Sábado, 28 de fevereiro de 2009

Depois das Cinzas, Início da Quaresma, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

Atendei-nos, Senhor, na vossa grande misericórdia; olhai-nos, ó Deus, com toda a vossa bondade. (Sl 68, 17)

 

 

Santos do Dia: Mártires da Peste de Alexandria, Protério (bispo e mártir), Romano e Lupicino (abades), Hilário (papa), Osvaldo de Worcester (arcebispo), Ângela de Foligno (beata e viúva), Vilana de Florença (beata e matrona), Hedviges da Polônia (beata e matrona), Antônia de Florença (beata e viúva), Luísa Albertoni (beata e viúva).

 

Oração do Dia: Ó Deus eterno e todo-poderoso, olhai com bondade a nossa fraqueza e estendei, para proteger-nos, a vossa mão poderosa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 58, 9b-14)

Se acolheres de coração aberto o indigente...

 

Assim fala o Senhor: 9b"se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. 11O Senhor te conduzirá sempre e saciará tua sede na aridez da vida, e renovará o vigor do teu corpo; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas que jamais secarão.

 

12Teu povo reconstruirá as ruínas antigas; tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar. 13Se não puseres o pé fora de casa no sábado, nem tratares de negócios em meu dia santo, se considerares o sábado teu dia favorito, o dia glorioso, consagrado ao Senhor, se o honrares, pondo de lado atividades, negócios e conversações, 14então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai". Falou a boca do Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Se escolheres de coração aberto o

indigente, nascerá das trevas a tua luz

 

A leitura de Isaias mostra-nos a meta a que tende o caminho que compreendemos: "O Senhor dar-te-á eterno repouso..." Quer introduzir-nos no sábado eterno. Celebrando o sábado, o homem reconhece e festeja a presença de Deus no mundo e no tempo. Por seis dias entrega-se às obras da criação; no sétimo dá-se totalmente à obra maior: à adoração e ao louvor. Desta sorte o homem se descobre livre, senhor de todo o criado. Vive uma antecipação da eternidade, uma experiência de paraíso. O Domingo cristão diz tudo isso de modo ainda mais evidente que o sábado hebraico, porque recorda a ressurreição de Cristo, princípio da nova criação, da paz e do repouso de Deus. Cumpre, porém, lembrar que reconhecer e festejar a salvação vinda de Deus só se torna eficaz para aqueles que fazem próprios os sentimentos de Deus, seguem os seus caminhos, dão-se a si mesmos, para que no mundo se realize cada dia mais a passagem para a festa eterna.

 

 

Salmo: 85(86), 1-2. 3-4. 5-6 (R/. 11a)

Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei

 

1Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! 2Protegei-me, que sou vosso amigo, e salva vosso servo, meu Deus, que espera e confia em vós!

 

3Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! 4Animai e alegrai vosso servo, pois a vós eu elevo a minha alma.

 

5Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. 6Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 5, 27-32)

Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores para a conversão

 

Naquele tempo, 27Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: "Segue-me". 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu. 29Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30Os fariseus e seus mestres da lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: "Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?" 31Jesus respondeu: "Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. 32Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão". Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes livros: Mc 9, 9 e Mc 2, 13-17

(Vocação de Levi); Mt 9, 9-13 e Mc 2, 13-17 (Refeição com os pecadores na casa de Levi);

 

 

 

Comentário o Evangelho[2]

Convidados à conversão

 

A proximidade de Jesus com os cobradores de impostos e os pecadores era mal vista pelos fariseus e mestres da Lei. Por malevolência, faziam juízos apressados a respeito dele, de forma a levá-lo a perder a credibilidade, tanto diante dos discípulos quanto diante das multidões que o procuravam. Não existe melhor meio de “queimar” alguém, do que levantar suspeitas sobre sua vida moral. No fundo, este era o ponto visado pelos adversários de Jesus: quem se mistura com os pecadores, assim pensavam, só pode ser do mesmo calibre deles.


Entretanto, conviver com os pecadores e excluídos fazia parte da pedagogia de Jesus, a fim de levá-los a converter-se ao Reino. A solidariedade com os pecadores não se estendia aos pecados que cometiam. Era preciso também alertá-los para que banissem de suas vidas tudo quanto os afastava de Deus.


Jesus acreditava, com todas as forças de seu coração, na possibilidade de conversão do coração humano. Por isso, empregava todos os meios disponíveis para atrair os pecadores para Deus, mesmo correndo o risco de ser vítima da maledicência de seus adversários. Menosprezando as críticas alheias, importava mostrar aos pecadores a possibilidade de uma vida fundada na misericórdia e na justiça. O caminho escolhido por Jesus foi o da solidariedade, que revela como cada um de nós é tratado por Deus.

 

São Romano

O monge Romano era discípulo de um dos primeiros mosteiros do Ocidente, o de Ainay, próximo a Lyon, na França, no século IV, quando nascia a vida monástica abaixo da linha do Equador. Ele foi também um dos primeiros monges ocidentais. Romano achava as regras do mosteiro muito brandas. Então, com apenas uma Bíblia, o que para ele era o indispensável para viver, sumiu nos arredores da cidade. Só foi localizado anos depois por Lupicino, que se tornou seu aluno e seguidor. A eles se juntaram muitos outros que desejavam ser eremitas, fundando um mosteiro em Condat e outro em Beaume, desta vez com a disciplina que Romano achava correta. Conta-se que, durante uma viagem de Romano ao túmulo de São Maurício, em Genebra, ele e um discípulo que o acompanhava e que também foi canonizado, São Pelade, hospedaram-se numa choupana onde havia dois leprosos. Romano os abraçou, solidarizou-se com eles e, na manhã seguinte, os dois estavam curados. Diz a lenda que este foi apenas o começo de uma viagem cheia de prodígios e milagres. Voltando dessa peregrinação, São Romano voltou à solidão e assim morreu aos 73 anos de idade.

 

Onde houve humildade, aí haverá a perseverança e a salvação. (S.Antônio)

 

 



[1] Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO DO DIA, Ano B. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996