Sábado, 16 de janeiro de 2010

I Semana do Tempo Comum - Ano “C”  (Ímpar) - 1ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Santos do Dia: Antônio Maria Pucci (presbítero), Arcádio da Mauritânia (mártir), Bento Biscop (abade), Cesária de Arles (abadessa), João de Ravena (bispo), Martinho de León (agostiniano), Probo de Verona (bispo), Satiro da Acaia (mártir), Tatiana de Roma (mártir), Tígrio e Eutrópio (mártires de Constantinopla), Vitoriano de Asan (abade), Zótico, Rogato, Modesto, Catulo e Companheiros (mártires da África), Bernardo de Corleone (capuchinho, bem-aventurado), João Gaspar Cratz, Manuel d'Abreu, Bartolomeu Alvarez e Vicente da Cunha (jesuítas, mártires do Vietnam, bem-aventurados), Margarida Bourgeoys (virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, bem-aventurada), Pedro Francisco Jamet (presbítero, bem-aventurado)

 

Antífona: Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só foz: Eis aquele cujo poder é eterno.

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 1Sm 9, 1-4.17-19; 10, 1a
Saul reinará sobre o meu povo

 

1Havia um homem de Benjamin, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, um benjaminita, homem forte e valente. 2Ele tinha um filho chamado Saul, de boa apresentação. Entre os filhos de Israel não havia outro melhor do que ele: dos ombros para cima sobressaía a todo o povo. 3Ora, aconteceu que se perderam umas jumentas de Cis, pai de Saul. E Cis disse a seu filho Saul: "Toma contigo um dos criados, põe-te a caminho e vai procurar as jumentas". Eles atravessaram a montanha de Efraim 4e a região de Salisa, mas não as encontraram. Passaram também pela região de Salim, sem encontrar nada; e, ainda pela terra de Benjamim, sem resultado algum.

 

17Quando Samuel avistou Saul, o Senhor lhe disse: "Este é o homem de quem te falei. Ele reinará sobre o meu povo". 18Saul aproximou-se de Samuel, na soleira da porta, e disse-lhe: "Peço-te que me informes onde é a casa do vidente". 19Samuel respondeu a Saul: "Sou eu mesmo o vidente. Sobe na minha frente ao santuário da colina. Hoje comereis comigo, e amanhã de manhã te deixarei partir, depois de te ter revelado tudo o que tens no coração". 10,1aNa manhã seguinte, Samuel tomou um pequeno frasco de azeite, derramou-o sobre a cabeça de Saul e beijou-o, dizendo: "Com isto o Senhor te ungiu como chefe do seu povo, Israel. Tu governarás o povo do Senhor e o livrarás das mãos de seus inimigos, que estão ao seu redor". Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Este é o homem de quem te falei.

Saul reinará sobre o meu povo

 

Quando Saul imprevistamente toma conhecimento, pelas palavras de Samuel, de ser o eleito, faz notar que pertence à menor das tribos de Israel. Isto se enquadra no estilo de ação de Deus. Jesus também escolherá entre os pobres e humildes os continuadores de sua obra. O anúncio da maternidade divina será feito a uma jovem, talvez a mais pobre e humilde dentre todas as mulheres de Israel: “O Senhor olhou para a pequenez de sua serva”.

 

Mas do que Samuel, estamos hoje em condições de ver nas transformações o plano de Deus. A realeza nasce em Israel, Javé aceita consagrá-la, porque ela está a serviço do reino de Deus que se anuncia. Esse reino de Deus pode precisar dos reis, mas não se confunde com seu império. Esta lei impedirá sempre que um rei de Israel se assemelhe aos reis absolutistas e divinizados das outras nações. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 20(21), 2-3.4-5.6-7 (R/.2a)
Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra

 

Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra; quanto exulta de alegria em vosso auxilio! O que sonhou seu coração, lhe concedestes; não recusastes os pedidos de seus lábios.

 

Com bênção generosa o preparastes; de ouro puro coroastes sua fronte. A vida ele pediu e vós lhe destes, longos dias, vida longa pelos séculos.

 

É grande a sua glória em vosso auxílio; de esplendor e majestade o revestistes. Transformastes o seu nome numa bênção, e o cobristes de alegria em vossa face.

 

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 2, 13-17)
Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores

 

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Levi se levantou e o seguiu. 15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16Alguns doutores da lei, que eram fariseus, viram que. Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: "Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?" 17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores". Palavra da Salvação!

 

 

O ministério de Jesus na Galiléia.  Leitura paralelas: Lc 5, 29-32 (Vocação de Levi); Mt 9, 10-13 e Lc 5, 29-32 (Refeição com os Pecadores). O evangelho de hoje é válido para o sábado da 1ª semana do tempo comum; a I leitura e o Salmo Responsorial são específicos para os anos pares

 

 

Comentário o Evangelho

Da marginalização ao discipulado

 

A passagem de Jesus pela vida de Levi provocou nele uma transformação considerável. Ele saiu imediatamente da marginalização sócio-religiosa para ingressar nó discipulado, ao aceitar o convite do Mestre, exigindo dele a renúncia a uma atividade odiosa aos olhos de seus contemporâneos. Doravante, Levi não seria mais um publicano, e sim um discípulo de Jesus. A opção religiosa desse discípulo teve conseqüências também no plano social.

 

Na percepção de Jesus, porém, a mudança na vida de Levi deu-se num nível bem diverso. A discriminação, devida à profissão de cobrador de impostos, era irrelevante para o Mestre. Este procurava colocar-se acima dos preconceitos humanos. Importava-lhe, antes, o que se passava no coração de Levi, sentado no seu local de trabalho. Embora vivendo num ambiente corrompido e corruptor, sem dúvida, ele mantinha um elevado padrão de religiosidade. Os preconceitos que recaíam sobre sua categoria profissional não foram suficientes para levá-lo a apegar-se aos bens materiais. Assim, quando Jesus passou, estava suficientemente livre para segui-lo, sem restrições.

Ninguém ficou sabendo da mudança operada na vida de Levi, além dele mesmo, e do próprio Mestre. O homem de fé viu concretizar-se o que, até então, era objeto de esperança. Seguir o Messias Jesus significava ver realizada a promessa divina. Assim, mais que uma marginalização social, Levi superou a verdadeira marginalização religiosa, ao se fazer discípulo do Reino. [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

São Marcelo

 

Este foi um dos primeiros mártires da cristandade: tornou-se Papa num período terrível para Roma, logo após a queda do imperador Deocleciano. Sua função inicial foi reorganizar paróquias devastadas pelo terrível imperador de Roma. Marcelo impôs que o castigo deveria ser dado de acordo com o tamanho do crime. Essa sua decisão foi repudiada e todos ficaram contra ele, tanto que o imperador Maxentius mandou-o para o exílio. Não mais Papa e sim "escravo do Imperador" trabalhou em estábulos em grandes humilhações. Nove meses após, conseguiu fugir e foi encontrado aos trapos, machucado, por uma senhora muito piedosa que por sua vida veio a ser canonizada (santa Lucina) que cuidou dele, acolhendo-o em sua casa. Assim que se recuperou, Marcelo retornou às suas atividades sacerdotais, transformando o lar daquela senhora em uma igreja improvisada. Ali catequizava, celebrava Missas, ouvia confissões, batizava. Quando o Imperador soube disso, ordenou que alguns escravos invadissem o local e colocassem gados dentro daquela casa de orações, como uma forma de tirá-lo dali e assim Marcelo ficar sem lugar para viver. Mas Marcelo permaneceu até morte e ainda tomou conta dos animais. Embora não tenha sofrido uma morte cruel, foi considerado mártir e não por pouco.

 

Fazendo o bem, nos tornamos bons, praticando a justiça nos

tornamos misericordiosos. (Frei Anselmo Fracasso)

 

Não esperes que cheguem as circunstâncias ideais nem a melhor

ocasião para atuar, porque talvez não cheguem nunca. (Anônimo)

 

“Das ordens mendicantes que surgiram nesse período, as mais conhecidas são os Frades Menores e os Frades Pregadores, conhecidos como Franciscanos e Dominicanos. São chamados assim devido ao nome dos seus fundadores, Francisco de Assis e Domingos de Guzmão, respectivamente. Estes dois grandes santos tiveram a capacidade de ler com inteligência “os sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja da sua época deveria enfrentar.” (Papa Bento XVI)