Segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Décima Oitava Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Santos Eusébio de Vercelli (Bispo) e Pedro Julião Eymard (Presbítero), Memória Facultativa

 

Santos: Santo Eusébio de Vercelli (Bispo), São Pedro Julião Eymard (Presbítero), Basílio, o Bem-aventurado (mártir), Boetário de Chartres (bispo), Estêvão I (papa, mártir), Eteldrita de Croyland (virgem), Máximo de Pádua (bispo), Pedro de Osma (monge, bispo), Plegmundo de Cantuária (monge, bispo), Rutílio da África (mártir), Teódota e seus três filhos: Evódio, Hermógenes e Calista (mártires), Tomás Hales de Dover (monge, mártir).

 

Antífona: Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, na tardeis mais. (Sl 69, 2.6)

 

Oração: Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Jeremias (Jr 28, 1-17)

O profeta que profetiza paz será reconhecido como profeta

 

1Nesse mesmo ano, no início do reinado de Sedecias, rei de Judá, no quinto mês do quarto ano, disse-me o profeta Ananias, filho de Azur, profeta de Gabaon, na casa do Senhor e na presença dos sacerdotes e de todo o povo: 2"Isto diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Quebrei o jugo do rei da Babilônia. 3Ainda dois anos e eu farei reconduzir a este lugar todos os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor, rei da Babilônia, tirou deste lugar e transferiu para a Babilônia. 4Também reconduzirei a este lugar Jeconias, filho de Joaquim e rei de Judá, juntamente com toda a massa de judeus desterrados para a Babilônia, diz o Senhor, pois eu quebro o jugo do rei da Babilônia".

 

5Respondeu o profeta Jeremias ao profeta Ananias, na presença dos sacerdotes e de todo o povo que estava na casa do Senhor, 6dizendo: "Amém, assim permita o Senhor! Realize ele as palavras que profetizaste, trazendo de volta os vasos para a casa do Senhor e todos os deportados da Babilônia para esta terra.

 

7Ouve, porém, esta palavra que eu digo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: 80s profetas que existiram antigamente, antes de mim e antes de ti, profetizaram sobre guerras, aflições e peste para muitos povos e remos poderosos; 9mas o profeta que profetiza paz, esse somente será reconhecido como profeta, que em verdade o Senhor enviou, quando sua palavra for verificada".

 

10Então o profeta Ananias retirou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e quebrou-o; 11e disse Ananias, na presença de todo o povo: "Isto diz o Senhor: Deste modo quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, dentro de dois anos, livrando dele o pescoço de todos os povos".

 

E foi-se pelo seu caminho o profeta Jeremias. 12Depois que o profeta Ananias havia retirado o jugo do pescoço do profeta Jeremias, dirigiu-se novamente a palavra do Senhor a Jeremias: 13"Vai dizer a Ananias: Isto diz o Senhor: Quebraste um jugo de madeira, mas em seu lugar farás um de ferro. 14Isto diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Pus um jugo de ferro sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia, e lhe serão de fato submissas; além disso, dei-lhe também os animais do campo".

 

15Disse ainda o profeta Jeremias ao profeta Ananias: "Ouve, Ananias, não foste enviado pelo Senhor, e contudo fizeste este povo confiar em mentiras. 16Isto diz o Senhor: Eis que te farei partir desta terra; morrerás este ano, pois pregaste a infidelidade contra o Senhor". 17Naquele ano, no sétimo mês, morreu o profeta Ananias. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Ouve, Ananias, não foste enviado pelo Senhor?

 

São postos em oposição o verdadeiro e falso profeta. Quem recebeu realmente de Deus sua missão é fiel apesar de tudo, está pronto anunciar até que desagrada ao povo, e o faz por amor, para levar à conversão; faz causa comum com o povo, pronto a responder com sua pessoa. O falso profeta quer fazer-se anunciador de coisas agradáveis, mas o faz para seu proveito e prestígio, não por amor ao povo, que é alimentado de mentiras e, por isso, não se converte, não se liberta de seu mal profundo, que é a infidelidade à aliança com Deus. Também aqui a palavra de Jesus é esclarecedora: “reconhecê-los ao por suas obras” (Mt 7, 15-20). É impostor quem explora o sendo religioso e procura a própria glória (cf Jo 5, 544; 12, 43). Na há demagogia nos enviados de Deus. O verdadeiro profeta é fiel a Deus e aos homens, diz a palavra de ameaça ou de consolação, para a salvação, para reconduzir a Deus não para dar “seguranças” alienadoras, par responsabilizar e não para impor silêncio às consciências.  [Comentário Bíblico, Vol 3, Edições Loyola]]

 

 

Salmo: 118(119), 29.43.79.80.95.102 (R/.68b) 
Ensinai-me a fazer a vossa vontade!

 

Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! 

Não retireis vossa verdade de meus lábios, pois eu confio em vossos justos julgamentos!

Que se voltem para mim os que vos temem e conhecem, ó Senhor, vossa Aliança! 

Meu coração seja perfeito em vossa lei, e não serei, de modo algum, envergonhado!

Espreitam-me os maus para perder-me, mas continuo sempre atento à vossa lei.

De vossos julgamentos não me afasto, porque vós mesmo me ensinastes vossas leis

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 14, 13-21)
A riqueza e o mistério da partilha 

 

Naquele tempo, 13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé.14Ao sair da barca, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15Ao entardecer, os discípulos aproxima­ram-se de Jesus e disseram: "Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!" 16Jesus porém lhes disse: "Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!" 17Os discípulos responde­ram: "Só temos aqui cinco pães e dois peixes". 18Jesus disse: "Trazei-­os aqui". 19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. 20Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 15, 32-38; Mc 6, 34-44; 8, 1-9; Lc 9, 10-17, Jo 6, 1-15

 

 

 

Comentando o Evangelho

A multidão saciada 

 

A multiplicação dos pães prefigura a Eucaristia celebra­da na comunidade cristã. Ela foi fruto da partilha. Alguém colocou à disposição dos demais o que tinha para o próprio sustento. Na Eucaristia, é Jesus quem partilha a si mesmo, dando-se em alimento para todos. Na multiplicação dos pães, foi alimentada uma multidão, que se encontrava num deserto. A Eucaristia alimenta a comunidade cristã, caminheira pelos desertos do mundo rumo à casa do Pai. Na multiplicação dos pães, ninguém foi deixado de lado. Todos puderam comer até ficar saciados. De igual modo, na Eucaristia, sendo ceia de fraternidade, ninguém pode ser excluído. Homens, mulheres e crianças são todos bem-vindos, pois existe alimento para todos.

 

A multiplicação dos pães acontece sob os olhares complacentes de Jesus. Ele é o centro do que ocorre. A Eucaristia, igualmente, está toda centrada no mistério pascal de Jesus, donde lhe provém o valor e o sentido. 

 

A multiplicação dos pães aponta para o banquete escatológico dos filhos de Deus, quando todos serão acolhidos na casa do Pai. A Eucaristia é também celebrada como preanuncio da ceia eterna no Reino de Deus, quando o Pai reunirá, em torno de si, todos os seus filhos e filhas.

 

A multiplicação dos pães sublinha a importância da partilha e da comunhão. A Eucaristia apresenta a partilha como projeto de vida e a comunhão fraterna, como ideal dos discípulos do Reino. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A multiplicação dos pães está presente em todos os evangelhos. Jesus age como novo Moisés e como profeta. Antecipa, assim, o alimento eucarístico. Ele recusou um milagre fácil e cômodo para satisfazer sua própria fome no deserto, porque ele vive da palavra de Deus; agora distribui ao povo essa palavra e recorre ao milagre para dar-lhe também o pão. Para ouvir Jesus, o povo abandona suas aldeias e parece esquecer-se do sustento. O numero de cestos parece significar as doze tribos de Israel ou ainda os doze discípulos, escolhidos e ensinados por Jesus a dar o pão da Palavra às multidões com fome. O v.20 pode ser uma alusão ao maná dado a Israel no deserto, cf. o livro do Êxodo. A recolha dos restos do pão evoca o episódio de Eliseu e o seu servo (cf. 2Rs 4, 42-44).

 

Santo Eusébio de Vercelli

A exemplo de tantos provincianos dotados de muita inteligência, foi a Roma para complementar seus estudos e seguir uma carreira que prometia boa remuneração.

 

Eusébio não era seu nome de nascimento: recebeu-o, após sua conversão, pelo papa Eusébio que o batizou em Roma, como faziam os escravos gratos pela sua libertação e seu patrão, assumindo o seu nome. O jovem fez questão de ter esse nome como gratidão ao seu libertador.

 

No ano 345 foi ordenado sacerdote e logo tornou-se bispo com sede em Vercelli. Era um pastor zeloso, de múltiplas iniciativas, generosamente interessado pela vida da Igreja e também além dos limites da sua diocese.

 

Introduziu um novo ritual em um templo pagão em Vercelli, transformando-o e consagrando assim a primeira catedral do local.

 

Foi considerado um dos principais artífices da organização interna e externa da Igreja, que recentemente saía das perseguições. Tinha contato com santo Atanásio da Alexandria e santo Hilário de Poitiers, com os quais, mais tarde, uniu-se para curar as feridas produzidas pela heresia na Igreja do Norte. Foi exilado e deportado com algemas até a distante cidade da Palestina, onde permaneceu por seis anos fechado em uma prisão. Libertado, foi visitar Atanásio. Com quem esteve um breve período. Santo Eusébio foi quem traduziu para o latim os Comentários sobre os Salmos do seu homônimo Eusébio de Cesaréia.

 

Por mais humilde que seja a profissão, é digna de respeito e consideração. (Dinamor)