Sábado, 27 de setembro de 2008
São Vicente de Paulo, Presbítero, 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca
Repousa sobre mim o Espírito do Senhor; ele me ungiu para levar a boa nova aos pobres e curar os corações contritos. (Lc 4, 18)
Hoje: Dia da Caridade, dia do Encanador, dia Mundial do Turismo, dia Internacional do Idoso, dia Nacional do Surdo.
Santos: Vicente de Paulo (sacerdote, morto em 1660, fundador do Instituto dos Padres da Missão), Fidêncio, Florentino, Adérito, Florenciano, Bem-Aventurados Adolfo e João, Hiltrude (monja), Eleazário, Bem-Aventurada Delfina, Elzear de Sabran (confessor franciscano, ofs)
Oração: Ó Deus, que, para socorro dos pobres e formação do clero, enriquecestes o presbítero São Vicente de Paulo com as virtudes apostólicas, fazei-nos, animados pelo mesmo espírito, amar o que ele amou e praticar o que ensinou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
Eclesiastes (Ecl 11, 9-12,8)
Vaidade das vaidades
9Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude; segue as aspirações do teu coração e os desejos dos teus olhos; fica sabendo, porém, que de tudo isso Deus te pedirá contas. 10Tira a tristeza do teu coração, e afasta a malícia do teu corpo, pois a adolescência e a juventude são vaidade.
12,1Lembra-te do teu criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: "Não sinto prazer neles";2antes que se obscureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; 3quando os guardas da casa começarem a tremer, e se curvarem os homens robustos; quando as poucas mulheres cessarem de moer, e ficarem turvas as vistas das que olham pelas janelas 4e se fecharem as portas que dão para a rua; quando enfraquecer o ruído do moinho, e os homens se levantarem ao canto dos pássaros, e silenciarem as vozes das canções, 5e houver medo das alturas e sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se arrasta e a alcaparra perde o seu gosto, porque o homem se encaminha para a morada eterna, e os que choram já rondam pelas ruas; 6antes que se rompa o cordão de prata e se despedace a taça de ouro, a jarra se parta na fonte, a roldana se arrebente no poço, 7antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. 8Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade. Palavra do Senhor!
Leitura alternativa: 2Tm 3, 14-17)
Comentando a Leitura[1]
Lembra-te do teu criador nos dias da juventude, antes
que volte o pó à terra e o sopro de vida volte a Deus
Página final rica de profunda poesia e fina sabedoria humana. A velhice é semelhante à tarde da vida. Cessa a atividade humana, o moinho deixa o seu trabalho e esvaem-se as canções. O homem
encurva-se, a mulher deve renunciar a suas ocupações domésticas, começa a faltar alento, a vida deixa de parecer um dom. O desenvolvimento normal da vida vai da juventude à velhice. Todo homem nasce e morre. Mas Deus preside a essa evolução. Ninguém, exceto Deus, nunca poderá saber o que significou a presença de uma vida breve e insignificante na aparência. Cairão as "vaidades", só Deus permanecerá. Descobrir-se-á o valor de nosso "sim" ao Criador. Esta fidelidade, que não é busca de si mesmo, abre-nos, com os anos, à única realidade, o Cristo, nosso verdadeiro amor. Só então aparecerá a festa que não terá fim.
Salmo
Responsorial: 89(90), 3-4.5-6.12-13.14 e 17 (R/.1)
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós
Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.
Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.
Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!
Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tomai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Evangelho: Lucas (Lc 9, 43b-45)
A
entrega em prol da salvação do ser humano
Naquele tempo, 43btodos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44"Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: 'O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens"'. 45Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho do Dia[2]
A incompreensão do sofrimento
A forma como Jesus introduz sua admoestação aos discípulos demonstra a gravidade de sua fala: “Prestem bastante atenção ao que vou dizer a vocês!” De fato, a revelação de seu destino haveria de pegar desprevenidos os discípulos. Eles jamais poderiam imaginar o que o Mestre lhe queria comunicar.
Os discípulos haviam conhecido um aspecto da realidade de Jesus: seu poder
taumatúrgico, sua capacidade de fazer-se próximo dos pobres e dos pequeninos,
sua autoridade para veicular ensinamentos jamais ouvidos, sua relação profunda
com o Pai. Embora os mestres da Lei e os fariseus demonstrassem má vontade, as
multidões ouviam-no empolgadas. Aderir a ele parecia ser um passo acertado.
Quando Jesus anunciou estar “para ser entregue nas mãos dos homens”, os
discípulos foram incapazes de compreender plenamente estas palavras, pois lhes
pareciam obscuras. E receavam pedir explicações ao Mestre.
A revelação de Jesus colocou em xeque tudo quanto os discípulos pensavam a seu
respeito. Pensá-lo sofredor, humilhado, aviltado nas mãos dos inimigos seria
demais. Isto significava o fracasso das esperanças acalentadas até então.
Só
Jesus era capaz de compreender que a perspectiva de morte não significava o
fracasso de seu projeto. Aí, também, se realizava o desígnio do Pai.
São Vicente de Paulo[3]
A França no século XVII se elevava à categoria de primeira potência na Europa, impulsionada por um ideal de grandeza nacional, mas devastada pelas guerras e revoluções internas. Apesar de ter sido o século de Luís XIV, o Reio Sol, foi de fato o século das grandes misérias: crianças abandonadas, prostituição, pobreza e ruínas ocasionadas por revoluções e guerras, além da ignorância religiosa das populações rurais e o estado lamentável de boa parte do clero.
Neste triste quadro da situação social e religiosa da França, Deus suscitou um grande apóstolo, um dos santos mais extraordinariamente fecundos na Igreja: São Vicente de Paulo.
Nasceu ele de família pobre, em 1581. O pai, observando com satisfação as excelentes qualidades de espírito do filho, fez os maiores sacrifícios para lhe favorecer os estudos eclesiásticos, como era desejo de Vicente.
Ordenado sacerdote, trabalhou como vigário numa pequena paróquia rural; ai viveu em contato com tantas misérias materiais e morais, que lhe abriram o espírito para sua futura vocação de apóstolo e organizador de grandiosas obras sociais.
Numa viagem entre Marselha e Narbone, Vicente caiu em poder dos piratas que o venderam como escravo em Túnis, na África. Com grande humildade, o santo aceitou esta provação e sujeitou-se aos pesados trabalhos que lhe impuseram. Pela força de sua bondade e oração, conseguiu converter do islamismo ao cristianismo seu próprio patrão que o colocou em liberdade. Dois anos durou seu cativeiro e voltou para sua pátria com ânimo novo para colocar-se à disposição das misérias humanas.
É difícil sintetizar em poucas linhas a múltipla operosidade de São Vicente. Destaquemos, porém, algumas de suas iniciativas de maior relevância: a evangelização dos colonos, a reforma do clero, as obras assistenciais, a luta contra o jansenismo.
Pastor sensível aos problemas pastorais, deu-se com empenho à pregação nos meios rurais, onde grassava lamentável a ignorância religiosa. Com um grupo de colaboradores, instituiu a Congregação da Missão ou dos Lazaristas. Estes padres eram obrigados a emitir o voto especial de se consagrarem à evangelização dos pobres. Contudo, além das missões populares, tornaram-se beneméritos por sua obra de direção dos seminários para formação do clero.
Com Santa Luisa de Marillac, Vicente enfrenta o problema da miséria, fundando a sociedade das Filhas da Caridade, conhecidas popularmente como Irmãs Vicentinas. Com esta instituição, a caridade tão múltipla de São Vicente se tornou organizada. A Congregação Vicentina dedica-se ao serviço dos abandonados, dos órfãos, dos velhos, dos inválidos, das moças em perigo, dos doentes. Talvez seja esta a instituição cristã dedicada à pura prática da caridade de maior extensão na geografia e no tempo. As 37 mil Irmãs de Caridade que trabalham hoje em leprosários, orfanatos, hospitais, manicômios, escolas, asilos, etc. continuam a presença de São Vicente até ao dia de hoje.
O livre acesso de São Vicente nos palácios dos grandes foi-lhe de imensa ajuda no seu apostolado. Ele sabia tirar do rico para dar aos pobres, não pela força mas pela persuasão.
Por fim, não se pode avaliar o empenho de São Vicente em opor um dique à triste corrente espiritual de seu século, o jansenismo, que com seu rigorismo e pessimismo resfriava a espiritualidade católica.
São Vicente morreu riquíssimo de méritos, no dia 27 de setembro de 1660. Seu nome continua vivo como padroeiro das obras de caridade no mundo inteiro. Foi canonizado pela Igreja, não como simples filantropo mas como um santo que levou a sério a mensagem cristã de que o amor a Deus e ao próximo andam de mãos dadas.
Desafio pessoal: doe exemplares de Bíblia a um amigo ou amiga; evangelize através da Palavra!
Às vezes as rugas significam apenas um caminho bem percorrido. (Ivo Pitangui)