Sábado, 26 de março de 2011

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia do Mercosul e dia do Cacau

 

Santos: Cástulo (mártir), Félix de Trier (bispo), Macartino (bispo), Bráulio (bispo), Ludgero (bispo), Basílio (o Moço), Teodoro e Companheiros (Líbia), Dídaco José de Cadiz (Bem-aventurado, confessor franciscano, 1ª ordem), Emanuel e Marciano.

 

Antífona: O Senhor é misericórdia e clemência, indulgente e cheio de amor. O Senhor é bom para com todos, misericordioso para todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que pelos exercícios da Quaresma já nos dais na terra participar dos bens do céu, que possamos chegar à luz em que habitais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Miquéias (Mq 7, 14-15.18-20)

Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão

 

14Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados. 15E, como nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios.

 

18Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. 19Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidade e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados.

 

20Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados

 

Pela misericórdia, o passado do homem pecador não mais existe; ele pode recomeçar tudo. Pode alguém sentir-se chocado com este contínuo falar de misericórdia e de perdão. Parece-lhe pouco sério refugiar-se de continuo junto de um Deus que passa por cima de nossa falta de esforço. Dir-se-ia um jeito demasiado fácil de libertar-se da consciência. Quem, porém, raciocina deste modo esquece que a misericórdia de Deus está ligada à exigência da conversão e que o perdão é verdadeira redenção, libertação, renovação, nova criação. Deus não fecha os olhos com complacente paternalismo, mas abre novo crédito de confiança a nossas responsabilidades e dá a garantia de vencer o mal com o bem. Renova assim no pecador a alegria de viver. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 102(103), 1-2.3-4.9-10.11-12 (R/.8a)

O Senhor é indulgente e favorável

 

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 2Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

3Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda sua enfermidade; 4da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão;

 

9Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. 10Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

 

11Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; 12quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

 

Evangelho: Lucas (Lc 15, 1-3.11-32)

Teu irmão estava morto e tornou a viver

 

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11"Um homem tinha dois filhos.

 

12O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome'. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'. 20Então ele partiu e voltou para seu pai.

 

Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei conta Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. 22Mas o pai disse aos empregados: 'Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa.

 

25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: 'E teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'.

 

28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'.

 

31Então o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado"'. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: a parábola dos dois filhos é própria de Lucas; a de Mt 21,28-32 oferece só algumas analogias

 

 

Comentário do Evangelho

Acolhendo o pecador

 

A consciência do pecado vem acompanhada do sentimento de vergonha em relação a Deus. A revolta contra o seu amor misericordioso parece não se justificar. Junto com a vergonha vem o sentimento de ingratidão. E o pecador reconhece ser uma loucura o ter-se afastado do Pai.


Sua reação costumeira: duvidar de que possa ser perdoado. Em outros termos, duvidar que Deus esteja disposto a perdoar, devido à magnitude do pecado cometido.


O Evangelho aconselha, firmemente, o pecador a voltar para o Pai, cujo rosto, revelado por Jesus, é um incentivo a essa volta confiante. Deus quer ter junto de si todos os seus filhos. E está sempre disposto a esquecer o passado, pois confia que, no futuro, tudo será melhor. Não coloca limites para o perdão, nem faz distinção entre faltas perdoáveis e faltas imperdoáveis. Tudo pode ser perdoado, quando o pecador se predispõe a voltar. Alegra-se, sobremaneira, com a volta de um filho pecador, pois é como se este estivesse ressuscitando, depois de experimentar a morte. Não considera o pecador como pessoa de segunda categoria, só porque se desviou do bom caminho. Vale a pena confiar no amor misericordioso de Deus Pai. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

-Pelas comunidades cristãs que acolhem pobres e pecadores, digamos. Obrigado/a, Senhor!

-Pelos ministros que, por meio da confissão, reconciliam os pecadores, digamos.

-Pelos que se empenham em promover a dignidade dos mais necessitados, digamos.

-Pelas pessoas abertas ao diálogo e à prática do perdão, digamos.

-Pelas famílias que acolhem os filhos desviados que retornam ao lar, digamos.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Senhor Deus, por este sacramento venham até nós os frutos da redenção; que eles nos afastem dos excessos terrenos e nos conduzam aos bens do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

É necessário, filho, que te alegres: teu irmão estava morto e reviveu; perdido, e foi achado (Lc 15,32)

 

Oração Depois da Comunhão:

O Deus, que o sacramento recebido penetre o íntimo do nosso coração e nos faça participar da sua força. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Eis a “rainha das parábolas”. Nela temos a partida, a curtição despreocupada, a queda humilhante, as privações, a saudade da casa paterna, o retorno à nova vida, o abraço sem recriminações e a festa. O pai não leva o assunto por via legal, mas se deixa levar pelo afeto paternal. O abraço sela a reconciliação, antes que o filho pronuncie a confissão. É recebido como filho, traje e anel serão os sinais externos. Mas nem todos se alegram com o desfecho, pois alguém não aceita nem compreende a fraqueza do pai. O irmão mais velho, que regressa do trabalho no campo, discorre em termos de retribuição comparativa, protesta contra o irmão e o pai. E o pai, no mesmo terreno, o faz ver que está bem pago convivendo com ele. O irmão mais velho deve aceitar a misericórdia do pai e reconciliar-se com seu irmão arrependido. Paternidade gera fraternidade. O irmão mais velho, neste caso, representa o fariseu como tipo. Para os dias atuais, tem sido difícil o cristão aplicar a misericórdia com o próximo? Como ler, entender e não praticar a Palavra do Senhor?

 

São Ludgero

 

Ludgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero.

 

Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem.

 

Como consequência dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos.

 

A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester, cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo.

 

Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809.

 

O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério. [www.paulinas.org.br]

 

 

O "sim" que transforma

Dom Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

A cada ano, no dia 25 de março a Igreja celebra, com solenidade, a Anunciação do Anjo à Virgem Maria e a Encarnação do Verbo de Deus no seio d'Aquela que é bendita entre todas as mulheres. Trata-se de um dia muito apropriado para rezarmos pelas vocações, pois este é o dia em que Maria deu o seu SIM integral à obra de salvação planejada por Deus e realizada por intermédio d'Ela. É uma oportunidade de trabalharmos pela cultura da vida, pois é o dia em que o próprio Deus se fez homem, a Vida Eterna se fez vida humana e em muitos países se comemora o Dia da Vida. É o momento de rezarmos e apoiarmos as grávidas e as mães, exaltando a Maternidade Divina. Peçamos a Nossa Senhora que as proteja de todo o mal, principalmente aquelas que trazem no ventre os seus filhos.

 

Na primeira leitura da Liturgia da Anunciação do Senhor (Is 7,10-14;8,10) ouvimos o anúncio do grande sinal do Amor de Deus pelos homens. Deus virá morar conosco, profetiza Isaías, pois o filho que nascerá de uma virgem é o próprio Filho unigênito de Deus que vem ao encontro dos homens para salvá-los e introduzi-los, como filhos, na intimidade divina. A narrativa de São Lucas nos permite presenciar a cena em que se desenrola o cumprimento do grande sinal. Deus anuncia a Maria de Nazaré, por meio de um anjo, o seu desígnio de amor pelos homens, e pede a resposta de Nossa Senhora. O diálogo culminará com o “faça-se” de Maria e a realização do mistério da Encarnação do Verbo de Deus.

 

Aparentemente nada mudou no mundo, contudo, o Cosmos acabou de ser transformado até as suas raízes mais profundas. O Universo “cheira a novo” como no dia em que surgiu do nada pela primeira vez. A Encarnação redentora do Verbo de Deus, que acaba de acontecer, é uma nova Criação.

 

Este grande mistério que contemplamos hoje, conduzido pela Liturgia a ponto de nos ajoelharmos durante a profissão de fé, ao proclamar: “e se encarnou”, não possui outra explicação, como o primeiro ato criador, senão o amor infinito de Deus. Deus não desiste do seu desígnio de amor pelas criaturas, e entra no tempo dos homens de um modo novo e inimaginável para nos introduzir na sua eternidade bem-aventurada.

 

Nunca devemos nos cansar de contemplar e agradecer o amor infinito com que somos amados por Deus, e devemos procurar corresponder com a plenitude de entrega, do modo que o fez a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa mãe.

 

Na segunda leitura (Hb 10,4-10), o Autor sagrado nos apresenta a perfeita obediência de Jesus ao desígnio salvador do Pai. As palavras que coloca na boca do Senhor “Eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade!”, são o resumo da sua vida redentora e a causa da nossa salvação.

 

Convém, por isso, nunca nos esquecermos de que a vontade de Deus, que é amor, só pode conter desígnios de amor, e, por isso, tudo o que vem de Deus é manifestação de seu amor para nosso bem e felicidade.

 

A obediência à vontade de Deus é o único caminho para chegar à plena realização e felicidade; o único caminho para ser santo. Por isso, jamais pode ser vista como obstáculo para o exercício da própria liberdade, autonomia e maturidade.

 

A liberdade é a capacidade de autodeterminação para alcançar o próprio bem. Mas o próprio bem é precisamente a vontade de Deus para nós. Por isso, a obediência é sempre o pleno exercício da liberdade.

 

A resposta de amor com que o homem e a mulher correspondem ao amor paternal de Deus não é outra coisa que a obediência. Não devemos confundir o amor com a emoção ou sentimento que costuma acompanhá-lo, mas que pode faltar e não se identifica com ele.

 

As consequências que seguiram da resposta de Maria na Anunciação jamais poderiam ser sonhadas pela imaginação humana, nem sequer a da “Cheia de graça”. Aquele “faça-se” transformou o Universo, levou o tempo à sua plenitude e tornou o momento em que foi pronunciado o centro de referência de toda a História humana. O passado e o futuro da humanidade e da criação ficaram orientados em referência a esse instante em que a eternidade de Deus penetra no tempo humano e dá início à redenção salvadora em Cristo.

 

O Senhor encarna para se unir de algum modo a cada homem, tornando-se o seu caminho e companheiro na sua Igreja, até conduzi-lo à casa do Pai.

 

Meditemos nessa solenidade da Anunciação do Senhor especialmente em como um “sim” a Deus tem sempre consequências inimagináveis para a criatura, e como é importante saber discernir a vontade de Deus a nosso respeito nos aspectos transcendentes e nos mais comuns da nossa vida. Não nos esqueçamos de que muitas coisas grandes dependem de que nós vivamos como Deus quer.

 

Peçamos hoje, pois, a Nossa Senhora a graça de repetirmos, com os fatos, o “faça-se” que Ela disse no dia da Anunciação. [CNBB]

 

 

Qualquer coisa que você possa fazer, ou sonha que possa fazer, comece a

fazê-la. A ousadia tem em si genialidade, força e magia. (Goethe)

 

Aconteceu no dia 26 de março de 1991: Assinatura do Tratado de Assunção criando o Mercosul