Sábado, 24 de maio de 2008

7ª Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez. (Sl. 12, 6)

 

 

Hoje: Dia do Telegrafista, dia da Infantaria, dia do Datilógrafo, dia do Café e dia do Vestibulando, Dia Nacional do Cigano

 

Santos: Vicente de Lerins, Rogaciano, Domiciano, Davi I (Escócia), Nossa Senhora (Auxílio dos Cristãos, titular de algumas dioceses brasileiras), Donaciano e Rogaciano (bem aventurados, mártires), Vicente (monge de Lérins), João do Prado (franciscano da 1ª Ordem, sacrificado no Marrocos), Lanfranco (Arcebispo de Cantuária), Nicetas de Perseaslav (mártir).

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Tiago (Tg 5, 13-20)
A oração feita com fé salvará o doente

 

Caríssimos, 13se alguém dentre vós está sofrendo, recorra à oração. Se alguém está alegre, entoe hinos. 14Se alguém dentre vós estiver doente, mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.


15A oração feita com fé salvará o doente e o Senhor o levantará. E se tiver cometido pecados, receberá o perdão. 16Confessai, pois, uns aos outros, os vossos pecados e orai uns pelos outros para alcançar a saúde. A oração fervorosa do justo tem grande poder.


17Assim Elias, que era um homem semelhante a nós, orou com insistência para que não chovesse, e não houve chuva na terra durante três anos e seis meses. 18Em seguida tornou a orar, e o céu deu a chuva e a terra voltou a produzir o seu fruto. 19Meus irmãos, se alguém de vós se desviar da verdade e um outro o reconduzir, 20saiba este que aquele que reconduz um pecador desencaminhado salvará da morte a alma dele e cobrirá uma multidão de pecados. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

A oração fervorosa do justo tem grande poder

 

A oração insistente, que no apogeu se faz sacramento, firmada na ajuda fraterna, é o segredo da força misteriosa que sustenta cada cristão e toda a comunidade na alegria e na dor, na provação e na doença, na tentação e no pecado. A doença e o pecado manifestam com evidência a fragilidade do homem. Inseridas, porém pela oração na morte de Cristo, mesmo estas realidades permitem ao discípulo sentir-se colaborador da salvação que Deus prepara para todos. O cristão que ora está unido a Cristo, participa de sua força de salvação e vive na alegria. De modo particular, a Eucaristia é a prece em que mais explicitamente se manifesta o agradecimento e a confissão dos pecados, a intercessão pelos doentes e a súplica pelo perdão das culpas de todos os homens. A unção dos enfermos é um sacramento pascal que no sofrimento nos torna participantes da morte e ressurreição de Cristo.

 

Salmo: 140 (141), 1-2.3 e 8 (+2a)

Minha oração suba a vós como incenso! (2a)

1Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me; quando eu grito, escutai minha voz! 2Minha oração suba a vós como incenso, e minhas mãos, como oferta da tarde!


3Ponde uma guarda em minha boca, Senhor, e vigias às portas dos lábios! 8A vós, Senhor, se dirigem meus olhos, em vós me abrigo: poupai minha vida!

 

Salmo 140 (141): Lamentação individual. A situação é de grave perigo: a hostilidade dos inimigos desencadeia uma onda de crimes. Preocupado com os perigos espirituais- pecados de pensamento, palavra e ação, provenientes das más inclinações do coração e do exemplo dos ímpios- o salmista permanece em constante vigilância e espírito de oração, para não se tornar cúmplice do mal nessa situação de hostilidade. Fazendo suas as palavras conciliatórias de Davi ao rei Saul, quando, proscrito e perseguido, se escondia na região dos rochedos de Engadi (1Sm 24), o salmista, cheio de confiança em Deus, implora sua proteção e o revide contra a conspiração dos ímpios.

 

 

Evangelho do dia: Marcos (Mc 10, 13-16)

Deixai vir a mim as crianças

 

Naquele tempo, 13traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. 16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos. Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos

Mt 19, 13-15 e Lc 18, 15-17 (Abençoa algumas crianças)

 

 

Comentário o Evangelho[2]

O Reino é das crianças

 

Havia, no tempo de Jesus, várias categorias de pessoas, vítimas da exclusão social. Entre elas estavam as crianças. Juntamente com as mulheres, elas eram consideradas propriedade dos pais. Sua dignidade não passava disto.

 

O Reino inaugurado por Jesus rejeitava este esquema social, descobrindo o valor que os pequeninos têm dentro de si. E mais: estes encarnavam a atitude requerida de quem pensava fazer-se discípulo do Reino. Eram a parábola viva do discipulado.

 

Como as crianças, o discípulo verdadeiro não tem malícia no coração e acolhe o Reino com simplicidade. Confia plenamente em Deus e a ele se entrega, como as crianças fazem com os pais. Elas são indefesas e despretensiosas, como devem ser os discípulos de Jesus. Estes deverão predispor-se para sofrer a mesma exclusão e marginalização, sofridas pelas crianças, por sua opção pelo Reino. Por causa do Reino, haveriam de ser considerados, também, gente de segunda categoria, sem privilégios, vivendo como parias da sociedade.

 

Reduzido à condição social de uma criança, por causa da sua fé, o discípulo estaria em condições de voltar-se totalmente para Deus e só nele colocar sua esperança. É assim que o Reino lhe pertencerá.

 

São João Batista de Rossi[3]

 

 

 

João Batista de Rossi nasceu no dia 22 de fevereiro de 1698, em Voltagio, na província de Gênova, Itália. Aos dez anos, foi trabalhar para uma família muito rica em Gênova como pajem, para poder estudar e manter-se. Três anos depois, transferiu-se, definitivamente, para Roma, morando na casa de um primo que já era sacerdote e estudando no Colégio Romano dos jesuítas. Lá se doutorou em filosofia, convivendo com os melhores e mais preparados de sua geração de clérigos. Depois, os cursos de teologia ele concluiu com os dominicanos de Minerva.

 

A todo esse esforço intelectual João Batista acrescentava uma excessiva carga de atividade evangelizadora, mesmo antes de ser ordenado sacerdote, junto aos jovens e às pessoas abandonadas e pobres. Com isso, teve um esgotamento físico e psicológico tão intenso que desencadearam os ataques epiléticos e uma grave doença nos olhos. Nunca mais se recuperou e teve de conviver com essa situação o resto da vida. Contudo ele nunca deixou de praticar a penitência, concentrada na pouca alimentação, minando ainda mais seu frágil organismo.

 

Recebeu a unção sacerdotal em 1721. Nessa ocasião, devido à experiência adquirida na direção dos grupos de estudantes, decidiu fundar a Pia União de Sacerdotes Seculares, que dirigiu durante alguns anos. Por lá, até o final de 1935, passaram ilustres personalidades do clero romano, alguns mais tarde a Igreja canonizou e outros foram eleitos para dirigi-la.

 

Entretanto João Batista queria uma obra mais completa, por isso fundou e também dirigiu a Casa de Santa Gala, para rapazes carentes, e a Casa de São Luiz Gonzaga, para moças carentes. Aliás, esse era seu santo preferido e exemplo que seguia no seu apostolado.

 

O seu rebanho eram os mais pobres, doentes, encarcerados e pecadores. Tinha o dom do conselho, era atencioso e paciente com todos os fiéis, que formavam filas para se confessarem com ele. O tom de consolação, exortação e orientação com que tratava seus penitentes atraía cristãos de toda a cidade e de outras vizinhanças. João Batista era incansável, dirigia tudo com doçura e firmeza, e onde houvesse necessidade de algum socorro ali estava ele levando seu fervor e força espiritual.

 

Quando seu primo cônego morreu, ele foi eleito para sucedê-lo em Santa Maria, em Cosmedin, Roma. Mas acabou sendo dispensado da obrigação do coro para poder dedicar-se com maior autonomia aos seus compromissos apostólicos.

 

Aos sessenta e seis anos de idade, a doença finalmente o venceu e ele morreu no dia 23 de maio de 1764, tão pobre que seu enterro foi custeado pela caridade dos devotos. João Batista de Rossi foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1881, que marcou sua celebração para o dia de sua morte.

 

 

 

 

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO DO DIA, Ano B. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996

[3] www.paulinas.org.br