Sábado, 22 de janeiro de 2011

Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia do Senado.

 

Santos do Dia: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai  com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 9, 2-3.11-14)

Insuficiência do culto antigo

 

Irmãos, 2foi construída uma primeira tenda, chamada o Santo, onde se encontravam o candelabro, a mesa e os pães da proposição. 3Atrás da segunda cortina, havia outra tenda, chamada o Santo dos Santos. 11Cristo, porém, veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, 12e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna.


13De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, 14quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário

 

Passagem da figura à realidade. O santuário antigo cede lugar ao santuário eterno e perfeito que é a humanidade de Cristo; e, através da humanidade de Cristo, toda a humanidade é santificada. Jesus insistirá sobre o conceito de uma religião que é principalmente interiorização e atinge, assim, o coração do homem. É verdade que mesmo a nova aliança tem necessidade de exprimir externamente a ação divina, que se realiza no interior, e, também para o cristão existe o perigo de conceber a fé como uma sucessão formalista de “práticas”; o cristão deverá lugar contra este perigo para não enfraquecer na vida de fé.

 

A passagem da economia do tabernáculo para a economia da humanidade de Cristo é, na realidade, uma passagem do objeto para a pessoa: a um empenho pessoal. Só haverá celebração onde cada um for respeitado, se sentir conhecido, puder conhecer os outros, e onde cada um descobrir a fonte máxima do verdadeiro compromisso nas estruturas políticas e sociais do mundo. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R/.6)

Por entre aclamações Deus se elevou, o

Senhor subiu ao toque da trombeta

 

2Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! 3Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra.


6Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. 7Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei!

8Porque Deus é o grande rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! 9Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 20-21)

Os parentes de Jesus achavam que ele estava fora de si

 

Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Mt 12,22-32; Lc 11,14-23;12,10

 

Comentário do Evangelho

Acusado de loucura

 

O Evangelho relata, com muita simplicidade, que os familiares de Jesus consideravam-no “louco”. O interesse suscitado pela pessoa do Mestre, que atraía multidões, deixava-os perturbados. É possível imaginar toda sorte de atitudes por parte dos que o procuravam. Quem necessitava de sua ajuda e era atendido, deveria manifestar-se com exaltação, exageros, histerias, gritaria, barulho. Quem o via com suspeita, não devia poupar críticas, desprezo, maledicências. Por sua vez, os parentes não conseguiam entender o porquê de tudo isto. Nem tinham parâmetros para compreender as palavras de Jesus e captar-lhes o sentido profundo. Tampouco tinham como explicar seu poder misterioso de fazer milagres e libertar os endemoninhados. Por isso, pareceu-lhes prudente prendê-lo em casa, de modo a evitar o espetáculo deprimente de ver aquele seu familiar falando e fazendo desatinos.


Na verdade, esses parentes já não eram mais os verdadeiros familiares de Jesus, que, agora, são outros: aqueles que ele chamou para ser seus companheiros de missão. Estes, sim, pouco a pouco, foram se tornando capazes de compreender a sabedoria escondida nos gestos e nas palavras do Mestre.


Enganaram-se os que pensavam estar diante de um louco, pois ali se encontrava a mais pura sabedoria manifestada por Deus à humanidade. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

Pela Igreja que não busca ostentação em sua prática pastoral, rezemos. Senhor, erscutai nossa prece

Pelos cristãos fiéis a Jesus Cristo pobre e humilde, rezemos.

Pelos cristãos fracos na fé, rezemos.

Pelos cristãos que nem sempre são acolhidos pela comunidade, rezemos.

Pelos fiéis que vivem sua fé nas ações cotidianas, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Sabemos que Deus nos ama e cremos no seu amor. (1Jo 4,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

Para sua reflexão: A jornada do Senhor e dos seus discípulos é pesada: muita gente em volta, muito trabalho e pouco tempo até para comer! A família de Jesus está “do lado de fora” e vieram protegê-lo para que ele não se esforce demais; até acham que ele ficou louco! O clima da situação esquenta, pois alguns escribas até vieram de Jerusalém para estudarem a popularidade do Mestre. Por outro lado alegam que “ele tem Beelzebul” e que expulsa demônios com a ajuda de Satanás. Ora, para quem só pretende fazer o bem, de forma incondicional e sem esperar recompensa, é demais. Só uma pessoa “anormal” faria isso em nosso meio. É claro que Jesus não era uma pessoa normal; era o próprio Deus, um ser infinitamente superior a qualquer criatura humana. Trazendo esta passagem para a nossa realidade, fazer o bem, em níveis “próximos” ao que Jesus fez e faz, é muito difícil, mas não uma justificativa para que não façamos a nossa parte. O Mestre agiu pelo exemplo. Leve a realidade desta leitura para sua realidade atual.

 

 

São Vicente

 

O mártir Vicente era diácono de Saragoça, na Espanha - homem eminente pela doutrina e pelo zelo. Estava a serviço do bispo Valério, que, por ser doente, servia-se dele também na pregação oficial.

 

Acusados como cristãos, na perseguição de Diocleciano, foram processados e condenados à morte. Para o bispo bastante idoso, o magistrado decidiu mostrar certa demência, condenando-o só ao desterro, ao passo que com Vicente quis usar as torturas mais requintadas. Foi submetido ao acúleo, tortura que consistia em meter puas de cana entre as unhas e a carne; depois os garfos de ferro lhe dilaceraram as carnes; finalmente, foi exposto numa grelha a um fogo lento. As atas do martírio dramatizam até o inverossímil o duelo travado entre os carrascos e Vicente. Às mais cruéis torturas respondia com paciência imperturbável, com coragem sobre-humana, e chegou a pôr em ridículo os meios de coerção usados para dobrar-lhe a vontade. Mesmo depois de morto, seu corpo foi atirado aos urubus, e os restos, ao mar. Era o ano 305.

 

Santo Agostinho dedicou-lhe vários panegíricos, e também Santo Ambrósio e Leão Magno. O poeta Prudêncio dedicou-lhe vários hinos. Por esta celebridade, seu culto entrou no calendário litúrgico.

 

 

Solidariedade e Paz

 

 

 

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro

 

O mês de janeiro, não por acaso, está no nome da nossa Cidade e do nosso Estado, mês em que celebramos o nosso padroeiro, São Sebastião, soldado de Cristo.

 

Esse mês é precedido e nele se encerra a celebração do mistério da Encarnação: do Deus, que se fez um de nós, Jesus Cristo, fazendo sua morada, armando sua tenda no meio dos homens (Natal/Epifania/Batismo do Senhor).

 

Para celebrar esse acontecimento, iniciamos a trezena de São Sebastião propondo às nossas comunidades o desafio de serem como o nosso padroeiro, mensageiros da paz, que sabemos, é o próprio Cristo Jesus. A replica da imagem histórica trazida por Estácio de Sá passou por todos os cantos de nossa Arquidiocese fazendo uma grande “missão popular”.

 

No entanto, logo no início já fomos chamados a acrescentar um aspecto a mais: o mensageiro da paz nos convoca à solidariedade. Assim fizemos a caminhada ou carreata da fraternidade. A resposta do nosso povo foi generosa e disponível!

 

O mês de janeiro infelizmente tem sido marcado ultimamente por situações que parecem se repetir, sem que efetivamente se chegue a uma solução para estes graves problemas que atingem numerosos cidadãos, ceifando-lhe até mesmo a vida, quando não os seus bens, conseguidos com o esforço do trabalho árduo.

 

A vida é um dom de Deus; sua preservação, desde o seu início até o seu fim, deve ser uma preocupação, um compromisso de cada um de nós. Essa preocupação pelo dom da vida deve perpassar todos os âmbitos da sociedade, cumprindo a cada parcela o que lhe cabe. Desse modo, com a participação de todos se alcança o bem comum.

 

Mais uma vez uma verdadeira tragédia se abate sobre nós, mais uma vez todos nós arregaçamos as mangas e somos solidários com aqueles que sofrem perdas materiais, mas, sobretudo, a perda dos entes queridos: parentes, amigos e vizinhos. Com todos somos solidários e queremos encontrar caminhos para o futuro.

 

É janeiro no Rio de Janeiro: é verão! Chuvas ocorrem em maior ou menor quantidade causando danos em maior ou menor tamanho. Este ano a Igreja no Brasil irá propor na Campanha da Fraternidade um tema importantíssimo para essa realidade atual: Fraternidade e a Vida do Planeta, que em seu texto base nos recorda: “O clima do planeta é resultante da interação de muitos fatores, inclusive dos seres que integram a biodiversidade que ele hospeda. De algum modo, cada ser que habita a Terra contribui na formação e transformação do clima. Integrante dessa biodiversidade, o ser humano é também um agente que colabora, com considerável parcela, na composição do clima.

 

É cada vez mais perceptível que o planeta passa por um aquecimento, o que tem provocado uma série de mudanças climáticas. Essa ocorrência, segundo os estudiosos do tema, se deve a um fenômeno denominado “efeito estufa”, que, se não for devidamente entendido, pode vir a ser taxado facilmente de “grande vilão” das mudanças climáticas.

 

O efeito estufa é um processo natural, sem o qual a temperatura na superfície terrestre seria, durante o dia muito quente, e à noite muito frio.  Assim sendo, pode-se dizer que o efeito estufa é uma espécie de “instrumento”, mediante o qual a Terra oferece uma temperatura média constante, necessária para a vida. Além disso, a temperatura do planeta ofereceu as condições para o desenvolvimento da atual biodiversidade que ele hospeda, configurada ao longo de mais de três bilhões de anos. Portanto, o efeito estufa é importante para que o clima de nosso planeta proporcione vida”.

 

Agora é o momento de dar consolo, de abrir caminhos para a esperança de um futuro que, preocupando-se pelo dom da vida, encontre morada digna e tudo mais que dá ao homem a certeza de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, de ser, em Cristo, filho de Deus.

 

As ajudas oficiais prometidas nos momentos mais críticos dificilmente se concretizam plenamente. Basta ver as estatísticas do passado. Neste ano, com o tema da Campanha da Fraternidade seria um bom momento de encontrar caminhos concretos para um futuro melhor nessa questão. Nestes dias de sofrimento e de dor, a esperança se redobra à luz da Fé em Cristo Ressuscitado, que sempre está no meio de nós.

 

Que possamos, na lembrança de nosso padroeiro e protetor, pedir que soluções sejam encontradas no sofrimento, na perda e na dor, e que nossas lágrimas se transformem em terreno fértil para, na solidariedade e na ajuda recíproca, reconstruirmos as nossas cidades afetadas e as vidas de pessoas paralisadas diante do desastre natural. Que São Sebastião nos inspire e nos ilumine por dias melhores!

 

Quero ser solidário com todos os que perderam os seus entes queridos, que agora entram na vida divina, rezando por nós que ainda peregrinamos neste vale de lágrimas. Quero abraçar todos os que estão desabrigados e levar a minha palavra de esperança e de consolo: Cristo não os abandona neste momento de provação natural! Quero, por fim, agradecer de coração a todas as paróquias e capelas que compartilham do que têm, e peço para que continuemos a partilhar gêneros alimentícios, de higiene etc., e dinheiro para socorrer nossos irmãos que estão vivendo a desolação. Muitos se ofereceram como voluntários e se encaminharam para essa região. Muitos estão empenhados. É um belo sinal de fraternidade que recebemos de nossa formação católica nestas terras de Santa Cruz. [CNBB]

 

Dia do Senado: Nasceu assim o Senado brasileiro, com raízes na tradição greco-romana, inspirado na Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha e influenciado pela doutrina francesa de divisão e harmonia dos poderes do Estado e dos direitos dos cidadãos.

 

Aconteceu no dia 22 de janeiro:

1939: Petróleo jorra pela primeira vez no Brasil, no poço de Lobato (BA)

 

 

O perdão é a flor mais bonita da vitória. (Provérbio árabe)