Segunda-feira, 3 de maio de 2010

Santos Filipe e Tiago (Apóstolos e Mártires), Oficio de Festa,  2ª do Saltério (Livro II),  cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Sertanejo, Dia do Sol e Dia Mundial de Liberdade de Imprensa

 

Santos: São Tiago, Felipe, Maura, Alexandre I (papa, e seus companheiros, mártires), Timóteo, Maura, Alexandre (soldado mártir), Antonina, Evêncio, Teodulo, Juvenal (Bispo de Nárni), Felipe de Zell

 

Antífona: Estes são os santos que Deus escolheu no seu amor. Deu-lhes uma glória eterna, alueluia!

 

Oração: Ó Deus vós nos alegrais cada ano com a festa dos apóstolos São Filipe e São Tiago. Concedei-nos, por suas preces, participar de tal modo da paixão e ressurreição do vosso Filho que vejamos eternamente a vossa face. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 15, 1-8)

O Senhor apareceu a Tiago

 

1lrmãos, quero lembrar o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceram aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

É isso, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes 

 

"Cristo ressuscitado" é o fundamento de nossa fé. Neste texto de Paulo estão as linhas principais do "Credo" cristão, e o mais antigo testemunho sobre a tradição da doutrina da Igreja das origens. Funda-se Paulo no "fato" da ressurreição de Cristo, a certeza basilar da fé cristã, certeza oferecida e confirmada por longa série de testemunhas que “vi­ram" o "Ressuscitado". Este é o ensinamento da Igreja, este o "evangelho", a alegre notícia que trouxe a salvação e funda todas as outras realidades da fé, das quais é a suprema garantia. Aqui é afirmada a "tradição" da Igreja, ou seja, o ensinamento vivo que se transmite com base nas Escrituras. É-nos dado um estilo de anúncio na evangelização e na catequese. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 18(19A), 2-3. 4-5 (R/. 5a)

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra

 

Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite pública esta noticia.

 

 

Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo sua voz.

 

 

Evangelho: João (Jo 14. 6-14)

Há tanto tempo estou convosco e não me conheces

 

Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes".

8Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!" 9Jesus respondeu: "Há quanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai?' 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei". Palavra da Salvação!

 

Comentário o Evangelho

Mostra-nos o Pai!

 

O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!" Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus - teofania - revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai?


O Mestre procura levá-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: "Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?"


A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estariam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste em contemplá-lo na pessoa de Jesus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Conhecer quem é ele é conhecer o Pai. Vê-lo com olhos de fé é ver o Pai. Filipe formula a seu modo o pedido audaz de Moisés (Ex 33, 18). É a esperança do orante, a experiência de Jó. Ele o faz como todo homem religioso: contemplar Deus como sentido último da existência. Conhecer é uma das palavras-chaves do evangelho de João, muito importante também nas cartas paulinas. A união intima de Jesus com o Pai implica: a pessoa, as palavras, as obras; as três apontam para o Pai e convergem para ele. Pai é o espaço vital de Jesus, Jesus é o espaço de manifestação do Pai. Somente a fé o pode descobrir e contemplar.  [Bíblia do Peregrino, Paulus].

 

São Filipe e São Tiago

 

 

 

Filipe de Betsaida, na Galiléia, foi um dos primeiros discípulos chamados por Cristo (Jo 1,43). Seu nome ocupa sempre o quinto lugar nas listas dos apóstolos e é mencionado mais de uma vez no Evangelho de São João.

 

Filipe era da mesma cidade de Pedro e André, e talvez fosse também pescador. Bem no início de sua vida pública, Jesus, ao se encontrar na Galiléia com Filipe, dirige-lhe imediatamente o chamado: "Segue-me!" (Jo 1,43). Este encontro cativou-o de tal forma que ao encontrar-se com o amigo Natanael (chamado depois Bartolomeu) com certa euforia lhe comunica a notícia: "Achamos aquele a quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré". E o convida: "Vem e vê" (Jo 1,45-46).

 

A segunda referência a Filipe deu-se por ocasião da multiplicação dos pães e peixes. Jesus, ao constatar a situação de fome do povo que o seguia, dirigiu-se diretamente a Filipe: "Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?" Filipe respondeu: "Duzentos denários de pão não lhes bastam para que cada um receba um pedaço" (Jo 6,5-7).

 

Noutra ocasião se aproximaram dos apóstolos alguns gregos desejosos de ver mais de perto Jesus e recorreram diretamente a Filipe, dizendo: "Nós queremos ver Jesus". Filipe então junto com André referiram o pedido a Cristo que atendeu benevolamente (Jo 12,21-23).

 

A última intervenção de Filipe registrada pelos Evangelhos deu-se durante a última Ceia: quando os apóstolos escutavam em silêncio as palavras de despedida do Mestre, Filipe atreveu-se a pedir um esclarecimento: "Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta". Jesus respondeu: "Filipe, há tanto tempo que convivo convosco e ainda não me conheceis? Quem me viu, viu o Pai. Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?" (Jo 14,8).

 

Estes poucos elementos fornecidos pelo Evangelho nos permitem esboçar o perfil espiritual do apóstolo Filipe, homem simples e aberto, primário e sincero, que gozou da intimidade espontânea com Jesus.

 

Nada sabemos dele depois da Ressurreição; a tradição acha que ele tenha pregado o Evangelho na Ásia Menor, onde teria morrido mártir. 

 

São Tiago Menor, filho de Alfeu, é comumente identificado como primo-irmão de Jesus (Mc 6,3). Os Evangelhos só falam dele nas listas dos apóstolos. Esta carência de informações está, porém, amplamente compensada pelas valiosas referências à figura e à ação de Tiago contida nos Atos dos Apóstolos e na Carta de São Paulo aos Gálatas. Por elas sabemos que Tiago era com São Pedro a principal figura da Igreja de Jerusalém. São Paulo chega a citar seu nome em primeiro lugar, dizendo: "Tiago, Pedro e João, considerados colunas da Igreja" (Gl 2,9).

 

No Concílio de Jerusalém, onde se discutiu o problema da circuncisão e da lei mosaica a serem impostas ou não aos convertidos do paganismo, Tiago deu sua opinião, aceita por todos (At 15). Ele era oficialmente considerado bispo de Jerusalém onde foi apedrejado por volta do ano 62.

 

A São Tiago somos devedores de suaves, práticos e convincentes ensinamentos. Eis uma advertência sempre atual: "Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião. A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo” (Tg 1, 26-27)

 

O essencial do amor consiste na capacidade de atenção para com o próximo. (Simone Weil)