Sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia do Esporte e Dia do Esportista

 

Santos: Álvaro de Córdoba (presbítero), Auxíbio de Chipre (bispo, foi batizado por São Marcos e consagrado por São Paulo como primeiro bispo de Soli), Barbato de Benevento (bispo), Beato de Liébana (monge), Belina de Troyes (virgem, mártir), Bonifácio de Lausanne (monge, bispo), Conrado de Piacenza (franciscano terciário), Gabino de Roma (presbítero, mártir), Jorge de Lodève (monge), Mansueto de Milão (bispo), Públio, Juliano, Marcelo e Companheiros (mártires da África), Valério de Antibes (bispo), Zambdas de Jerusalém (bispo), Isabel de Picenardi (virgem, bem-aventurada), Lúcia (virgem, mártir da China, bem-aventurada)

 

Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 11, 1-7)

Herança da justiça pela fé

 

Irmãos, 1a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem. 2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho.


3Foi pela fé que compreendemos que o universo foi organizado por uma palavra de Deus. Assim, as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê. 4Foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim; e por causa dela, ele foi declarado justo, pois Deus aprovou a sua oferta. Graças a ela, mesmo depois de morto, Abel ainda fala! 5Foi pela fé que Henoc foi arrebatado, para não ver a morte; e não mais foi encontrado, porque Deus o arrebatou. Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. 6Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável, pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que recompensa os que o procuram. 7Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família. Pela fé, ele se separou do mundo, tornando-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Foi pela fé que compreendemos que o universo

foi organizado por uma palavra de Deus

 

Como as grandes personagens do gênesis, também nós somos chamados a ver, na fé, a presença e a ação de Deus em nossa avia. O Concílio Vaticano II nos exorta a fazê-lo: “O povo de Deus, movido pela fé, que o faz crer ser ele guiado pelo Espírito do Senhor, que enche o universo, procura discernir nos acontecimentos, nas buscas e nas aspirações de que participa juntamente com os outros homens de nosso tempo, quais os verdadeiros sinais da presença ou do desígnio de Deus. De fato, a fé ilumina tudo com uma luz nova e revela as intenções de Deus sobre a vocação integral do homem e, por isso, orienta a inteligência para soluções plenamente humanas...

 

Que pensa a Igreja do homem? Que parece ser recomendável para a edificação da sociedade atual? Qual é o significado último da atividade humana no universo? Espera-se uma resposta para tais perguntas. Com isto, manifestar-se-á ainda com mais evidência que o povo de Deus e a humanidade, dentro da qual está inserido, se prestam serviço recíproco, embora a missão da Igreja seja de natureza religiosa e, por isso, mesmo profundamente humana” [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 144 (145), 2-3.4-5.10-11 (+cf. 1b)
Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas!


Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 9, 2-13)

Transfiguração, sinal de ressurreição de Jesus

 

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. 3Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.


4Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” 8E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. 9Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10Eles observavam esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. 11Os três discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que antes deve vir Elias?” 12Jesus respondeu: “De fato, antes vem Elias, para pôr tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, que o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado? 13Eu, porém, vos digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele”. Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 17,1-9; Lc 9,28-36; 1Pe 1,16-18

 

Comentário do Evangelho

Transfigurou-se diante deles

 

A transfiguração é a segunda das três grandes revelações que marcam a luta sofrida mas vitoriosa do reino de Deus na pessoa de Jesus. O batismo fora disto o preâmbulo divino. A paixão e a ressurreição serão o acabamento. Agora é o momento da revelação aos discípulos: em Jesus, Messias sofredor e vitorioso. Deus manifesta sua glória e seu poder de salvação. A transfiguração é uma exortação viva para que escutemos Jesus quando fala dos seus sofrimentos e da sua morte (e quando estes se renovam em cada um de nós e na Igreja), sem deixar de reconhecê-lo como Messias definitivo, como o Servil fiel de Deus. A incompreensão dos discípulos antes da ressurreição continua profunda. A Igreja e os discípulos antes da ressurreição continua profunda. A Igreja e os discípulos são chamados a “encarnar-se” no mundo, a estarem presentes nas suas estruturas, mas somente par transformá-lo, aceitando morrer ao sucesso terreno e a qualquer forma de auto-segurança. Sua vitória aparecerá somente quando, abatidos pela morte, vão ressurgir em um mundo que eles mesmos ajudaram a transformar. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Pe. Jaldimir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Para que a Igreja seja cada vez mais fiel ao anúncio da palavra de Deus, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

-Para que nossa fé seja renovada diariamente no amor e na misericórdia do Pai, rezemos.

-Para que cada um de nós e cada comunidade sejamos transfigurados, rezemos.

-Para que os necessitados encontrem auxílio na solidariedade do próximo, rezemos.

-Para que as autoridades sejam guiadas pelo bom senso e pela justiça, rezemos.

 (preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho único; quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna. (Jo 3,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Santa Martiniano

 

São Martiniano foi eremita mas acabou por tornar-se andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo". Seu argumento é justificável, já que ele pôde comprovar pessoalmente como a carne é fraca e a vigilância tem que ser constante, principalmente para quem escolhe uma vida santa e sacrificada. Ele havia sucumbido ao prazer da carne, mas encontrou força na fé para se recuperar. Esse é seu exemplo maior.

 

Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, e ali viveu no século IV. Muito jovem, entregou-se à vida reclusa e passou a viver como eremita numa montanha próxima à sua cidade natal, onde permaneceu por vinte e cinco anos. Sua fama percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual e até a cura de doenças e expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santo e essa fama atraiu Cloé. Cloé era milionária e conhecida como uma mulher de maus costumes. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o santo se perder. Trocou suas roupas luxuosas por andrajos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, mas tratou de dormir longe dali. Mesmo assim, ao voltar pela manhã, Cloé trocara os farrapos por uma roupa muito sensual. Com argumentos espertos seduziu Martiniano, que só ao sair da caverna para atender discípulos, muitas horas depois, é que percebeu o que fizera. Arrependeu-se e converteu Cloé que, a partir de então, recolheu-se ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. Santificou-se como consagrada. São Martiniano mudou-se dali para uma ilha. Mas, certa vez, nas águas que rodeavam a ilha, naufragou um navio e uma passageira donzela lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ficasse, mas abandonou o lugar a nado, apesar de o continente ficar muito distante. Conta a lenda que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme. O fato é que, ao chegar, tomou outra decisão radical.

 

Tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e acabar abordado pelo pecado. Passou a viver da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu.

 

 

O milagre nosso de cada dia!

 

 

Dom Redovino Rizzardo, Bispo de Dourados

 

Às 8,30 horas do domingo, dia 26 de dezembro de 2010, liguei o televisor e, durante dez minutos, assisti à pregação do “Apóstolo” Valdemiro Santiago. Em dado momento do culto – se é que assim se podem chamar as suas pregações –, confesso que teria entrado em crise se a minha fé não se fundamentasse na Palavra de Deus.

 

Ele insistia nos milagres que, a toda hora e todos os dias, acontecem na Igreja Mundial do Poder de Deus, por ele fundada, dirigida e tida como a encarnação atualizada do taumaturgo Jesus, cujos prodígios são assim apresentados pelo Evangelho: «Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem e os mortos ressuscitam» (Mt 11,5).

 

Em seu arrazoado, ele se expressou mais ou menos assim (esqueço as palavras exatas): «Enquanto que, em nossa Igreja, os milagres estão na ordem do dia, numa outra eles são tão raros que, quando acontecem, mexem com meio mundo e se tornam objeto de estudo e de dúvidas. Dizem, por exemplo, que uma freira lá da Bahia fez um milagre e meio... Não sei o que isso significa! Eles precisam do milagre para declará-la santa, esquecendo que o único santo é Deus, o Todo-poderoso!».

 

Como se sabe, a freira a que o “Apóstolo” se refere é a Ir. Dulce, que será beatificada no dia 22 de maio deste ano.

 

Eu disse acima que o Valdemiro quase me colocou em crise... É que fiquei pensando comigo mesmo: se realmente os milagres estão na ordem do dia na Igreja Mundial, não será porque a fé esmoreceu nas demais Igrejas cristãs (e não apenas na Católica, na Ortodoxa, na Anglicana e nas assim ditas “tradicionais”)? Mas, é verdade que os milagres não acontecem nessas Igrejas?

 

Para começo de conversa, é necessário entender corretamente o milagre. Para um número considerável de fundadores de denominações mais ou menos cristãs, que surgem diariamente em toda a parte, ele se resume à cura de uma doença ou à prosperidade econômica. Estes, aliás, parecem ser os motivos principais, senão únicos, do nascimento dessas “Igrejas” e da grande influência que exercem: ir ao encontro do desejo e das necessidades das massas, que é fugir do sofrimento e gozar de uma vida tranquila e confortável.

 

Para a fé cristã, porém, o milagre vai mais além. O que ele oferece é o encontro profundo e renovador com um Deus que, por ser amor, nada mais quer senão a “saúde” de seus filhos, mesmo se, por motivos diversos, nem sempre seja possível fugir de todas as enfermidades. Em outras palavras, pode-se ser sadio num corpo doente. É este o maior de todos os milagres! Quem o disse foi o próprio Jesus: «Para que se saiba que o Filho do Homem tem poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), levanta-te, toma o teu leito e vai para casa!» (Mt 9,6).

 

O caminho mais fácil e rápido para se chegar ao ateísmo passa por uma religião sustentada e buscada por interesses humanos. Deus deixa de ser a realização plena da pessoa humana para se tornar um quebra-galho, cuja única tarefa é impedir que seus filhos passem por males e sofrimentos. Mas, à medida que a ciência avança e resolve os problemas que antigamente cabia a Deus solucionar, avança também o materialismo.

 

As doenças e dores fazem parte da vida de todos, sobretudo dos que lutam para construir um mundo melhor. Até Jesus, «apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através de seus sofrimentos. Mas, ao alcançar a perfeição, tornou-se fonte de salvação eterna para todos aqueles que lhe obedecem» (Hb 5,8-9).

 

O grande milagre oferecido por Jesus a quantos desejam ser felizes é a graça de transformar a dor em doação, o ódio em amor, a morte em ressurreição. É este o principal fruto produzido pela Páscoa. Graças a ela, cada sofrimento – físico, psíquico, moral e espiritual – contém uma semente de renovação interior e social. A única condição é que se aprenda a amar: «Para os que amam a Deus, tudo colabora para o seu bem» (Rm 8,28).

 

Contudo, não é preciso ser masoquista ou sadista para não dar o braço a torcer e ter que acreditar em milagres. Eles existem a toda hora e em toda a parte para quem sabe que Deus é Pai e «lança nele todas as preocupações, feliz por ser objeto de seu carinho» (1Pd 5,7). [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 19 de fevereiro:

1871: Inauguração do Imperial Teatro D. Pedro II (Rio de Janeiro)

 

 

Depois de ter-se esforçado para conseguir o que quer, conceda-se o tempo para desfrutá-lo! (S.Brown)