Sábado, 17 de julho de 2010

Beato Inácio de Azevedo, Presbítero e Mártir, Memória, cor Litúrgica Vermelha

 

 

Hoje: Dia do Protetor da Floresta

 

Santos: Aleixo (o homem de Deus, Século V), Bartolomeu de las Casas, Enódio (bispo de Pavia, 521 A.D.), Cenelmo (ou Quenelmo, jovem mártir, Inglaterra, 812, A.D), Marcelina (Virgem, 398 A.D., Milão), Teodósia, Leão IV (papa, 855 A.D.), Clemente de Okrida (e seus Companheiros, os sete Apóstolos da Bulgária, Seculo IX), Nerses Lampronatsi (arcebispo de Tarso, 1198 A.D.), Beato Ceslau (A.D. 1242), As Carmelitas Mártires de Compiègne (1794 A.D.), Maria Madalena Leidone.

 

Antífona: Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor! (Fl 2, 10-11)

 

 

Oração: Ó Deus, que escolhestes Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros para regarem com seu sangue as primeiras sementes do evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz, concedei-nos professar constantemente, para vossa maior glória, a fé que recebemos de nossos antepassados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura, Miquéias (Mq 2, 1-5)
 A ambição pela riqueza torna o homem funcional

 

1"Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. 2Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens. 3Isto diz o Senhor: "Eis que tenciono enviar sobre esta geração perversa uma desgraça de onde não livrareis vossos pescoços; não podereis andar de cabeça erguida, porque serão tempos desastrosos.

 

4Naquele dia, sereis assunto de uma alegoria, de uma canção triste que diz: 'Fomos inteiramente devastados; a parte de meu povo que passou a outro por ninguém lhe será restituída; os nossos campos são repartidos entre infiéis'. 5Por isso, não terás na assembleia do Senhor quem meça com cordel as porções consignadas por sorte". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Cobiçam campos, e tomam-nos com violência

 

A tentação do dinheiro é capaz de levar o homem a passar por cima de todos os sentimentos e a ter da vida um conceito oposto aos princípios de Cristo. Deus tem palavras que não podem ser subestimadas: "Medito um mal contra esta raça, do qual não poderão livrar o pescoço" (v. 3). É incalculável o dano moral, quando tal proceder provém de pessoas que se dizem cristãs, que "se mostram assíduas" à prática cristã. Deve-se a isto o acrescido número dos que combatem a Igreja. As injustiças, as explorações não ficam ocultas aos olhos dos homens. Muito menos aos de Deus. O salmista suplica a Deus que venha vingar os infelizes de todo tipo de perseguidores: “Seus olhos contemplam o infeliz: tu vês angústia e sofrimento, e observas para tomá-los na mão" (SI 9b,8.14).  [Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 9B, 22-23.24-25.28-29.35
O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos

 

O Senhor, por que ficais assim tão longe, e, no tempo da aflição, vos escondeis, enquanto o pecador se ensoberbece, o pobre sofre e cai no laço do malvado?

 

O ímpio se gloria em seus excessos, blasfema o avarento e vos despreza; em seu orgulho ele diz: "Não há castigo! Deus não existe!" É isto mesmo que ele pensa.

 

Só há maldade e violência em sua boca, em sua língua, só mentira e falsidade. Arma emboscadas nas saídas das aldeias, mata inocentes em lugares escondidos.

Vós, porém, vedes a dor e o sofrimento, vós olhais e tomais tudo em vossas mãos! A vós o pobre se abandona confiante, sois dos órfãos vigilante protetor.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 12, 14-21)
 Jesus quer que os homens reconheçam a ação do pai

 

Naquele tempo, 14os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaias: 18"Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21Em seu nome as nações depositarão a sua esperança". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

O servo escolhido

 

Na tentativa de compreender a ação misericordiosa de Jesus em favor das multidões, acolhidas e curadas por ele, a Igreja primitiva recorreu a um texto do profeta Isaías, conhecido como “o primeiro canto do Servo de Javé”. Até hoje, não se sabe ao certo a quem o profeta se referia. Em todo caso, o Servo foi apresentado como alguém muito querido por Deus, a cujo serviço se colocou totalmente. Sua missão consistiu em implantar o projeto de Deus na Terra, de modo que a justiça imperasse no mundo inteiro. A humildade e simplicidade do Servo fizeram dele um ser pacífico, que não escolheu o caminho da violência para realizar sua missão. Ele foi discreto. Não realizou suas obras com estardalhaço, para ser notado. Foi compassivo e bondoso com as pessoas, especialmente, as mais fracas, e jamais decepcionou ninguém. Enquanto houvesse um fiozinho de esperança, o Servo não se desesperava. Se a cana estava rachada, acreditava na possibilidade de recuperá-la. Se a mecha ainda estava fumegante, acreditava na possibilidade de ainda obter uma labareda e não a apagava. A justiça acontecia, portanto, no respeito ao fraco e não eliminando-o. O Servo, assim pensado, tornava-se digno da confiança de todos os povos.


O caminho escolhido por Jesus para realizar sua missão foi o mesmo do Servo. Sem triunfalismo, ele soube levar os pobres a recuperar a esperança. [Missal Dominical, Paulus, 1995]

 

Para sua reflexão: Os inimigos de Jesus ficam sem resposta diante de suas palavras, mas Jesus começa a ser já um perigo público que deve ser eliminado. No relato de Mateus, o versículo 14 marca o início das deliberações do desenlace final. Diante dessa deliberação Mateus pronuncia um veredito aplicando a Jesus um texto profético, o primeiro canto do servo (Is 42, 1-4). Colocando aqui, servirá também de contraste para a controvérsia que se segue, na qual os inimigos o denunciam como servo do Diabo. [Novo Testamento/Estudos, Ave-Maria]]

 

Beato Inácio de Azevedo e 39 Companheiros Mártires

Inácio de Azevedo era natural do Porto, Portugal, nascido por volta de 1526, de família importante e influente. Aos 22 anos entrou para a ordem dos Jesuítas. Foi vice-provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Destacava-se pela penitência, oração e obras de misericórdia.A grande paixão de Inácio eram as missões! Pela seu caráter empreendedor, ativo e enérgico, São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o Visitador do Brasil. Chegou à Bahia em 24 de agosto de 1566, juntamente com outros jesuítas. A incumbência revestiu-se de grande dinamismo e oportunas medidas de governo. Partiu para Portugal em 24 de agosto de 1568, para conseguir reforços para o Brasil. Reuniu uma expedição de 73 religiosos, e zarparam nas três naus da frota do Governador do Brasil. A nau em que viajavam Inácio e um dos grupos foram atacados por protestantes calvinistas que quiseram poupar os sobreviventes da luta mas gritaram contra os jesuítas: “Mata, mata, porque vão semear doutrina falsa no Brasil”. Inácio foi ao encontro deles, com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, dizendo a alta voz: “Todos me sejam  testemunhas como morro pela Fé católica e pela Santa Igreja Romana”. Já ferido mortalmente, dizia a seus companheiros: “Não choreis, filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos, hoje, um colégio no céu”.

 

O massacre se repetiria um ano depois, com outros 12 integrantes dessa expedição missionária, que ainda tentavam navegar rumo ao Brasil. Foi o martírio de Pero Dias e seus companheiros. Humanamente falando era uma catástrofe para a evangelização do Brasil, mas aos olhos de Deus os mártires são os melhores evangelizadores. Tanto na Europa como aqui em nossas terras, sobretudo, logo foram aclamados “Padroeiros do Brasil”, e conhecidos em toda a cristandade comovida como “Mártires do Brasil”, ou “40 Mártires”. O primeiro grupo de mártires, os 40 de julho de 1570, foi beatificado em 11 de maio de 1854, pelo Bem-aventurado Pio IX. Tratava-se, nesse caso, do reconhecimento e aprovação de um culto que já existia anteriormente. 40 Mártires do Brasil

 

Os Beatos Inácio de Azevedo e seus 39 companheiros sempre foram conhecidos em Portugal como “Mártires do Brasil”, e era assim que eles também eram conhecidos aqui desde o seu martírio. Muitos com razão os consideram brasileiros. Esses mártires sonhavam em vir trabalhar aqui, já nos amavam antes mesmo de terem tocado nosso chão. Mas mesmo assim, como considerá-los do Brasil sabendo que haviam sido martirizados em alto mar, sem ao menos ter “pisado” em solo brasileiro? Não obstante, pelo motivo de eles serem conhecidos como “Mártires do Brasil”, desde o início gostaríamos de mencioná-los neste site. Foi por pouco que não chegaram a trabalhar no Brasil. Estavam muito próximos de nós. Pensávamos em considerá-los numa seção à parte, como um sinal abençoado do que Deus estava por realizar um dia em terras brasileiras…

 

A história do martírio

 

A história deste martírio começou muitos anos antes…Vamos conhecer a vida de Pe. Inácio de Azevedo, que abandonou o sucesso que a vida lhe prometia para seguir a Cristo pobre e humilhado, na trilha de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem jesuíta. Como ele se encantou com Cristo e se pôs a seu serviço, quis levar muitos outros a fazer o mesmo, e em especial, a serviço das missões em terras brasileiras. Vamos agradecer a Deus o benefício espiritual que foi derramado sobre todos nós, sobre a Igreja do nosso país!

 

Beato Inácio de Azevedo

 

Inácio de Azevedo era natural do Porto, Portugal, nascido por volta de 1526, de família importante e influente, filho mais velho e portanto seu herdeiro principal, criado na corte portuguesa. Aos 22 anos, depois de fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio por 40 dias, abandonou as vaidades humanas e entrou para a ordem dos Jesuítas, abraçando a pobreza, a obediência religiosa e a castidade. Prosseguiu seus estudos no Colégio de Coimbra. Cedo revelou as suas grandes qualidades de chefe, e assim, de 1552 a 1556 assumiu a direção das escolas públicas fundadas em Santo Antão. Foi vice provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Além do trabalho de seus cargos, exercia seu apostolado sacerdotal nos hospitais, prisões e entre a população rural. Destacava-se pela penitência, oração e obras de misericórdia.A grande paixão de Inácio eram as missões! As notícias que vinham do Congo, Angola, Índia, Japão… o encantavam! No Brasil, Pe. Manoel da Nóbrega pedia reforços, e alguém capaz de reorganizar o trabalho já iniciado. Pela seu caráter empreendedor, ativo e enérgico, Inácio foi então escolhido. Em 1565 participou da Congregação Geral da sua Ordem em Roma, na qualidade de procurador das províncias jesuítas da Índia e do Brasil. O novo Propósito, São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o Visitador do Brasil.

 

Foi assim que ele veio para o nosso país e desde então passou a fazer parte da Província brasileira da Companhia de Jesus. Mais tarde se tornaria o nosso primeiro beato. Chegou à Bahia em 24 de agosto de 1566, juntamente com outros jesuítas. A incumbência revestiu-se de grande dinamismo e oportunas medidas de governo. O trabalho devia ser reestruturado, pois havia perdido arranque. Em novembro desse mesmo ano seguiu para o sul na armada de Mem de Sá, junto a alguns jesuítas, entre eles o Beato José de Anchieta e o Bispo Dom Pedro Leitão. Chegou ao Rio em 18 de janeiro de 67, assistindo aos últimos combates contra os tamoios e franceses. Visitou depois a Capitania de São Vicente, subindo até São Paulo de Piratininga. Resolvida a fundação de um colégio no Rio de Janeiro, para lá voltou em julho, com Dom Pedro Leitão, Pe. Manoel da Nóbrega e Anchieta. Do Rio partiu para a Bahia, onde chegou em março de 1568, visitando no caminho as casas do Espírito Santo, Porto Seguro e Ilhéus. [http://portalcot.com/reporter/beato-inacio-de-azevedo-e-39-companheiros-martires/]

 

A compreensão traz a fortaleza, que alimenta a amizade. (Selma Said)