Sábado, 24 de janeiro de 2009
S.FRANCISCO DE SALES (bispo e doutor), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor branca
Farei surgir um sacerdote fiel, que agirá segundo o meu coração e a minha vontade, diz o Senhor. (1Sm 2, 35)
Hoje: Dia Nacional do Aposentado
Santos: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus, para a salvação da humanidade, quisestes que São Francisco de Sales se fizesse tudo par a todos; concedei que, a seu exemplo, manifestemos sempre a mansidão do vosso amor no serviço aos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Hebreus (Hb 9, 2-3.11-14)
Com o seu próprio sangue, ele entrou
no santuário uma vez por todas
Irmãos, 2foi construída uma primeira tenda, chamada o Santo, onde se encontravam o candelabro, a mesa e os pães da proposição. 3Atrás da segunda cortina, havia outra tenda, chamada o Santo dos Santos. 11Cristo, porém, veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, 12e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna.
13De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas
espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos
corpos, 14quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das
obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno,
Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. Palavra do Senhor!
Salmo: 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R/.6)
Por entre aclamações Deus se elevou, o
Senhor subiu ao toque da trombeta
2Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! 3Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra.
6Por entre aclamações
Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. 7Salmodiai ao nosso Deus ao
som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei!
8Porque Deus é o grande
rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! 9Deus reina sobre todas
as nações, está sentado no seu trono glorioso.
Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 20-21)
Os parentes de Jesus achavam que ele estava fora de si
Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[1]
Acusado de loucura
O Evangelho relata, com muita simplicidade, que os familiares de Jesus consideravam-no “louco”. O interesse suscitado pela pessoa do Mestre, que atraía multidões, deixava-os perturbados. É possível imaginar toda sorte de atitudes por parte dos que o procuravam. Quem necessitava de sua ajuda e era atendido, deveria manifestar-se com exaltação, exageros, histerias, gritaria, barulho. Quem o via com suspeita, não devia poupar críticas, desprezo, maledicências. Por sua vez, os parentes não conseguiam entender o porquê de tudo isto. Nem tinham parâmetros para compreender as palavras de Jesus e captar-lhes o sentido profundo. Tampouco tinham como explicar seu poder misterioso de fazer milagres e libertar os endemoninhados. Por isso, pareceu-lhes prudente prendê-lo em casa, de modo a evitar o espetáculo deprimente de ver aquele seu familiar falando e fazendo desatinos.
Na
verdade, esses parentes já não eram mais os verdadeiros familiares de Jesus,
que, agora, são outros: aqueles que ele chamou para ser
seus companheiros de missão. Estes, sim, pouco a pouco, foram se tornando
capazes de compreender a sabedoria escondida nos gestos e nas palavras do
Mestre.
Enganaram-se
os que pensavam estar diante de um louco, pois ali se encontrava a mais pura
sabedoria manifestada por Deus à humanidade.
São Francisco de Sales[2]
Nascido na Savóia em 1567, primogênito de nobre família, São Francisco, modelo acabado de mansidão, teve formação literária e religiosa aprimorada. Completados seus estudos em Paris e em Pádua, onde se formou em advocacia, exerceu o cargo de advogado no Senado de Chambéry, na França.
Sua carreira já parecia definida assegurando-lhe futuro brilhante e rendoso, quando Francisco, contrariando a vontade dos pais, optou pelo sacerdócio a fim de advogar espiritualmente a causa dos mais desprotegidos. Ordenado sacerdote, foi encarregado pelo bispo de reconduzir à fé católica os que, levados pelo vento da novidade e da contestação religiosa, passaram ao Calvinismo na região de Chablais. A tarefa era difícil e melindrosa, dada a oposição sistemática daquela população contra a Igreja Católica.
Vendo, inicialmente, que sua pregação esbarrava numa prevenção fanática, Francisco recorreu à publicação de folhetos volantes que divulgava entre o povo, expondo pontos doutrinais bem fundamentados na Bíblia, e corrigindo, com muito tato, os erros correntes. Completava este trabalho com encontros, diálogos, palestras, usando sempre o método demonstrou-se sobremaneira positivo, reconduzindo dezenas de milhares de hereges e indiferentes da persuasão respeitosa e paciente.
Nomeado bispo de Genebra que estava nas mãos dos calvinistas, escolheu por residência a cidade de Annecy. Neste novo cargo, Francisco revelou-se verdadeiro pastor, sábio, prudente, solícito por seu clero e pelos fiéis, instruindo-os na fé pela palavra, pelo bom exemplo e pelos numerosos escritos de caráter pastoral e ascético. De fato a atividade literária de Francisco foi muito abrangente: 4.000 sermões, 21.000 cartas de direção espiritual e numerosas obras de controvérsias doutrinais e de ascética. Entre as obras ascéticas sobressaem, como fundamentais na literatura religiosa de todos os tempos, o Tratado do amor de Deus e a introdução à vida devota, que tiveram amplíssima difusão e foram traduzidas em várias línguas.
Nestas obras não há nada de formalismo ou convencional, mas transpira o cálido e espontâneo amor de Deus com normas de direção firme e suave nas sendas da santidade, possível a todos os homens. Assim, Francisco define os propósitos do seu livro sobre a vida devota: "A devoção deve ser praticada de uma forma pelo cavalheiro, doutra pelo artesão, pelo criado, pelo príncipe, pela viúva, pela solteira ou pela senhora casada. Sua prática deve estar em relação com as forças, as ocupações e deveres de cada estado. E um erro querer suprimir a vida devota dos quartéis dos soldados, do atelier do artesão, da corte dos príncipes ou da sociedade conjugal".
Conta-se que a pena de escrever do santo, certo dia, quebrou na ponta. Ele encostou-a ao coração e ela voltou a escrever bem. Este episódio é o símbolo do estilo dos escritos de São Francisco de Sales.
Outro grande mérito seu foi de ter orientado para a vida espiritual a grande alma de Santa Joana Francisca de Chantal servindo-se dela para a fundação de uma nova família religiosa, a Congregação da Visitação, que em breve se espalhou por toda a França.
Francisco faleceu no dia 28 de dezembro de 1622 com 57 anos de idade. Sua memória litúrgica foi colocada no dia de hoje, relembrando a trasladação solene de suas relíquias. Seus grandes méritos de pastor e escritor sagrado foram reconhecidos pela Igreja que o declarou doutor, isto é, insigne mestre de espiritualidade. O Papa Pio XI, em 1923, o declarou padroeiro dos jornalistas e escritores católicos. Este santo da bondade, da doçura e do amor, nos deixou um lembrete importante relativo ao relacionamento humano: "Mais abelhas se apanham com uma gota de mel do que com um barril de vinagre".