Sábado, 17 de maio de 2008
6ª Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Sede o rochedo que me abriga, a casa bem definida que me salva. Sois minha fortaleza
e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)
Hoje: Dia Mundial das Telecomunicações
Santos: Félix (Confessor franciscano da Cantalícia, 1ª Ordem), João I (papa e mártir), Cláudia, Leonardo de Murialdo, Dióscoro, Teódoto, Tecusa e sete bem Aventuradas Virgens, Potamon (Bispo de Heracléia, Mártir), Érico (martirizado na Suécia), Venâncio (mártir), Guilherme de Toulouse (beato).
Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Tiago (Tg 3, 1-10)
Aquele que não peca no uso da língua é um homem perfeito
1Meus irmãos, não haja muitos que queiram ser mestres! Sabeis que nós, os mestres, estamos sujeitos a julgamento mais severo, 2pois todos nós tropeçamos em muitas coisas. Aquele que não peca no uso da língua é um homem perfeito, capaz de refrear também o corpo todo. 3Se pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, conseguimos dirigir o seu corpo todo. 4Reparai também nos navios: por maiores que sejam, e impelidos por ventos impetuosos, são, entretanto, conduzidos por um pequeníssimo leme na direção que o timoneiro deseja.
5Assim também a língua, embora seja um membro pequeno, se gloria de grandes coisas. Comparai o tamanho da chama com o da floresta que ela incendeia! 6Ora, também a língua é um fogo! É o universo da malícia! Fazendo parte dos nossos membros, a língua contamina o corpo todo e, atiçada como está pelo inferno, põe em chamas o ciclo de nossa existência! 7Com efeito, toda espécie de feras, de aves, de répteis e de animais marinhos pode ser domada e tem sido domada pela espécie humana. 8Mas a língua, nenhum homem consegue domá-la: ela é um mal que não desiste, e está cheia de veneno mortífero. 9Com ela bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à imagem de Deus. 10Da mesma boca saem bênção e maldição! Ora, meus irmãos, não convém que seja assim. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
A língua, nenhum homem consegue domá-la
A língua e as palavras, especialmente quando usadas com ares de quem quer erigir-se mestre sem razões para sê-lo, ou para acusar injustamente os irmãos, estraçalham a união entre os homens e dentro da Igreja. Deve haver liberdade de palavra na Igreja, mas não para ferir a caridade. Pode acontecer que a prontidão para falar, ensinar, contestar; supere de muito a de escutar; receber e praticar a palavra de Deus. O silêncio, a meditação e a atuação da palavra são hoje mais necessários do que nunca, mesmo para libertar-nos da alienação das palavras e das mensagens em demasia, estas freqüentemente corrosivas e dispersivas, que investem contra nós de todo lado.
Salmo: 11(12), 2-3.4-5.7-8 (R/.8a)
Senhor, salvai-nos! Já não há um homem bom! Não há mais fidelidade em meio aos homens! Cada um só diz mentiras a seu próximo, com língua falsa e coração enganador.
Senhor, calai todas as bocas mentirosas e a língua dos que falam com soberba, dos que dizem: "Nossa língua é nossa força! Nossos lábios são por nós! Quem nos domina?"
As palavras do Senhor são verdadeiras, como a prata totalmente depurada, sete vezes depurada pelo fogo. Vós, porém, ó Senhor Deus, nos guardareis para sempre, nos livrando desta raça!
Evangelho do dia: Marcos (Mc 9, 2-13)
Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. 3Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. 4Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". 6Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!" 8E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
9Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer "ressuscitar dos mortos". 11Os três discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que antes deve vir Elias?" 12Jesus respondeu: "De fato, antes vem Elias, para colocar tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, que o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado? 13Eu, porém, vos digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, exatamente como as escrituras falaram a respeito dele". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Contemplando o ressuscitado
A transfiguração de Jesus, no topo de um monte, prefigura a Ressurreição. Os discípulos escolhidos têm a possibilidade de contemplá-lo na condição de Ressuscitado. Todos os elementos da cena apontam para isso. As vestes resplandecentes, absolutamente brancas, lembram o mundo divino, ao qual Jesus pertence, e evocam alegria e vitória. A presença de Elias e Moisés indica ser Jesus o enviado definitivo do Pai, e também, o esperado na consumação dos tempos.
A reação de Pedro é característica de quem faz uma experiência do sobrenatural: querer perpetuar um momento privilegiado de contato com a divindade.
A intervenção do Pai, cuja voz faz-se ouvir do meio de uma nuvem, não dá margem para dúvidas. Efetivamente, os discípulos têm diante de si um ser celestial, Filho amado de Deus, a quem devem dar toda atenção. Exatamente, como poderão constatar após a Ressurreição.
Por conseguinte, o Jesus, que caminhará para a cruz, não será vítima de uma fatalidade histórica, nem um fracassado que não conseguiu impor o seu projeto. A transfiguração revela sua identidade de Filho amado do Pai, ao qual é absolutamente fiel. A ressurreição deixará patente esse amor. Após a morte ignominiosa de Jesus, na cruz, o Pai exaltará o Filho, ressuscitando-o para a gloriosa imortalidade. Aí a transfiguração não terá fim. E Jesus será glorioso para sempre!
São Pascoal Bailão[3]
Como irmão leigo, foi porteiro, cozinheiro, responsável pelos bens da comunidade e pela distribuição de esmolas. Nascido no Reino de Aragão, era irmão leigo franciscano e se destacou pela humildade, pela obediência e sobretudo pela devoção ao Santíssimo Sacramento, diante do qual permanecia longas horas em adoração. Foi enviado à França para tratar dos interesses da Ordem, na Espanha. Fez a viagem descalço e com o hábito franciscano e sob a ameaça dos calvinistas. Embora iletrado, é considerado um dos primeiros teólogos da Eucaristia. Isto não somente em virtude das disputas com os calvinistas, mas também pelos tratados que escreveu sobre o assunto. A sua espiritualidade tinha um cunho essencialmente eucarístico. Leão XIII proclamou-o patrono dos congressos eucarísticos internacionais.