Sábado, 17 de dezembro de 2011

Terceira Semana do Advento - 3ª do Saltério, Livro I - Cor Litúrgica Roxa

 

Santos: Bega de Andenne (abadessa), Briaco da Bretanha (eremita), Eigil de Fulda (abade), Estúrmio de Fulda (abade), Floriano, Calanico e Companheiros (mártires de Gazza), João da Mata (presbítero, fundador dos Trinitários), Judicael da Bretanha (rei), Lázaro de Betânia (personagem bíblico do Novo Testamento, amigo de Jesus), Olímpia de Constantinopla (viúva, diaconisa), Teta da Inglaterra (abadessa), Tydecho do País de Gales (abade), Vivina de Grand-Bigard e Iolanda (virgens), Cristóvão de Penne (bem-aventurado), Maria Vitória Fornari Strata (bem-aventurada) , Menardo de Sassovivo (abade, bem-aventurado)

 

Antífona: Alegrem-se os céus e exulte a terra, porque o Senhor nosso Deus virá e terá compaixão dos pequeninos. (Cf Is 49,13)

 

Oração: Ó Deus, criador e redentor do gênero humano, quisestes que o vosso Verbo se encarnasse no seio da Virgem. Sede favorável à nossa súplica, para que o vosso Filho unigênito, tendo recebido nossa humanidade, nos faça participar da sua vida divina. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 49, 2.8-10)
Jacó profere algumas palavras de conforto

 

Naqueles dias, Jacó chamou seus filhos e disse: 2“Juntai-vos e ouvi, filhos de Jacó, ouvi Israel, vosso pai! 8Judá, teus irmãos te louvarão; pesará tua mão sobre a nuca de teus inimigos, se prostrarão diante de ti os filhos de teu pai. 9Judá, filhote de leão: subiste, meu filho, da pilhagem; ele se agacha e se deita como um leão, e como uma leoa; quem o despertará? 10O cetro não será tirado de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até que venha Aquele a quem pertencem, e a quem obedecerão os povos”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

O cetro não terá tirado de Judá

Com um só e único ato decide Deus criar a humanidade, e anular com sua ação redentora o débito do pecado por ela contraído. A idéia de um redentor  que virá enche toda a antiga lei. Votos e desejos do povo hebreu concentram-se nele. Um autor dos primeiros séculos da era cristã reassume tal expectativa, afirmando que todo o AT trazia Jesus Cristo em seu bojo. O patriarca Jacó, chegado ao fim de seus dias, vê o facho, o cetro do Messias na tribo de Judá e na descendência de Davi, mas é um cetro que supera as vicissitudes históricas de um povo, por ser o cetro de Deus e uma só coisa com ele. O cetro é sinal de seu poder, mas sobretudo de seu amor; porque para Deus reinar é servir a seus servos, feitos seus amigos. [Missal Cotidiano, Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 71 (72), 2.3-4ab.7-8.17 (R/.cf.7)

Nos seus dias a justiça florirá e paz em abundância, para sempre


1Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.


3Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça! 4aEste rei defenderá os que são pobres, 4bos filhos dos humildes salvará.


7Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! 8De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!


17Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!

 

Evangelho: Mateus (Mt 1, 1-17)
Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi

 

1Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; 4Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; 5Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. 6Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido a mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia.


12Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; 14Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó. 16Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 17Assim, as gerações desde Abraão até Davi são quatorze; de Davi até o exílio na Babilônia, quatorze; e do exílio na Babilônia até Cristo, quatorze. Palavra da Salvação

 

Leitura paralela: Lc 3, 23-38

 

 

Comentando o Evangelho

A criação consumada

 

O longo elenco genealógico forjado pelo evangelista para explicitar a linhagem davídica de Jesus - filho de Davi -, esconde, em suas entrelinhas, um rico filão teológico. Uma de suas vertentes é o tema da criação levada à sua plenitude com a irrupção de Jesus na história humana. A genealogia pretende ser uma releitura do Gênesis e não o resultado de uma pesquisa minuciosa a respeito dos antepassados do Messias.


O cabeçalho da genealogia é introduzido pela expressão "livro do gênesis de Jesus Cristo". Tudo nela gira em torno do verbo "gerar", dar vida, trazer à existência, encaminhando-se para a geração de Jesus, como ponto para onde converge todo o dinamismo da História. Nele as gerações chegam a termo. Não se dirá "Jesus gerou ...", por se constituir o definitivo ponto de referência de tudo quanto existe.


O evangelista também serviu-se de uma rica simbologia numérica, em voga nos círculos rabínicos da época, para alcançar seu objetivo. O número quatorze multiplicado por três corresponde a quarenta e dois, ou seja, seis vezes sete. Na aritmética teológica hebraica, o número seis indicava imperfeição, carência. Ele corresponderia aos seis dias da criação. Competia ao Messias Jesus inaugurar o sétimo dia para levar a criação à plenitude.


Na concepção de Jesus, a presença do Espírito Santo, comparável ao vento que soprava sobre as águas por ocasião do primeiro gênesis, completa o simbolismo: em Jesus tem início a criação nova e verdadeira. É a criação consumada!
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Oração da Assembleia (Deus Conosco Dia a Dia)

Ergamos nossa voz em prece ao Pai de bondade, que na sua misericórdia decidiu salvar seu povo por meio de seu Filho Jesus. Supliquemos: Conservai-nos, Senhor, em comunhão convosco!

Deus de amor, que nos enviastes vosso Filho, inclinai nosso coração para a verdade e para a justiça entre nós. Nós vos pedimos.

Conservai-nos, Senhor, em vosso amor para alcançarmos vossa misericórdia. Nós vos pedimos.

Fazei, ó Deus, que vossos filhos e filhas permaneçam firmes na fé e na prática da caridade. Nós vos pedimos.

Guardai-nos, Senhor em vossa bondade e dai-nos vossa presença amiga e certa. Nós vos pedimos

(Intenções próprias da Comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Santificai, ó Deus, as oferendas da vossa igreja, e concedei que por estes sagrados mistérios, sejamos restaurados com o pão do céu. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que vem o desejado de todas as nações: ele encherá de glória a casa do Senhor. (Cf Ag 2,8)

 

Oração Depois da Comunhão:

Saciados com os vossos dons divinos, nós vos pedimos, ó Deus todo-poderoso, que possamos realizar o nosso desejo de brilhar diante do Cristo que se aproxima, como lâmpadas acesas pelo vosso Espírito. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São Lázaro

 

Jesus o tinha como seu grande amigo e costumava se hospedar em sua casa. Lázaro muito estimado na sociedade hebraica devido sua origem nobre e suas virtudes da honestidade e religiosidade. Era irmão de Marta e Maria. Foi a ele que Jesus ressuscitou (Jo 11,1-44) Portanto Lázaro teve dois túmulos porque faleceu duas vezes! O primeiro túmulo do qual ressuscitou ficou vazio e é mostrado até hoje para os que peregrinam na Terra Santa. Uma antiga tradição tornou-o bispo e mártir de Chipre, palavras que se encontram seu segundo túmulo. Seu corpo foi transportado depois para Constantinopla.

 

O Menino Jesus e o Papai Noel

 

Dom Eduardo Koaik, Bispo Emérito de Piracicaba - SP

 

Em tempos passados não muito distantes, Papai Noel esteve sempre relacionado ao Menino Jesus. Nos dias atuais, infelizmente, andam separados. Por toda parte onde o velhinho aparece, o Aniversariante da festa não é lembrado, mas posto fora da cena.

 

Sacoleiro errante, demonstrando preferências por crianças ricas, é a maneira como geralmente se apresenta. Perdeu-se no tempo sua figura original de mensageiro do Menino Jesus. Conformou-se passar por “Velho Propaganda” do consumismo, seu novo emprego. Nada mais do que um assalariado sazonal.

 

Colado em paredes e portas de lojas comerciais, pendurado em árvores de Natal psicodélicas, caminhando sem destino pelas ruas da cidade, o que pode significar sua imagem? Para alguns, talvez, lembre aquela felicidade nostálgica dos anos que não voltam mais. Para outros, pode representar momentos de fuga de uma vida sofrida e mergulhada em lutas sem fim. Para outros, ainda, será uma figura lendária que aparece todo fim de ano trazendo ilusões.

 

Pelas ondas do rádio, exibe uma voz atraente e acolhedora e, nas telas da TV, abraça e beija crianças. Viaja na internet com o nome de Santa Claus, a trazer presentes virtuais... Mas, de fato, esse Papai Noel moderno só pensa numa coisa e só trabalha por uma causa: vender, vender e sempre mais vender. Vende e dá muitos presentes. Quando vende, explora quem tem e quem não tem. Quando dá presentes para quem tem, só presentes novos e caros. Para quem não tem, presentes usados. Alheio ao sofrimento dos outros, nunca é visto chorando, mas sempre sorridente.

 

Na calada da noite, durante o sono das crianças, entra de mansinho nas moradias, ora descendo por chaminés, ora pulando pelas sacadas das janelas, sempre fantasiosamente esperado.

 

É um trabalho menos árduo do que caminhar pelas favelas. Não é hábito seu ir aonde as crianças não colocam o par de sapatinhos ao pé da cama, lá onde andam descalças e dormem no chão.

 

Tenho saudades do Papai Noel da “aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais...”. Aquele velhinho corado, barbas brancas, faces iluminadas de carinho, sorriso aberto e braços ainda mais abertos, aparentemente parecido com esse Papai Noel de hoje. Na realidade, um bem diferente do outro.

 

Vinha ele, o da minha infância querida, carregado de presentes para o Menino Jesus do Presépio lá de casa distribuí-los aos grandes e pequenos e à família da empregada que passava esse dia da fraternidade conosco. Sim, era o Menino Jesus quem repartia os presentes. Costume que ainda perdura em algumas famílias, Papai Noel traz presentes e os entrega em nome do recém-nascido na manjedoura de Belém.

 

Revivia-se com tão expressivo gesto o pleno sentido da profecia de Isaías: “Um menino nasceu para nós” (9,5). Ele é o presente de Deus à humanidade, motivo maior de nossa confraternização, manifestada na troca de presentes nessa Noite Feliz e de Paz.

 

Lenda ou história, Papai Noel da minha infância querida lembrava também São Nicolau, lá do século VI, que, nas noites de Natal, percorria as moradas dos pobres, repartindo com eles as doações dos fiéis em homenagem ao Pobrezinho que nasceu em Belém.

 

Haverá quem nasça mais pobremente? Escreve o Apóstolo Paulo aos Filipenses, que o Filho de Deus não se apegou de modo ciumento à sua condição divina, mas, “esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2, 6-7). Sua presença no meio de nós, nossa maior riqueza, foi a graça que recebemos de nos tornarmos filhos do mesmo Pai que fez de todos nós irmãos do seu Filho (Jo 1,16).

 

Nasceu pobremente – no sentido real da expressão – ao relento, “do lado de fora da casa, pois dentro não havia lugar para ele”. Sua Mãe “envolveu-o em faixas e reclinou-o na manjedoura de animais”, seu primeiro berço. Na predição de Isaías, é chamado de “Emanuel” (Deus-conosco) e, na voz do Anjo aos pastores de Belém, proclamado o Salvador. Só conheceu dois tronos: a Manjedoura e a Cruz. Ao perpetuar-nos sua memória na Eucaristia, transformou-os na mesa da Ceia.

 

Na sociedade consumista, o símbolo mais evocativo do Natal é o Papai Noel sequestrado pelas forças do poder econômico que urge delas libertá-lo. Desejamos que volte a ser mensageiro da Boa-Nova anunciada a uma Virgem de Nazaré chamada Maria: “Eis que darás à luz um filho e o chamarás Jesus”, bem como anunciada aos pastores que guardavam o rebanho nos campos de Belém: “Nasceu-nos hoje um Salvador”. Festejar o Natal ignorando o Aniversariante da festa, eis a mais triste alienação.

 

Papai Noel dos tempos da internet está com outra identidade. Não é mais aquele. Não sabe mais que, um dia, sua missão foi parecida, também, com a de João Batista, o precursor. Ele “não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (Jo 1,27). Aos contemporâneos, alertou com severa advertência totalmente válida após dois mil anos: “No meio de vós está alguém que não conheceis” (Jo 1,26).

 

A alegria do Natal seria mais completa se Papai Noel testemunhasse como João Batista, a respeito do Menino Jesus, o Aniversariante: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). [Fonte: CNBB]

 

Não é livre quem não obteve domínio sobre si próprio. (Pitágoras)