Sábado, 26 de junho de 2010

Décima Segunda Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia Internacional da Luta contra ao uso e o tráfego de Drogas e Dia Internacional de apoio às vitimas da tortura e dia do Metrologista.

 

Santos: João e Paulo (mártires em Roma), Antelmo (Chambéry, bispo), Perseveranda, Vigílio (bispo de Trento), Davi, Maxêncio (abade do Languedoc), Sálvio (bispo da Auvergne, mártir), Supério (mártir), Pelágio (Córdova, na Andaluzia, jóvem cristão de 13 anos que deu testemunho de Cristo diante do Islamismo) 

 

Antífona: O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27, 8-9)

 

Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Livro das Lamentações (Lm 2, 2.10-14.18-19)
Buscando Deus por misericórdia

 

2O Senhor destruiu sem piedade todos os campos de Jacó; em sua ira deitou abaixo as fortificações da cidade de Judá; lançou por terra, aviltou a realeza e seus príncipes. 10Sentados no chão, em silêncio, os anciãos da cidade de Sião espalharam cinza na cabeça, vestiram-se de saco; as jovens de Jerusalém inclinaram a cabeça para o chão. 11Meus olhos estão machucados de lágrimas, fervem minhas entranhas; derrama-se por terra o meu fel diante da arruinada cidade de meu povo, vendo desfalecerem tantas crianças pelas ruas da cidade. 12Elas pedem às mães: "O trigo e o vinho, onde estão?" E vão caindo como derrubadas pela morte nas ruas da cidade, até expirarem no colo das mães. 13Com quem te posso comparar ou a quem te posso assemelhar, ó cidade de Jerusalém? A quem te igualarei, para te consolar, ó cidade de Sião? Grande como o mar é tua aflição; quem poderá curar-te?

 

14Teus profetas te fizeram ver imagens falsas e insensatas, não puseram a descoberto a tua malícia, para tentar mudar a tua sorte; o contrário, deram-te oráculos mentirosos e atraentes. 18Grite o teu coração ao Senhor, em favor dos muros da cidade de Sião; deixa correr uma torrente de lágrimas, de dia e de noite. Não te concedas repouso, não cessem de chorar as pupilas de teus olhos. 19Levanta-te, chora na calada da noite, no início das vigílias, derrama o teu coração, como água, diante do Senhor; ergue as mãos para ele, pela vida de teus pequeninos, que desfalecem de fome em todas as encruzilhadas. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Grite o teu coração ao senhor

 

O pano de fundo deste quadro dramático é o contraste entre falsa esperança e esperança autêntica. A primeira, objeto da pregação dos falsos profetas, baseava-se na lisonja. É fácil seguir a corrente e embalar a ilusão popular numa segurança humana em que tudo "se explica", e as soluções mirabolantes estão ao alcance de um vago povo. A verdadeira esperança, vinda de Deus, é uma atitude muito realista, que não tem medo de dar às situações seu verdadeiro nome e tem sempre Deus como fator principal. Não tem medo de rever as próprias posições e mudar o que deve ser mudado. Na hora do silêncio de Deus (para o enorme fracasso do homem), o autor convida a “compreender” a dor como momento do encontro com o Senhor na história. Desfeitas as pequeninas esperanças, estamos disponíveis a um encontro com o Deus da verdadeira esperança. A esperança cristã não é resignação, ilusão, falsa segurança, otimismo ingênuo.  Leva-nos a lutar por um mundo melhor, que esse mundo não é uma ilusão que se deve substituir à dura realidade bem conhecida, porém é algo mais “real” ainda, porque já iniciado em Cristo, no “reino de Deus, presente entre vós”. [Missal Cotdiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 73(74), 1-2.3-5a.5b-7.20-21 (R/.19b)
Não esqueçais até o fim a humilhação dos vossos pobres

 

Ó Senhor, por que razão nos rejeitastes para sempre e vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais? Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, desta tribo que remistes para ser a vossa herança, e do monte de Sião que escolhestes por morada!

 

Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: no santuário o inimigo destruiu todas as coisas; e, rugindo como feras, no local das grandes festas, lá puseram suas bandeiras vossos ímpios inimigos.

 

Pareciam lenhadores derrubando uma floresta, ao quebrarem suas portas com martelos e com malhos. Ó Senhor, puseram fogo mesmo em vosso santuário! Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais!

 

Recordai vossa aliança! A medida transbordou, porque nos antros desta terra só existe violência! Que não se escondam envergonhados o humilde e o pequeno, mas glorifiquem vosso nome o infeliz e o indigente!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 8, 5-17)
Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades

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Naquele tempo, 5quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6"Senhor;,o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia".

 

7Jesus respondeu: "Vou curá-lo". 8O oficial disse: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados debaixo de minhas ordens. E digo a um: 'Vai!', e ele vai; e a outro: 'Vem!', e ele vem; e digo ao meu escravo: 'Faze isto!', e ele faz".

 

10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: "Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".

 

13Então, Jesus disse ao oficial: "Vai! e seja feito como tu creste". E naquela mesma hora o empregado ficou curado. 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaias: "Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Lc 7, 1-10; Jo 4, 46-54

 

 

Comentando o Evangelho

Uma fé admirável

 

Nos contatos interpessoais, a atenção de Jesus concentrava-se na presença, ou não, da fé no coração de seus interlocutores. Pouco lhe importava a condição social ou racial, nem o maior ou menor grau de instrução que podiam ter. Desde que se mostrassem sensíveis à fé, era possível estabelecer com o Mestre uma profunda comunhão de interesses. O pedido que lhe dirigiu o oficial romano ilustra esta disposição interna de Jesus. Aquele recorrera ao Mestre, em favor de um empregado, que era paralítico e sofria muito. Tratava-se de um pagão, a serviço dos opressores romanos, que pedia um milagre para outro pagão, sem nenhum vínculo especial com o povo de Israel. Isto seria suficiente para que Jesus se recusasse a atender a um tal pedido. Mas isto era secundário! Interessava-lhe saber se o oficial estava sendo movido pela fé. Na verdade, estava. E por uma fé tão grande, que achou desnecessária a presença física de Jesus, para ser atendido. Bastava "uma só palavra sua" para que seu servo ficasse curado.

 

Jesus possuía um poder inaudito de curar. Nada poderia impedi-lo de atender a um desejo. 

 

Enquanto seus familiares e conterrâneos recusavam-se a reconhecê-lo, Jesus dava-se conta de que algo extraordinário estava acontecendo entre os pagãos. Abertos para a fé, estavam mais aptos, do que os judeus, a se tornarem beneficiários do Reino.[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Não por ser doente, mas por ser pagão, o centurião fica fora da comunidade de Israel; um judeu observante não podia entrar na sua casa. Além disso, representava o poder estrangeiro de Roma. Mas pela sua fé entra na nova comunidade e cresce como figura exemplar: denúncia dos que resistem a crer, anúncio de muitos que crerão. Percebe-se a polêmica da comunidade cristã frente ao judaísmo oficial: os obstáculos legais não são impedimento para a ação benéfica de Jesus. O centurião expõe com simplicidade a gravidade da situação. Jesus o entende como pedido discreto e se oferece para intervir pessoalmente. Mas o centurião entende o poder de Jesus em termos militares típicos da sua experiência pessoal. Imagina Jesus somo subordinado a um poder superior e as doenças como subordinados dóceis? (Bíblias do Peregrino)

 

 

Jesus atende ao centurião

 

Ouvindo isto, Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: ‘Em verdade vos digo que, em Israel, não achei ninguém que tivesse tal fé’” (Mt 8,10)

 

Estas palavras, Cristo as pronuncia referindo-se ao centurião, que lhe pede a cura de seu empregado. Quando lhe diz que irá curá-lo em sua própria casa, ouve dele uma profissão de humildade, em afirmando não ser digno de que nela o Mestre entrasse. Vale, de logo, observar. Em que pese o centurião ter-se revelado um homem humilde, não é a sua humildade o que o Senhor exalta. O que Jesus exalta é a sua fé. E por quê? Para quê?

 

Para mostrar exatamente a importância do ato de crer. Era porque o centurião possuía uma fé verdadeira que se apresentou destituído de qualquer laivo de vaidade. O que nos leva a concluir que se muita gente consente em ser dominada pela arrogância, pela presunção é porque não crê. Deixando de acreditar que só Jesus é o Senhor, vive como se o senhorio à sua pessoa pertencesse e não à pessoa dele. Lutando pelo amadurecimento de nossa fé estamos, ao mesmo tempo, lutando pela conquista da humildade, esta que nos torna grandes, ainda que sejamos pequenos. A fé é fonte de humildade. A descrença, de orgulho. Senhor, nem sempre temos a fé que deveríamos ter. Dai que a tenhamos e mesmo que não vás à nossa casa, o que nela necessitar de cura, curado seja, como o foi o servo do centurião. Amém. (Bíblia Sagrada em CD-ROM, Vozes, 1996)

 

São José Maria Robles Hurtado

 

 

A condição da Igreja no México foi muito difícil desde que entrou em vigor, em 5 de fevereiro de 1917, a nova Constituição anticlerical e antirreligiosa, depois do longo período de ditadura que a antecedeu.


O clero católico foi objeto de perseguições, ora mais ora menos intensas, com muitos religiosos, leigos e sacerdotes sendo brutalmente assassinados, exclusivamente por serem cristãos. Diga-se, mesmo, que não existia processo, o julgamento era instantâneo e a sentença sumária.


Dentre esses mártires encontramos padre José Maria Robles Hurtado. Ele nasceu em Mascota, Jalisco, na diocese de Tepic, no dia 3 de maio de 1888. Foi pároco de Tecolotlán, em Jalisco, onde difundia a fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Tamanho era seu entusiasmo que escrevia pequenas orações e poesias, que distribuía entre os fiéis para enriquecer ainda mais o culto e louvar o Senhor.


Amado e querido pelo seu rebanho, constituído de camponeses pobres e muito carentes. Para melhor atendê-los, fundou a Congregação das "Irmãs do Coração de Jesus Sacramentado".


Porém, no mês consagrado ao culto do Sagrado Coração de Jesus, em junho de 1927, a horrenda perseguição atingiu a sua paróquia em Tecolotlán, e ele foi levado e encarcerado.


Alguns dias, ou horas antes de ser morto, padre José Maria escreveu uma poesia, na qual expressou seus últimos desejos: "Desejo amar o teu Coração, Jesus meu, com participação total, desejo amá-lo com paixão, desejo amá-lo até o martírio. Com minh'alma te bendigo, meu Sagrado Coração; diga-me: aproxima-se o instante da feliz e eterna união?"  No dia 26 de junho de 1927, o padre José Maria, exatamente pelo grande amor à Cristo, foi amarrado numa árvore, na serra da Quila, em Jalisco, diocese de Autlan, e mantido assim até morrer. Dessa maneira, seguiu para a feliz e eterna união no Sagrado Coração de Jesus, coroado com seu martírio final.


O grupo de vinte e cinco mártires mexicanos no qual estava incluso foi beatificado, em 1992, pelo papa João Paulo II. Mais tarde, o mesmo pontífice, no ano de 2000, canonizou todos eles. A festa de são José Maria Robles Hurtado foi designada para o dia 26 de junho.
[paulinas.org.br]

 

 

Quem luta com lealdade, mesmo derrotado se coloca em situação de vencedor. (Dante Venléel)