Sábado, 20 de agosto de 2011

São Bernardo (Abade e Doutor), Ano Impar, 4ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

Santos: Benardo (abade e doutor da Igreja), Felisberto (685),, Profeta Samuel (Séc. XI), Mesmino (séc. V, monge), Amador (eremita), Maria de Matias.

 

Antífona: O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz  no coração a lei de seu Deus. (Sl 36, 30-31)

 

Oração: Ó Deus, que fizestes do abade são Bernado, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, por sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz . Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Rute (Rt 2,1-3.8-11;4,13-17)
Rute e as virtudes do amor

 

1Noemi tinha um parente por parte do marido, homem poderoso e muito rico, da família de Elimelec, chamado Booz.

 

2Rute, a moabita, disse à sua sogra: “Permite que eu vá ao campo apanhar espigas, onde possa encontrar quem se mostre clemente para comigo”. Noemi respondeu: “Vai, minha filha”. 3Rute foi, pois, colher espigas num campo atrás dos ceifeiros. Aconteceu que aquele era justamente o campo de Booz, parente de Elimelec.

 

8E Booz disse a Rute: “Ouve, minha filha, não vás apanhar espigas em outro campo, e não te afastes daqui, mas junta-te às minhas servas. 9Observa onde estão ceifando e vai atrás delas; pois ordenei aos meus servos que ninguém te moleste. Quando tiveres sede, vai aos cântaros e bebe da água de que bebem os meus servos”. 10Então Rute, caindo-lhe aos pés, inclinou-se profundamente e disse: “Como pude encontrar graça a teus olhos, e te dignaste fazer caso de mim, uma mulher estrangeira?” 11Respondeu-lhe Booz: “Contaram-me tudo o que fizeste por tua sogra, depois da morte de teu marido: como deixaste teus pais e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conhecias”, 4,13Então Booz tomou Rute e recebeu-a como esposa. Uniu-se a ela e o Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho. 14As mulheres diziam a Noemi: “Bendito seja o Senhor, que não permitiu que faltasse um sucessor à tua família e quis que o seu nome se conservasse em Israel, 15para que tenhas quem console a tua alma e te sustente na velhice, porque nasceu um menino de tua nora, que te ama e é para ti melhor que sete filhos”. 16E Noemi tomou o menino, colocou-o no colo, e serviu-lhe de ama.

 

17As vizinhas congratulavam-se com ela, dizendo: “Nasceu um filho a Noemi”, e deram-lhe o nome de Obed. Ele foi o pai de Jessé, pai de Davi. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Ele foi o pai de Jessé, pai de Davi

 

Acima de situações e costumes da época, o livro de Rute oferece mensagens de sabedoria, prudência, honestidade, grandeza de alma, sobretudo de providência divina. O herói da história – que nada tira de ninguém, porém faz todos agirem – é Deus, que harmoniza os acontecimentos e fá-los servir a seu plano de libertação e salvação. Rute, “estrangeira”, por sua bondade, retidão, capacidade de trabalho, delicadeza, espírito de sacrifício, entra no povo de Deus, pertence-lhe mais do que tantos outros nascidos nele, torna-se um de seus membros mais importantes. Realizou o que Jesus dirá ser necessário para pertencer ao reino; aceitou grandes renúncias, que Deus recompensou com suprema generosidade. Exatamente por isso, torna-se antepassada do Messias (Rt 4.17; Mt 1,5; Lc 18.29s). A pertença espiritual, vivida, realiza “o Israel de Deus” (cf Gl 3.29; 6,16; Rm 9,6ss). “Não quem diz... mas quem faz a vontade do Pai, entrará no reino” (Mt 7,21; cf Rm 2,13; Tg 1,22).  [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 127 (128), 1-2.3.4-5 (R/.4) 

Será assim abençoado todo aquele que respeita o Senhor


Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!


A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.


Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião; cada dia de tua vida.

 

Evangelho: Mateus (Mt 23,1-12)

Eles falam e não praticam

 

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. 6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de ser chamados de Mestre.


8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Rm 2, 17-24; Mc 12, 38-39.

 

 

Comentário o Evangelho

Cuidado com o exibicionismo

 

Jesus cuidou para que seus discípulos não imitassem os maus costumes dos fariseus. Abusando da boa-fé das pessoas simples, eles as oprimiam. Quando consultados, faziam interpretações rigorosas e exigentes da Lei. No entanto, tudo era diferente quando chegava a vez deles cumprirem essa mesma Lei. Seu agir pautava-se por um dualismo intransigente: severidade para os outros e permissividade para si mesmos. Os fariseus distinguiam-se pelo exibicionismo. Suas roupas eram adornadas por franjas exageradas. Traziam, amarrados na fronte e nos braços, pequenos estojos contendo textos da Lei. Para que todos se dessem conta disto, usavam tiras de couro bem largas para atar esses estojos. Quando chegavam nas sinagogas, faziam questão de ocupar um lugar de destaque. Na rua, gostavam de ser saudados pelos passantes. Na época, essa saudação constava de um ritual bem complicado. Além disso, não abriam mão de serem chamados de "rabinos", para que sua importância ficasse bem evidente. Jesus procurou banir tal comportamento do meio de seus discípulos, ensinando-lhes o caminho do serviço e da humildade. Nada de querer parecer melhor que os outros, querendo assim assumir um lugar que pertence unicamente a Deus e acabando por se tornar um terrível opressor. O discípulo deve ser movido por outros sentimentos! [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Iluminai, Senhor, a vossa Igreja e protegei o papa: Ouvi-nos, Senhor.

Concedei-nos a graça de viver na piedade e na solidariedade:

Ensinai as crianças a vos amar sempre mais:

Protegei os que se empenham  pelo nosso pais:

Abençoai os Paulinos neste dia de sua fundação:

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Nós vos apresentamos, ó Deus todo-poderoso, o sacramento da unidade e da paz, neste dia em que festejamos o abade são Bernardo, que, por suas palavras e ações, procurou incansavelmente a concórdia da Igreja.  Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou sua casa, para dar a todos o pão de cada dia. (Lc 12, 42)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que esta comunhão, na festa de são Bernardo, produza em nós os seus frutos para que, encorajados por seus exemplos e guiados por seus conselhos, sejamos arrebatados pelo amor do Verbo que se fez carne. Que vive e reina para sempre.

 

São Bernardo Clairvaux

 

 

São Bernardo nasceu em 1090, na França, de uma família nobre. Bernardo, após a sua conversão, decidiu entrar para um mosteiro pobre. Mas não foi sozinho. Levou consigo mais trinta homens, entre irmãos, parentes e amigos. Entraram no mosteiro de Citeaux em 1112 (Bernardo tinha 22 anos). Em 1115, com 25 anos, Bernardo recebe a ordem de criar um novo mosteiro, o de Claraval. Bernardo chegou a reunir em Claraval mais de 700 monges, agrupou 160 mosteiros em torno de sua reforma, aconselhou os reis da França, transformou-se em guardião da Igreja e do papa: teve que resolver cismas e heresias, interveio na eleição dos papas, participou de concílios e proclamou a segunda cruzada. Bernardo escreveu muitas obras espirituais. É conhecido como Doutor Melífluo devido a doçura e delicadeza de seus escritos. Bernardo faleceu em 1153 com 63 anos, na sua própria cela.
 
Pensamentos de São Bernardo
 
"Tu encontrarás mais coisas nas florestas do que nos livros; as árvores e as pedras te ensinarão mais do que qualquer mestre te poderá dizer"
 
"O que é Deus? Ele é ao mesmo tempo comprimento, largura, altura e profundidade... Esse comprimento, o que é ele? A eternidade, pois ela é tão longa que não tem limites seja quanto ao lugar, seja quanto ao tempo. É Deus também largura? E essa largura, que é ela senão a caridade que se estende até o infinito? Deus é altura e profundidade; e por essa altura deveis entender seu poder; e por profundeza, sua sabedoria. Ó sabedoria cheia de poder que chega a todos os recantos com força. Ó poder cheio de sabedoria que tudo dispõe com doçura"
 
"Poderíamos definir a humildade assim: 'É uma virtude que estimula o homem a menosprezar-se ante a clara verdade de seu próprio conhecimento'"
 
"Quereis um advogado junto a Jesus? Recorrei a Maria, pois nela não há senão pura compaixão pelos males alheios. Pura não só porque ela é imaculada, mas porque nela só existe compaixão pura e simples. Digo-o sem hesitar: Maria será ouvida devido à consideração que lhe é devida. O Filho ouvirá a Mãe, e o Pai, seu Filho. Eis, pois, a escada dos pecadores, minha absoluta confiança; eis todo o fundamento de minha esperança"
 
"Os clérigos que estudam por puro amor da ciência: é uma curiosidade ignominiosa; outros o fazem para alardear um renome de sábios: é uma vaidade vergonhosa...outros ainda estudam e vendem seu saber em troca de dinheiro e honras: é um tráfico vergonhoso. Mas há também os que estudam para edificar seu próximo: é uma obra de caridade; outros, finalmente, para edificar a si mesmos: é uma atitude de prudência..."
 
"Subi à parte superior de mim mesmo, e ainda mais alto reina o Verbo. Explorador curioso que sou, desci ao fundo de mim mesmo e O encontrei ainda mais baixo. Olhei para fora, e O percebi além de tudo. Olhei para dentro, e pareceu-me muito mais íntimo do que eu mesmo. Quando ele entra em mim, o Verbo não trai sua presença por nenhum movimento, por nenhuma sensação. É somente o secreto estremecimento do meu coração que o patenteia. Meus vícios fogem, minhas a feições carnais são dominadas, minha alma se transforma, o homem interior se renova, e em mim está como que a sombra de seu Esplendor"
 
Os quatro graus de caridade "Nós somos carnais, nascidos da concupiscência da carne, donde se segue necessariamente que nosso amor, bem como nosso desejo começa pela carne. Porém, se este amor é bem dirigido, desenvolvendo-se progressivamente segundo seus graus, sob a ação da graça, ele atingirá sua perfeição no espírito, 'pois não é o espiritual que precede, mas o animal: o espiritual vem em seguida' (1Cor 15,40). Portanto o homem começa amando a si mesmo por si mesmo; pois sendo ele carne, está fora de condição de degustar o que quer que seja fora de si mesmo. Refletindo, em seguida, que não pode subsistir por si só, ele começa a procurar a Deus na fé e a amá-lo. É o segundo grau: ama-se a Deus não por Ele mesmo, mas por causa de si. À medida que a própria necessidade leva a conviver com Deus, a familiarizar-se com Ele, pensando nele, lendo e pedindo-lhe e servindo-o, aos poucos a gente o descobre nessa familiaridade e começa-se a apreciá-lo. Quando se aprendeu, assim, a degustar como o Senhor é doce, passa-se ao terceiro grau, que consiste em amar a Deus por si mesmo, não mais por causa de si. E neste grau, permanece-se muito tempo: não sei se, nesta vida, alguém pode alcançar a perfeição do quarto grau, de modo que não se mais a si mesmo de forma alguma, senão em Deus. Que o afirmem os que o experimentaram; quanto a mim, confesso que acredito ser impossível. Sem dúvida alguma, isto se verificará quando o servo bom e fiel for introduzido na alegria do seu Mestre, inebriado com a plenitude da Casa de Deus. Então, esquecendo-se, ele próprio, de uma maneira admirável, voltar-se-á todo inteiro para Deus e, aderindo a ele para o futuro, não formará senão um só espírito com Ele" 
 
"E o nome da Virgem era Maria (Lc. 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. ... Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos. Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela. Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria. Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria. Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.
 
Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despencar no abismo do desespero, pensa em Maria.
 
Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim. E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: 'E o nome da Virgem, era Maria'"
 
"A soberba da mente é essa trave enorme e espessa no olho que, por seu aspecto avultado, vão e inchado, irreal e inconsistente, obscurece o olhar da mente e turva a verdade. Se vier a ocupar tua mente, já não poderás ver-te e sentir-te tal qual és ou podes ser, mas como te queres, tal como és no teu pensar ou esperas vir a ser. Que outra coisa é a soberba senão, como a define um santo, o amor do próprio prestígio? Movendo-nos no polo oposto podemos afirmar que a humildade é o desprezo do próprio prestígio"
 
"'Senhor, que queres que eu faça? (pergunta Paulo). É esta certamente a forma de uma perfeita conversão. Quão poucos se ajustam a esta forma de perfeita obediência que, de tal modo tenham abdicado à vontade-própria que nem sequer mais tenham seu próprio coração e a toda hora se perguntem, não o que eles querem, mas o que o Senhor quer..."
 
"É-lhes prescrita tão só a solidão da mente e do espírito. Hão de ficar sós se não pensarem em vulgaridades, se não gostarem de novidades, se desprezarem o que muitos apreciam, se rejeitarem o que todos almejam, se evitarem as discussões... Do contrário não estarão sós, ainda que vivam em solidão. Estão pois, vendo que podem estar sós embora vivam na companhia de muitos e viver em companhia de muitos embora vivendo em solidão? Em qualquer grande afluência de pessoas que se encontrem, estarão a sós se cuidarem em não escutar com curiosidade o que se diz ou não julgarem temerariamente a esse respeito"
 
"Ouviste que hás de conceber e dar a luz um filho. Ouviste que não será por obra de homem, mas por obra do Espírito Santo. Olha, o anjo aguarda a tua resposta, pois já é hora de ele voltar a quem o enviou. Também nós, Senhora, esperamos essa palavra de misericórdia... Olha como põem em tuas mãos o preço de nossa salvação. Seremos imediatamente libertados se consentires... Apressa-te, ó Virgem, em responder. Responde, Senhora, aquela palavra aguardada pela terra, pelo inferno e pelos cidadãos do céu. Quanto desejou o próprio Rei e Senhor de todos a tua formosura, tanto almeja agora a resposta de teu consentimento, na qual se propôs, por certo salvar o mundo... Se o deixas ouvir tua voz, far-te-á ver a nossa salvação... Acredita, responde sim e recebe... Abre o oração à fé, Virgem bem-aventurada, os lábios ao consentimento, as entranhas ao Criador... Olha, o desejado das nações está chamando, à tua porta... Levanta-te, corre, abre! Ergue-te pela fé, corre pela devoção, abre pelo consentimento"
 
"Para chegarmos à perfeição temos necessidade da meditação e da petição; pela meditação, vemos o que nos falta; pela súplica, recebemos o que nos é necessário"
 
"Ninguém tenha em pouca conta a oração, porquanto Deus não a tem em pouca conta; pois Ele ou dá o que pedimos, ou dá o que deve ser-nos mais útil"
 
"Tal é a vontade de Deus, que quis que tenhamos tudo por Maria"
 
"Tudo o que temos de benefícios de Deus, nós o recebemos pela intercessão de Maria. E por que é assim? Porque Deus assim o quer"
 
"O servo de Maria não pode perecer"
 
"Possuireis todas as coisas sobre as quais se estender a vossa confiança. Se esperais muito de Deus, Ele fará muito por vós. Se esperais pouco, Ele fará pouco"
 
"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em participar devotamente de uma só Missa do que com distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a terra"
 
"Quando Jesus está presente corporalmente em nós (pela Eucaristia), ao redor de nós montam guarda de amor os Anjos" "Deus quis que não recebêssemos nada que não passe pelas mãos de Maria" 
 
"Desapareça a vontade própria e não haverá inferno" "Da cruz e das chagas do nosso Redentor sai um grito para nos fazer entender o amor que Ele nos tem" (agradecemos a informação sobre o autor deste texto)

 

Vaticano II: Referência Indispensável

Dom Luiz Demétrio Valentini, Bispo de Jales - SP

 

Neste domingo dia 21 de agosto a Diocese de Jales realiza sua 27ª  romaria diocesana, para celebrar seu aniversário, recordar sua história, e se colocar em sintonia com as realidades que cada ano apresenta.

 

O seu lema desta vez – IGREJA EM RENOVAÇÃO A SERVIÇO DA VIDA - foi escolhido com a clara intenção de vincular a romaria com o Concílio Vaticano II.

 

Estamos próximos dos 50 anos da primeira sessão conciliar, realizada em 1962. Este concílio foi de tal importância para a vida da Igreja, que a CNBB, em sua última assembleia, achou por bem recomendar um tempo largo, quatro anos, para recordar o Vaticano II, com a intenção de perceber quanto ele ainda continua sendo atual e necessário, sobretudo para balizar nossa ação pastoral, mas também para nos situar no contexto mais amplo da caminhada da Igreja Católica nestes últimos anos. De certa maneira, a Diocese de Jales se antecipa à recomendação da CNBB e inicia já neste ano, com a romaria deste domingo, uma fecunda celebração deste vasto acontecimento, que foi o Vaticano II.  De tal modo que a celebração de agora, possa se assemelhar ao próprio evento de 50 anos atrás, recriando o ambiente de alegria e de esperança, que tanto marcaram  aqueles anos. A Diocese de Jales tem motivos especiais para recordar o concílio, e à luz dele reconhecer sua própria caminhada.

 

Acontece que diversas circunstâncias históricas vinculam a Diocese com o Concílio Vaticano II. Elas são muito expressivas, e a Diocese sempre faz questão de ressaltá-las, reconhecendo-as como muito simbólicas e providenciais.

 

A Diocese de Jales foi criada no dia 12 de dezembro de 1959, pelo Papa João 23. À primeira vista, nada de especial. Mas na verdade, cada circunstância traz um simbolismo muito interessante.

 

Doze de dezembro é o dia de Nossa Senhora de Guadalupe, a Padroeira da Igreja da América Latina, o continente que prontamente se abriu ao Concílio e acolheu suas recomendações, empreendendo uma bonita caminhada de renovação eclesial. Acresce que 1959 foi o ano do anúncio do Concílio, a 25 de janeiro, no encerramento da semana de orações pela unidade dos cristãos, uma das causas que mais influenciaram nos trabalhos conciliares.

 

E o Papa João 23, que assinou o decreto de criação da Diocese de Jales, foi o Papa do Concílio.

 

Portanto, um batismo conciliar com diversas testemunhas, todas atestando a vocação da Diocese de Jales, de fazer do Concílio a sua inspiração maior, e de seus ensinamentos um roteiro de renovação eclesial. Como diocese, temos uma clara vocação conciliar, e um sério compromisso de pronta adesão à inspiração original que levou João 23 a convocar o Concílio com propósitos tão generosos, que certamente necessitam agora do respaldo e da comprovação da experiência.

 

Nestas coincidências históricas, a Diocese de Jales encontra de fato uma boa motivação para moldar sua caminhada à luz do Concílio. Mas não é só por causa disto. O Vaticano II continua sendo uma referência indispensável para toda a Igreja. Quanto mais seu evento parece se diluir no horizonte da memória, e desaparecer nas dobras da história, mais precisamos resgatar a validade de suas profundas intuições, que se traduziram num dos concílios, certamente, de maior envergadura de toda a história da Igreja. Para comprovar a validade do Vaticano II, nada melhor do que as palavras acertadas e contundentes do Papa João Paulo II, na Tertio Millenio Ineunte: “Sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”. [Fonte: CNBB]

 

A sabedoria nasce menos da inteligência e mais do coração. (Peter Sosegger)

 

Contato: edd@mundocatolico.com.br