Sábado, 24 de setembro de 2011

25ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

 

Hoje: Dia do Soldador.

 

Santos: Geraldo de Csanad (1046, monge beneditino veneziano), Germano, Pacífico, Geremário, Isarno (1043), Pacífico de São Severino (confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu

Deus para sempre.

 

Oração: Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do

Espírito Santo.

 

Leitura: Zacarias (Zc 2, 5-9.14-15a)

Jerusalém, eis que venho para habitar no meio de ti

 

5Levantei os olhos e eis que vi um homem com um cordel de medir na mão. 6Perguntei-lhe: "Aonde vais?" Respondeu-me: "Vou medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e o seu comprimento".

 

7Eis que apareceu o anjo que falava em mim, enquanto lhe vinha ao encontro um outro anjo, 8que lhe disse: "Corre a falar com esse moço, dizendo: A população de Jerusalém precisa ficar sem muralha, em vista da multidão de homens e animais que vivem no seu interior. 9Eu serei para ela, diz o Senhor, muralha de fogo ao seu redor, e mostrarei minha glória no meio dela.

 

14Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. 15aMuitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti". Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Eis que venho para habitar no meio de ti

 

O Deus de Israel cria, com ato de eleição único, livre e soberano, o povo que o adora e lhe abre um "espaço". A livre iniciativa de Deus permanece a forma concreta com que a graça aparece entre os homens. Neste sentido o chamado "separa". Fazem parte desse espaço de Deus aqueles que entenderam o convite e responderam. Assim faz Deus em Cristo. A resposta que espera de seu povo é obediência: Deus mesmo conduzirá seu povo para a liberdade eterna. Sem esta obediência a Deus, a comunidade cristã não poderia resplandecer e testificar a obediência de Jesus ao Pai. É indispensável a obediência da comunidade cristã, por­que esta deve espalhar pelo mundo a absoluta unidade da sociedade divina, onde não há nada privado, nenhuma rivalidade; só o amor anteposto a todo indivíduo é princípio de unidade e missão. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Cântico: Jr 31, 10.11-12ab.13 (R/.10d)

O senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho

 

Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: "Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!"

 

Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor:

 

Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.

Evangelho: Lucas (Lc 9, 43b-45)

O filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens

 

Naquele tempo, 43btodos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44"Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: `O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens'". 45Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Um esclarecimento importante

 

Os discípulos de Jesus não deveriam deixar-se contaminar com a empolgação popular a respeito do Mestre. O povo se maravilhava diante dos grandes feitos de Jesus e, talvez, nutrisse esperanças a seu respeito. Esperanças que ele não estava disposto a realizar. Entre elas, sem dúvida, a intenção de fazê-lo rei.

 

Os discípulos, por sua vez, provinham das camadas populares e nutriam as mesmas expectativas do povo em relação ao bem-estar social, ao futuro da nação, à esperança messiânica. Por isso, corriam o risco de se deixarem levar, com muita facilidade, pelo que o povo pensava a respeito de Jesus, e esperava dele.

 

Para evitar equívocos, o Mestre pediu-lhes que prestas­sem toda atenção num esclarecimento muito importante: ele estava destinado a sofrer muito. A declaração de Jesus deixou os discípulos perplexos. Suas palavras pareceram-lhes obscuras. Não eram capazes de captar-lhes o sentido. E tinham medo de interrogar o Mestre sobre este assunto.

 

Jesus cuidou para que sua paixão e morte não pegas­sem os discípulos desprevenidos, gerando frustração e dispersão do grupo. Eles deveriam compreender que o sofrimento fazia parte de sua opção de fidelidade ao Reino de Deus. Não seria um acidente imprevisto na sua trajetória. Por conseguinte, foram desafiados a refazer suas expectativas a respeito de Jesus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

A palavra se faz oração (Deus Conosco)

Para que a Igreja cresça a cada dia na misericórdia e no anúncio da verdade do evangelho, supliquemos ao bom Deus. Fazei-nos, Senhor, progredir em vosso amor!

Por todo o Povo de Deus, para que seja solidário, forte na esperança e na prática da caridade, supliquemos ao bom Deus.

Por todas as pessoas que em todos os segmentos da sociedade procuram praticar o bem, a justiça e a solidariedade, supliquemos ao bom Deus.

Para que reconheçamos o Cristo no rosto do irmão ou da irmã, principalmente nos marginalizados e excluídos, supliquemos ao bom Deus.

(Intenções próprias da Comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que possamos conseguir por

este sacramento o que proclamamos pela fé. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou o Bom Pastor: conheço minhas ovelhas, e minhas ovelhas me conhecem, diz o Senhor (Jo

10,14).

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, auxiliai sempre os que alimentais com o vosso sacramento para que possamos colher os frutos da redenção na liturgia e na vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Gerardo Sagredo

 

 

 

 

Gerardo Sagredo, filho de pais ilustres e piedosos, nasceu no ano 980, em Veneza, Itália. Sagrado sacerdote beneditino, foi como missionário para a Corte da Hungria, onde, depois de ser orientador espiritual e professor do rei Estêvão I, uniu-se ao monarca, também santo da Igreja, para converter seu povo ao cristianismo. Decisão que o santo monarca tomou ao retornar do Oriente, onde, em peregrinação, visitara os lugares santos da Palestina. O rei, então, pediu a Gerardo que o ajudasse na missão evangelizadora, porque percebera que Gerardo possuía os dotes e as virtudes necessárias para a missão, ao tê-lo como seu hóspede na Corte.


Educado numa escola beneditina, Gerardo recebeu não só instrução científica como também a formação religiosa: entregou-se de corpo, alma e coração às ciências das leis de Deus e à salvação de almas. Aliás, só por isso aceitou a proposta do santo monarca. Retirando-se com alguns companheiros para um local de total solidão, buscou a inspiração entregando-se, exclusivamente, à pratica da oração, da penitência e dos exercícios espirituais. Mas assim que julgou terminado o retiro, e sentindo-se pronto, dedicou-se com total energia ao serviço apostólico junto ao povo húngaro.


Falecendo o bispo de Chonad, o rei Estêvão I, imediatamente, recomendou Gerardo para seu lugar. Mesmo contra a vontade, Gerardo foi consagrado e assumiu o bispado, conseguindo acabar, de uma vez por todas, com a idolatria aos deuses pagãos, consolidando a fé nos ensinamentos de Cristo entre os fiéis e convertendo os demais.


Uma das virtudes mais destacadas do bispo Gerardo era a caridade com os doentes, principalmente os pobres. Conta a antiga tradição húngara que ele convidava os doentes leprosos para fazerem as refeições em sua casa, acolhendo-os com carinhoso e dedicado tratamento. Até mesmo, quando necessário, eram alojados em sua própria cama, enquanto ele dormia no duro chão.

Quando o rei Estêvão I morreu, começaram as perseguições de seus sucessores, que queriam restabelecer o regime pagão e seus cultos aos deuses. O bispo Gerardo, nessa ocasião, foi ferido por uma lança dos soldados do duque de Vatha, sempre lutando para levar a fiéis e infiéis a verdadeira palavra de Cristo. Gerardo morreu no dia 24 de setembro de 1046.


As relíquias de são Gerardo Sagredo estão guardadas em Veneza, sua terra natal, na igreja de Nossa Senhora de Murano. E é festejado pela Igreja Católica, como o "Apóstolo da Hungria", no dia de sua morte.
[www.paulinas.org.br]

 

Palavra

Dom José Alberto Moura, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

 

A bíblia é uma coleção de escritos ou livros que têm, em linguagem humana, a inspiração divina. Não bastam os textos escritos para termos a linguagem de Deus. É preciso abrir-se para Deus, através da leitura e meditação dos textos, orando e querendo aplicá-los à própria vida. Assim, a leitura frutuosa da bíblia vai acontecendo e transformando a vida da pessoa. Na comunidade é importante os grupos se formarem não só para a devoção feita através da oração, mas, especialmente, com a leitura orante da Palavra de Deus. Os Movimentos devocionais são importantes e se tornam verdadeiramente missionários com o uso da bíblia para orientar a vida de todos.

 

Costumamos ter convivência através de palavras proferidas para nos entendermos, combinarmos ações em comum, decidirmos sobre determinados temas, compreendermos os outros, darmos nossas sugestões e, enfim, nos relacionarmos como pessoas na família e em toda convivência humana. Há também palavras destruidoras de pessoas, de ideais, de projetos, de vocações e de iniciativas. Depende de como utilizamos as palavras para elas serem meios de construção ou de morte. O Papa Paulo VI, no documento “Evangelização no Mundo Contemporâneo” afirma que as pessoas ouvem mais quem dá bom exemplo de vida. Se ouvem palavras é porque vêem o exemplo de vida atrelado às palavras.

 

No contexto bíblico, o antigo povo judeu teve a experiência da presença de Deus atuando em seu meio. Os escritos sagrados foram as anotações da vida do povo com seu Deus. Por isso, tais documentos para nós têm fecundidade se nos colocarmos também em sintonia com Deus, para realizarmos o que Ele vai nos propondo através da consciência esclarecida sobre o bem para a sua prática. A bíblia nos dá os ensinamentos necessários para caminharmos conforme as indicativas divinas, mas é preciso nos colocarmos no clima ou ambiente de diálogo com Deus. Caso contrário, poderemos ter cultura bíblica sem a prática do diálogo com Deus e a colocação em ação o que Ele nos indica. Quanto mais ouvirmos Deus, mais nos colocamos em harmonia com o semelhante. Tudo o que Deus nos propõe tem a ver com a convivência de amor com o semelhante por causa do amor dele para conosco.

 

Aprendemos muito com a Palavra divina na inspiração bíblica. Deus jamais falta com a palavra, apesar de o antigo povo judeu mostrar continuadamente suas falsas promessas de obedecer a Deus. Se nossas palavras indicarem realmente a verdade, seríamos mais pessoas de palavra, da verdade e do bem. Não enganaríamos o semelhante. Teríamos mais honestidade, justiça e caridade. Faríamos família com o sim de verdade na realização das promessas do batismo, do casamento, do juramento político...

 

Nosso ato ou manifestação de fé seria a prova de que somos verdadeiros. Dizemos que cremos, mas nem sempre isso é verdade. Há pagãos que não dizem crer mas são de palavra. Convertendo-se se transformam: “Os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (Mateus, 21,32).

 

A Bíblia tem sido a carta magna dos pobres e oprimidos. A raça humana

não está em condições de dispensá-la. (Thomas Henry Husley)