Sábado, 18 de abril de 2009
Oitava da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca
O Senhor fez o seu povo sair com grande júbilo; com gritos de alegria, os seus eleitos, aleluia! (Sl 104, 43)
Santos: Ágia de Mons (viúva, monja), Apolônio, o Apologista (mártir de Roma), Calógero da Bréscia (mártir), Corebe de Messina (mártir), Eleutério (bispo) e Ântia, sua mãe (mártires), Francisco Régis Clet (lazarista, mártir), Gaudino de Milão (cardeal), Gebuíno de Lião (bispo), Idesbaldo de Dunes (abade), João de Janina ou de Épiro (mártir de Constantinopla), João Isauriano (monge), Laseriano de Leighlin (bispo), Perfeito de Córdova (presbítero, mártir), Wicterp de Ausburgo (abade, bispo).
Oração: Ó Deus, que pela riqueza da vossa graça multiplicais os povos que crêem em vós, contemplai solícito aqueles que escolhestes e daí aos que renasceram pelo batismo a veste da imortalidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
Leitura: Atos (At 4, 13-21)
Todos
glorificaram a Deus pelo que havia acontecido
Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas, 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário. 15Mandaram que saíssem para fora do sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16"O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus". 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: "Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos". 21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido. Palavra do Senhor!
Comentando a Leitura[1]
Quanto a nós, não nos podemos calar
sobre o que vimos e ouvimos
Os chefes do povo compreendem a força revolucionária do testemunho apostólico. Compreendem que a afirmação “Cristo é o único salvador do homem” assinala o fim da religião como era por eles concebida e praticada.
Que fazer então? É necessário fazer calar. Já está preparada a dinâmica da morte. Se ficam na injunção e na eliminação, é unicamente por motivos de oportunismo político.
Mas o cristão, como Pedro e João, não pode calar. Anunciar a Cristo não provém de necessidade humana, mas de missão divina. “Sereis minhas testemunhas”, dissera-lhes Jesus. Nenhuma intimidação, nenhuma perseguição poderá detê-los.
A coragem da Igreja, que anuncia o Cristo ressuscitado, não pode ser tolhida pelo mundo, porque não vem do mundo.
Salmo: 117 (118), 1 e
14-15.16ab-18.19-21 (+21a)
Dou-vos
graça, ó Senhor, porque me ouvistes
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. "Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.
A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas!" O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.
Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; quero entrar para dar graças ao Senhor! "Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!" Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!
Evangelho: Marcos (Mc 16, 9-15)
Proclamar
a boa notícia do reino
9Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, a qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. 12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Superando a incredulidade
A superação da incredulidade, por parte dos primeiros discípulos, aconteceu mediante um penoso caminho trilhado pela comunidade a fim de entender o que se passara com o Senhor. Não dava para acreditar que estivesse vivo quem fora vítima de horrenda morte de cruz! As imagens do Mestre desfigurado pelas torturas, cravado na cruz, com o lado perfurado por uma lança estavam ainda demasiadamente vivas na memória dos discípulos, para que pudessem dar crédito ao que se falava a respeito da ressurreição de Jesus.
O testemunho
de quem havia dado o passo da fé era sumariamente desprezado. Quando Maria
Madalena comunicou aos discípulos - tristonhos e imersos em pranto - que o
Senhor estava vivo, eles não lhe deram crédito. Igualmente, não acreditaram nos
dois discípulos que tinham tomado consciência da ressurreição de Jesus,
enquanto voltavam para o campo.
A
incredulidade dos Onze só foi superada após a refeição com o Mestre. A censura
que ele lhes dirigiu, por serem duros de coração, valeu também para todos
quantos persistiam em lastimar a morte do amigo, sem se darem conta de que algo
novo havia acontecido.
Era urgente
deixar a incredulidade de lado, pois tinham uma grande missão a cumprir: ir
pelo mundo inteiro e proclamar o Evangelho a toda criatura. O conteúdo da Boa
Nova a ser anunciada consistia exatamente no fato da ressurreição do Senhor e
que por meio dela era possível obter a salvação oferecida pelo Pai a cada ser
humano.
Independentemente da reação dos ouvintes, quem experimentou a presença do Ressuscitado é impelido a anunciar a todo mundo esta experiência transformadora.
Santa Maria Encarnação[3]
Nascida em Paris em 1565, Santa Maria da Encarnação, religiosa carmelita, cujo nome anterior era Acaria, nasceu em Paris, no dia 1º de Janeiro de 1565. Seu nome de batismo era Bárbara. Casou-se aos 16 anos com um rico senhor, chamado Pedro Acário, e foi mãe de seis filhos. Passou por várias atribulações e aflição de espírito. Seu marido foi exilado, seus bens confiscados. Tomou a defesa do marido, não se detendo até provar a inocência dele. Educou os filhos no amor à verdade, no respeito e no serviço aos mais pobres e desvalidos. Ensinou-os a viver de maneira simples, sóbria, modesta e temente a Deus. Ensinou-lhes também o espírito de sacrifício e a força de vontade perante as dificuldades. E o fez mais com seu exemplo do que com palavras: os infelizes, os aflitos, os doentes, os encarcerados encontraram nela amparo e proteção. Assentou na França as Carmelitas e apoiou a obra das vocações. Morto seu esposo em 1613, ingressou ela na Ordem das Carmelitas, jurando obediência à própria filha, eleita abadessa do convento de Amiens. Terminou os seus dias num leito de dor no convento carmelita de Pontoise. E ao morrer no dia 7 de fevereiro de 1618, recitou várias vezes os Salmos 21 e 101. Era quinta-feira santa do ano 1618.
Aquele que se esquece da misericórdia recebida, não se compadece de ninguém. (S.Antonio)