Sábado, 19 de janeiro de 2008
I Semana do Tempo Comum, Ano Par, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Ergamos nos nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão
dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.
Santos: Mário (Séc.III, DC, mártir), Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)
Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: 1Sm 9, 1-4.17-19; 10, 1a
Saul reinará sobre o meu povo
1Havia um homem de Benjamin, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, um benjaminita, homem forte e valente. 2Ele tinha um filho chamado Saul, de boa apresentação. Entre os filhos de Israel não havia outro melhor do que ele: dos ombros para cima sobressaía a todo o povo. 3Ora, aconteceu que se perderam umas jumentas de Cis, pai de Saul. E Cis disse a seu filho Saul: "Toma contigo um dos criados, põe-te a caminho e vai procurar as jumentas". Eles atravessaram a montanha de Efraim 4e a região de Salisa, mas não as encontraram. Passaram também pela região de Salim, sem encontrar nada; e, ainda pela terra de Benjamim, sem resultado algum.
17Quando Samuel avistou Saul, o Senhor lhe disse: "Este é o homem de quem te falei. Ele reinará sobre o meu povo". 18Saul aproximou-se de Samuel, na soleira da porta, e disse-lhe: "Peço-te que me informes onde é a casa do vidente". 19Samuel respondeu a Saul: "Sou eu mesmo o vidente. Sobe na minha frente ao santuário da colina. Hoje comereis comigo, e amanhã de manhã te deixarei partir, depois de te ter revelado tudo o que tens no coração". 10,1aNa manhã seguinte, Samuel tomou um pequeno frasco de azeite, derramou-o sobre a cabeça de Saul e beijou-o, dizendo: "Com isto o Senhor te ungiu como chefe do seu povo, Israel. Tu governarás o povo do Senhor e o livrarás das mãos de seus inimigos, que estão ao seu redor". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Este é o homem de quem te falei.
Saul reinará sobre o meu povo
Quando Saul imprevistamente toma conhecimento, pelas palavras de Samuel, de ser o eleito, faz notar que pertence à menor das tribos de Israel. Isto se enquadra no estilo de ação de Deus. Jesus também escolherá entre os pobres e humildes os continuadores de sua obra. O anúncio da maternidade divina será feito a uma jovem, talvez a mais pobre e humilde dentre todas as mulheres de Israel: “O Senhor olhou para a pequenez de sua serva”.
Mas do que Samuel, estamos hoje em condições de ver nas transformações o plano de Deus. A realeza nasce em Israel, Javé aceita consagrá-la, porque ela está a serviço do reino de Deus que se anuncia. Esse reino de Deus pode precisar dos reis, mas não se confunde com seu império. Esta lei impedirá sempre que um rei de Israel se assemelhe aos reis absolutistas e divinizados das outras nações.
Salmo: 20(21), 2-3.4-5.6-7 (R/.2a)
Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra
Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra; quanto exulta de alegria em vosso auxilio! O que sonhou seu coração, lhe concedestes; não recusastes os pedidos de seus lábios.
Com bênção generosa o preparastes; de ouro puro coroastes sua fronte. A vida ele pediu e vós lhe destes, longos dias, vida longa pelos séculos.
É grande a sua glória em vosso auxílio; de esplendor e majestade o revestistes. Transformastes o seu nome numa bênção, e o cobristes de alegria em vossa face.
Evangelho:
Marcos (Mc 2, 13-17)
Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores
Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Levi se levantou e o seguiu. 15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16Alguns doutores da lei, que eram fariseus, viram que. Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: "Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?" 17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho
Da marginalização ao discipulado
A passagem de Jesus pela vida de Levi provocou nele uma transformação considerável. Ele saiu imediatamente da marginalização sócio-religiosa para ingressar nó discipulado, ao aceitar o convite do Mestre, exigindo dele a renúncia a uma atividade odiosa aos olhos de seus contemporâneos. Doravante, Levi não seria mais um publicano, e sim um discípulo de Jesus. A opção religiosa desse discípulo teve conseqüências também no plano social.
Na percepção de Jesus, porém, a mudança na vida de Levi deu-se num nível bem diverso. A discriminação, devida à profissão de cobrador de impostos, era irrelevante para o Mestre. Este procurava colocar-se acima dos preconceitos humanos. Importava-lhe, antes, o que se passava no coração de Levi, sentado no seu local de trabalho. Embora vivendo num ambiente corrompido e corruptor, sem dúvida, ele mantinha um elevado padrão de religiosidade. Os preconceitos que recaíam sobre sua categoria profissional não foram suficientes para levá-lo a apegar-se aos bens materiais. Assim, quando Jesus passou, estava suficientemente livre para segui-lo, sem restrições.
Ninguém ficou sabendo da mudança operada na vida de Levi, além dele mesmo, e do próprio Mestre. O homem de fé viu concretizar-se o que, até então, era objeto de esperança. Seguir o Messias Jesus significava ver realizada a promessa divina. Assim, mais que uma marginalização social, Levi superou a verdadeira marginalização religiosa, ao se fazer discípulo do Reino. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
São Mário
Mario, Martha, Abacus e Audifax eram uma família persa nobre e rica – marido, esposa e dois filhos- que foram convertidos para a fé cristã e distribuíram seus bens para os pobres.
Eles decidiram visitar Roma para venerar os túmulos dos mártires mesmo sabendo que o Imperador Claudius estava perseguindo os cristãos. Claudius ordenou suas legiões para recolher e reunir os cristãos no anfiteatro onde eles eram mortos e seus corpos queimados. Esta família persa recolhia as cinzas e as enterrava. Por isto o Governador Marcus prendeu e torturou toda a família antes de mandar matá-los. Isto ocorreu em 270DC. Durante o martírio, Mario cantava hinos de louvor a Jesus. O procônsul encarregado do martírio mandou esticá-lo na roda, até seus braços serem arrancados do corpo, o que de nada adiantou. Furioso, ordenou que o decapitassem e a seus dois filhos. Assim os três foram mortos decapitados e Martha foi afogada alguns quilômetros de Roma em um local hoje chamado Santa Nynpha. Cristãos reverenciam este local e os corpos desta família com respeito: Eles foram enterrados na Via Cornelia. Treze séculos mais tarde, em 1590, seus corpos foram descobertos e agora suas relíquias estão nas igrejas de Cremona, de Seligenstaedt na Alemanha, e em Roma. Na arte litúrgica da Igreja este grupo é geralmente mostrado como uma família Persa visitando prisioneiros; ou 2) enterrando mártires cristãos em Roma; ou 3) sendo executados com um machado. (www.asj.org.br)