Sábado, 31 de janeiro de 2009

São João Bosco (Sacerdote e Educador),  3ª Semana do Saltério, cor branca

 

Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, diz o Senhor. O reino do céu pertence aos que se parecem com eles. (Mc 10,14)

 

Santos: Atanásio de Modon (bispo), Bobino de Troyes (monge, bispo), Ciro e João (mártires), Eusébio de São Galo (monge), Francisco Xavier Bianchi (barnabita), Geminiano de Módena (bispo), João de Angelus (monge), Júlio (presbítero) e Juliano (seu irmão, diácono de Novara), Marcela de Roma (viúva), Martinho de Córdova (mártir), Metrano de Alexandria (mártir), Nicetas de Novgorod (bispo), Saturnino, Tirso e Vitor (mártires de Alexandria), Tarcísio, Zótico, Ciríaco e Companheiros (mártires de Alexandria), Trifena de Císico (mãe de família, mártir), Ulfia de Amiens (virgem), Luísa Albertoni (viúva, bem-aventurada), Maria Cristina (rainha, bem-aventurada), Paula Gambara-Costa (mãe de família, bem-aventurada).

 

Oração: Ó Deus, que suscitastes São João Bosco para educador e pai dos adolescentes, fazei que, inflamados da mesma caridade, procuremos a salvação de nossos irmãos, colocando-nos inteiramente ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 11, 1-2.8-19)

A importância de confiar totalmente em Deus

 

Irmãos, 1a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem. 2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. 8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. 9Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. 10Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.


11Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa.
12É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão “comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar”. 13Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. 14Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, 15e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá.


16Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.
17Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac; ele, o depositário da promessa, sacrificava o seu filho único, 18do qual havia sido dito: “É em Isaac que uma descendência levará o teu nome”. 19Ele estava convencido de que Deus tem poder até de ressuscitar os mortos, e assim recuperou o filho – o que é também um símbolo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Esperava a cidade que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor

 

A fé é fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se vêem. Em outras palavras: a fé consiste em estar firmemente agarrado àquilo que se espera (que se aceita), em estar convencido daquilo que não se vê. É, portanto, “um voltar-se para o futuro, para o invisível. Tendo como fundamento a palavra de Deus, constitui um penhor da felicidade do céu e uma prova do mundo invisível. Este versículo famoso, que se tornou definição teológica da fé, coloca momentaneamente o acento na segurança do crente, que já goza de posse antecipada das realidades celestes (cf 2Cor 1, 22; 5, 5;Ef 1,4), e na solidez de suas convicções. Aquele que crê participa desde agora das forças do mundo que virá e apega-se ao que espera e ama” (C. Spicq). Os exemplos apresentados no decurso do capítulo 11 mostram que a fé é uma atitude global, que compreende a esperança e a caridade, a coragem e a constância na provação; mais do que adesão intelectual a verdades, é adesão vital à pessoa de Deus, que fala e promete . Deste tipo é a fé de Abraão e dos patriarcas, de Jesus e dos mártires, isto é, da Igreja de todos os tempos.

 

 

Cântico: Lc 1, 69-70.71-72.73-75 (R/.cf.68)
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

 

69Fez surgir um poderoso salvador na casa de Davi, seu servidor, 70como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos.


71Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. 72Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa aliança.


73E o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor 75em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.

 

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 4, 35-41)

Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem?

 

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher.


38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O ventou cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

A necessidade da fé

 

Pouco a pouco, os discípulos foram firmando sua fé em Jesus. Nele depositavam plena confiança. Seu Mestre era veraz no que falava e fazia; não era um impostor. Seu modo de falar do Reino de Deus revelava sua superioridade em relação a todos os demais mestres, pois pregava com autoridade. Seu jeito de falar de Deus revelava que ele estava tão próximo de Deus, como jamais alguém estivera. Os discípulos consideravam-no o Messias esperado.

 

Entretanto, os momentos de provação e dificuldade é que testam a solidez da fé. Nem sempre os discípulos foram capazes de superar as perseguições, sem negar sua fé no Senhor. Quando sobrevinham tempestades, fraquejavam.

 

Então era preciso ter cautela para evitar precipitações. A presença de Jesus junto aos seus discípulos em dificuldade estava sempre garantida. Mesmo quando parecia não ter mais jeito, a não ser morrer, lá estava ele, numa forma de presença discreta, mas atenta e ativa, para socorrer a comunidade em apuros, e salvá-la.

 

A salvação dependia disto: reconhecer a presença do Senhor e recorrer à sua ajuda. De fato, ele estava mais próximo do que os discípulos podiam imaginar. Donde a necessidade premente da fé.


O Senhor protege a comunidade das investidas do mal. Os discípulos, por estarem em suas mãos, não têm por que temer seus adversários.

 

 

São João Bosco[3]

 

A oração da missa põe em realce o carisma do santo que hoje veneramos: "Deus suscitou São João Bosco para dar à juventude um mestre e um pai".

 

Nasceu em 1815, num lugarejo próximo a Turim, chamado Becchi. Com dois anos de idade perdeu o pai, e a mãe, D. Margarida teve que lutar contra a pobreza para criar seus filhos. Aos dez anos, João teve um sonho profético no qual viu como Cristo o conduzia junto de um bando de rapazes vadios que o destratavam e blasfemavam. Irado, João queria bater neles, mas Cristo lhe disse: "Não com pancadas, mas com mansidão e amor os farás teus amigos".

 

João desejava ser padre, mas não tinha recursos para estudar e os irmãos mais velhos reclamavam sua presença no trabalho do campo. Contudo, à custa de incontáveis sacrifícios, com a proteção da mãe e a ajuda de vizinhos, conseguiu entrar no seminário. Ao aproximar-se do sacerdócio D. Margarida o advertiu: "Eu  nasci  na pobreza,  vivi  sempre  pobre  e desejo morrer pobre.  Se tu desejas tornar-te padre para ficar rico, eu nunca irei te visitar".

 

Aos 26 anos, ordenou-se sacerdote e desde então foi universalmente conhecido com o nome de "Dom Bosco".  No início de sua vida sacerdotal, estava decidido  a ser missionário nas Índias. Entretanto, seu diretor espiritual, São José Cafasso, que o conhecia profundamente, opôs-se dizendo que sua missão era os jovens de Turim.

 

De fato, a escola da vida de menino pobre tornou-o profundamente sensível aos problemas dos jovens abandonados ou que viviam longe de suas famílias como operários. Desta constatação e preocupação nasceram as “Oratórias”, células-bases do grande esforço educacional de Dom Bosco e seus salesianos. Seu método de apostolado era partilhar em tudo da vida dos jovens. Abriu escolas de alfabetização, de artesanato, casas de hospedagem, campos de diversão para os jovens com catequese e orientação profissional. Sua obra era uma inovação tão radical em seu tempo, que chegou a ser contrariado até pela autoridade eclesiástica.

 

Certa vez, dois eclesiásticos de alta posição foram de carruagem, a fim de levá-lo a um hospital de loucos. Dom Bosco, por uma intuição profética, percebeu a jogada e a revidou. Fez com que eles entrassem primeiro, fechou a porta e deu ordem ao condutor: "Levai-os ligeiro ao manicômio!”

 

Em 1864, Dom Bosco fundou uma congregação religiosa que perpetuou suas iniciativas em favor dos jovens e colocou-a sob a proteção de São Francisco de Sales; daí o nome Salesianos. Para atender à educação feminina fundou, com a colaboração de Santa Domínica Mazzarello, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.

 

Sua grande arma formativa foi o método preventivo, segundo o conhecido ditado: "Vale mais prevenir que remediar". Numa carta aos seus colaboradores, Dom Bosco dizia: "Se desejamos ser solícitos pela felicidade de nossos alunos e levá-los a cumprir seus deveres, é indispensável jamais esquecer-nos de que fazeis às vezes dos pais dos queridos meninos. Por eles sempre com amor trabalhei, estudei e exerci meu sacerdócio. Quantas vezes no curso de minha vida tive de me persuadir dessa grande verdade! E mais fácil encolerizar-se do que agüentar, ameaçar a criança do que persuadi-la; direi mesmo, mais cômodo para nossa impaciência e soberba impor castigos aos obstinados do que corrigi-los, tolerando-os com firmeza e suavidade".

 

Natureza e graça dotaram Dom Bosco de ricas prendas: estatura atlética, pendor para a música e para a poesia, memória incomum, palavra fácil e convincente, espírito de liderança; todos esses dons e qualidades a serviço do amor profundo a Cristo fizeram dele o modelo ideal de educador e apóstolo da juventude. Contudo, o cuidado com a juventude não esgotou o zelo apostólico de Dom Bosco. Ele foi capelão das prisões de Turim, familiarizando-se de tal modo com os presos que conseguia levá-los a passeio fora de Turim sem que algum se atrevesse a fugir.

 

Dom Bosco foi também escritor, promovendo a boa imprensa com a publicação das leituras católicas, em fascículos mensais e fundando a Biblioteca da Juventude Católica Italiana. Alargando mais seus horizontes apostólicos, formou missionários para a evangelização dos infiéis. Em 1875, enviava missionários à Patagônia, em 1883, ao Mato Grosso, onde é bem conhecido o zelo deles entre os índios Bororos e os Xavantes.

 

Ao falecer, em Turim, no dia 31 de janeiro de 1888, sua instituição contava com 64 casas de religiosos em diversas nações e mais de mil padres salesianos. Atualmente, não há nação livre que não conte com obras salesianos. Canonizado por Pio XI, em 1934, João Bosco foi proclamado modelo acabado para sacerdotes e educadores.

 

Para fazer o bem é preciso ter um pouco de coragem, estar pronto a sofrer

qualquer humilhação, sem jamais humilhar alguém. (S.João Bosco)

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, p-297, ©Edições Loyola, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997