do companheiro com o desperdício do nardo puro e precioso usado por Maria para ungir os pés do Mestre. Isto por que era Judas quem cuidava das finanças do grupo, e estava habituado a roubar as ofertas que eram dadas para o sustento de todos.
Por
sua vez, Jesus alertou os discípulos: teriam sempre a possibilidade de fazer o
bem aos pobres, não teriam, porém, a chance de partilhar de sua presença para
sempre. O momento da partida estava para chegar.
O
Mestre revelou aos seus discípulos o valor simbólico do gesto de Maria. Ela
estava antecipando o que deveria acontecer no sepultamento de Jesus, ungindo o
corpo que seria colocado no túmulo. Afinal, havendo de padecer a morte dos
pobres, sem nem mesmo ter um túmulo para ser sepultado, Maria estava suprindo o
gesto de piedade de que seria privado.
Sobretudo,
Judas não se dava conta de estar convivendo com Jesus, cuja opção era ser pobre
e viver como pobre. Não só, o Mestre buscava sempre a convivência com os
pobres, com os quais se mostrava solidário. Portanto, a censura de Judas a
Jesus não tinha cabimento. O Mestre sabia muito bem o que estava fazendo, e o
sentido de tudo o que estava acontecendo. O discípulo é que estava obcecado
pela malícia.
São Marcelino [3]
São Marcelino data do século III. Era muito amigo de santo Agostinho e um alto funcionário do Império. Nessa época a Numídia se encontrava contra África proconsular, os proletários contra proprietários romanos. Marcelino era tabelião e trabalhava no tribunal. Bom pai de família, cristão exemplar, santo Agostinho costumava dizer que era amigo de um homem notável. Por diversas vezes são Marcelino vezes se dirigiu a santo Agostinho para obter esclarecimentos sobre pontos que julgava controvertidos da doutrina cristã. Os donatistas acusaram injustamente são Marcelino de cumplicidade com o usurpador Heracliano, o que fez o conde Marino em 13 de setembro condená-lo à morte. Passado um ano o próprio imperador reconheceu o erro da justiça romana e todas as decisões de Marcelino foram aprovadas. A Igreja passou a honrá-lo como mártir.
A nossa humanidade está crucificada com Cristo na Cruz; a humanidade é Ele e nós.
(D. Bernardo Schuch, OSB)