Sábado, 17 de janeiro de 2009
Santo Antão (abade), Ofício de Memória, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Branca
O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano, plantão na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus. (Sl 91, 13-14)
Santos do Dia: Antônio, Merulo e João (monges de Santo André, em Roma), Aquiles da Grécia (eremita), Genulfo de Cahors (bispo), Juliano Sabas (eremita), Mariano, Espeusipo, Eleusipo,Meleusipo e Leonila (mártires), Nenídio da Irlanda (abade), Rosalina de Vilanova (cartuxa), Sabino de Piacenza (bispo), Sulpício (bispo de Bourges), José de Freising (monge, bispo, bem-aventurado), Rosalina de Villeneuve (virgem, bem-aventurada)
Oração: Ó Deus, que chamastes ao deserto santo Antão, pai dos monges, para vos servir por uma vida heróica, dai-nos, por suas preces, a graça de renunciar a nós mesmos e amar-vos acima de tudo.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
.
Leitura: Hebreus (Hb 4, 12-16)
É preciso aproximarmos com toda a confiança do trono da graça
Irmãos, 12a palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. 13E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas.
14Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o
Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15Com
efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas,
pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16Aproximemo-nos
então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia
e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Aproximemo-nos, com toda a confiança, do trono da graça
O homem moderno, que se sente tão fortemente atraído a um empenhamento sério em favor da construção de uma nova humanidade, deveria meditar estas palavras. O cristianismo compromete verdadeiramente o homem até o mais profundo de seu ser. Um cristianismo que nasce da “palavra de Deus, viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes”. Essa palavra de Deus julga “as disposições e intenções do coração”. O homem que quer ser cristão deve decidir-se a sê-lo inteiramente, deixando de lado o que pode constituir impedimento a isso. Jesus exprime repetidas vezes essa necessidade de uma decisão, até mesmo com palavras que parecem hiperbólicas: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus” (Lc 9, 62); “Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37); “O Reino dos Céus toma-se à força e os violentos o arrebatam” (Mt 11, 12). A pessoa é chamada a escolher e, se necessário, a deixar tudo.
Mas o homem será capaz de opções tão decisivas? O homem é fraco, medroso, indeciso, inconstante. Eis, pois, o convite, precioso sobretudo nos momentos de grandes decisões: “Aproximemo-nos, com segurança do trono da graça” (v.16).
Aspersão do povo nos domingos
O rito da bênção e aspersão da água benta pode ser feito em todas as missas de domingo, mesmo nas que se antecipam em horas vespertinas do sábado, em todas as igrejas e oratórios. Este rito substitui o ato penitencial que se realiza no início da missa.
Salmo: 18 (19B), 8.9.10.15 (R/.cf.Jo 6, 63c)
Vossas palavras são Espírito, são vida,
tendes palavras, ó Senhor, de vida eterna!
8A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.
9Os
preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é
brilhante, para os olhos é uma luz.
10É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.
15Que
vos agrade o cantar dos meus lábios e a voz da minha alma; que ela chegue até
vós, ó Senhor, meu rochedo e redentor!
Evangelho: Marcos (Mc 2, 13-17)
Jesus vai ao encontro dos pecadores
Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Levi se levantou e o seguiu. 15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: "Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?" 17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores". Palavra da Salvação!
Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos
Mt 9, 9; 10-13; Lc 8, 4-8;19-21 - Vocação de Levi e Refeição com os pecadores
Comentário do Evangelho[2]
Da marginalização ao discipulado
A passagem de Jesus pela vida de Levi provocou nele uma transformação considerável. Ele saiu imediatamente da marginalização sócio-religiosa para ingressar no discipulado, ao aceitar o convite do Mestre, exigindo dele a renúncia a uma atividade odiosa aos olhos de seus contemporâneos. Doravante, Levi não seria mais um publicano, e sim um discípulo de Jesus. A opção religiosa desse discípulo teve conseqüências também no plano social.
Na percepção de Jesus, porém, a mudança na vida de Levi deu-se num nível bem
diverso. A discriminação, devida à profissão de cobrador de impostos, era
irrelevante para o Mestre. Este procurava colocar-se acima dos preconceitos
humanos. Importava-lhe, antes, o que se passava no coração de Levi, sentado no
seu local de trabalho. Embora vivendo num ambiente corrompido e corruptor, sem
dúvida, ele mantinha um elevado padrão de religiosidade. Os preconceitos que
recaíam sobre sua categoria profissional não foram suficientes para levá-lo a
apegar-se aos bens materiais. Assim, quando Jesus passou, estava
suficientemente livre para segui-lo, sem restrições.
Ninguém ficou sabendo da mudança operada na vida de Levi, além dele mesmo, e do
próprio Mestre. O homem de fé viu concretizar-se o que, até então, era objeto
de esperança. Seguir o Messias Jesus significava ver realizada a promessa
divina. Assim, mais que uma marginalização social, Levi superou a verdadeira
marginalização religiosa, ao se fazer discípulo do Reino.
Para sua reflexão pessoal[3]
Cobradores de impostos e outros tipos de pecadores iam gradativamente sendo atraídos para o elenco de discípulos do Mestre, tal o seu carisma. Jesus ia ao povão, comia junto com eles e isso incomodava os fariseus; era uma cobrança descabida: se Ele é o Filho do Homem, por que come junto com qualquer um? Trazendo este episódio para os dias de hoje, concluímos quão somos fracos e pecadores também! O nosso orgulho, o nosso preconceito, a falta de simplicidade e de fraternismo nos afastam de muitos irmãos, principalmente dos carentes. Até temos boas idéias em nossas mentes mas, na prática, a nossa obra é fraca.
Santo Antão
Santo Antão é o mais conhecido monge da Igreja: costumava a pregar a necessidade do encontro consigo mesmo e com Deus. Aos 20 anos doou todos os seus bens, deixou a irmã menor sob a guarda de religiosas e foi para o deserto, no coração do Egito. Lá viveu a pão e água. Sua vocação era retiro e solidão. Havia alguns outros como ele denominados "eremitas" e mais comumente, anacoretas. A preferência de santo Antão era viver para sempre na solidão. Mas sua fama foi crescendo tanto que começaram a chegar discípulos de todos os lados. Foram construindo cabanas isoladas formando uma comunidade. Mas seu amor à solidão era tão grande que ao ver passar uma caravana de comerciantes aproveitou-se e viajou por três dias em busca de um novo lugar isolado. Viveu mais dezoito anos de solidão até que os discípulos o encontraram novamente, saudosos de suas pregações. Compreendeu então que a caridade era e é uma virtude mais querida por Deus e assim nasceu o mosteiro de Pispir que difundiu-se extraordinariamente, chegando a seis mil discípulos. (www.asj.org.br)
Se passares o tempo sem pensar na eternidade, passarás a eternidade a pensar no tempo. (Pe. Antônio Vieira)