Segunda-feira, 3 de outubro de 2011

André e Ambrósio, Beatos, Presbíteros e Mártires, Memória, 3ª do Saltério, Cor Vermelha

 

 

Hoje: Dia do Cirurgião Dentista Latino-Americano e Dia Mundial do Habitat

 

Santos: Dionísio Aeropagita (Grécia), Maximiano (Sév V, África), Irmãos Ewald (Séc. VII), Geraldo (959), André Yachinda, Beregiso, Geraldo Gicogoro)

 

Antífona: Pelo amor de Cristo, o sangue dos mártires foi derramado na terra. Por isso sua recompensa é eterna.

 

Oração: Deus de misericórdia, aumentai em nós a fé que, conservada à custa do próprio sangue, glorificou vossos mártires André, Ambrósio Francisco e companheiros. Dai-nos também ser santificados, pela vivência da mesma fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Jonas (Jn 1, 1-2,1.11)
Jonas tenta fugir da missão que Deus lhe confiara

 

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amati, que dizia: 2"Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe que sua perversidade subiu até à minha presença". 3Jonas pôs-se a caminho, a fim de fugir para Társis, longe da presença do Senhor; desceu a Jope e encontrou um navio com destino a Társis, adquiriu passagem e embarcou com os outros passageiros para essa cidade, para longe da presença do Senhor. 4Mas o Senhor mandou um vento violento sobre o mar, levantando uma grande tempestade, que ameaçava destruir o navio. 5Tomados de pavor, os marinheiros começaram a gritar, cada qual a seu deus, e a lançar ao mar a carga do navio para o aliviar. Jonas havia descido ao porão do navio, deitara-se e dormia a sono solto. 6O chefe do navio foi vê-lo e disse: "Como! Tu dormes? Levanta-te e reza ao teu deus; talvez ele se lembre de nós, e não morreremos". 7Disseram entre si os marinheiros: "Vamos tirar a sorte, para saber por que nos acontece esta desgraça". Lançaram a sorte, e esta caiu sobre Jonas. 8Disseram-lhe: "Explica-nos, por culpa de quem nos acontece esta desgraça? Qual é a tua ocupação e donde vens? Qual é a tua terra, de que povo és?" 9Ele respondeu: "Eu sou hebreu e temo o Senhor, Deus do céu, que fez o mar e a terra firme".

 

10Aqueles homens ficaram possuídos de grande medo, e disseram: "Como é que fizeste tal coisa?" Pelas palavras dele, acabavam de saber que estava fugindo da presença do Senhor. 11Disseram então: "Que faremos contigo, para acalmar o mar?" Pois o mar enfurecia-se cada vez mais. 12Respondeu Jonas: "Pegai em mim e lançai-me ao mar, e o mar vos deixará em paz: eu sei que, por minha culpa, se desencadeou sobre vós esta grande borrasca". 13Os marinheiros, à força de remar, tentavam voltar à terra, mas em vão, porque o mar cada vez mais se encapelava contra eles. 14Então invocaram o Senhor e rezaram: "Suplicamos-te, Senhor, não nos deixes morrer em paga pela vida deste homem, não faças cair sobre nós este sangue inocente; fizeste, Senhor, valer tua vontade". 15Então, pegaram em Jonas e atiraram-no ao mar; e cessou a fúria do mar. 16Invadiu esses homens um grande temor do Senhor, ofereceram-­lhe sacrifícios e fizeram-lhe votos. 2,1Determinou o Senhor que um grande peixe viesse engolir Jonas; e ele ficou três dias no ventre do peixe. 11Então o Senhor fez o peixe vomitar Jonas na praia. Palavra do Senhor!

 

Comentário

Jonas pôs-se a caminho, a fim de fugir

para longe da presença do Senhor

 

Jonas é cada um de nós. Somos todos "profetas", porque unidos pelo batismo ao profeta Cristo, cuja mensagem devemos comunicar a todos. Viver e cumprir uma missão são sinônimos. Cada um de nós tem de Deus uma missão irrepetível e insubstituível, que pode muito bem não ser agradável. Contra a constante tentação da busca de oásis de "tranqüilidade", a palavra de Deus nos impele a enfrentar uma missão que é abertura aos "outros". E abrir-se significa romper a crosta do próprio egoísmo, comunicar, expor-se, ser acessível aos golpes, comprometer-se. É a posição de Cristo na cruz. Para o cristão, nada tem valor se não for comunicado. É sacrifício positivo, que leva à abertura salvífica libertadora para si e para os outros. O "sinal de Jonas" (Mt 12,40) é sinal de ressurreição. [MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997]

 

Cântico: Jn 2, 2.3.4.5.8 (R/.7c)

Retirastes minha vida do sepulcro, ó Senhor!

 

Do fundo do abismo, do ventre do peixe, Jonas rezou ao Senhor, o seu Deus, a seguinte oração.

 

Na minha angústia clamei por socorro, pedi vossa ajuda do mundo dos mortos e vós me atendestes.

 

Senhor, me lançastes no seio dos mares, cercou-me a torrente vossas ondas passaram com furor sobre mim.

 

Então, eu pensei: eu fui afastado para longe de vós; nunca mais hei de ver vosso templo sagrado.

 

E quando minhas forças em mim acabavam, do Senhor me lembrei, chegando até vós a minha oração.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 10, 25-37)

Parábola do bom samaritano, o verdadeiro próximo

 

Naquele tempo, 25um mestre da lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: "Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?" 26Jesus lhe disse: "O que está escrito na lei? Como lês?" 27Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!" 28Jesus lhe disse: 'Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás". 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?"

 

30Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais'. E Jesus perguntou: 36"Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" 37Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: "Vai e faze a mesma coisa". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-31.  

 

 

 

Comentário o Evangelho

A prática da misericórdia

A parábola do bom samaritano mostra-nos o amor misericordioso como o único meio de obter a vida eterna. Engana-se quem pretende alcançar este objetivo mediante a prática minuciosa dos mandamentos, a busca da pureza ritual, o respeito às tradições, se tudo isto carecer do respaldo da vivência da misericórdia. Seguramente, o primeiro a ser questionado pelo ensinamento de Jesus e ver-se obrigado a mudar de mentalidade foi o mestre da Lei, que pretendia colocá-lo à prova.


A parábola apresenta-nos alguns aspectos da misericórdia, como Jesus a entendia. O samaritano põe-se a ajudar um judeu, sem se importar com as rixas que sempre existiram entre os dois povos, mostrando, assim, que a verdadeira misericórdia é dirigida a todas as pessoas, sem exceção. O assistido pelo samaritano é alguém expoliado, vítima da maldade humana, jogado à beira do caminho, como algo sem valor. Isto mostra que a misericórdia deve dirigir-se mormente aos pobres e deserdados deste mundo.


O samaritano muda todos os seus planos, ao deparar-se com alguém necessitado de sua assistência. Essa atitude indica que a misericórdia exige que deixemos de lado nossos programas e esquemas, ao nos depararmos com o irmão carente. O samaritano faz todo o possível e ainda se oferece para custear a hospedagem de seu assistido. Isto sugere que a misericórdia desconhece limite, indo além de quanto se possa previamente imaginar. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

A palavra se faz oração (Liturgia Diária)

Para que a religiões se unam no que têm em comum e se respeitem na diversidade, rezemos. Senhor, ouvi-nos e atendei-nos.

Para que vivamos de acordo com a missão recebida no batismo, rezemos.

Para que não sejamos insensíveis ao sofrimento dos outros, rezemos.

Para que nesta semana procuremos ser próximos dos que convivem conosco, rezemos.

Para que os mártires brasileiros sejam para nós exemplo de doação e de fé, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, aceitai com bondade estas oferendas e concedei-nos imitar os bem-aventurados André, Ambrósio e companheiros, participando com amor do mistério da paixão do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

 

Antífona da comunhão:

Nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo. (Rm 8,38-38)

 

Oração Depois da Comunhão:

Na festa dos vossos bem-aventurados mártires André, Ambrósio e companheiros, fomos alimentados, ó Pai, com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Fazei que, perseverando na caridade, encontremos em vós o sustento da nossa vida, a razão da nossa existência e o destino da nossa comunidade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

André, Ambrósio e companheiros, mártires

Os padres André e Ambrósio Francisco Ferro, missionários no nordeste do Brasil no século 17, foram martirizados pelos invasores holandeses, junto com mais vinte e oito cristãos, enquanto celebravam a Eucaristia, em 1654. Estes são os primeiros mártires do Brasil.

 

Indignação e mudança

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

 

A indignação é uma das formas de impedir que a sociedade se acostume com desmandos e falcatruas - abandonando a letargia ante a corrupção que prejudica o bem comum. Pode ser também caminho para que a transparência predomine no controle dos funcionamentos financeiros e administrativos. Sem se indignar, a sociedade correrá sempre o risco de afundar na lama da imoralidade, da permissividade e na relativização de valores.

 

Valores e princípios têm a prerrogativa e o poder de segurar processos, aperfeiçoar controles e a ser intransigente no respeito devido às normas e aos procedimentos que são inegociáveis.

 

A indignação não pode se esgotar apenas em manifestações e passeatas, por mais oportunas e fortes que sejam, sobretudo, em nossa sociedade contemporânea. Obviamente, é necessário dar força e corpo às manifestações indignadas, na coragem sincera, na defesa da verdade e da justiça, em todos os âmbitos, públicos e privados.

 

É preciso ir além e esquadrinhar as razões que desconsideram os valores e princípios nas questões mais importantes da sociedade. Não pode ficar de fora, naturalmente, o entendimento sobre a vivência da fé que se professa. Sem dúvida, esta é uma credencial de autenticidade. E uma fé autêntica se concretiza no compromisso com o bem. Esta é a genuína fé cristã. Do contrário, pode se reduzir a prática da fé a uma simples busca interesseira, com traços de egoísmo.

 

A igreja ou a assembleia ficam reduzidas a uma espécie de supermercado de milagres que parece dispensar o compromisso com a vida de todos, dom de Deus, respeitada em todas as suas etapas. A verdade da fé cristã, cultura que subjaz sustentando a cultura brasileira, exige, sem dispensas, compromissos que ultrapassam o próprio bem, a cura de uma enfermidade, a conquista de um bom emprego, a prosperidade, sonhos de todos.

 

A fé cristã tem dinâmicas próprias para remeter o sujeito do âmago de sua indignação ao mais recôndito de sua consciência, onde é possível garantir não ser hoje indignado com a corrupção e amanhã compactuar com ela, seduzido pelo interesse e força espúria da ganância. Estas fraquezas anestesiam consciências na manutenção do limite permitindo, consequentemente, desvios de condutas que apenas aparentam ser honestas.

 

É preciso cuidar da verdade da consciência. E também da formação e do cultivo da moral. Questionar e não aceitar a normalidade das relativizações que têm permitido acontecimentos hediondos nas famílias e nas instituições governamentais, privadas e religiosas. É triste constatar a crise de moral em pessoas que ocupam postos e funções importantes e de responsabilidade.  Exige-se uma ilibada conduta, mas adota-se comportamento e prática não aceitáveis.

 

A formação da consciência moral, compromisso e bem para todos, deve ser uma prioridade. Caso contrário, a indignação contra a corrupção pode se tornar apenas uma brisa de ética, uma viragem passageira de moralidade. Esta formação se tornará eficaz na medida em que as instituições priorizarem os valores e princípios no dia a dia. Lamentavelmente, parece não existir tal preocupação em muitos processos formativos. Jesus, Mestre dos mestres, tem a oportuna indicação pedagógica no Sermão da Montanha: “Por que observas o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.  Por este caminho se pode e se deve transformar a indignação em mudança.

 

Obstáculos são aqueles perigos que você vê quando tira os olhos de seu objetivo. (Henry Ford)