Sábado, 17 de setembro de 2011

24ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

 

Hoje: Dia do Transportador Rodoviário de Carga

 

Santos: São Cornélio (Bispo de Roma), São Cipriano (Bispo de Cartago) Abúndio, Abundâncio, Marciano e João (mártires de Roma) , Cipriano (bispo e mártir, 258), Cornélio (papa e mártir, 352), Edith de Wilton (filha do Rei Edgar, da Inglaterra, virgem), Eufêmia de Calcedônia (virgem martirizada em 303 na Calcedônia), Eumélia (virgem e mártir, uma das oito mártires irmã de Santa Librada e Marciana, s.II), João Macias (religioso dominicano), Ludmila da Boêmia (avó de São Boleslau, mártir, assassinada pelo próprio neto, 927), Luzia e Geminiano (mártires de Roma, 303), Niniano de Whitehern (bispo, 432), Rogério e Abdala (decapitados pelos mulçumanos em 852), Sebastiana de Heracléia (mártir, convertida por São Paulo), Tomás de Foligno (confessor franciscano, ofs) Victor III (1087).

 

Antífona: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36, 18)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Timóteo (1Tm 6, 13-16)

A ele honra e poder eterno

 

Caríssimo, 13diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único soberano, o rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém. Palavra do Senhor!

 

  

Comentando a Leitura

Guarda o teu mandato íntegro e sem  mancha

 

Eis o retrato do pastor ideal. Com vida santa e sem mácula, deve Timóteo conservar intacta e sem compromissos a doutrina e o Espírito do Senhor; até o dia de sua manifestação. Paulo quer radicar profundamente no coração de Timóteo a grande exigência de toda a sua vida: conservar pura e intacta a fé cristã, em face das filosofias e ataques heréticos, até à volta de Jesus Cristo. Para o cristão, a primeira e mais importante tarefa é a guarda da fé, amando Cristo em seu corpo, que é a Igreja. Jamais Cristo sem a Igreja! Hoje, alguns amam a Cristo isoladamente, sem a Igreja. Muitas vezes, em sua consciência, um universalismo político já substituiu a Igreja. Guardar a fé quer dizer conservar a todo custo a comunhão: a credibilidade dos cristãos passa através da comunhão que os une num só corpo. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 99 (100), 2.3.4.5 (R/.2C)

Com canto apresentai-vos diante do Senhor!

 

Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!

 

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus. Ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho. 

 

Entrai por suas portas dando graças, e em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei! 

 

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 8, 4-15)

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça

 

Naquele tempo, 4reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola: 5"O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos e a sufocaram.

 

8Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um". Dizendo isso, Jesus exclamou: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". 9Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. 10Jesus respondeu: "A vós foi dado conhecer os mistérios do reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam.

 

11A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem.

 

13Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás.

 

14Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer.

 

15E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a palavra, e dão fruto na perseverança". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 13, 1-9; Mc 4, 1-9

 

 

Comentário o Evangelho

O coração bom e sincero

 

As comunidades cristãs primitivas viam-se às voltas com problemas que as faziam esmorecer. O resultado do trabalho missionário estava longe de corresponder às suas expectativas. Muita gente boa tinha se convertido ao Evangelho, mas, depois, virou as costas para a comunidade, como se a Palavra jamais tivesse lançado raízes em seu coração. Outros haviam acolhido o Reino, porém eram desesperadoramente lentos em dar mostras de sua conversão. Estavam sempre aquém do esperado.


A parábola do semeador oferece uma pista para interpretar esta situação, sem se deixar abater. É preciso saber que a Palavra semeada só frutifica, quando encontra corações que a acolham e lhe ofereçam as condições necessárias para desabrochar. Existem pessoas que são superficiais na escuta da Palavra, ou têm medo de enfrentar as perseguições, ou são facilmente seduzidas pelos prazeres e pelas riquezas. Entretanto, existem também aquelas que têm um coração bom e sincero, e são suficientemente resistentes para perseverar na sua opção pelo Reino.


Sendo assim, seria inconveniente cruzar os braços e se recusar a levar adiante a missão. É tempo de continuar a proclamar a Boa Nova do Reino, sem cair no erro de fazer, de antemão, a escolha do terreno. Em outras palavras, a comunidade deve evitar fechar-se em si mesma e criar discriminações entre as pessoas. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Para que nossas ações demonstrem a fé que professamos, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Para que nossos governantes sejam comprometidos com a causa dos pobres, rezemos.

Para que os empregados sejam valorizados pelos seus empregadores, rezemos.

Para que as famílias busquem no diálogo a superação de suas dificuldades, rezemos.

Para que Deus dê saúde a todos os doentes de nossa comunidade, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Sede propício, ó Deus, às nossas súplicas e acolhei com bondade as oferendas dos vossos servos e servas para que aproveite à salvação de todos o que cada um trouxe em vossa honra.. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quão preciosa é, Senhor, vossa graça! Eis que os filhos dos homens se abrigam sob a sombra das asas de Deus. (Sl 35,18)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a ação da vossa eucaristia penetre todo o nosso ser para que não sejamos movidos por nossos impulsos, mas pela graça do vosso sacramento. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: A parábola principal é para o povo todo; a explicação, com outra parábola menor, é para os discípulos. Uma parábola agrária se encontra num contexto profético (Is 28, 23-29). Embora Jesus não tenha sido lavrador por profissão, cresceu numa cultura dominada pela agricultura, tanto que Adão e Caim se apresentam como lavradores.  A parábola segue o esquema de três mais um: três ameaças e um bom resultado. Os animais (aves), as plantas (espinheiros), os minerais (pedras) podem ser hostis à colheita, a semente exige proteção permanente. O segredo do reinado de Deus é sua presença em Jesus; é que está chegando e avançando. Quem não escuta como deve, quem não sintoniza, não só fica sem compreender, mas se endurece progressivamente. Podemos notar vários pontos: a) a reciprocidade: a semente é palavra, porque a palavra de Deus é semente vital e fecunda, que cresce e se multiplica. b) Essa palavra deve ser semeada pela pregação do evangelho, que é palavra de Deus por excelência. c) A semente é ameaçada por forças externas e internas, com as quais é preciso contar. Essas forças são: o demônio, o mundo e a carne; a elas acrescentamos a “superficialidade” e falta de convicção. (Bíblia do Peregrino)

 

São Roberto Belarmino

Roberto Francisco Rômulo Belarmino veio ao mundo no dia 4 de outubro de 1542, em Montepulciano, Itália. Era filho de pais humildes e católicos de muita fé. Tiveram doze filhos, dos quais seis abraçaram a vida religiosa, tal foi a influência do ambiente cristão que proporcionaram a eles com os seus exemplos.

 

O menino Roberto nasceu franzino e doente. Talvez por ter tido tantos problemas de saúde nos primeiros anos de existência, dedicou atenção especial aos doentes durante toda a vida.

 

Embora constantemente enfermo, Roberto demonstrou desde muito cedo uma inteligência surpreendente, que o levou ao magistério e a uma carreira eclesiástica vertiginosa. Em 1563, foi nomeado professor do Colégio de Florença e, um ano depois, passou a lecionar retórica no Piemonte. Em 1566, foi para o Colégio de Pádua, onde também estudou teologia e, em 1567, mudou para a escola de Louvain, sendo, então, já muito conhecido em todo o país como excelente pregador.

 

Em 1571, tendo concluído todos os estudos, recebeu a ordenação sacerdotal e entrou para a Companhia de Jesus. Unindo a sabedoria das ciências terrenas, o conhecimento espiritual e a fé, escreveu os três volumes de uma das obras teológicas mais consultadas de todos os tempos: "As controvérsias cristãs sobre a fé", um tratado sobre todas as heresias.

 

Mais tarde, em 1592, Belarmino foi nomeado diretor do Colégio Romano, que contava com duzentos e dois professores e dois mil estudantes, entre os quais duzentos jesuítas. Lá, realizou um trabalho de tamanha importância que, algum tempo depois, foi nomeado para o cargo de superior provincial napolitano, função em que ficou apenas por dois anos, pois o papa Clemente VIII reclamava sua presença em Roma, para auxiliá-lo como consultor no seu pontificado. Nesse período, produziu outra obra famosa: "Catecismo", que teve dezenas de edições e foi traduzido para mais de cinquenta idiomas.

 

Com a morte do papa Clemente VIII, o seu sucessor, papa Leão XI, governou a Igreja apenas por vinte e sete dias, vindo a falecer também. Foi assim que o nome de Roberto Belarmino recebeu muitos votos nos dois conclaves para a eleição do novo sumo pontífice. Mas, no segundo, surgiu o novo papa, Paulo V, que imediatamente o chamou para trabalharem juntos no Vaticano. Esse trabalho ocupou Belarmino durante os vinte e dois anos seguintes.

 

Morreu aos setenta e nove anos de idade, em 17 de setembro de 1621, apresentando graves problemas físicos e de surdez, consequência dos males que o acompanharam por toda a vida. Com fama de santidade ainda em vida, suas virtudes foram reconhecidas pela Igreja, sendo depois beatificado, em 1923. A canonização de são Roberto Belarmino foi proclamada em 1930. No ano seguinte, recebeu o honroso título de doutor da Igreja. A sua festa litúrgica foi incluída no calendário da Igreja na data de sua morte, a ser celebrada em todo o mundo cristão. [paulinas.org.br]

 

 

Deus ou o Big Bang?

Dom Redovino Rizzardo, cs, Bispo de Dourados - MS

 

Há cristãos que continuam convictos de que, para serem coerentes com a fé que receberam da Igreja, precisam recorrer a uma interpretação literal da Bíblia, como se ela fosse um livro de ciências naturais ou de história universal. Para o Papa Bento XVI, ao invés, nada impede que se acredite que o universo tenha tido a sua origem num Big Bang conduzido por Deus.

 

Foi o que deixou entrever na quinta-feira, dia 6 de janeiro de 2011, festa da Epifania de Jesus, data em que o Evangelho de Mateus fala de uma estrela que conduziu uns magos desde o Oriente até Belém: «Há pessoas que querem nos fazer acreditar que o universo é resultado do acaso. Pelo contrário, contemplando o universo, somos convidados a pensar na sabedoria de Deus e na sua criatividade inacabável».

 

Foram várias as vezes em que o Papa se pronunciou sobre a evolução do universo, apesar de raramente se haver referido ao Big Bang, a imponente explosão que os cientistas acreditam ter ocorrido há 14 bilhões de anos, da qual se iniciou a formação do cosmos.

 

Para Bento XVI, a ciência, por si só, não é suficiente para chegar ao âmago da realidade, que só pode ser apreendida através do acordo entre inteligência e fé, ciência e revelação, as duas luzes que guiaram os Reis Magos a Belém. Em sua opinião, algumas teorias científicas apoquentam a mente e deixam sem resposta as questões mais importantes: «Só é possível compreender a beleza do mundo, o seu mistério, a sua grandeza e a sua racionalidade se nos deixarmos guiar por Deus, criador do céu e da terra».

 

Se a religião não pode tomar o lugar da ciência, esta, por sua vez, deve perder seu orgulho de autossuficiência e entender que muito da realidade escapa ao seu alcance. Numa palavra, imitar o exemplo dos Magos, autênticos buscadores da verdade: apesar de sábios – ou melhor, por isso mesmo –, não se envergonharam de pedir auxílio à religião para chegar a Belém. Eram homens de ciência – em seu sentido mais amplo – que observavam o cosmos e o consideravam um grande livro, cheio de sinais e mensagens de Deus para o homem. Uma ciência que, ao invés de se julgar autossuficiente, se abria a revelações e mensagens divinas.

 

Assim sendo, o título que dei ao artigo deveria ser mudado: ao invés de “Deus ou o Big Bang”, o certo seria “Deus e o Big Bang”.

 

Não são poucos os que defendem o criacionismo e combatem o evolucionismo porque julgam que somente assim se pode salvar a existência e a ação de Deus. Para eles, criação e evolução não podem andar juntas. Para manter intacta a fé, apegam-se ao relato da criação como as primeiras páginas da Bíblia o descrevem –, no máximo, substituindo os seis dias por períodos, ciclos ou eras.

 

Entretanto, criação e evolução fazem parte de um único processo: o universo teve início num ato de amor de Deus e continua sendo desenvolvido e completado por ele – sobretudo através da atividade humana – ao longo dos tempos. A criação aconteceu no passado e acontece no presente, num processo lento e constante, resultado de uma infinidade de altos e baixos, que deveriam conduzir progressivamente a humanidade a níveis cada vez mais elevados.

 

“Deveriam”, porque o pecado fez sua aparição no mundo e, com ele, tudo ficou mais complicado. Em todo caso, quem não se deixa contaminar por ele, descobrirá que o universo, a natureza e principalmente o ser humano refletem muito da beleza, da grandeza e do amor de Deus. Nem precisará de argumentos que provem a existência de Deus: em toda a parte, ser-lhe-á visível o milagre divino.

 

É também por isso que, quanto mais cristão ele for, mais se preocupará com o planeta, para que a criação continue seu caminho evolutivo onde o espírito e a vida tenham a primazia. Nesse processo, ao invés de um obstáculo, a fé se transformará num facho luminoso a guiar a inteligência e a atividade humana, até que se realize a utopia vislumbrada pelos profetas: «Vou criar um novo céu e uma nova terra» (Is 65, 17), e realizada por Jesus: «No final, Cristo entregará o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído as forças do mal. E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, ele também se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos» (1Cor 15,24.28). [CNBB]

 

Enfrente o seu medo e transforme em força de vida. (Anselm Grtin)