Sábado, 18 de junho de 2011

11ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Químico

 

Santos: Gregório Barbarigo, Amândio de Bordéus (bispo de Bordeaux), Isabel da Alemanha, Marina, Elisabete (monja na Romênia), Leôncio; Marcelino e Marco (mártires em Roma).

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meus protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9).

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 12, 1-10)

Paulo exalta sua fraqueza e limitação

 

Irmãos, 1será que é preciso gloriar-me? Na verdade, não convém. No entanto, passarei a falar das visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem, unido a Cris­to, que, há quatorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu. Se ele foi arrebatado com o corpo ou sem o corpo, eu não o sei, só Deus sabe. 3Sei que esse homem - se com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus o sabe – 4foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis que nenhum homem consegue pronunciar. 

 

5Quanto a esse homem eu me gloriarei, mas, quanto a mim mesmo, eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. 6No entanto, se eu quisesse gloriar-me, não seria insensato, pois só diria a verdade. Mas evito gloriar-me, para que ninguém faça de mim uma idéia superior àquilo que vê em mim ou que ouve de mim. 7E para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais.  8A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. 9Mas ele disse-me: "Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta". Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. 10Eis por que eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas

 

Em plena era da cibernética, em clima de economia programada, em que se procura reduzir ao mínimo as fronteiras do imprevisível, golpeamos o paradoxo Paulino: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (v. 10). E não se trata de slogan em cartaz publicitário ou figura de retórica, mas de princípio fundamental. Vivemos em época de intensa politização. E a política em sentido estrito é conquista e uso do poder. As expressões de Paulo são um convite à reflexão, para evitar os abusos de um meio que deve permanecer tal. O cristão não pode substituir o primado da fé pelo da política. Há também em política uma força dos fracos (cf a não-violência). Mas a perspectiva cristã vai além: nossa fragilidade permite à eficiência divina manifestar-se inteiramente. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

Salmo: 33(34), 8-9.10-11.12-13 (R/.9a)
Provai e vede quão suave é o Senhor! 

 

O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!  

 

Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada.  

 

Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus. Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias?

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 6, 24-34)

O mais importante é realizar a vontade do Pai 

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24"Ninguém pode servir a dois senhores, pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Querr de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 

 

28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: 'O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?' 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34Portanto, não vos preocupeis com o dia de manhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 12, 22-34 (Confiança na Providência)

 

Comentário o Evangelho

O Reino de Deus e a sua justiça

Jesus exortou os seus discípulos a "buscarem, antes de qualquer coisa, o Reino de Deus e a sua justiça". Esta admoestação pode ser tomada como uma espécie de resumo dos ensinamentos do Mestre. Nela está sintetizado o essencial de sua doutrina.


Busca o Reino de Deus quem centra a sua vida em Deus e em sua vontade, não deixando de fora nenhum âmbito de sua existência, por mais simples que seja. Deus não quer ter concorrentes, e não os tem. A idolatria não encontra lugar no coração do discípulo, uma vez que está solidamente ancorado em Deus.


A justiça do Reino decorre desta busca sincera, sendo sua expressão. Ela se torna patente no modo de proceder do discípulo cuja vida está centrada em Deus. Neste sentido, justiça torna-se sinônimo de amor misericordioso, solidariedade fraterna, perdão reconciliador, igualdade respeitosa, empenho por construir a paz. Justiça do Reino é ação visando expandir o senhorio de Deus na vida de cada pessoa e da sociedade. É luta em prol de um mundo mais conformado com o querer divino. É rejeição de tudo quanto impede o Reino acontecer. Enfim, é recusa a toda forma de idolatria e injustiça.


A busca do Reino de Deus e de sua justiça polariza de tal modo as preocupações do discípulo, a ponto de nada mais lhe parecer importante. Independentemente de suas preocupações, ele terá, por acréscimo, tudo quanto necessita. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

 

 

 

Oração da assembleia

Para que a Igreja saiba buscar e promover os verdadeiros valores humanos e cristãos, rezemos. Ouvi, Senhor, nossa prece.

Para que os meios de comunicação tenham sempre em vista o bem da humanidade, rezemos.

Para que deixemos a força de Deus se manifestar em nossas fraquezas e limitações, rezemos.

Para que superemos as preocupações excessivas e confiemos mais no Pai do céu, rezemos.

Para que as comunidades sejam perseverantes diante das dificuldades, rezemos.

(preces espontâneas da assembleia)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que pelo pão e vinho alimentais a vida dos seres humanos e os renovais pelo sacramento, fazei que jamais falte este sustento ao nosso corpo e à nossa alma. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da comunhão:

Pai santo, guarda no teu nome os que me deste, para que sejam um como nós, diz o Senhor (Jo 17,11).

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, esta comunhão na eucaristia prefigura a união dos fiéis em vosso amor; fazei que realize também a comunhão na vossa Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus não condena o uso dos bens terrestres, mas a idolatria dos mesmos. Condena o exagero de segurança e falta de confiança em Deus, típicos de uma mentalidade pagã. Para os nossos dias atuais, uma mentalidade materialista pelo poder do ter e não do ser. As palavras de Jesus não são um convite à preguiça, mas sim à confiança filial no Pai do Céu, a qual deve exprimir-se o alimentar-se na oração. Às vezes, chamamos instintivamente providência à abundância e ao bem-estar, ou nos sentimos separados dela quando também à nossa porta a penúria e o sofrimento. “O reinado de Deus e sua justiça” buscam também uma ordem justa entre os homens.

 

São Gregório Barbarigo

 

 

Proveniente de uma nobre família de Veneza, ficou órfão de mãe aos 4 anos de idade, mas o pai soube educar a seus filhos com suas atitudes exemplares, sendo confidente e conselheiro, recitando diariamente o pequeno ofício de N.Sra, até sua morte em 1687. Em 1643, aos 18 anos de idade tornou-se secretário do embaixador de Veneza na Alemanha até o ano de 1648, quando conheceu se tornou amigo de um Cardeal que seria um dia, papa: Fábio Chigi. Em 1655 tornou-se sacerdote (30 anos de idade). Foi bispo de Bérgamo e depois cardeal e bispo de Pádua. Sobretudo, nesta última cidade, pôde desenvolver plenamente seu trabalho pastoral, fundando escolas e instituições de caridade. Num período de peste fez o máximo na dedicação ao próximo. Seu coração é venerado no seminário diocesano de Pádua. Neste dia, por ordem do Papa João XXIII, de tão feliz memória, veneramos um santo de ciência e sabedoria admiráveis. Ele foi primeiro do Bispo da terra do Papa João XXIII, Bérgamo. Mais tarde, foi transferido para Pádua. Antes de ser padre e bispo, fora diplomata. Depois, cuidou do estudo das línguas orientais no seminário e fundou até uma imprensa poliglota.

 

A vida e seus saberes

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte – MG

 

É simples, mas ao mesmo tempo desafiador, concluir que a vida se conduz e se sustenta de saberes, que são muitos, fonte de poder e até de dominação. Sabido pode ser entendido como aquele que consegue, com palavras e artimanhas, ludibriar os outros. Encontrar saídas e passagens, fazer valer e alcançar seus objetivos e metas, até quando são espúrios e distantes do que se entende e é cidadania. Já vão se tornando obsoletas, e até ridículas, frases ou atitudes que caracterizaram a sagacidade política. Por exemplo, a arte de engambelar os outros, prometer e não cumprir, dar tapinhas nas costas para agradar ou fazer afirmações - até contrárias à própria convicção - para garantir simpatias e resultados positivos para pretensões, mesmo distantes, em projetos próprios.

 

É esperançoso ver desmoronar, ainda que lentamente, esse traço antipático na cultura e nas posturas, fruto da projeção que a exigência e o gosto pela transparência e a verdade emolduram na vida social e política. Os saberes científicos alargam horizontes, corrigem descompassos, realimentam a esperança de conquistas e momentos novos mais propícios para a vida. Esses saberes constituem um tesouro que expressa a magnificência da inteligência humana, os engenhos admiráveis das pesquisas que modificam perspectivas. Abrem possibilidades e configuram esperanças e boas condições para o viver humano e tratamentos mais racionais da natureza. Dão iluminação diferente ao sentido da vida, ao grande e crucial desafio da existência.

 

Está localizada na gama complexa e fascinante dos saberes -ciência, política, arte, tecnologia - a referência, sem igual, do saber que é a sabedoria. Vale lembrar o tesouro da Palavra de Deus no livro bíblico da Sabedoria, referência insubstituível e coluna de sustento na vida do Povo de Deus, a compreensão da sabedoria como virtude e companheira. No capítulo oitavo dessa obra, ela é tida como um amor que se procura desde a juventude. Quem quer ser sábio deve buscá-la com a pretensão de fazê-la sua esposa, compreendendo que ela é conhecedora da ciência de Deus, é quem seleciona as obras do Criador, é artífice do bom senso para tudo o que existe. Essa obra recorda que o amor à justiça é fruto da sabedoria, pois ela ensina a temperança e a prudência, a fortaleza - os bens mais úteis na vida.

 

Uma experiência vasta, como capacidade de conhecer o passado e entrever o futuro, conhecendo a sutileza das palavras e as soluções dos enigmas, brota e se mantém pela força da sabedoria. Sem seu saber e o sabor, o bem se compromete, a justiça não é prioridade e a vida fica mais difícil de ser vivida. Perde facilmente o sentido genuíno de dom. Aquele que se empenha, em meio aos embates, para se apropriar de saberes que sustentam o exercício profissional, abre caminhos para ganhos e sustentos da vida, por fazer da sabedoria a sua esposa. “Nela tem uma fiel conselheira para o bem, o conforto nas preocupações e tristezas”, assevera a literatura sapiencial mais genuína do Israel antigo. Por causa dela é que se podem conquistar louvores diante da multidão; o jovem ser honrado pelos anciãos e nos julgamentos se reconhece a perspicácia. De volta para casa, nela se encontra descanso, pois sua companhia não traz amargura e nem tédio a sua convivência, mas sim alegria e contentamento.

 

Os saberes todos têm sua dinâmica e lugar de produção, destinação e atendimento de demandas próprias. O saber da sabedoria não está simplesmente no ar. Ele se produz e se sustenta também em lugares e por dinâmicas. As obras de infraestrutura em instituições ou cidades são de extrema importância. A queixa mais lamentável é a defasagem no atendimento de demandas, com retardamentos que esgotam a paciência, com escândalo de sacrifícios impostos, em especial sobre os mais pobres, com a complicação advinda da falta de mão de obra especializada e de objetividade e honestidade na gerência de processos.

 

As instituições e cidades precisam também de obras, lugares de produção da sabedoria, certamente o tesouro mais precioso para a vida de cada um, que pode amalgamar diferenças e com elas construir tempos novos. Garantir sentido para a vida, que se não for autêntico e profundo não tem gosto e torna-se campo aterrador de batalhas, disputas, desgostos e vaidades que enjaulam a vida entendida e vivida no efêmero, que está no que é espetacular. É preciso ter obras como lugar, referência símbolo permanente de beleza e ensinamentos, com dinâmicas que permitam o entendimento, a busca e a súplica, como o sábio Salomão dirigia a Deus, a fonte inesgotável da Sabedoria: “Dá-me a sabedoria que se assenta contigo no teu trono, pois ela tudo conhece e compreende e me guiará com prudência”.

 

 

 

Cuidemos de nosso corpo, pois o Senhor se faz morada em nós. (Frei João Lopes)