Sábado, 29 de outubro de 2011

XXX Semana do Tempo Comum, Ano C (impar), 2ª do Saltério (Livro III), cor VERDE

 

 

Hoje: Dia Nacional do Livro e dia Mundial de Combate à Psoríase

 

Santos: Abraão de Rostov, Narciso de Jerusalém (212, bispo), Colmano, Zenóbio (séc. IV, médico na Antioquia, Síria), Jacinto, Feliciano, Lúcio, Teudério (575), Ermelinda, Germano.

 

Antífona: Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104, 3-4)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 11, 1-2a.11-12.25-29)
Comunicar a salvação divina aos pagãos

 

Irmãos, 1eu pergunto: Será que Deus rejeitou o seu povo? - De modo algum. Pois também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim... 2Deus não rejeitou o seu povo, que ele desde sempre considerou. 11Eu pergunto: Acaso eles tropeçaram para cair? - Não, de modo algum. De fato, o passo em falso que eles deram serviu para a salvação dos pagãos, e a salvação dos pagãos, por sua vez, deve servir para despertar ciúme neles. 12Ora, se o passo em falso deles foi riqueza para o mundo e o pequeno número de crentes dentre eles foi riqueza para os pagãos, que riqueza não será a adesão de todos eles ao Evangelho! 25Irmãos, para não serdes presunçosos por causa da vossa sabedoria, é importante que conheçais o mistério, a saber: o endurecimento de uma parte de Israel é para durar até que a totalidade dos pagãos tenha entrado na salvação. 26E então todo o Israel será salvo, como está escrito: "De Sião virá o libertador; ele tirará as impiedades do meio de Jacó. 27Essa será a realização da minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados". 28De fato, com relação ao Evangelho, eles são inimigos, para benefício vosso, mas com relação à escolha divina, eles são amados, por causa dos patriarcas. 29Pois os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 93 (94), 12-13a. 14-15. 17-18 (R/. 14a)
O Senhor não rejeita o seu povo!

 

É feliz, ó Senhor, quem formais e educais nos caminhos da Lei, para dar-lhe um alívio na angústia.

 

O Senhor não rejeita o seu povo e não pode esquecer sua herança: voltarão a juízo as sentenças; quem é reto andará na justiça.  

 

Se o Senhor não me desse uma ajuda, no silêncio da morte estaria! Quando eu penso: "Estou quase caindo!" Vosso amor me sustenta, Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 14 1.7-11)

Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado

 

1Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 7Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: 8"Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, 9e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: 'Dá o lugar a ele'. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. 10Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: 'Amigo, vem mais para cima'. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. 11Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras associadas: Pr 25, 6-7; Mt 23, 12; Lc 18,14.

 

 

Comentário o Evangelho

Nada de vaidade!

O Evangelho de Lucas muitas vezes apresenta Jesus fazendo refeições, momento em que encontra motivos para ensinar a seus discípulos. Em geral, qualquer ação incorreta do anfitrião ou dos comensais serve-lhe de pretexto.

 

Até mesmo de uma questão de etiqueta e boas maneiras (que lugar se deve ocupar numa mesa de banquete?) ele tirou conclusões práticas para a vida do discípulo do Reino: a vaidade se vence pela prática da humildade.

 

A sociedade está repleta de pessoas inescrupulosas, obstinadas em impor-se às demais, a qualquer custo, pessoas contaminadas pela vaidade, que se autocolocam nas alturas. Esta gente vive numa ávida competição, sem perder oportunidade de se colocar em evidência para garantir uma posição de destaque diante dos demais.

 

Humanamente falando, esta obsessão pode ser perigosa, e faz a pessoa passar por uma humilhação indesejada. Em termos de salvação, a vaidade faz a pessoa chocar-se com o projeto de Deus. Em outras palavras, tendo buscado a exaltação humana, experimentará a humilhação divina. O Pai não aceita nem a vaidade nem o orgulho.

 

Por conseguinte, eis a lição que os discípulos devem tirar de tudo isto: o Pai só exalta a quem busca o caminho da simplicidade e da humilhação. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

A palavra se faz oração (Liturgia Diária)

Pelos que estão desanimados da vida, rezemos. Vinde em nosso socorro, Senhor.

Pelos que se sentem fatigados no serviço do evangelho, rezemos.

Pelos que se doam para o bem da comunidade, rezemos.

Pelos que se sentem excluídos do banquete do reino, rezemos.

Pelos que tiveram a vida ceifada prematuramente, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Olhai, ó Deus, com bondade, as oferendas que colocamos diante de vós, e seja para vossa glória a celebração que realizamos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Cristo nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício santo. (Ef 5, 2).

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Os fariseus são vistos por Lucas como representantes do pensamento do povo israelita. A lição de Jesus sobre o comportamento social, comparável à de Pr 25, 6-7, orienta-se para a humildade. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

São Caetano Errico

 

 

 

A cidade de Secondigliano, grande e populosa, do norte de Nápoles, Itália, é mais conhecida como uma região de mafiosos do que de santos.


Os problemas dos seus habitantes são inúmeros, entre os quais estão as facções da máfia, a corrupção social e política que, somados, desestruturam o sistema de serviços e a consciência, propiciando a formação de gangues de todos os tipos de tráficos. Mas ela também tem boas obras. Como a de padre Caetano Errico, que fundou, em 1833, a Congregação dos "Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria".


A estátua de padre Caetano é bem visível de qualquer ângulo da cidade. Com a mão direita, ele abençoa; com a esquerda, empunha o crucifixo. A sua figura é imponente, não apenas pela beleza plástica da escultura. Ele era, realmente, um homem grande, alto e bem forte, um gigante na santidade e na figura humana.


Em 1791, essa cidade era pequena, uma planície com muito ar puro e úmido no final da tarde, chamada de Casale Régio da Cidade de Nápoles. Foi nesse ano que Caetano Errico nasceu, no dia 19 de outubro, o segundo dos nove filhos de Pasqual, modesto fabricante de macarrão, e de Maria. Quando mostrou vocação para a vida religiosa, logo obteve apoio da família. Aos dezesseis anos, ingressou no seminário e, em 1815, recebeu a ordenação sacerdotal.


Desde então, seu apostolado foi todo feito na igreja paroquial de São Cosme e São Damião, da sua cidade natal.


Em 1818, durante a pregação, teve inspiração divina para fundar uma congregação religiosa. Iniciou, imediatamente, pela construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores. Entre inúmeras dificuldades, a igreja foi erguida e abençoada doze anos depois, em 1830. Mas teve de esperar outros cinco anos para adquirir a imagem de madeira de Nossa Senhora das Dores e colocá-la no altar, onde permanece até hoje.


Além do trabalho pastoral da igreja, agora Caetano se ocupava com a construção da Casa para abrigar a nova congregação de padres. Decidiu que seria dedicada em honra dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. E nela empenhou toda a sua vida, que durou sessenta e nove anos de idade. Morreu em 29 de outubro de 1860.


Padre Caetano Errico foi homem de oração, de penitência, dedicava muito tempo ao atendimento das confissões e auxiliava materialmente, com suas obras, os marginalizados e pobres de toda a cidade e redondeza. Hoje, essa herança é distribuída através dos padres Missionários dos Sagrados Corações. Mas a memória e veneração a padre Caetano está muito presente e ainda é muito forte na população.


O culto e as graças atribuídas à sua santidade começaram quando ele ainda estava no seu leito de morte. Tanto que no interior da Casa-mãe da Congregação foi preciso instalar um museu para abrigar as doações dos elementos testemunhais dos devotos, que lembram as graças alcançadas. E é curioso como o povo não permite que a imagem do fundador seja retirada do altar, onde foi colocada, para a sua simples apresentação, quando chegou. Era para ficar no museu, mas todos a querem ver ali, ao lado de Nossa Senhora das Dores.


O papa João Paulo II proclamou bem-aventurado Caetano Errico em 2002, e designou o dia de sua morte para a homenagem litúrgica.
[paulinas.org.br]

 

 

A missão é serviço

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

Neste final de semana celebramos o Dia Nacional da Juventude! É uma ótima ocasião para darmos alguns passos para a motivação e participação na Jornada Mundial da Juventude que acontecerá aqui no Rio de Janeiro. Estamos também encerrando o mês das Missões com a firme convicção de estarmos permanentemente em missão. A Palavra de Deus deste 31º Domingo do Tempo Comum ilumina nossas vidas para vermos, tanto como missionários como também como sede da JMJ, aqueles que agem como servidores – é uma missão, é um serviço, a que todos somos chamados a prestar, tanto à Igreja como à Sociedade.

 

Quando lemos os Evangelhos, ainda ficamos surpresos diante da acolhida que as multidões reservam para Jesus. Havia dias em que o Mestre não tinha um momento de paz: as pessoas vinham de toda parte para ouvir sua palavra. Os testemunhos dos  Evangelhos dizem unanimemente que era principalmente a sua palavra que encantava as multidões, e as pessoas aproximavam-se Dele principalmente para ouvi-Lo.

 

Jesus anunciava de maneira nova aquilo que já estava inspirado e colocado por escrito na Bíblia. Basta pensar no Evangelho do domingo passado, quando Jesus responde à pergunta sobre o maior mandamento ao citar as palavras da lei judaica: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração!” (cf. Mt 22,27; Deuteronômio 6,5). Parece que as multidões estavam cansadas de muitas palavras que ouviam nas sinagogas todos os sábados e, ao invés disso, vieram até Jesus porque Ele "os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas" (Mateus 7, 29). Precisamente esta última referência revela o segredo de Jesus – Ele falou "como quem tem autoridade". Havia uma autoridade em seus discursos novos e inesperados, que os escribas e fariseus não possuíam. O último fato – como o próprio Jesus diz no Evangelho deste domingo (Mt 23,1-12) – "dizem e não fazem; atam fardos pesados e os põem aos ombros dos homens, mas eles não querem movê-los com um dedo". E eles perderam a sua autoridade, porque só falam "para serem vistos pelos homens", sem realmente acreditar no que diziam. É uma dura palavra que ressoa até hoje em nossos ouvidos e nos questionam profundamente.

 

Esta é uma crítica muito dura que Jesus dirige ainda hoje a todos nós, pois Jesus nos exorta para não criticarmos os outros, mas para examinarmos a nós mesmos: de fato continua seu discurso dizendo "você" e não "eles" ("não sejais chamados Rabi! E não sejais chamado de mestres" - Mt 23,8.10).

 

Da mesma forma que aconteceu naquela época aos escribas e fariseus, mas não aconteceu com Jesus, Ele falava com autoridade porque Ele dizia e fazia. Estamos lendo a confirmação do Evangelho deste domingo, quando Ele recomenda aos seus discípulos para ser servos uns dos outros: "o maior entre vós será vosso servo" (Mateus 23, 11). Todos sabemos que Jesus, num gesto de doação, lava os pés dos seus discípulos, e, com esse gesto, resume que o serviço de doação que tantas vezes Ele recomendou e que Ele vai cumprir depois de algumas horas na cruz.

 

De fato, Jesus disse e fez: ele falou com autoridade porque acreditava profundamente no que dizia e diz para nós até hoje. Ainda ressoa em meus ouvidos as palavras do Servo de Deus, o Papa Paulo VI, quando escreveu sobre a evangelização: “os homens de hoje escutam muito mais as testemunhas que os mestres, e se escutam os mestres é porque são testemunhas”. Aí está o grande segredo de todo trabalho e toda pregação, seja nas igrejas, seja nas praças, seja pelos meios de comunicação e até mídias sociais: ser testemunha daquilo que se fala. O segredo da missão evangelizadora está na pessoa que atua! Por isso o texto do evangelho deste domingo nos questiona profundamente e nos exorta a dar passos concretos na direção de uma vida coerente e transparente. E este é o milagre: que possamos renovar e devolver um sentido de coerência para as muitas palavras que trocamos e pregamos todos os dias.

 

Eu sou daqueles que dizem e não fazem? A palavra de Deus queima os lábios se é mal pronunciada, mas ela queima também se é pronunciada e não é vivida. Realmente, o que anuncio é porque as palavras são eco de um fogo de vida no Espírito Santo que arde dentro de mim? Precisamos ouvir o Senhor para depois, vivendo com alegria a Boa Nova, anunciar aos irmãos e irmãs.

 

Podemos perceber no Evangelho algumas situações que esvaziam nossas vidas e que deveriam ser mudadas em nosso dia a dia. Uma situação é a hipocrisia: digo e não faço. A incoerência de vida diante do que falamos sem vivenciarmos com simplicidade e coerência a Palavra de Deus. Outra situação é a vaidade: tudo fazem para serem admirados. O objetivo é conseguir fama e nada mais. Não é um serviço ao Reino de Deus. A vaidade torna o interior vazio. Ainda uma outra situação: o gosto do poder: impõem cargas pesadas a todos. O Evangelho oferece alguns caminhos de mudança: em vez de aparecer, agir secretamente; a simplicidade ao invés da duplicidade, o serviço ao invés do poder. O maior mandamento, diz Jesus, é "Amarás" e na liturgia de hoje acrescenta: o maior entre vós será vosso servo.

 

Ao celebrarmos, concomitantemente, o Dia Nacional da Juventude, é bom lembrar que a juventude dá muito valor à autenticidade evangélica. A juventude quer líderes que tenham coerência na pregação e na ação. Notamos isso pelos movimentos que espoucam por todos os cantos do mundo e também em nosso país, exigindo coerência e transparência.

 

Aquele que é o Senhor e Salvador de todos escolheu o caminho do servo: está aos pés de todos, é o servidor que lava os pés dos discípulos. Aquele que é Deus conosco cinge uma toalha e quer curar todas as feridas da terra. Servo sem igual! E se deve haver uma hierarquia na Igreja, será invertida em relação às normas da sociedade sobre a terra: “vocês são todos irmãos”. E, em seguida, inverteu novamente, por Cristo, que se tornou irmão, mas depois se tornou o último dos irmãos. Jesus muda a raiz do poder. Nosso Senhor Jesus Cristo revela que todo homem é capaz de poder, se ele é capaz do serviço.

 

Todos nós que buscamos entender a sociedade hodierna e encontrarmos caminhos para uma convivência pacífica entre os povos temos na Palavra deste domingo um bom caminho a seguir: Serviço. Este é o nome secreto da civilização do amor, porque este é o estilo que Deus escolheu.

 

 

O medo da morte nos impede de viver, não de morrer. (Paul C. Roud)