Sábado, 15 de outubro de 2011

Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória, 4ª do Saltério, cor Branca

 

Hoje: Dia do Professor e Dia do Normalista

 

Santos: Agileu de Cartago (mártir), Antíoco de Lião (bispo), Aurélia de Estrasburgo (virgem), Calisto de Huesca (mártir), Canato de Marselha (bispo), Eutímio, o Tessalonicense (abade), Fortunato de Roma (mártir), Leonardo de Vandoeuvre (abade), Sabino de Catânia (bispo), Severo de Trèves (bispo), Tecla de Kitzingen ou Tecla da Inglaterra (abadessa).

 

Antífona: Como a corça que suspira pelas águas da torrente, assim minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo. (Sl 41, 2-3)

 

Oração: Ó Deus, que pelo vosso Espírito fizestes surgir santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Romanos (Rm 4, 13. 16-18)
Ele firmou-se na esperança

 

Irmãos, 13não foi por causa da Lei, mas por causa da justiça que vem da fé, que Deus prometeu o mundo como herança a Abraão ou à sua descendência. 16É em virtude da fé que alguém se torna herdeiro. Logo, a condição de herdeiro é uma graça, um dom gratuito, e a promessa de Deus continua valendo para toda a descendência de Abraão, tanto para a descendência que se apega à Lei, quanto para a que se apóia somente na fé de Abraão, que é o pai de todos nós. 17Pois está escrito: "Eu fiz de ti pai de muitos povos". Ele é pai diante de Deus, porque creu em Deus que vivifica os mortos e faz existir o que antes não existia. 18Contra toda a humana esperança, ele firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: "Assim será a tua posteridade" Palavra do Senhor!

 

 

Comentário

Contra toda a humana esperança, ele firmou-se na esperança

 

Nossas pobres experiências de fidelidade nos tornam desconfiados. Em qualquer encontro tememos que o outro procure possuir-nos, ocupar alguma coisa nossa. Defendemo-nos de muitas maneiras – até de Deus – muitas vezes com urbanidade, ou com a observância de um regulamento que salva as aparências e impede um encontro leal, em profundidade . Mas o reino de Deus não se desenvolve através de processos burocráticos. Não são os “honestos funcionários” que o fazem progredir, mas as pessoas que alimentam a esperança no Senhor e estão dispostas a segui-lo por caminhos imprevisíveis, aqueles que, como Abraão, fazem da própria vida uma resposta de contínua confiança à fidelidade de Deus. [MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 104 (105), 6-7. 8-9. 42-43 (R/. 8a)
O Senhor se lembra sempre da aliança

 

Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra. 

 

Ele sempre se recorda da aliança, promulgada a incontáveis gerações; da aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac. 

 

Ele lembrou-se de seu santo juramento, que fizera a Abraão, seu servidor. Fez sair com grande júbilo o seu povo, e seus eleitos, entre gritos de alegria.

Evangelho: Lucas (Lc 12, 8-12)
O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 8"Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. 11Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. 12Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 10, 17-20; 32-33; Lc 21, 12-15.

 

 

 

Comentário o Evangelho

A favor ou contra Jesus

A comunidade cristã tem como tarefa testemunhar publicamente sua fé. Este testemunho acontece no seio de um mundo hostil, nem sempre disposto a acolher mensagem do Reino.

 

E o discípulo encontra-se, muitas vezes, em situações nas quais sua fé é posta em xeque. É, então, o momento de se decidir a favor ou contra Jesus. E sua vida que está em jogo: renegá-lo significa sobreviver, tomar partido em favor dele significa morrer.

 

Evidentemente, a decisão fica por conta do discípulo. Se tiver uma fé robusta e coragem suficiente para suportar as consequências de sua opção, será capaz de declarar sua fé. Se, pelo contrário, tiver uma fé inconsistente e um caráter frágil, negará sua condição de discípulo de Jesus, declarando não conhecê-lo.

 

A exortação do Mestre chama a atenção dos seus seguidores para as consequências mais radicais de sua decisão. Mais do que a vida física e a segurança material, na decisão está implicada sua sorte eterna. Quem se colocar a favor de Jesus nesta vida, pode estar certo de tê-lo a seu favor no momento do juízo divino. Quem o negar publicamente, não o terá como defensor, quando for julgado por Deus.

 

Nos momentos difíceis, o discípulo deve contar com a ajuda do Espírito Santo. É ele quem lhe dará forças para proclamar, com destemor, sua fé. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

A Palavra de faz oração (Missal Cotidiano)

Pelos cristãos, chamados anunciar e viver o evangelho em todas as circunstâncias, rezemos: Atendei, Senhor, a vossa prece.

Por todos os que, com sua vida, colaboram com o projeto de Deus, rezemos.

Pelos perseguidos na luta pela justiça, para que sejam livres de todo medo, rezemos.

Pelos jovens que se deixam guiar por valores humanos e cristãos, rezemos.

Pelos professores, que têm a difícil missão de ensinar, rezemos.

(outras intenções)

 

Sobre as Oferendas:

Ó Deus, que nossas oferendas agradem à vossa majestade, como soube agradar majestade, como soube agradar-vos santa Teresa, consagrando-se inteiramente a vós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Senhor, quero cantar eternamente a vossa misericórdia e vossa fidelidade de geração em geração. (Sl 88,2)

 

Depois da Comunhão:

Senhor, nosso Deus, concedei à vossa família, saciada com o pão do céu, cantar eternamente as vossas misericórdias, à semelhança de santa Teresa. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Hipocrisia pretende ser síntese das atitudes denunciadas; é dissimular o interior com o exterior, é inverter a escada de valores, é confundir ao invés de esclarecer. Mais que um delito específico é o arbítrio, um fermento que penetra e corrompe toda a massa. Diante da simulação e da hipocrisia, recomenda-se a sinceridade, tendo em conta o resultado. É convite e advertência. Convite a partilhar o bem aprendido; advertência de que um dia serão arrancadas máscaras e disfarce. A frase clássica de encorajamento “não temais” tem aqui uma explicação. O fogo aniquila o que a morte deixa; mata-se e depois se queima totalmente: “mataram a fera, esquartejaram-na e a atiraram no fogo” (Is 66, 24; Dn 7, 11). Correlativo de não temer e confiar. Curioso é que seja a mesma personagem a que pode ditar sentença de condenação e a que cuida dos desvalidos como de pássaros indefesos. Do paradoxo segue-se que o que se deve realmente temer é fazer-se merecedor da condenação; em outras palavras, a pessoa teme a si mesma, não os outros, cujo poder alcança só esta vida, não a “segunda morte” (Ap 21,8). (Bíblia do Peregrino)

 

Santa Teresa de Jesus

 

 

 

 

Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu em Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza espanhola, no dia 28 de março de 1515 e morreu em Alba de Tormes, Salamanca, no dia 4 de outubro de 1582.  Seus pais se chamavam Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila y Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos de seu primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove. A respeito de seus irmãos e meio-irmãos, nossa Santa não hesita em afirmar: “pela graça de Deus, todos se assemelham a meus pais nas virtudes, exceto eu”.

 

Aos sete anos, gosta muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. Em Adaja encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo  colocou  toda  a  culpa  na  irmã.  Com  o  fracasso  de seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguir terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão. Em seu quarto tinha um quadro que representava Jesus falando à Samaritana. Ela gostava de repetir diante do quadro: “Senhor, dá-me de beber para que eu não volte a ter sede”.

 

A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos: “Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha”.  Quando completou quinze anos, o pai levou-a a estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, para onde iam as jovens de sua classe social.

 

Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu seu pai a levou para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraia por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das “Cartas” de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. Temendo fraquejar em seu propósito, a santa foi visitar escondidamente sua amiga Joana Suárez, que era religiosa no convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.

 

Teresa ficou no convento da Encarnação. Tinha 20 anos. Seu pai, ao vê-la tão decidida, deixou de opor-se à sua vocação. Um ano depois fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente impaludismo, se agravou. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: “O terceiro alfabeto espiritual”, do Pe. Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo.

 

Sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto a levou a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que suas enfermidades a impediam de meditar.

 

Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, “por piores que fossem”.

 

Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com frequência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das “Confissões” de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: “Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual”.  Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado na agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensanguentado, perguntou: “Senhor, quem vos colocou aí?” Pareceu-lhe ouvir uma voz: “Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa”. Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.

 

As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía 140 religiosas.

 

Teresa comentará: “A experiência me ensinou o que é uma casa cheia de mulheres. Deus nos livre deste mal”. Já que esta situação era aceita como normal, as religiosas não se davam conta de que seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. Assim, quando uma sobrinha de Santa Teresa, também religiosa no convento da Encarnação, deu-lhe a idéia de fundar uma comunidade reduzida, a santa considerou este pensamento como uma revelação do céu. A Santa, que já estava há 25 anos naquele convento, resolveu colocar em prática o plano de fundar um convento reformado. Dona Guiomar de Ulloa, uma viúva rica, ofereceu-lhe uma generosa ajuda para este empreendimento.   

 

São Pedro de Alcântara, São Luís Beltrán e o bispo de Ávila, aprovaram o projeto.  O provincial dos Carmelitas, Pe. Gregório Fernández, autorizou Teresa a colar seu plano em prática. Contudo, a execução do projeto causou muitos comentários e o provincial retirou a permissão. Santa Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o dominicano Pe. Ibañez, incentivou Teresa a prosseguir seu projeto com a ajuda de Dona Guiomar.

 

Dona Joana de Ahumada, irmã de Santa Teresa, iniciou com seu esposo a construção de um convento em Ávila em 1561, mas fazendo crer a todos que se tratava de uma casa para sua própria habitação. Durante a construção, uma parede do futuro convento caiu sobre o pequeno Gonzalo, filho de Dona Joana, que estava brincando por ali. Santa Teresa tomou o menino inerte em seus braços e começou a rezar. Alguns minutos depois o menino estava perfeitamente são, conforme consta do processo de canonização.

 

São Pedro de Alcântara, Dom Francisco de Salcedo e o Dr. Daza, conseguiram que o bispo tomasse a causa da fundação do novo convento para si. Eis que chega de Roma a autorização para se criar a nova casa religiosa, o que ocorreu no dia de São Bartolomeu, em 1562. Durante a missa receberam o véu a sobrinha da santa e outras três noviças.

 

A inauguração causou grande reboliço em Ávila. Nesta mesma tarde, a superiora do convento da Encarnação mandou chamar Teresa e a santa a procurou com certo temor, “pensando que iam encarcerar-me”. Teve que explicar sua conduta à superiora e ao Pe. Angel de Salazar, provincial da Ordem. A Santa reconhece que não faltava razão a seus superiores por estarem desgostosos. Mesmo assim, o Pe. Salazar lhe prometeu que ela poderia retornar ao convento de São José logo que se acalmassem os ânimos da população.

 

 A fundação não era bem vista em Ávila, porque as pessoas desconfiavam das novidades e temiam que um convento sem recursos se transformasse em um peso para a cidade. O prefeito e os magistrados teriam mandado demolir o convento, se não tivessem sido dissuadidos pelo dominicano Bañez. Santa Teresa não perdeu a paz em meio às perseguições e prosseguiu colocando a obra nas mãos de Deus.

 

Francisco de Salcedo e outros partidários à fundação enviaram à corte um sacerdote que defendesse a causa diante do rei. Os dois dominicanos Báñez e Ibáñez acalmaram o bispo e o provincial. Pouco a pouco a tempestade foi-se acalmando. Quatro meses depois, o Pe. Salazar permitiu que Santa Teresa e suas quatro religiosas retornassem ao convento de São José.

Teresa estabeleceu em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade vivia na maior pobreza. As religiosas vestiam hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas “descalças”) e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A fundadora, a princípio, não aceitou comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que possuíam alguma renda, aceitou que residissem vinte monjas.

 

A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as coisas materiais para o serviço de Deus. Certa ocasião disse: “Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”.

 

Encontrou certo dia em Medina del Campo dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz.

Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um conventinho de frades em Duruelo em 1568. Em 1569 fundou o de Pastrana. Em ambos reinava a maior pobreza e austeridade. Santa Teresa deixou o resto das fundações de conventos de frades a cargo de São João da Cruz.

 

Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem que eximia os carmelitas descalços da jurisdição do Provincial dos Calçados. Sem dúvida, era uma mulher excepcionalmente dotada. Sua bondade natural, sua ternura de coração e sua imaginação repleta de graça, equilibradas por uma extraordinária maturidade de juízo e uma profunda intuição, ganharam-lhe o carinho e o respeito de todos. Teve  razão o poeta Crashaw ao referir-se a Santa Teresa sob os símbolos aparentemente opostos: “a águia” e “a pomba”. Quando era necessário, a Santa enfrentava as mais altas autoridades civis ou eclesiásticas. Mas a águia não mata a pomba, como pode-se perceber  numa  carta que escreveu a um sobrinho que levava uma vida alegre e dissipada.

 

O forte gênio e a franqueza de Teresa jamais saíram das medidas. Numa ocasião um cavalheiro indiscreto louvou a beleza de seus pés descalços. Teresa começou a rir e disse-lhe para olhá-los bem porque assim jamais quereria vê-los.

 

Em 1580, quando estabeleceu-se a separação entre os dois ramos do Carmelo, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde estava muito debilitada. Nos últimos anos de sua vida fundou outros dois conventos. As fundações da Santa não eram simplesmente um refúgio das almas contemplativas, mas também uma espécie de reparação pelos destroços causados nos mosteiros pelo protestantismo, principalmente na Inglaterra e na Alemanha.

 

Na fundação do convento de Burgos, que foi a última, as dificuldades não diminuíram. Em julho de 1582, quando o convento já ia com suas obras adiantadas, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila, mas viu-se forçada a mudar seus planos para ir a Alba de Tormes visitar a duquesa Maria Henríquez. A Beata Ana de São Bartolomeu afirmou que a viagem não estava bem programada e que a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Certa noite só puderam comer alguns figos. Chegando a Alba, Teresa teve que deitar-se imediatamente. Três dias depois, disse à Beata Ana de São Bartolomeu: “Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte”. O Pe. Antonio de Heredia ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando o mesmo padre levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e exclamou: “Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!” Ela morreu nos braços da Beata Ana às 9 horas da noite de 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte entrou em  vigor a reforma gregoriana do calendário, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.

 

Teresa é uma das personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém urna doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostram absorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita,  que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir,  não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".

 

Foi canonizada em 1662. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja. [http://geocities.yahoo.com.br/monjascarmelitas/teresa.html em 14/10/2008]

 

 

Oração de Santa Teresa de Jesus

 

Ó Santa Teresa de Jesus, vós sois a mestra da genuína oração e nos ensinais a rezar conversando com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ó Santa Teresa, ajudai-nos a rezar com fé e confiança, sem nunca duvidar da bondade divina. Ajudai-nos a rezar com inteira conformidade de nossa vontade com a vontade de Deus, com insistente perseverança até alcançarmos aquilo que necessitamos.

 

Ó Santa Teresa de Jesus, fazei-nos fiéis a nossa oração da manhã e da noite e a transformar em oração o cumprimento de nossas tarefas de cada dia. Que a oração seja para nós a porta de nossa conversão e santificação e a chave de ouro que nos abrirá a porta do Céu. Amém. Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!

 

Santa Teresa, virgem esposa, especialmente amada do Crucificado, doutora da Igreja, permiti que, imitando-vos perfeitamente, eu possa cumprir a vontade e ganhar a amizade do Sumo Bem, antes de buscar as alegrias do mundo. Apesar de todas as minhas contradições e defeitos, dai-me força para seguir vosso exemplo e seguir plenamente a Cristo com aquela perfeição que Ele pede. Com o vosso auxílio eu possa superar as dificuldades desta vida e merecer o repouso sem fim no céu. Amém.

 

 

Oração do Professor


Obrigado, Senhor, por atribuir-me à missão de ensinar e por fazer de mim um professor no mundo da educação. Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons. São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na graça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento. Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir. Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar. Senhor! Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir. Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho. Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim um educador hoje e sempre. Amém!

 

Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão

não morre o educador que semeações escreve na alma. (Bertoldo Brecht)