Sábado, 28 de agosto de 2010

Santo Agostinho (Bispo e Doutor),  Memória1ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Bancário e dia da Avicultura

 

Santos: Agostinho de Hipona (430, doutor da Igreja), Viviano, João III, Hermes (Roma, séc. II), Juliano, Moisés (o Egípcio, séc. IV), Bem-Aventurado Bibiano (séc. V), Edmundo Arrowsmith, Zélia Guérin

 

Antífona: No meio da Igreja, o Senhor colocou a palavra nos seus lábios; deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência de glória. (Eclo 15,5)

 

Oração: Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 1, 26-31)
Quem se gloria, glorie-se no Senhor

 

26Irmãos, considerai vós mesmos como fostes chamados por Deus. Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres. 27Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte.

 

28Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, 29para que ninguém possa gloriar-se diante dele. 30E graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, 31para que, como está escrito, "quem se gloria, glorie-se no Senhor". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido

 

O discurso sobre a sabedoria humana e a sabedoria divina torna-se agora referência concreta à própria experiência da comunidade de Corinto. Esta, com efeito, aparece ao Apóstolo como exemplificação e concretização modelar da sabedoria divina, contrária à do mundo. A vocação cristã foi, de fato, dirigida a pessoas privadas de possibilidades e meios de que se pudessem gabar e nas quais pudessem confiar. São um exemplo de fraqueza e tolice aos olhos do mundo. Contudo, justamente a esses é que Deus chamou à fé. Porque as escolhas divinas seguem um critério alheio a toda possibilidade de autoglorificação e vaidade do homem em face de Deus. O homem permanece sempre criatura devedora diante do Criador; também no âmbito de sua salvação. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

Salmo Responsorial: 32(33), 12-13.18-19.20-21 (R/.cf. 12ab)
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

 

Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.

 

Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.

 

No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Por isso o nosso coração se alegra nele, seu santo nome é nossa única esperança.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 25, 14-30)
A parábola dos talentos

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14"Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.

 

17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhes mais cinco, dizendo: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'.

 

21O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!' 22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'. 23O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!'

 

24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: 'Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'. 26O patrão lhe respondeu: 'Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence'.

 

28Em seguida, o patrão ordenou: Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'” Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 19, 12-27

 

 

Comentando o Evangelho

O talento multiplicado

 

O encontro definitivo com o Senhor é que dá sentido à vida do discípulo. Este evento futuro e incerto motiva as suas iniciativas. Cada minuto de sua existência é tomado como possibilidade de fazer algo mais. Não perde a chance de se mostrar fiel ao Senhor, nas mínimas coisas.


O discípulo age a partir dos dons recebidos de Deus. Quantos e quais sejam, pouco lhe importa. Importa-lhe apenas saber que o Senhor quer vê-los multiplicados. O verdadeiro discípulo sabe como fazer multiplicar seus dons. Isto se dá no serviço ao próximo, buscando construir a justiça e a fraternidade, e fazendo deles instrumento de restauração da dignidade humana. Quanto mais o discípulo põe a serviço dos outros os dons recebidos de Deus, mais estes se multiplicam.


A atitude dos discípulos operosos e engajados contrasta com a dos preguiçosos, medrosos, acomodados, sem criatividade. Por preguiça espiritual, eles não se sentem motivados a fazer multiplicar o dom recebido de Deus. Por medo da severidade de Deus, por considerarem poucos os dons recebidos, por temerem enfrentar o mundo e seus desafios ou por não saberem como agir, o fato é que não progridem no caminho para Deus. A vida inútil que levam, resultará em severa punição, quando se encontrarem com o Senhor. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A responsabilidade é proporcional ao “talento” recebido para o serviço. Prêmio e castigo pela administração se orientam para o julgamento definitivo. O relato se concentra no serviço ao patrão, dono único do dinheiro, e não fala expressamente do serviço aos outros.  Ele reparte livremente e não de modo arbitrário seu dinheiro, levando em conta “a capacidade de cada um”. Só que também essa capacidade é dom. Um talento equivale a cerca de 35 quilos. O padrão se ausenta e tardará em voltar. Quando volta pede contas da administração, numa espécie de julgamento, no qual o patrão qualifica a conduta e retribui. Os dois primeiros são: cumpridor, ou seja, bom em seu oficio, e fiel ou fiável; o terceiro é malvado ou mau em seu ofício preguiçoso. O prêmio supera qualquer previsão: perto dele os milhões erram nada; de uma posse administrada passa-se à convivência com o patrão. O terceiro procura defender-se, pondo a culpa no patrão exigente. Realmente, o medo do risco paralisa, a inércia se afirma na preguiça.   (Bíblia do Peregrino)

 

 

Santo Agostinho

 

 

 

O monge beneditino Agostinho é conhecido na história das missões, como o Grande Apóstolo da Inglaterra, no fim do século VI, quando São Patrício já tinha convertido os irlandeses um século antes.

 

Verdade é que a religião cristã já tinha penetrado naquela ilha no início do século IV, mas não se desenvolveu por vários motivos, um deles a invasão dos saxões provindos da Alemanha, quando o Cristianismo tinha quase desaparecido. Quase nada se sabe sobre a vida de Santo Agostinho, anterior ao seu apostolado na Grã-Bretanha. Consta apenas que era monge beneditino e vivia num mosteiro em Roma, fundado por São Gregório Magno.

 

Foi exatamente este papa que tomou a iniciativa de mandar missionários para cristianizar as lhas Britânicas. Em 596, mandou para lá uma expedição de 40 monges beneditinos sob a direção de Agostinho. Passando pela França, Agostinho se informou com vários bispos sobre a viabilidade da empresa, mas todos, por diversos motivos, desaconselharam prosseguir a viagem, alegando a crueldade dos anglo-saxões e a dificuldade da língua. Ciente disso, o Papa Gregório insistiu no prosseguimento da expedição que chegou à Inglaterra no início de 597. A ocasião de evangelizar a ilha era favorável, pois o rei de Kent tinha desposado uma princesa católica da França.

 

Imediatamente, depois de desembarcar, os monges se dirigiram à presença do rei e de sua corte, em procissão precedida pela cruz, cantando pausadamente os hinos gregorianos. Agostinho, na presença do rei e da corte, fez uma exposição sumária das verdades cristãs, servindo-se de um intérprete e pedindo para poder pregá-la livremente.

 

Contra as previsões, a resposta dos ingleses à pregação da fé cristã foi imediata. No Natal do mesmo ano de 597, receberam o batismo mais de dez mil pessoas, entre elas a maior parte da nobreza, precedida pelo próprio rei Etelberto. Agostinho foi ter com o arcebispo de Aries, na França, para relatar o grande movimento de conversões dos anglo-saxões e esse, por ordem do papa, conferiu a sagração episcopal a Agostinho.

 

De Roma vieram mais missionários enviados pelo papa, os quais se espalharam pela ilha a pregar o Evangelho. A missão se desenvolveu admiravelmente, tanto que Gregório, em 601, elevou a arcebispo Santo Agostinho, a fim de que pudesse criar outras dioceses na Inglaterra. De fato, organizou aos poucos as dioceses de Cantuária, que ficou primacial, depois a de Londres e Rochester.

 

Agostinho se conservou sempre em vivo contato com o Papa Gregório, que lhe enviava preciosas instruções. Célebres se tornaram as decisões do papa sobre a liceidade de acomodações da liturgia a usos e tradições daquele povo.

 

Agostinho não conseguiu a conversão de todos os habitantes da ilha, pois a Inglaterra era dividida em vários remos rivais. Mas os fundamentos da evangelização estavam postos, o resto seria obra do tempo e da graça.

 

Este apóstolo veio a falecer no dia 26 de maio de 605. Sua festa foi colocada neste dia. Da vida e do apostolado deste santo, temos mais uma prova de que a maior parte do povo inglês deve sua civilização cristã ao papado, do qual tão atrozmente se viu separado no século XVI, pela apostasia do rei Henrique VIII. Mas temos bons indícios de que a nação inglesa está encontrando o caminho da feliz volta.

 

O Martirológio Romano cita onze santos com este nome que, em sua origem latina, significa "irmão". Na Igreja Grega, o mais ilustre santo com este nome é o Patriarca de Constantinopla que no século VIII muito zelou e sofreu na defesa da fé contra o monofisitismo e a mania iconoclasta do imperador Leão, o Isaúrico, grande destruidor das sagradas imagens. [O Santo do Dia, Don Servilio Comti, ©Vozes, 1997]

 

Cogitais em construir um edifício de grande altura? Pensa primeiro

no alicerce a humildade. (Santo Agostinho)