Segunda-feira, 5 de julho de 2010

Décima Quinta Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Santo Antônio Maria Zaccaria (Presbítero), Atanásio Atonita (abade), Atanásio de Jerusalém (mártir), Cirila de Cirene (mártir), Domício da Frígia (mártir), Edana da Irlanda do Oeste (virgem), Edana Whitby (abadessa), Estêvão de Reggio (bispo, mártir), Filomena de São Severino (virgem), Graça e Probo de Cornwall (casal), Numeriano de Trèves (monge, bispo), Zoé de Roma (mártir).

 

Antífona: Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos. (Sl 47, 10-11)

 

Oração: O Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Oséias (Os 2,16.17b-18.21-22) 

E tu conhecerás o Senhor

 

Assim fala o Senhor: 16Eis que eu a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; 17be ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude, nos dias da sua vinda da terra do Egito.

 

18Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará 'Meu marido', e não mais chamará 'Meu Baal'. 21Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. 22Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Eu te desposarei para sempre

 

O povo de Deus, em busca de prosperidade material, esquecera-se de volver o pensamento e a prece ao Deus do céu e a da terra, para seguir a Baal, que representava o culto da natureza. As promessas feitas por Deus, também de prosperidade material, haviam sido esquecidas. A leitura tem por isso, uma mensagem de extrema atualidade para os homens de nosso tempo. Baal pode hoje representar certo domínio do homem sobre a natureza, enquanto pode ser tão alienante como o era a medrosa submissão do homem pré-técnico a esta mesma natureza. Vê-se isto com clareza no universo unidimensional construído pela sociedade do lucro e do materialismo. O cristão que, como os demais homens, se sente comprometido a colaborar para melhorar o mundo e melhorar a terra, fá-lo com um espírito particular: sente-se colaborador de Deus e orienta para ele seus pensamentos e sua vida. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 144(145), 2-3.4-5.6-7.8-9  (R/.8a) 
Misericórdia e piedade é o Senhor

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

 

Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas!

 

Narram todos vossas obras poderosas, e de vossa imensidade todos falam. Eles recordam vosso amor tão grandioso e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.

 

Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

Evangelho: Mateus (Mt 9, 18-26)

 A tua fé te salvou

 

18Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: "Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá".

 

19Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos. 20Nisto, uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra de seu manto. 21Ela pensava consigo: "Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada". 22Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: "Coragem, filha! A tua fé te salvou". E a mulher ficou curada a partir daquele instante.

 

23Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão alvoroçada, 24e disse: "Retirai-vos, porque a menina não morreu, mas está dormindo". E começaram a caçoar dele. 25Quando a multidão foi afastada, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26Essa notícia espalhou-se por toda aquela região. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 5, 21-43; Lc 8, 40-56 (vide textos no site)

 

 

Comentando o Evangelho

A fé salvadora

 

Tanto a cura da mulher, vítima de uma persistente hemorragia, quanto a ressurreição da filha de uma pessoa importante acontecem no âmbito da fé. Observando os fatos com um olhar superficial, parece que a mulher e o chefe judeu tinham uma visão mágica do poder taumatúrgico do Mestre. Tem-se a impressão de que o chefe pensava que a ressurreição de sua filha pudesse depender da imposição das mãos de Jesus, ou seja, que a menina retornaria à vida mediante um gesto mágico, e que, por sua vez, a mulher acreditasse poder ser curada por meio de um simples toque no manto dele.


Sabemos que no coração da mulher havia algo mais que uma esperança mágica. Havia muita fé! E isto o deduzimos da declaração de Jesus: “Tua fé te salvou”. O que vale também para o homem, cuja filha tinha morrido. Apenas uma visão mágica do poder taumatúrgico do Mestre seria insuficiente para movê-lo a beneficiar alguém.


A fé consiste em abandonar-se totalmente nas mãos de Jesus, pondo nele toda a confiança. Portanto, acontece num contexto de relações interpessoais, e não apenas entre uma pessoa e um objeto, como se passa no mundo da magia. E mais, a fé interpela a pessoa a fazer espaço, em sua vida, para acolher Jesus, deixando-se transformar por ele. Por conseguinte, para ser salvífica, a fé deve ser existencial e abrir o fiel para o amor. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Temos aqui, de um lado, a fé do chefe de sinagoga, que se chamava Jairo (segundo os sinóticos de Marcos e Lucas) e da mulher hemorroíssa; do outro lado, o poder de Jesus sobre a enfermidade e a morte. O primeiro milagre puxa o segundo, ou seja, a cura de uma doença incurável e a ressurreição da filha já falecida do chefe. A dor do pai e a vergonha da mulher podem ser um símbolo de todos os nossos males pessoais e coletivos. Nos dois casos o ponto chave é evidentemente a fé. O contato da mulher nas vestes do Senhor representa o contato profundo com Jesus pela mesma fé. As curas do Messias seguem nos dias atuais, centradas evidentemente na fé como consequência de nossas orações. O impossível só pode ser vislumbrado pela ótica humana. Para Deus, tudo é possível, segundo Seus justos e insondáveis critérios.

 

Santo Antônio Maria Zacaria

 

São Antonio foi fundador dos Clérigos Regulares de São Paulo e desde criança mostrou uma grande compaixão pelos pobres. Ao terminar seu curso de Medicina, na Universidade de Pádua, o santo de 22 anos compreendeu que sua vocação consistia em cuidar tanto das almas como dos corpos e consagrou-se seriamente ao estudo da teologia, sem deixar de exercer sua profissão: a de ajudar espiritualmente aos moribundos, ensinar a doutrina cristã aos jovens e servir a todos. Em 1528 sagrou-se sacerdote e seguiu para Milão onde ingressou na confraria da "Eterna Sabedoria". Em 1530, o Pe. Zaccaria e outros dois sacerdotes, Bartolomé Ferrari e Jacobo Morigia, decidiram edificar uma associação de clérigos regulares, ou seja, sacerdotes obrigados com voto a seguir uma regra, porém que não eram frades nem monges, cujo objetivo era reviver e reavivar a adoração ao Santíssimo Sacramento, promoção da vida cristã em família, o amor pelos ofícios litúrgicos e promover a vida cristã mediante a pregação e a administração dos Sacramentos. Seus seguidores são conhecidos como "os Barnabitas" (porque a associação de santo Antonio Maria ficava ao lado da Igreja chamada São Barnabé) e continuam a mensagem do santo italiano, através de palestras, instituições de ensino, multiplicando suas palavras. Quando Lutero atacava as verdades da fé e as iniquidades do clero, a associação do Pe. Zaccaria trabalhava heroicamente por reformar a Igreja em seu interior, reavivando o espírito cristão e o zelo para com as almas do clero e administrando os sacramentos aos fiéis. O Papa Clemente VII aprovou, em 1533, a nova congregação de Clérigos Regulares de São Paulo. Um ano antes de sua morte, São Antonio obteve para sua congregação a igreja de São Barnabé, em Milão. Foi canonizado em 1897 pelo Papa Leão XIII.

 

Que sejamos da vida bons pastores, ardentes profetas e encantados poetas. (Frei Neylor Tonin)