Sábado, 18 de setembro de 2010

24º Do Tempo Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia dos Símbolos Nacionais, dia da TV Brasileira, dia do Perdão e Início da Semana Nacional do Trânsito (18 a 25/09)

 

Santos: Fânfilo, Ferreolo (mártir), Metódio (bispo), Eustórgio (bispo de Milão), Bertília (660, Bélgica), Ricarda (896), José de Cupertino (franciscano conventual italiano da 1ª ordem, 1663)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: I Carta de S.Paulo aos Coríntios (1Cor 15, 35-37.42-49)
Jesus é o grão caído na terra

 

Irmãos, 35alguém perguntará: Como ressuscitam os mortos? Com qual corpo voltarão? 36Insensato! O que semeias, não nasce sem antes morrer. 37E, quando semeias, não semeias o corpo da planta, que há de nascer, mas o simples grão, como o de trigo ou de alguma outra planta. 42Pois assim será também a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção. 43Semeia-se em ignomínia, e ressuscita-se em glória. Semeia-se em fraqueza, e ressuscita-se em vigor.

 

44Semeia-se um corpo animal, e ressuscita-se um corpo espiritual. Se há um corpo animal, há também um espiritual. 45Por isso está escrito: o primeiro homem, Adão, “foi um ser vivo”. O segundo Adão é um espírito vivificante. 46Veio primeiro não o homem espiritual, mas o homem natural; depois é que veio o homem espiritual. 47O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem vem do céu. 48Como foi o homem terrestre, assim também são as pessoas terrestres; e como é o homem celeste, assim também vão ser as pessoas celestes. 49E como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção

 

O pequenino grão, para dar origem à planta, deve cair na terra e morrer, dissera-o Jesus (Jo 12, 24). Mas a imagem não é completa. Ressurgiremos ao mesmo tempo idênticos e diferentes. A vitória de Cristo sobre a morte desdramatiza a morte, porque revela a graça que opera no homem e dá ao homem seu pleno desenvolvimento na ressurreição. A fé nos diz o que não podemos compreender: impele-nos a viver a vida em profundidade e plenitude. Nada que tenha valor será perdido, porém o homem deve aceita até a hora da morte a corrupção, o fim terrestre. Isto é doloroso, mas já preludia o eterno nascimento dos eleitos no reino de Deus. Nesse sofrimento, todo homem está só; nessa profundeza se coloca o encontro com Cristo ressuscitado. Então, o sofrimento e a morte se transformam em festa, festa de quem morre, para que Cristo seja o verdadeiro amor, a nova vida. [MISSAL DOMINICAL, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 55 (56), 10.11-12.13-14 (R/.cf.14c)
Na presença do Senhor, andarei na luz da vida

 

10Meus inimigos haverão de recuar em qualquer dia em que eu vos invocar; tenho certeza: o Senhor está comigo! 

 

11Confio em Deus e louvarei sua promessa; 12é no Senhor que eu confio e nada temo: que poderia contra mim um ser mortal? 

 

13Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz, e vos oferto um sacrifício de louvor, 14porque da morte arrancastes minha vida e não deixastes os meus pés escorregarem, para que eu ande na presença do Senhor, na presença do Senhor na luz da vida. 

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 8, 4-15)
Parábola do Semeador

 

Naquele tempo, 4reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola: 5“O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos e a sufocaram. 8Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

 

9Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. 10Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam.

 

11A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. 13Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 14Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. 15E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a palavra, e dão fruto na perseverança”. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 13, 1-23; Mc 4, 1-20

 

 

Comentando o Evangelho

O coração bom e sincero

 

As comunidades cristãs primitivas viam-se às voltas com problemas que as faziam esmorecer. O resultado do trabalho missionário estava longe de corresponder às suas expectativas. Muita gente boa tinha se convertido ao Evangelho, mas, depois, virou as costas para a comunidade, como se a Palavra jamais tivesse lançado raízes em seu coração. Outros haviam acolhido o Reino, porém eram desesperadoramente lentos em dar mostras de sua conversão. Estavam sempre aquém do esperado.


A parábola do semeador oferece uma pista para interpretar esta situação, sem se deixar abater. É preciso saber que a Palavra semeada só frutifica, quando encontra corações que a acolham e lhe ofereçam as condições necessárias para desabrochar. Existem pessoas que são superficiais na escuta da Palavra, ou têm medo de enfrentar as perseguições, ou são facilmente seduzidas pelos prazeres e pelas riquezas. Entretanto, existem também aquelas que têm um coração bom e sincero, e são suficientemente resistentes para perseverar na sua opção pelo Reino.


Sendo assim, seria inconveniente cruzar os braços e se recusar a levar adiante a missão. É tempo de continuar a proclamar a Boa Nova do Reino, sem cair no erro de fazer, de antemão, a escolha do terreno. Em outras palavras, a comunidade deve evitar fechar-se em si mesma e criar discriminações entre as pessoas. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A parábola principal é para o povo todo; a explicação, com outra parábola menor, é para os discípulos. Uma parábola agrária se encontra num contexto profético (Is 28, 23-29). Embora Jesus não tenha sido lavrador por profissão, cresceu numa cultura dominada pela agricultura, tanto que Adão e Caim se apresentam como lavradores.  A parábola segue o esquema de três mais um: três ameaças e um bom resultado. Os animais (aves), as plantas (espinheiros), os minerais (pedras) podem ser hostis à colheita, a semente exige proteção permanente. O segredo do reinado de Deus é sua presença em Jesus; é que está chegando e avançando. Quem não escuta como deve, quem não sintoniza, não só fica sem compreender, mas se endurece progressivamente. Podemos notar vários pontos: a) a reciprocidade: a semente é palavra, porque a palavra de Deus é semente vital e fecunda, que cresce e se multiplica. b) Essa palavra deve ser semeada pela pregação do evangelho, que é palavra de Deus por excelência. c) A semente é ameaçada por forças externas e internas, com as quais é preciso contar. Essas forças são: o demônio, o mundo e a carne; a elas acrescentamos a “superficialidade” e falta de convicção. (Bíblia do Peregrino)

 

São José de Cupertino

 

 

 

 

São José de Cupertino, confessor franciscano, viveu uma das vidas mais belas e surpreendentes que se encontram no calendário litúrgico. Filho de camponeses do sul da Itália, era tão pouco dotado intelectualmente que a si mesmo dava, em sua humildade e graça, o nome de "Frei Asno". Diversas vezes tentou ingressar na vida religiosa sem o conseguir, por notória incapacidade. Só à custa de muita insistência foi admitido num convento franciscano. Apenas os frades menores de Grotella o acolheram, encarregando-o de cuidar das mulas. Só à custa de muita insistência foi admitido num convento franciscano Quando se preparava para o sacerdócio, era ajudado sobrenaturalmente em todas as provas e exames. Certa vez, somente conseguira estudar e assimilar uma frase da Escritura: "As entranhas que te trouxeram" Pela sua santidade, Deus. Em um exame, pediram-lhe que explicasse exatamente essa frase, e ele se saiu maravilhosamente bem: por isso passou a ser considerado o patrono dos estudantes em apuros. Ordenado sacerdote, vivia arrebatado em êxtases e era objeto de fenômenos místicos extraordinários. Era comum ser visto em levitação, erguido do solo a alturas elevadas. De seu corpo desprendia-se um suave perfume. Realizava milagres espantosos, curando doentes de todos os gêneros e, iluminado pelo Divino Espírito dava conselhos acertadíssimos, sendo procurado, por isso, por pessoas intelecutualíssimas, que vinham consultá-lo. Até o Papa quis conhecê-lo, e aconteceu que, durante a audiência com o Pontífice, o humilde franciscano entrou num êxtase e deixou o Papa admirado. Em suma, aquele que quase não fora admitido no convento, atingiu um santidade tão consumada e maravilhosa que se transformou numa das glórias da Ordem franciscana. O Frei Asno - porque assim a si mesmo se chamava, era capaz de responder às questões dos mais sofisticados teólogos. Passou o resto da vida fugindo das verdadeiras multidões que vinham atrás dele. Quando alguém tentou instalá-lo no convento de Assis, o papa protestou: "Em Assis, um são Francisco é mais do que suficiente". José faleceu aos 60 anos de idade, e hoje é invocado pelos estudantes que têm de enfrentar exames difíceis nas escolas.

 

 

O perdão na Bíblia

 

O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao “Messias-Juiz” (Is 33,24; Jr 31,34; 33,8; Ez 16,63; 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito (Ez 36,27; Is 11,1-3; Jo 20,19-23). É um poder do Filho do homem (Mt 9,3-7; Lc 7,48s; cf. Dn 7,13s). O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador arrependido (Mt 9,1-8; Lc 5,17-26; 7,48-50; At 10,42s; 13,38; 26,18). Esta fé pode ser também a de uma comunidade (Mc 2,2-5).  O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mt 9,8; 16,19; 18,28; Jo 20,19-23).  Os cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mt 5,23-26; 6,12-15; 18,21-25; Lc 11,4; 17,3s; 2Cor 2,5-11). Devem perdoar até aos inimigos (Eclo 28,1-7; Mt 5,44s; 6,12; 18,21s.35; Lc 6,36; 17,3; Rm 12,17-19; Ef 4,32; 1Ts 5,15; 1Pd 3,9; 1Jo 2,11). (Bíblia Sagrada Vozes, em CDROM)

 

Ao entardecer da vida, seremos julgados pelo amor. (São João da Cruz)