Sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sétima Semana do Tempo Comum, Ano “A”, 3ª Semana do Saltério, Livro III, cor, Litúrgica Verde

 

 

Santos: Antígono e Fortunato (mártires de Roma), Ana Lina (viúva, mártir), Basílio e Procópio (monges de Constantinopla), Gabriel da Virgem Dolorosa (religioso passionista), Honorina da Normandia (virgem, mártir), Juliano, Euno e Besa (mártires de Alexandria), Francisca Ana das Dores de Maria (virgem, bem-aventurada), Manuel de Cremona (bispo, bem-aventurado).

 

Antífona: Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez. (Sl 12,6)

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Livro do Eclesiástico (Eclo 17,1-13)
Deus criou o homem e o formou à sua imagem

1Da terra Deus criou o homem, e o formou à sua imagem. 2E à terra o faz voltar nova­mente, embora o tenha revestido de poder, semelhante ao seu. 3Concedeu-lhe dias contados e tempo determinado, deu-lhe autoridade sobre tudo o que está sobre a terra. 4Em todo ser vivo infundiu o temor do homem, fazendo-o dominar sobre as feras e os pássaros. 5Deu aos homens discernimento, língua, olhos, ouvidos, e um coração para pensar; encheu-os de inteligência e de sabedoria. 6Deu-lhes ainda a ciência do espírito, encheu o seu coração de bom senso e mostrou-lhes o bem e o mal. 7infundiu o seu temor em seus corações, mostrando-lhes as grandezas de suas obras. 8Concedeu-lhes que se gloriassem de suas maravilhas, louvassem o seu nome santo e pro­ clamassem as grandezas de suas obras. 9Concedeu-lhes ainda a instrução e entregou-lhes por herança a lei da vida. 10Firmou com eles uma aliança eterna e mostrou-lhes sua justiça e seus julgamentos. 11Seus olhos viram as grandezas da sua glória e seus ouvidos ouviram a glória da sua voz. Ele lhes disse: 'Tomai cuidado com tudo o que é injusto!" 12E a cada um deu mandamentos em relação ao seu próximo. 13Os caminhos dos homens estão sempre diante do Senhor e não podem ficar ocultos a seus olhos. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Deus criou o homem, e o formou à sua imagem

A sabedoria divina revela-se ao mundo através do homem, imagem de Deus, dominador da criação. “A natureza intelectual da pessoa humana encontra e deve encontrar sua perfeição na sabedoria que atrai com suavidade o espírito do homem para a investigação e para o amor do que é verdadeiro e bom, e mergulhado na qual é o homem conduzido do mundo visível ao mundo invisível. Nossa época, mais do que nenhuma outra, tem necessidade de tal sabedoria para humanizar as descobertas do homem, quaisquer que elas sejam. O futuro do homem estaria em perigo se não surgissem homens mais educados nesta sabedoria. É importante considerar que numerosos países, economicamente pobres, são todavia mais ricos em sabedoria, e nisto podem auxiliar poderosamente os outros. Pelo dom do Espírito Santo, o homem atinge, na fé, a contemplação e o gosto pelo mistério do plano divino” (GS15). [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 103 (102), 13-14.15-16.17-18a  (R/.cf.17)
O amor do Senhor por quem o respeita, é de sempre e para sempre

 

Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. Porque sabe de que barro somos feitos, e se lembra que apenas somos pó.

 

Os dias do homem se parecem com a erva, ela floresce como a flor dos verdes campos; mas apenas sopra o vento ela se esvai, já nem sabemos onde era o seu lugar.

 

Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme é de sempre e perdura para sempre; e também sua justiça se estende por gerações até os filhos de seus filhos, aos que guardam fielmente sua aliança.

Evangelho: Marcos (Mc 10,13-16)

Jesus e os pequeninos

Naquele tempo, 13traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: "Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo, quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele". 16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 19,13-15; Lc 18,15-17

 

 

Comentando o Evangelho

O Mestre carinhoso

 

O carinho de Jesus para com as crianças aponta para o modo como os discípulos do Reino deverão tratar todos os pequeninos. As criancinhas simbolizavam todos os marginalizados, sem direito ã cidadania, na sociedade da época. Quando alguém é privado deste direito, corre o risco de tornar-se vítima do desrespeito e da tirania dos orgulhosos e prepotentes. Sua dignidade é espezinhada, numa flagrante violação da vontade de Deus.

 

Por isso, Jesus não suportou que os discípulos afastas­sem os que traziam as criancinhas para que ele as tocasse. Ficou indignado! E que eles não entendiam que as crianças e os marginalizados tinham precedência no Reino. Os discípulos, pelo contrário, pensavam o Reino como coisa de homens, de adultos, de gente cuja cidadania era reconhecida. Os demais não contavam. Mas Jesus não aprovou esta maneira de pensar.

 

Ao tomar as crianças em seus braços, abençoá4as e impor-lhes as mãos, ele estava fazendo um gesto profético: quebrar as estruturas rígidas da sociedade de sua época, e inaugurar uma nova sociedade, onde as relações interpessoais são regidas por critérios compatíveis com a vontade de Deus. As normas antigas já não tinham valor.

 

O carinho de Jesus pelas criancinhas revela o carinho de Deus pela humanidade. O discípulo do Reino sabe-se chamado a ser mediação deste amor. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA (ANO C), Paulinas, 1997]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

 

-Pelos ministros ordenados e leigos, rezemos. Atendei-nos, Senhor da vida.

-Pelas crianças vítimas do abandono, rezemos.

-Pelas instituições que se dedicam à educação, rezemos.

-Pelos governantes e autoridades do país, rezemos.

-Pelos pais e mães, responsáveis pela formação dos filhos, rezemos.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ao celebrar com reverência vossos mistérios, nós vos suplicamos, ó Deus, que os dons oferecidos em vossa honra sejam úteis à nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Senhor, de coração vos darei graças, as vossas maravilhas narrarei! Em vós exultarei de alegria, cantarei ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 9,2-3)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, concedei-nos alcançar a salvação eterna, cujo penhor recebemos neste sacramento. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

São Gabriel das Dores

 

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, que o nome de batismo era Francisco Possenti, nasceu na cidade de Assis na Itália em 1838. Órfão de mãe aos quatro anos foi para Espoleto onde estudou em instituição marista e Colégio Jesuíta, onde viveu até os 18 anos. Em 1856 ingressou na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os Passionistas. Sua espiritualidade foi marcada fortemente pelo amor a Jesus Crucificado e a Nossa Senhora das Dores. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores passou a ser chamado desta forma pela sua grande devoção e admiração que nutria pela Virgem Dolorosa. Morreu aos 24 anos, no dia 27 de fevereiro de 1862. Foi beatificado em 1908, pelo Santo Padre Pio X e canonizado em 1920 por Bento XV. Em 1926 o então Papa, Pio XI o nomeou o co-patrono da Ação Católica.

 

A justiça à luz da caridade

Dom Eduardo Koaik, Bispo emérito de Piracicaba

 

Toda virtude humana se engrandece praticada com amor-caridade. Ao contrário, sendo esvaziada dessa dimensão, não só se apequena como se anula. Aprendi essa lição com o apóstolo Paulo: “Sem amor-caridade, eu nada sou” (1Cor 13). É uma regra que não admite exceção. A caridade que dá esmola passando por cima da justiça não dando, por exemplo, salário justo, é hipocrisia, caricatura da caridade, além de desrespeito à dignidade da esmola.

 

A caridade que se mostra sensível à miséria alheia identifica-se com a misericórdia. A misericórdia abrange três momentos: ver a situação da miséria alheia, compadecer-se dela e socorrê-la. A compaixão é própria de quem vê com o coração a necessidade do outro e só é misericórdia quando se converte em socorro.

 

Quando Deus chamou Moisés para a missão de libertar o povo hebreu da escravidão do Egito assim se expressou: “Eu vi a miséria do meu povo. Ouvi seu clamor contra seus opressores, conheço os seus sofrimentos. Por isso desci para libertá-lo. Vai, eu te enviarei para fazer sair do Egito o meu povo” (Ex 3, 7-10). Na passagem do Evangelho que narra a multiplicação dos pães, Jesus “viu uma grande multidão e teve compaixão”. Perguntou aos discípulos que o acompanhavam quantos pães tinham. Eles responderam: cinco pães e dois peixes. Então Jesus mandou que todos se sentassem, pegou os cinco pães e dois peixes, pronunciou  a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos para que os distribuíssem. (cf. Mc. 6, 34-44)

 

Quem procura praticar a misericórdia, conforme ensina a Bíblia, não pode ficar apenas na “comoção do coração” mas deve chegar à ação. É bom insistir: misericórdia é o amor que vê a miséria alheia, procura senti-la como se fosse própria e se decide ajudar a remediá-la. Vale perguntar: quem não necessita de misericórdia? Em consequência: quem pode dispensar-se de ser misericordioso? Ser misericordioso como Jesus o foi há de ser sempre motivo de escândalo. É a incapacidade de aceitar esse amor que explica o “escândalo da cruz”.

 

Em sua Carta Encíclica “Deus, rico em misericórdia” (n.12), João Paulo II observa: “A experiência do passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não basta e pode até levar à negação e ao aniquilamento de si própria, se não permitir à força mais profunda, que é o amor, plasmar a vida humana nas suas várias dimensões”. Esse pensamento do saudoso papa confirma quem sustenta que a opção preferencial pelos pobres, o empenho na luta pela justiça e a defesa dos direitos humanos, em certo sentido, vão além das exigências da justiça. São expressões da misericórdia.

 

O amor-caridade vê no próximo nada menos que um irmão. Essa visão evangélica ajuda a entender a justiça social que tem como específico o interesse do bem comum acima do próprio interesse e empenha o cristão a cobrar do poder público o ressarcimento da divida social com o pobre: falta de trabalho, de moradia, de tudo que impeça o crescimento da concentração de renda e da desigualdade social.  A opção preferencial pelos pobres, o empenho na luta pela justiça e a defesa dos direitos humanos, em certo sentido, vão além das exigências da justiça. São expressões da misericórdia.

 

Esse amor-caridade abrange tríplice dimensão: assistencial, promocional e libertadora. A caridade assistencial vê o pobre como indigente e procura atender de imediato suas necessidades básicas: “Estava com fome, com sede, sem roupa, doente. E quanto a vós: todas as vezes que fizerdes isso (socorrerdes) a um dos menores de meus irmãos é a mim que o fazeis” (Mt 25, 35ss). A caridade promocional vê o pobre como marginalizado, fora do progresso e do bem-estar da sociedade. Dedica-se a dar-lhe condições de “aprender a pescar”, “gerar renda”, integrar-se no processo do desenvolvimento e combater as causas que impedem esse desenvolvimento: o anseio de lucros e a sede do poder. Por fim, a caridade libertadora vê no pobre o explorado no seu trabalho. Procura despertar o cristão à solidariedade na luta pelos direitos dele.

 

A verdadeira caridade não pode identificar-se nos gestos de assistência paternalista. Para o cristão, a caridade é um amor desinteressado pela pessoa humana em razão da sua excelsa dignidade. É amor ao próximo enquanto imagem de Deus. Baseia-se na mais profunda fraternidade de todos os homens pela participação na vida de Deus. Ela tem uma função social enquanto complementa as exigências da justiça sem substituí-la; ela é o espírito que deve inspirar todos os gestos do nosso relacionamento com o próximo e particularmente os da justiça. Ela faz exigência de justiça e sua função nunca foi, segundo atesta Pio XI na “Quadragesimo anno”, n. 4, “a de estender um véu para encobrir a manifesta violação da justiça, violação não só tolerada mas, por vezes, até sancionada pelo poder público”. É por exigência da caridade que a Igreja testemunha sua presença ao lado dos pobres.

 

Aconteceu no dia 26 de fevereiro:

1860: Descoberta do Cometa Olinda, por Emmanuel Liais. O cometa foi o primeiro a ser descoberto em solo brasileiro.

 

A catequese procura que os catequizandos se apaixonem por Jesus.

Todo o resto é consequências. (Dom Eugênio Rixen)