Sábado, 19 de junho de 2010

Décima Primeira Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Romualdo (abade), Bruno de Querfurt (bispo, mártir), Deodato de Nevers (bispo), Deodato de Jointures (bispo), Gaudêncio (bispo de Arezzo) e Culmácio (mártires), Gervásio e Protásio (mártires de Milão), Hildegrin de Châlons-sur-Marne (bispo), Inocente de Le Mans (bispo), Juliana Falconieri (virgem, fundadora), Ursicínio de Ravena (mártir), Zózimo de Spoleto (mártir).

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Crônicas (2Cr 24, 17-25)
Conspiraram contra Zacarias e mataram-no

 

17Depois da morte de Joiada, os chefes de Judá vieram prostrar-se diante do rei Joás, que, atraído por suas lisonjas, se deixou levar por eles. 18Os chefes de Judá abandonaram o templo do Senhor, o Deus de seus pais, e prestaram culto a troncos sagrados e a imagens esculpidas, atraindo a ira divina sobre Judá e Jerusalém por causa desse crime. 19O Senhor mandou-lhes profetas para que se convertessem a ele. Porém, por mais que estes protestassem, não lhe queriam dar ouvidos.

 

20Então o espírito de Deus apoderou-se de Zacarias, filho do sacerdote Joiada, e ele apresentou-se ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que transgredis os preceitos do Senhor? Isto não vos será de nenhum proveito. Porque abandonastes o Senhor, ele também vos abandonará". 21Eles, porém, conspiraram contra Zacarias e mataram-no à pedrada por ordem do rei, no pátio do templo do Senhor. 22O rei Joás não se lembrou do bem que Joiada, pai do profeta, lhe tinha feito, e matou o seu filho. Zacarias, ao morrer; disse: "Que o Senhor veja e faça justiça!" 23Ao cabo de um ano, o exército da Síria marchou contra Joás, invadiu Judá e Jerusalém, massacrou os chefes do povo, e enviou toda a presa de guerra ao rei de Damasco. 24Na verdade, o exército da Síria veio com poucos homens, mas o Senhor entregou nas mãos deles um exército enorme, porque Judá tinha abandonado o Senhor, o Deus de seus pais. Assim, os sírios fizeram justiça contra Joás. 25Quando eles se retiraram, deixando-o gravemente enfermo, seus homens conspiraram contra ele, para vingar o filho do sacerdote Joiada, e mataram-no em seu leito. Ele morreu e foi sepultado na cidade de Davi, mas não no sepulcro dos reis. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Mataram Zacarias no pátio do templo do Senhor

 

“Comunicaram a própria mensagem, mas não foram ouvidos” (V. 19). Multiplicam-se os estudos sobre a comunicação, enquanto a arte e outras expressões falam de incomunicabilidades, solidão, hermetismo. A comunicação profética foge certamente à classificação ordinária, porque é ligada à vida. A situação apresentada na leitura de hoje repete-se frequentemente. Surgem obstáculos que impedem a apresentação da mensagem. Então a própria existência do anunciador torna-se profecia. É a comunicação da cruz, em que se paga com a pessoa. Nossos meios de comunicação de massa nos habituaram a uma restrita aplicação do vocábulo “profeta”. Mas o Concílio nos lembra: “Cristo, o grande profeta... exerce seu múnus profético não só através da hierarquia, mas ainda por meio dos leigos, aos quais por isso constituiu suas testemunhas”. Pesada herança, especialmente nos tempos que corre. Tentamos às vezes fugir a ela, descarregando a responsabilidade nos chamados “profissionais” do anúncio: padres, religiosos, catequistas. [Missal Cotidiano – Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1987]

 

 

Salmo: 89/88, 4-5. 29-30. 31-32. 33-34
Guardarei eternamente para ele a minha graça!

 

"Eu firmei uma aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor: Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!"

 

Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel. Pelos séculos sem fim conservarei sua descendência, e o seu trono, tanto tempo quanto os céus, há de durar".

 

"Se seus filhos, porventura, abandonarem minha lei e deixarem de andar pelos caminhos da aliança; se, pecando, violarem minhas justas prescrições e se não obedecerem aos meus santos mandamentos.

 

Eu, então, castigarei os seus crimes com a vara, com açoites e flagelos punirei as suas culpas. Mas não hei de retirar-lhes minha graça e meu favor e nem hei de renegar o juramento que lhes fiz".

 

 

Evangelho: Mateus, (Mt 6, 24-34)
Não vos preocupeis com o dia de amanhã

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24"Ninguém pode servir a dois senhores, pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?

 

28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?

 

31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: 'O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?' 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34Portanto, não vos preocupeis com o dia de manhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 12, 22-34 (Confiança na Providência)

 

 

 

Comentando o Evangelho

O Reino de Deus e sua justiça

 

Jesus exortou os seus discípulos a "buscarem, antes de qualquer coisa, o Reino de Deus e a sua justiça". Esta admoestação pode ser tomada como uma espécie de resumo dos ensinamentos do Mestre. Nela está sintetizado o essencial de sua doutrina.

 

Busca o Reino de Deus quem centra a sua vida em Deus e em sua vontade, não deixando de fora nenhum âmbito de sua existência, por mais simples que seja. Deus não quer ter concorrentes, e não os tem. A idolatria não encontra lugar no coração do discípulo, uma vez que está solidamente ancorado em Deus.

 

A justiça do Reino decorre desta busca sincera, sendo sua expressão. Ela se torna patente no modo de proceder do discípulo cuja vida está centrada em Deus. Neste sentido, justiça torna-se sinônimo de amor misericordioso, solidariedade fraterna, perdão reconciliador, igualdade respeitosa, empenho por construir a paz. Justiça do Reino é ação visando expandir o senhorio de Deus na vida de cada pessoa e da sociedade. É luta em prol de um mundo mais conformado com o querer divino. É rejeição de tudo quanto impede o Reino acontecer. Enfim, é recusa a toda forma de idolatria e injustiça.

 

A busca do Reino de Deus e de sua justiça polariza de tal modo as preocupações do discípulo, a ponto de nada mais lhe parecer importante. Independentemente de suas preocupações, ele terá, por acréscimo, tudo quanto necessita. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus não condena o uso dos bens terrestres, mas a idolatria dos mesmos. Condena o exagero de segurança e falta de confiança em Deus, típicos de uma mentalidade pagã. Para os nossos dias atuais, uma mentalidade materialista pelo poder do ter e não do ser. As palavras de Jesus não são um convite à preguiça, mas sim à confiança filial no Pai do Céu, a qual deve exprimir-se o alimentar-se na oração. Às vezes, chamamos instintivamente providência à abundância e ao bem-estar, ou nos sentimos separados dela quando também à nossa porta a penúria e o sofrimento. “O reinado de Deus e sua justiça” buscam também uma ordem justa entre os homens.

 

São Romualdo Abade    

 

Tinha 20 anos e levava uma vida dissipada e pecadora quando viu seu pai matar um parente em duelo. O choque que recebeu foi a ocasião da graça para convertê-lo. Depois de passar algum tempo na França, em contato com a espiritualidade da Abadia de Cluny, retornou à Itália e iniciou sua obra de fundação de mosteiros. Entre outros, fundou o de Campus Máldoli, berço da Ordem dos Camaldulenses, inaugurando uma nova forma de vida eremítica. Depois de ter sido monge na abadia de Ravena - abade muito celebre - estabeleceu uma colônia de eremitas no alto vale do rio Arno, sob a influência do monarquismo catalão. Uma particularidade na vida de São Romualdo foi o fato de ele, apesar de monge, interessar-se por todos os problemas do seu tempo. Por exemplo, as missões na Boêmia e na Polônia; as peregrinações à Terra Santa; a reforma do clero e outros pontos vitais para a Igreja. Foi um santo contemplativo e ao mesmo tempo, ativo. Seu corpo foi preservado da corrupção e se encontrava intacto quatro séculos depois de sua morte.

 

 

Você jamais defenderá adequadamente uma causa ou meta se não acreditar nela. (David Viscott)