Sábado, 31 de Julho de 2010

Santo Inácio de Loyola, Presbítero e Fundador, Memória, 1ª do Saltério, cor Branca

 

 

Santos: Inácio de Loyola (soldado que se converteu ao sacerdócio aos 30 anos de idade), Fábio, Demócrito, Bem-Aventurado Fábio (Cesaréia da Mauritânia), Germano, João Colombini, Justino de Jacob.

 

Antífona: Ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, párea glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor. (Fl 2, 10-11)

 

Oração: Ó Deus, que suscitastes em vossa Igreja santo Inácio de Loyola para propagar a maior glória do vosso nome, fazei que, auxiliados por ele, imitemos seus combate na terra, para partilharmos no céu sua vitória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Jeremias (Jr 26, 11-16.24)

Ouvi a voz do Senhor, vosso Deus

 

Naqueles dias, 11os sacerdotes e profetas dirigiram-se aos chefes e a todo o povo, dizendo: "Este homem foi julgado réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com vossos ouvidos".

 

12Disse Jeremias aos dignitários e a todo o povo: "O Senhor incumbiu-me de profetizar para esta casa e para esta cidade através de todas as palavras que ouvistes.

 

13Agora, portanto, tratai de emendar a vossa vida e as obras, ouvi a voz do Senhor, vosso Deus, que ele voltará atrás da decisão que tomou contra vós. 14Eu estou aqui, em vossas mãos, fazei de mim o que vos parecer conveniente e justo, 15mas ficai sabendo que, se me derdes a morte, tereis derramado sangue inocente contra vós mesmos e contra esta cidade e seus habitantes, pois em verdade o Senhor enviou-me a vós para falar tudo isso a vossos ouvidos".

 

16Os chefes e o povo em geral disseram aos sacerdotes e profetas: "Este homem não merece ser condenado â morte; ele falou-nos em nome do Senhor, nosso Deus". 24Jeremias passou a ter proteção de Aicam, filho de Safá, para não cair nas mãos do povo e evitar ser morto. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Todo o povo juntou-se contra Jeremias na casa do Senhor

 

Deus faz anunciar com força a seu povo que, se continuar a violar a aliança, descurando intera-la na vida, será destruído o templo no qual pões uma falsa segurança, e sua cidade tornar-se-á sinal de maldição divina. Por isso, o profeta é ameaçado de morte, por haver falado contra o templo – que, ao contrário, queria honrar com a santidade de vida 0 (Jr.7, 1-11). Deu-se o mesmo com Jesus (Mt 26, 59-61). Mas um templo de pedra não conta absolutamente, se os seus frequentadores não são o autêntico templo de Deus, no qual é acolhida sua Palavra, ele é invocado como coração puro e lhe é oferecida uma existência íntegra. Somos sensíveis às exigências divinas? [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 69(68), 15-16.30-31.33-34 (R/.cf.14)
No tempo favorável, escutai-me, ó Senhor!

 

Retirai-me deste lodo, pois me afundo! Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam, e salvai-me destas águas tão profundas! Que as águas turbulentas não me arrastem, não me devorem violentos turbilhões, nem a cova feche a boca sobre mim!

 

Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria!

 

Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

 

Evangelho: Mateus (Mt 14, 1-12)
 Herodes mandou cortar a cabeça de João

 

1Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2Ele disse a seus servidores: "E João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele". 3De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodiades, a mulher de seu irmão Filipe.

 

4Pois João tinha dito a Herodes: "Não te é permitido tê-la como esposa". 5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodiades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes 7que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse.

 

8lnstigada pela mãe, ela disse: "Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". 9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. 11Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou a sua mãe. 12Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus. Palavra da Salvação!

 

Evangelho alternativo: Mc 6, 14-16; 19-29; Lc 9, 7-9; Lc 3, 19-20

 

 

 

Comentário o Evangelho

Duas figuras contrastantes

 

A cena evangélica confronta duas figuras contrastantes: João Batista e Herodes. E isto com o objetivo de mostrar aos discípulos a que ponto se pode chegar, quando se assume uma postura profética. No fundo, alertava para o que aconteceria com o próprio Jesus. Por ser profeta como João, sorte semelhante à deste lhe estava reservada. Seria ingenuidade pensar de maneira diferente, ao perceber a coerência da ação do Mestre.

 

Herodes é apresentado como um indivíduo imoral, que não teve escrúpulo de tomar como esposa a mulher de seu irmão. Homem violento, ficou cheio de ódio por ter sido censurado por João. Não o matou logo, por temer o povo que tinha o Batista na conta de profeta. Mas o encarcerou. Homem sem discernimento. Seu juramento imponderado obrigou-o a agir contra a sua própria consciência. Apesar de ter se entristecido quando a filha de sua concubina lhe pediu a cabeça de João numa bandeja, atendeu-lhe o pedido mandando-o decapitar. Logo, foi um cruel assassino.

 

João Batista é um homem livre e temente a Deus. Não suporta o abuso dos grandes, mesmo que seja contra outro grande, como foi o caso de Filipe, irmão de Herodes.

 

Homem corajoso! Nem a prisão nem a ameaça de morte fazem-no voltar atrás. Sua figura recorda a dos antigos profetas, rejeitados e assassinados por terem sido fiéis à sua vocação. Acima de tudo, João encarna a figura de homem de Deus, inabalável quando se trata de testemunhar a verdade.[O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, e irmão de Arquelau. Depois da morte de seu pai, herdou as províncias da Galileia e Pereia. Herodíade, filha de Aristóbulo e Berenice, mulher de Herodes Filipe, desposou ilegalmente Herodes. Antipas, seu tio. O crime de Antipas consistiu menos em desposar a sua sobrinha do que em tê-la tomado ao seu irmão ainda vivo. A Lei proibia os matrimônios entre consanguíneos. Herodes Antipas, para desposar a sua sobrinha, tinha repudiado a primeira mulher, filha do rei Nabateu Aretas. Herodes era chamado rei, mas era apenas tetrarca, isto é, governador de um quarto do reino.  (Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

Santo Inácio de Loiola

 

Poucos santos tiveram uma influência tão vasta e profunda na história da Igreja como Santo Inácio: ele marca uma época! Aqui, brevíssimos traços de sua gigantesca figura.

 

Inácio nasceu em Loiola, região basca da Espanha em 1491. Como pajem na corte, aprendeu as maneiras gentis que sempre o distinguiram. De porte elegante, adestrado em todos os exercícios equestres, era Inácio, em sua mocidade, o tipo acabado de cavalheiro, fidalgo espanhol, valente, espirituoso, dado ao jogo, à poesia, às aventuras de armas e de amor.

 

Prestava o serviço de armas junto ao vice-rei de Navarra, quando, no cerco da fortaleza de Pamplona, foi gravemente atingido numa perna. No longo tratamento a que teve que se sujeitar, procurou encher o tempo lendo a vida dos santos. Começou, então, a fazer sérias comparações entre a vida fútil dedicada ao mundo e os grandes ideais do serviço de Deus. Movido pela graça, tomou a firme resolução de trocar a carreira militar para o serviço da construção do Reino de Deus.

 

Tinha então trinta anos. Pendurou sua espada no Santuário de Montserrat e entregou-se à meditação mais profunda dos mistérios divinos. Na solidão de Manresa, em meio a privações, ânsias, angústias e arrebatamentos da vida eremítica, traçou as linhas gerais de seu célebre livro Exercícios Espirituais, que se tornou verdadeiro código de ascese crista em todo o mundo.

 

Em espírito de penitência, fez uma peregrinação à Terra Santa e de volta à Espanha percebeu que para ser útil na construção do Reino de Cristo, na sociedade, devia cursar os estudos de filosofia e teologia, dando um embasamento de cultura ao seu zelo. Já de idade, entregou-se Inácio ao estudo das línguas, da filosofia e teologia, antes na Espanha, depois no maior centro cultural do tempo: Universidade da Sorbona, em Paris.

 

Foi em Paris que, exercendo grande liderança de exemplo e de palavra, Inácio conseguiu ganhar à sua causa os primeiros seis companheiros, que sob sua direção fizeram os exercícios espirituais e com eles lançaram os fundamentos da Companhia de Jesus, em 15 de agosto de 1534.

 

Sua instituição era um tipo novo e original de vida religiosa que unia espiritualidade profunda à disciplina e obediência quase militar, com a finalidade de coordenar o máximo de atividade na construção do reino de Cristo, na sociedade conturbada daquele tempo. De fato, um dos traços mais marcantes da obra de Inácio é o sentido da organização, a espiritualidade entendida como ação e o culto à eficácia: daqui enfatizou o valor normativo da obediência; na vida espiritual dava muita importância ao esforço pessoal ascético, usando como meios a introspecção contínua e a repressão dos instintos. A Ordem por ele fundada, por sua atividade educadora e pastoral, foi uma das alavancas mais fortes da restauração católica e da Contra-Reforma.

 

Não havia atividade pastoral que fugisse ao seu zelo. Abriu novos caminhos ao espírito missionário, levando o Evangelho às mais longínquas regiões da terra. Ainda em vida, dezenas de missionários trabalhavam no Brasil, e os jesuítas, sem dúvida, foram os que mais se destacaram na evangelização dos índios.

 

Inácio fundou em Roma o Colégio Romano e o Colégio Germânico, a fim de preparar apóstolos de Cristo para o mundo. Faleceu em Roma, no dia 31 de julho de 1556, com 65 anos de idade.

 

A Companhia de Jesus, apesar das perseguições que sofreu no século XVIII, floresceu cada vez mais e, ainda hoje, conta com um verdadeiro exército de religiosos e apóstolos: 27 mil! Este, de fato, era o sonho de Inácio: ter um exército de apóstolos a serviço de Cristo, da Igreja e do papa. Seu lema era: "Tudo para a maior glória de Deus!" [O SANTO DO DIA, Don Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

 

Não vos desespereis na desgraça; ela é, frequentes vezes, uma

 transição necessária para a boa fortuna. (Marquês de Maricá)